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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Pondo os pingos nos is...

A turminha mal acaba as eleições já colocou o bloco na rua e estado após estado começam a aparecer leis em estágio de audiência pública a respeito de criar conselhos que regulem a mídia.

São os os objetivos principais:

a) Pulverizar o dinheiro público evitando concentra-lo na grande mídia;
b) Defender a cultura nacional incluso nessa cultura as artes, musica, lingua, valores, etc;
c) Controlar o conteúdo se o mesmo atenta contra os itens acima, etc e tal.

Agora, leitor amigo, partindo do principio saudável que o senhor é um sujeito equilibrado, que tem boa compreensão do texto escrito e é um falante competente da lingua materna, pergunto-lhe:

Alguns patriotas ávidos de defender o belo e o virtuoso queriam banir a obra de Monteiro Lobato por conta de uma leitura racial que sequer era a intenção do autor na época que escreveu suas obras. Consegue imaginar o que esses valentes aceitariam como conteúdo de rádios e televisões?

Filmes como "E o vento levou" receberão a marca da danação eterna. Muito provavelmente, toda a obra cinematográfica dos saudosos "trapalhões" seria considerada indecorosa e preconceituosa por conta das brincadeiras envolvendo a cor do Mussum, a origem nordestina de Didi e a homossexualidade de Zacarias; coisas que virava e mexia, apareciam como temas de brincadeiras entre eles.

Pondo os pingos nos is.

O objetivo é minar financeiramente a malvada Globo, a Satânica VEJA e os hediondos jornalões FSP e Estadão, já que o quarteto é considerado na blogosfera militante, como a imprensa golpista, e por ai vai. Se esquecem os iluminados que a VEJA não é o maior semanário lido por ter pacto com o demônio mas pela qualidade de seu trabalho embora ela seja criticada em verso e prosa pela "nova imprensa".

A Globo perdeu espaço para as demais e ainda assim representa o dobro de assistência das demais. E isso ocorre não porque exista uma lei da física quântica a impelir os televisores a ficarem sintonizados na emissora. Existe a questão da qualidade.

E nem se fale dos jornais. Uma pesquisa sem a mistificação esquerdopata da blogosfera militante demonstra que a FSP por exemplo contem artigos as dezenas criticando a oposição, desqualificando partidos como o DEM, criticando o governo do estado, mas basta um artigo criticando o governo federal e ele é escorraçado como sendo golpista.

O Estadão então...uma lei censurou previamente proibindo o veiculo de noticiar fatos a respeito do clã Sarney, hoje amigo de infância do presidente e a blogosfera deitou e rolou desqualificando a posição de agredido que o veiculo ostentava com razão. A razão seria de que ela queria era fazer campanha contra o governo e ela não podia publicar material sigiloso que havia vazado. Pois bem, os mesmos agora elevam ao panteão dos heróis mitológicos o hacker australiano que publicou material sigiloso que havia vazado. Deu pra entender? Se ainda não, explico: o hacker vazou documentos que ridicularizam principalmente os EUA, a vitima de dez entre dez esquerdistas apoiadores de Cuba. Já o Estadão queria publicar fatos reveladores sobre os Sarneys que são a base de sustentação do governo no senado e que dez entre dez esquerditas já esqueceram que o estado natal e controlado por eles afunda na pobreza na proporção inversa da riqueza familiar.

E é claro, algum dos críticos da malvada grande imprensa lembra que os antigos coroneis do nordeste continuam mandando aliados do governo e esses são os donos das mídias em seus estados e essas mídias na maioria reproduzem material da grande imprensa ou são retransmissoras da Globo? Pois é, isso a turminha não lembra.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Uma questã de seletividade

Um blog nunca, repito nunca é isento na acepção da palavra. Um blog essencialmente exibe a opinião do blogueiro. Na verdade sua predileção por determinado assunto, ponto de vista, doutrina, crença e ideologia.

O problema surge quando o blogueiro se declara ou apresenta a imagem de isento, quando suas postagens apresentam a imagem oposta.

A nota da vez que fica como exemplo, são as falas dos atuais candidatos melhor posicionados nas pesquisas, e como certos blogs trataram a questão.

A primeira fala é da Sra Dilma candidata petista. Em um evento, a rigor, proibido por lei, a mesma discursando falou que não fugia mesmo que apanhasse. Como a unica vez que chegou perto da violência física foi no seu temp de guerrilheira quando fazia parte de grupos terroristas contra a ditadura militar que governou o país na década de 60 até inicio dos anos 80; a frase automáticamente acaba inferindo a comparação com aqueles que fugiram, no caso o candidato da oposição. A imprensa percebeu, repercutiu e quem é aliado dela, relativizou e quem é adversário desceu o porrete. E os blogs, que se autodenominam a quintessência da verdade? Pau na imprensa golpista, etc e tal.

Luis Nassif em seu blog, que se declara isento nas questões, postou um artigo defendendo a candidata demonstrando que ela nada falou ou melhor que nâo se referia a adversários.

A segunda fala é do presidente da republica. Ele citou o evento da campanha da oposição e mencionou que o ápice do discurso foi a declaração do ex-governador mineiro favorável a privatização das estatais.

Como na outra fala, a imprensa repercutiu a fala. E os blogs? Pau no ex-governador. Ai vem o Reinaldo Azevedo por exemplo e posta o discurso provando que o presidente, pra dizer o mínimo equivocou-se na fala.

Luis Nassif em seu blog, que se declara isento nas questões, até o presente momento nada postou sobre a fala do presidente e que nada tem a ver com o que foi dito realmente.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A Questão da Imprensa

A imprensa, em todos os seus formatos deve ser livre, livre até para errar.

O estado em todas suas instâncias, municipal, estadual e federal possuem meios de comunicação; emissoras de rádio, televisão, jornais oficiais. No caso da televisão, como são concessões, o governo pode dispor de espaço para comunicações importantes.

Com tantos meios a disposição, porque existe uma eterna luta de governos de plantão e imprensa, principalmente nessa década?

Talvez porque bons resultados ecnômicos e sociais alimentem os desejos incontidos de poder de governantes; ou porque querem apenas e tão somente a unanimidade.

Existe uma crítica, que é na verdade um método usado para desqualificar denúncias de corrupção, malversação de dinheiro público, etc, colocando as atuais denúncias no Senado como sendo fábrica de denúncias antigas. Existiria um interesse da imprensa em atingir esse ou aquele por conta de interesses políticos.

A bem da verdade o que se vê é a denúncia de coisas feitas a longo tempo e não denúncia de coisas antigas.

Além do mais, até agora a imprensa não inventou nada, mas partindo de uma situação específica, que foi a denúncia por parte de um ex-funcionário a coisa foi aparecendo. A cada enchadada aparece uma minhoca.

O que se deve fazer então? Se as minhocas são comuns deixar pra lá e no lugar dar manchete de ações positivas desse ou daquele governo? Ora, milhões são gastos pelos diferentes poderes em propaganda, marketing e profissionais dessa área como jornalistas, marqueiteiros e consultorias. Porque exigir da imprensa que deve ser livre, um auto-patrulhamento que os próprios poderes e seus representantes não praticam?

Espera-se em tese, numa democracia representativa que os representantes sejam os melhores elementos dos representados. É só por essa razão que condenados por crimes não podem ser eleitos. Mas e os acusados de crimes? Bem, nesse caso existe a presunção da inocência; mas de qualquer forma é um fato estranho que mutos desses estejam as voltas com problemas na justiça.

Meu pai foi a maior parte de sua vida um funcionário de banco público. Uma das regras do banco era e ainda é a exigência de que o nome do bancário esteja e seja limpo. Sua preocupação em quitar dívidas evitando protestos ao seu nome era uma preocupação constante.

Mas se não fosse exigência do banco? Bem, ele é aposentado e ainda assim possui a mesma preocupação.

Nesse caso, a exigência normativa exigia um cumprimento que seu caráter já daria como resultado independente de haver norma; já que a mudança da situação (não estar obrigado pela norma), não mudou seu hábito.

Fico a me perguntar porque é tão difícil que pessoas em cargos públicos de relevância rapidamente esquecem do caráter, porque é impossivel imaginar que tantas pessoas seriam sem caráter e mesmo assim terem aprovação de seus representados.

O que se perdeu no caminho?

De quaquer forma, fica mais fácil colocar a culpa na imprensa.

Mas sem ela, os fatos denunciados não teriam ocorrido? Ou apenas as denúncias e a necessidade de explicação e expiação não se fariam necessários?

Um antigo sábio escreveu que "...homem governa homem para seu próprio prejuizo..." - Vivo, diria: "...eu não disse?"

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A Questão dos diplomas para Jornalista

O STF decidiu que não é necessário o diploma de jornalista para prática do jornalismo.

Isso feito, começou uma avalanche, na blogosfera, de críticas ao STF.

1a. bobagem:

O STF não extinguiu as faculdades de jornalismo, mas a exigência do diploma de jornalismo para exercer essa profissão. São coisas distintas. Existem diversos cursos de ensino superior cuja existência como profissão não estão devidamente documentadas como profissionais de TI por exemplo e nem por isso, o valor do curso superior é relativizado.

Venhamos e convenhamos, para ser jornalista é necessário saber ler e escrever bem na lingua mãe, se possivel em outras e construir conhecimento na área que deseja cobrir.

2a. bobagem:

A questão da ética. Ética e educação são dadas em casa. São os famosos valores e principios que ninguem deveria, deles abrir mão. A faculdade não torna ninguem mais virtuoso ou menos. A pessoa assim se colocará a depender de suas escolhas morais.

3a. bobagem:

Isso visa o interesse dos meios de comunicação que querem pagar salários menores. Isso é ridiculo. Qualquer um a procura de emprego sabe que até para auxiliar de escritório estão exigindo curso superior e cargos de gerência, exigem pós graduação, MBAs, etc.

O Brasil tem uma classe de trabalhadores que é uma massa enorme da população, jovem recem-saida dos bancos escolares ou faculdades. A procura é maior que a capacidade do mercado de absorver esses profissionais. Então as empresas elevam os padrões para tornar o funil menor e com isso escolher os "mais capacitados". Vai daí que a maioria delas opta "qualificações mínimas" e entre essas está o curso superior.

Como a mão de obra no Brasil é barata porque a CLT torna cara esse contratação não o salário, porque uma empresa contrataria alguem sem curso superior se pode pegar alguem com ele, se o salário será o mesmo?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A questão da "ditabranda" e os chiliques em torno do editorial da FSP

Mino Carta era até poucos dias o queridinho das esquerdas e a "alternativa" a VEJA. No entanto bastou criticar o governo no caso do bandido italiano condenado, Cesar Battisti; para ser bombardeado pela turminha saudosa do conjuntinho boina, barba, estrela vermelha.

Cito o caso do Mino Carta, apenas para demonstrar que para um certo grupo de como chamarei, pensadores, a constância é uma qualidade posta em prática. A constância com que batem indicriminadamente em quem canta fora do tom exigido por essa turma, não importando ser amigo ou inimigo é de deixar o queixo caido.

E ai, na semana anterior ao carnaval, eu um verdadeiro grito de pré-carnaval, o que ocorreu?

A FSP, notória, no ponto de vista dessa troupe, como sendo membro fundador de um tal de pig; fez um editorial sobre a vitória de Hugo Chavez nas suas ultimas eleições, na qual ele levou o, como direi, direito de se reeleger ad eternun no cargo de presidente, como fazia Fidel, sendo que lá a eleição pró-forma era indireta, com ele como candidato único e na Venezuela, supostamente serão eleições majoritarias livres, com supostamente, vários candidatos.

Em dado momento do editorial, houve um brevissimo comentário chamando os sucessivos governos militares que o Brasil sofreu na década de 60 e 70 do século passado como ditabrandas, num trocadilho com o termo ditadura; porque esses governos embora ditaduras na acepção da palavra, permitiam uma certa liberdade politica e acesso ao judiciário.

O artigo em nenhum momento foi uma defesa da ditadura militar, mas uma comparação entre essa e outros governos que apareceram na américa latina, autoritários em seus projetos de poder, encabeçados como origem por Alberto Fujimori no Peru.

O artigo porém, por ter usado o termo "ditabranda" está sendo alvo da furia iracunda da mesma turminha que desceu o porrete no Mino Carta.

O festival de chiliques por conta do termo usado, claro, com o agravante de ser num texto crítico a Chavez, o segundo queridinho desse pessoal (o primeiro é Fidel, obvio); poderia ser hilário se não fosse simplesmente triste pela ausência de inteligência do debate.

Gravataí Merengue, postou que Emir Sader lançou um abaixo assinado contra o jornal. Essa turma gosta de abaixos assinados e quem os apoia, porque acham que assinando recebem uma aura de moralidade superior ao alvo do ataque sem ser preciso demonstrar atráves de raciocinio lógico o erro da tese sob ataque se é que existe erro.

Ora, convenhamos, se o artigo em sí não era uma análise sobre o período militar; mas um artigo sobre o autoritarismo, então a reação quase lisérgica ao texto por conta de uma miserável palavra é rídiculo.

Segundo, o artigo posiciona o termo "branda" na comparação não com outras ditaduras sul-americanas, mas compara a situação da organização política e social então permitida com a criada em outros governos totalitários, isso posto na percepção de que o governante acumulou poder em sí ou no seu cargo em detrimento de outro, baseado no desejo popular e cita a gênese desse tipo de autoritarismo com Fujimori no Perú e cujo exemplar máximo hoje seria Chavez na Venezuela. No entanto, até o presente momento não li artigos rebatendo a análise contida no texto mas uma séria de discursos, digamos assim, contra o termo "ditabranda".

Terceiro, a história prova e para verificar basta apenas saber ler, que a ditadura militar brasileira, matou menos que as ditaduras então vigentes na américa. Se tivesse matado apenas uma pessoa e ainda assim com um tiro acidental, o governo de então ainda seria uma ditadura na acepção da palavra por conta da falta de democracia plena e limitação das liberdades civis. Ora se ninguem tivesse morrido, por esses fatores ainda seria uma ditadura. Dizer que o governo de então embora ditatorial era uma ditabranda porque partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça...não implica em dizer que não houve erros, excessos, crimes, etc, ou relativizar as mortes ocorridas; até porque tanto as mortes, torturas, etc; como o número de ocorrências são uma questão de fato e não de gosto.

Quarto, também é questão de fato e não de gosto, que os que lutaram contra a ditadura militar, tinham por objetivo; a) derrubar o governo; b) instalar um governo do "povo" e c) o poder de decisão seria do grupo a ou b a depender do tipo de socialismo que o grupo a ou b defendia, já que uns até hoje são adeptos das idéias de Kruschev ou Stálin, outros liam com afinco o livrinho do Mao, muitos foram treinados em Cuba. Uma vez perdida a guerra física, passou a ocorrer uma luta pela mente; gerando com ajuda da mídia a idéia dos "lutadores pela liberdade", os bons contra os maus, etc. Esse vitimismo, de alguns até com enorme sentido e o peso da verdade dos fatos, em outros por pura malandragem; criou a fábrica de pensões vitálicias, demonstrando que essa guerra de imagem foi vencida pelos "vencidos" e talvez essa seja a principal mola propulsora dos chiliques em torno de uma palavra.

Quinto, ainda que aceite-se com eu aceito, a questão de que a mera comparação aritmética de vítimas de um regime não permitem absolver ninguem, ela serve para identificar um vício, que na verdade é um método. Um repórter da FSP escreveu contra o editorial por conta do uso dessa palavra e tocou na questão da aritmética dizendo que baseando-se apenas nela, Hitler que matou 6 milhões de judeus foi suave perto dos 20 milhões que morrerão sob as ordens de Stálin. Ocorre que o repórter erra no uso da aritmética e erra ao atacar aquilo que o texto não dizia. Até porque Stálin só matou muitos mais porque ficou mais tempo no poder e Hitler não. Stálin matou os que se opunham ou supostamente se opunham ao seu regime e Hitler queria uma pureza da "raça" com a eliminação de etnias inteiras principalmente judeus. Significa que motivos diferentes tornam um ou outro mais palatável? Significa apenas que o homem, não importa sua ideologia, quando dotado de poder supremo é capaz das piores atrocidades possiveis, justificando-as como admissiveis apenas no caso dele, por se sentir moralmente superior aos outros. Em outras palavras, ainda que Hitler não tivesse matado um único judeu, ainda assim ele seria um monstro sanguinário, um ditador frio, a talvez mais próxima encarnação do demônio que já tenha ocorrido no planeta, e isso porque ele não perseguiu unica e exclusivamente judeus, mas perseguiu quase todos os outros seres humanos do planeta.

Da mesma forma, mesmo que Stálin tivesse matado "apenas" 20.000 e não 20 milhões, isso não o tornaria um ser humano mais sádio que Hitler

Por isso a pura e simples aritmética não é o que está em jogo nesse caso mas o método por trás do discurso.

É inegável que assim como Stáline em relação a Hitler, a ditadura de Fidel matou muitos mais que as ditaduras sul americanas hoje a décadas extintas. Isso não significa que aquelas eram mais virtuosas que essa. Mas é questão de fato novamente e não de gosto que o governo cubano é homicida e é uma ditadura.

É nesse ponto que se registra a questão do método. Os mesmos que estão tendo ataques e desmaios por conta do "malvado" artigo da FSP são os mesmos, exatamente os mesmos, que piscam um dos olhos para a ditadura cubana e fazem que não enxergam, o número de mortos, torturados, exilados, etc, mas enxergam apenas o, pelo menos em tese, avanço da medicina cubana; como se isso de alguma forma atenuasse os erros do regime que são exatamente os mesmos de qualquer outra ditadura de esquerda ou de direita.

Vá você, falar do "milagre brasileiro", de itaipú, ou sei lá do quê e logo um turma vem babando pra cima lembrando da tortura e mortes. Cite o nome Cuba e não conseguirá pronunciar mais nada porque virá um discurso interminavel sobre a beleza da ilha; a altivez do povo cubano frente ao vizinho branco e malvado, os EUA; a medicina que não é nem mais de primeiro mundo mas extraterreste; a paixão do povo pelo Fidel.

Sobre a repressão, tortura e mortes, dirão que boa parte é propaganda americana.

E assim vai seguindo a vida nesse carnaval de 2009 com os enredos oscilando entre os escombros da crise, a chamada marolinha por Lula, e os chiliques dessa turma. E nós atrás desse trio elétrico vestindo a fantasia de palhaços.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo...Velho

Estamos oficialmente no novo ano de 20o9 A.D.

E por íncrivel que pareça o ano começou tal e qual o anterior; não, melhor dizendo, os anteriores.

Uma rápida olhada nos jornais e além das já esperadas reportagens de como foram as "comemorações de ano novo", "da passagem do ano", etc, etc; as notícias ora de fundo mas que a partir de amanhã serão alvo de mais interesse são basicamente as mesmas do dia anterior quando ainda era 2008.

"primeira chacina do ano mata três" - informa determinada manchete.
"exército israelense oferece avanço por terra" - informa outra.
"crise longe do fim" - setencia uma terceira.

violência, guerra, caos financeiro. É curioso como mudados os personagens principais foram essas as notícias do Brasil e do mundo em 2008.

A violência contra crianças que parece foi o "enredo" das páginas políciais, dará lugar a chacinas? ainda a ver. Quisera Deus que assim fosse, porque crianças não mais foram ou serão mortas por pais, parentes, etc; mas como ainda o ano mal começou...

A guerra andou alguns graus de longetude e latitude e volta ao velho e histórico campo de batalha envolvendo Israel. Ou seja, Iraque por enquanto vai pro banco de reservas e entram em jogo os "profissionais".

A crise econômica está longe do fim? Claro, mas considerando que 2010 será ano de eleições, é claro, de copa do mundo; 2009 será o campo de batalha ideológico. O presidente já começou os primeiros disparos, como fez o Hamas para depois chorar de coitado, acusando os outros de "quererem a crise" para que sua popularidade diminua. Enquanto isso, o dolar, os juros, a falta de crédito (menos para as estatais), começa a fazer vítimas.

Estamos apenas no primeiro dia do novo ano de Nosso Senhor de 2009. É curiosa a sensação de deja-vú e sentir quase de forma inescapável, o desejo que comece 2010 logo. Porque? Ora porque o ano ano começou já velho.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Eu bem que avisei

O delegado Protogênes Queiroz foi entrevistado no programa Roda Viva. Não sofreu nem de longe o mesmo patrulhamento que o ministro do STF sofreu das mílicias internauticas e seus generais blogueiros.

No rescaldo, também passou muito longe a amplificação da entrevista. Basicamente um post com os considerados "melhores momentos".

Luis Nassif considera um deles despreparado e rísivel e outro ponderado e objetivo. Reinaldo Azevedo considera o oposto. Claro, como não estamos falando de uma operação de coração que exige uma técnica minuciosa, a opção de achar esse bom e outro não será resultante daquilo que acredita ser a verdade e não entro aqui no mérito de quem tem razão.

É curioso que certos blogueiros, afirmem através de comentários (se o blogueiro aprova a publicação de um comentário sem uma ressalva dele, é porque concorda com o enunciado e não adianta depois reclamar dizendo que comentarista é livre pra dizer o que quiser respeitada as diretrizes do blog), que a âncora do programa seja idônea e corajosa quando perguntou ao ministro Gilmar Mendes sobre o audio dos grampos e seja criticada como defensora da VEJA porque questionou o delegado sobre o mesmo assunto.

De fato, o delegado Protogenes, por mais que queiram solidarizar-se com ele porque resolveu peitar "poderosos"; ele é alvo de inquérito por conta de supostos atos errados ou ilícitos na condução do inquérito Satiagraha.

Quem se autodetermina defensor da lei, deve respeitar os limites que ela coloca na condução das coisas. Nos filmes é legal assistir os agentes da lei pressionados pela ação de bandidos sem limites, usar dos mesmos meios e violência quebrando a lei para prender quando não simplesmente eliminar os que "quebram" a lei. Mas isso deve ficar apenas no mundo da fantasia.

Usando a mesma linha de argumento do delegado, se o inquérito resultar no seu indiciamento, isso (aos seus olhos, conforme resposta no programa), faz dele um bandido.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Avaliações, escolhas e personagens

Bem vamos lá, começo a escrever e já aviso aos sensiveis, poderá ser longo, mas afinal de contas, me propus ao criar o blog, de tecer "análises" e não apenas clipagem de notícias, embora as faça.

Quando começou a recente briga dos blogs em torno do programa do Roda Viva, de um lado, RA informando que faria parte do programa e Nassif de outro, fazendo a clipagem do anúncio do programa diretamente do site dele com um breve comentário jocoso sobre o equilibrio da bancada escolhida; começou uma operação de desmonte e aparelhamento como poucas vezes se viu e na velocidade que ocorreu. E isso foi tão sério que levou o ombusdman a publicar posts sobre o programa em sí em tres ocasiões diferentes, antes durante e depois do programa. Sobre ele é claro e sobre os efeitos dele na blogosfera.

Quando o programa estava ainda por ocorrer; corri até o site do programa e observei que o programa anterior fora com o ministro de direitos humanos Paulo Vanuchi. E observei pela bancada escolhida que foi uma "conversa amigável" sem contraditórios e tudo mais. Passou em branco por tuodo mundo, até por RA, um crítico contumaz desse ministro.

Em um determinado blog, fui o único a observar isso e fui recriminado por muitos. Repeti a argumentação no blog Imprensa Marrom e recebi de Gravataí acolhida ao comentário. Outros observaram positivamente e concordaram. Resolvi então ir mais fundo na pesquisa e perguntei a Santo Google, protetor dos ignorantes preguiçosos, qual fato ligaria o ministro Vanuchi aos entrevistadores, se é que havia algum.

E o que respondeu o santo? A Lei da Anistia. O ministro defende sua revisão do alto de sua experiência como ex-guerrilheiro e hoje ministro. E os demais, eram intelectuais ligados a movimentos dos direitos humanos e defensores da revisão dessa Lei, para punir os torturadores de então.

Ora, o assunto, a meu ver, é tão importante, que gerou briga entre ministros inclusive, que mereceria um contraponto ou o famoso "contraditório"; já que há aqueles que são contra a revisão da lei como há também aqueles querem que a revisão também seja ampla, geral e irrestrita punindo guerrilheiros, terroristas e marginais que ficaram anistiados pela Lei.

Não foi isso que ocorreu e ninguem, de um lado ou de outro reclamou, mandou centenas de emails para a Cultura, se imolou em praça pública e ah, é claro, nem onbusdman deve ter assistido o programa, por que reclamou do anterior com um maluco que não gosta de televisão e deitou falação contra ela; reclamou deste com o juiz do STF, mas nem um palavra sequer sobre o programa, importante em razão do tema, do ministro Vanuchi.

No dia 16, fiz um post para este blog avaliando o programa e essa diferença de atitudes já que o programa com o ministro dos direitos humanos passou em brancas nuvens com três entrevistadores a favor e o de Gilmar Mendes foi criticado em verso, prosa e jogral. E que se frise, a questão principal das críticas era a bancada "amiga", o ar de "chá da tarde". Ora pra quem se declara lúcido, defensor do certo, lutador do bem, etc, haveriam de se posicionar contra o 'amiguismo" de cada edição e não somente desta, não é mesmo?

Encaminhei um email ao Gravataí Merengue com essa pesquisa e ele publicou essa avaliação e reconheço, de forma mais suscinta e melhor do que eu.

Hoje, RA fez um post lançando mão dos mesmos argumentos. É obvio que ele não me lê, mas com certeza deve ter lido o Imprensa Marrom, porque fomos os únicos a publicar essa avaliação. ou então acabou fazendo mais tardiamente o mesmo caminho que fiz de pesquisar esse assunto, mas enfim, lá estava o argumento, questionando a falta de ação do ombusdman sobre exatamente o mesmo assunto em outra entrevista, imediatamente anterior.

Comentaristas, algunsdeles, resolveram explicar o inesplicável no blog Imprensa Marrom e um deles ao ler o post, o reproduziu como comentário no blog do Nassif que gerou também algumas dessas "explicações".

Basicamente qual? que o ministro Vanuchi não é conhecido, já o ministro do STF sim. Conclusão, o primeiro por ser "desconhecido" podia ter uma claque e não entrevistadores e o segundo, deveria ter debatedores, não, na verdade inquisidores. que o primeiro não está envolvido em nenhum disputa séria pública e o segundo, age claramente a soldo de Dantas.

Dá pra entender essas explicações? Pois é!

Nassif agora publica trechos de artigos do ombudsman, reverberando-os pela blogosfera e RA faz o mesmo destruindo os argumentos com balas de uranio empobrecido.

E aí? Quem gosta de RA vocifera contra os outros e os que gostam de Nassif rosnam contra RA. Nada mudou. Gilmar Mendes não ficou menos inocente na visão de uns e continua satânico na visão de outros.

Mas porque o 'pega pra capar com foice no escuro" dos blogs e das suas, digamos assim, mílicias; na entrevista do juiz do STF? Porque ele concedeu os HCs para Daniel Dantas, porque criticou o juiz de primeira instância Sanctis, que seria uma espécie da "cavaleiro da távola redonda" e inventou a gravação de sua conversa para desmoralizar o delegado, a estrela vesper do PSOL.

Luiz Nassif ataca sem dó o ministro Gilmar Mendes e entende que ao faze-lo, combate Daniel Dantas e nisso, aparentemente lidera seu exército de brancaleone, formado por Mino Carta e Paulo Henrique Amorim e outros blogueiros.

RA, na sua visão ortodoxa das coisas, que convenhamos não possui demérito algum em sí, defende Gilmar Mendes, ataca ações de juizes de primeira instância, embora não se prive de criticar o STF com0 fez com o caso das células tronco embrionárias e o caso da reserva índigêna Raposa-Serra do Sol.

Mas no âmago de tudo, está a revista VEJA e Daniel Dantas. As pessoas julgam a partir das ações a intenção, mais do que isso a motivação delas. Só isso explica como e porque, outro ministro do STF, Marco Aurélio de Mello foi criticado sem dó nem piedade por comentaristas de Nassif, sendo citado como errático e que sempre é voz unitária e vencida nos julgamentos, foi incensado a posição de único juiz do STF, porque como sempre na verdade, julgou de forma unitária e foi voz vencida no julgamento de mérito da concessão de HCs a Daniel Dantas. Os outros foram reduzidos a pó. Curiosamente, os mesmos como direi, comentaristas silenciaram quando o mesmo ministro votou isoladamente e foi voz solitária contra o processo de um juiz do Superior tribunal de Justiça e agora paralisou o julgamento de Raposa-Serra do Sol pedindo vista de processo e que, diz a experiência, deverá abrir dissidência em seu voto.

É o que dá comentar e opinar a partir da ideologia, da visão militante. Quando se prejulga a motivação para uma determinada ação.

Claro, isso tudo é uma opinião, mas acho e isso é achismo puro que certas coisas deveriam ser ficar muito mais as claras.

RA é violento em palavras, não mede o que escreve, baixa o porrete sem dó? É! ele faz tudo isso. Passou a faze-lo depois que seu blog ficou hospedado na VEJA? Não! Antes ele já era assim. Então pode-se reclamar do método mas não se pode afirmar, salvo se alguem tiver a gravação da conversa ou o recibo, que ele age assim porque os "mafiosos" da VEJA pediram. É possivel discordar dele? Sim, eu mesmo já discordei, apresentando argumentos e ele publicou o comentário e que fique claro, não uso a liberdade que o blogger concede de publicar anônimo. Tá lá meu nome e foto por causa do blog. Mas existem aqueles que usam do "anônimo".

E Nassif, que se coloca em uma guerra santa contra a VEJA, logo contra RA? Seu blog não permite "anônimos", mas os nicknames e emails que você precisa informar podem ser inventados. Qual a diferença então, de publicar comentários anônimos e publicar comentários com niknames e emails falsos? No meu entendimento, nenhuma. Mas como clava de guerra na internet, o primeiro inventa o segundo não e vice-versa.

Vira e mexe, Nassif é acusado de "roubar" dinheiro público. Na verdade empréstimos do BNDES para sua empresa, que geraram ação judicial de cobrança e houve acordo em juizo. Informa-se que na negociação houve descontos que normalmente ninguem consegue. Bem bastaria a Nassif, tão zeloso de apresentar "provas" de maldades da VEJA, apresentar os acordos que tem com o BNDES e pronto, ficaria tudo restrito a maledicência. Mas fora algumas explicações ele não o faz e nisso tudo apenas uma coisa me chama a atenção, que é a falta de uma crítica por menor que seja de alguma ação do BNDES. Até mesmo a liberação de um financiamento de fusão, que ainda naquele momento era proibida por ele, mereçeu silêncio dele. Já sobre o Banco Central, sai de baixo. O presidente do BC não pode soltar um suspiro que Nassif publica uma crítica. Até o histrionismo do Presidente Lula quando usa o improviso e disse que a crise era uma 'marolinha", Nassif colocou na conta do BC. Sei lá, não quero aqui ficar julgando motivações de Nassif para esse tipo de cobertura, mas tenho minhas reservas quanto a esse assunto em sí.

Enfim, as avaliações de um mesmo assunto são inesgotáveis, as escolhas a partir delas, podem ser ou não conscientes mas nunca poderão ser isentas de responsabilização e por fim, geram a criação de personagens para sustenta-las.

PS: Pô! PS num texto tão longo? É rápido.

O ombusdman da TV Cultura escreveu hoje que a quantidade de emails a favor e contra o programa de entrevista com o ministro Gilmar Mendes foi "...25 vezes maior do que a média diária que este ombudsman vem recebendo desde agosto passado, quando esta coluna entrou no ar. A audiência do programa com o presidente do STF ficou, no entanto, dentro da média histórica do Roda Viva...". Na boa! Sabem o que significa? que a maioria dos que mandaram emails não assistiram o programa mas se basearam apenas no que seus generais escreveram. É ou não é patrulhamento, instrumentalização e aparelhamento? É ou não é efeito manada?

E Nassif não pode negar isso. Se ele já publicou posts afirmando que seu blog mendiante suas postagens detonou uma "acordo do governo com VEJA" e fez o presidente Lula fazer declarações a favor do delegado afastado Paulo Lacerda, que havia recebido um post de louvor com orações do próprio Nassif, porque seu blog não seria capaz de pressionar um mero programa de entrevistas. Porque a citação a Nassif no final do artigo do onbusdman que critica a atuação de RA? De duas, uma, ou ficou clara e patente o generalato e o ombusdman quiz demonstrar isso ou, agora uma teoria da conspiração, fez isso, porque sendo simpáticos à mesma idéia, fez a citação para mostrar que Nassif nada tinha a ver com isso. Mas que seu blog teve, isso teve, pelo que se percebe dos cometários publicados.

Acabou!

domingo, 30 de março de 2008

Sobre a Liberdade de imprensa e a religião

Há pouco tempo, uma reportagem da Folha de São Paulo sobre o sucesso financeiro e empresarial da IURD, Igreja Universal do Reino de Deus; foi recebida com ira pelos dirigentes da igreja e seus fiéis. Num tentativa de calar a boca da imprensa ou puni-la pelo que publicou, os fiéis da igreja em várias e isoladas localidades abriram ações judiciais contra a reporter e a Folha de São Paulo. Muitas dessas ações possuiam o mesmo texto padrão, o que significa que a fonte foi a mesma levando juizes a proclamarem a vitória da Folha de São Paulo acusando o outro lado de litigância de má fé. Como de hábito, opositores da grande mídia apontaram a reportagem dao jornal como exemplo de erro e louvaram as ações da igreja. Outros desceram o pau no lombo dos religiosos por conta não só da reportagem como também do óbvio preconceito que "evangélicos" geram.

Será que pode-se dizer como colocado pelos blogs e jornais que a imprensa cometeu um pecado no uso da sua liberdade ao "atacar" uma igreja?

O sentido da palavra "pecado" é "errar o alvo"; já escrevi em um outro post. Logo a liberdade para algo em si mesmo não pode ser considerado pecado, mas o mau uso dessa liberdade pode levar ao pecado, ao erro, a errar o alvo.

Em sentido religioso pecado seria tudo que é contrário aos ditames biblicos ou aquilo que Deus deseja dos homens. Como então é possivel afirmar que a imprensa que é um ser abstrato pode errar contra Deus? É claro que nesse sentido não pode. Mas ela pode ser instrumento de perseguição contra pessoas que desejam seguir a Deus e isso é fato. Porém nesse sentido o pecado seria dos homens que da imprensa fazem uso para tais atos e práticas. Concluo portanto que a imprensa ao fazer uso da liberdade de informar, não pratica um pecado, não erra o alvo e a verdade o faria se não fizesse uso da liberdade que possui, que possuimos para bem informar, mesmo que esse bem informar seja contra interesses, não de Deus, mas de pessoas que dizem representa-lo.

Neste ponto, seria interessante observar o outro lado. A reportagem em questão não era um ataque gratuito e fortuito contra a igreja em questão, mas a partir do aniversário de fundação da mesma traçar o perfil da mesma. Após constatar coisas óbvias até, sobre o crescimento da igreja no campo empresarial; ela levanta hipóteses e não afirmações de que o dinheiro de fiéis seria lavado em paraisos fiscais. O resultado como já foi dito, foi uma avalanche de ações judiciais contra a jornalista e os veiculos de informação.

Além disso, a TV Record que é alimentada em grande parte pelo dinheiro da igreja, fez uma reportagem sobre assunto. Foco jornalistico? Seria se tivesse informado que as ações tem sido rejeitadas pelos juizes e algumas receberam condenação por litigância de má fé. Como ela simplesmente colocou fiéis da igreja falando e apontando a reporter e os veiculos, a sensação de uso da reportagem como arma de disuassão é muito forte.

E o que falou a reportagem de tão malevôlo? O principal representante da igreja era funcionário público quando fundou a igreja. 30 anos depois esse mesmo ex-funcionário público é um homem milionário já que em seu nome estão jornais, rádios, emissoras de televisão, empresas. Pergunto: Com qual dinheiro? herdou bens de familia de posses? Não. Ganhou em algum tipo de jogo? Não. Qual sua fonte de renda se a exatos 30 anos, o sujeito passa tempo integral na sua digamos assim, pregação? Ora é óbvio que a igreja custeou, custeia e continuará custeando seus empreendimentos comerciais e sua vida pessoal. É fato e contra fatos não há argumentos.

Grande parte dos recursos da emissora vem da venda do espaço noturno para a própria igreja. Como essa também compra o espaço em outras emissoras a comparação de números é quase obrigatória e segundo noticiou setores da mídia, o espaço vendido pela Record para a IURD é mais que o dobro do pedido por outras emissoras, inclusive a Globo que por conta da audiência possui os preços mais caros.

Assim está claro que a igreja, fundada pelo Sr. Edir Macedo, ajuda a sustentar a TV Record que é de quem? Do mesmo Sr. Edir Macedo. Somem o resto dos empreendimentos e tem-se um idéia do lucrativo negócio que foi fundar a igreja.

E pensar que o filho do Deus que esse pessoal diz servir declarou a certa feita, segundo um dos seus seguidores, que não possuia sequer um lugar para pousar a cabeça. Quanta ironia, não!

É claro que não sou idiota de dizer que todos devem agora atear fogo a seus bens. Acho natural e chega a ser óbvio que uma igreja ou denominação religiosa mantenha meios de produzir livros, revistas, audios que expliquem e espalhem sua fé. Isso é tão óvio que a legislação dá isenção de impostos para tais atividades. Também entendo como natural e importante que os fiéis de determinada igreja sustentem essa igreja; afinal é necessário que se pague a luz e água consumida, que se faça a limpeza dos locais, que se sustente os voluntários ou profissionais que dediquem suas vidas aquela "missão".

Agora, a partir desse donativo que em geral é dado por pessoas das classes sociais mais humildes para dar uma vida de riqueza para pastores, padres e familiares e com esse dinheiro construirem empresas e impérios financeiros, aí já é um pouco demais e o direito de se criticar tais coisas é inerente à cidadania e ao jornalismo.

Não faço aqui uma critica aos fieis dessa igreja, porque a mesma lei que dá liberdade de imprensa também dá liberdade de credo. Se um sujeito pensa que um pastor em um culto consegue fazer mais milagres que o próprio Cristo em toda a sua vida (paradoxalmente nenhum deles se atreve a tentar ressussitar os mortos mas conseguem vejam vocês curar aids, câncer e frieira), é um problema dele.

Se esse mesmo sujeito acha que deve entregar dinheiro para essa igreja e depois não se preocupar com o que é feito dele, é um problema dele.

Se esse mesmo sujeito acha que Deus é justo de curar sei lá quem, de câncer por ser fiel da igreja e dar o dízimo ou pagar sei lá o que pra ser levado na fogueira santa de sei lá aonde, ao mesmo tempo que permite crianças morrerem de fome no Sudão ou centenas morrerem de câncer em hospitais, é um problema dele.

Se esse mesmo sujeito acha que a riqueza do "bispo", de sua família (pesquisem na mídia sobre a casa que a mulher dele está construindo), ou de suas empresas é resultado da benção de Deus enquanto centenas de fiéis lutam para sobreviver apenas com "bolsas-família" dadas pelo governo, é um problem dele.

Quando esse mesmo sujeito se deixa usar como massa de manobra abrindo ações por sentir-se ofendido com reportagens que trazem atenção a tudo que está aí em cima, embora ele mesmo talvez sequer seja pastor ou dirigente da igreja, aí o problema passa a ser nosso, porque o direito de opinião e crítica passa a ser confundido com calúnia mesmo que o fato seja verdadeiro e logo poderá ser eu ou você a sermos calados porque criticamos esse ou aquele.

Religião relaciona-se com o sagrado, com a busca do homem por Deus e não a busca de Deus pelo homem. Logo se a religião tem um quê de sagrado, o que muitos fazem dela a torna a mais mundana das coisas.

Em nome do Deus cristão, de Jesus, de Alá, etc; pessoas mataram e foram mortas. Pessoas foram perseguidas pela inquisição. Cruzadas e ataques militares foram realizados por cristãos e mulçumanos. Guerras foram abençoadas por padres e capelães militares catôlicos e protestantes. Hindus e mulçumanos mataram-se uns aos outros na Índia. Tanta atrocidades em nome da religião, será tão inverossimel que homens usem essa mesma religião para enriquecer? Claro que não!

Faço uma sugestão aos fiéis dessa igreja. Antes de exigir dos outros pratique aquilo que deles está a exigir. Antes de se ofender com hipóteses sobre o que é feito com o seu dinheiro, peça ao seu pastor uma prestação de contas, o que entrou, o que saiu e aonde foi gasto o dinheiro. Depois disso, processe se achar que tem direito de faze-lo.

Por fim acabo de lembrar-me de Gandhi que disse ao vice-rei da Índia que ele "amava Cristo, mas odiava os cristãos porque não vivem como cristo vivia". Ah! isso me fez lembrar o Mestre que disse que os homens haviam invalidado a palavra de Deus trocando-a pelas tradições e era em vão que persitiam em adorar a Deus porque ensinavam por doutrina o mandato de homens.

É isso!