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terça-feira, 26 de março de 2013

As coisas fora de lugar e as campanhas do ódio

Ultimamente, pipocam na mídia pessoas e grupos que escolheram no lugar do debate de idéias a inclusão da mordaça como parte da indumentária destinada aos outros, as gentes que porventura pensem e falem algo que seja contrário ao desejo e vontade daqueles.

No caso desse pastor que foi alçado a presidente de uma comissão de minorias, tenho ficado impressionado com a movimentação de militantes contra o sujeito.

Antes de qualquer coisa porém, é preciso deixar claro que não tenho por objetivo defender o dito pastor. Na verdade acho até que a legislação deveria proibir que líderes religiosos que ostentem qualquer tírulo, pastor, padre, bispo, apóstolo, pai de santo e por ai vai não poderiam ter cargos eletivos. O mesmo para aqueles que portam bandeiras especificas e militam em determinados movimentos. Mas enfim, do momento que a legislação permite, me parece um tanto óbvio que esses possuem a mesma legitimidade de falar, pensar e defender a plataforma que quiserem da mesma forma que é legitimo o falar, pensar e defender de alguem que seja ateu ou da turminha dita politicamente correta.

E é apenas disso que se trata.

Até porque a mesma turminha que hoje desce o porrete no pastor em questão, é a mesma que se calou quando ele apoiou a atual presidente da república quando da campanha política para a Presidência. E não é preciso e nem desejo que acreditem em mim porque estou a dizer isso. Basta uma pesquisa na web e você leitor poderá assistir videos desse apoio. Naquela época como agora, ele tinha as mesmas idéias, pensamentos e plataforma tão "odiosas" que servem agora para acusa-lo.

Que nome se dá a esse tipo de atitude? - Analisemos agora a questão de fundo e depois voltaremos a essa pergunta.

A tal comissão de minorias não é uma comissão sobre assuntos negros ou assuntos homossexuais, tão somente e que são as duas acusações contra o pastor.

Essa comissão até pouco tempo estava nas mãos dos ditos partidos de esquerda. Era um nicho quase de propriedade por uso capião do PT e durante todo esse período, pouca coisa avançou na pauta tão incensada dessa turminha militante.

E o protesto dessa turma é, no meu particular sentir, extremamente seletivo. Apenas a guisa de exemplo, consideremos:

- Os índios, me parece, são uma minoria etnica,  na falta de uma expressão melhor, do país e qual a gritaria que houve até o momento contra a inexistência de sequer um membro dessa minoria no congresso ou nessa comissão específica?

- Ciganos sem sombra de dúvida são um grupo minoritário na população brasileira. Qual a gritaria que houve até o momento contra a inexistência de representantes deles no congresso ou nessa comissão específica?

E o que dizer das minorias sociais, como os sem teto, sem terra e assim por diante? - silêncio sepulcral dos ditos humanistas e progressistas que se esgoelam no congresso e na mídias, em especial na imprensa quanto a permanência do tal pastor apenas e tão somente por ser ele contrário a PL 122, ou a lei da homofobia.

A questão de fundo portanto, é que o dito pastor por ser contra a dita lei da homofobia merece a mordaça e não pode expressar opiniões, e não importa aqui se são corretas ou não; sequer ter cargos, porque os militantes entendem que somente os que tem opiniões semelhantes às deles tem direito à tribuna e aos cargos. É claro, nas eleições, os agora amordaçados poderão expressar opiniões desde que em apoio aos candidatos dessa turminha militante como ocorreu com esse pastor, como já ocorreu.

É sintomático nesse sentido perceber que um outro pastor que igualmente se posiciona contra a PL 122 sofre igual pressão e porrete nas costas para se calar em qualquer cisrcunstância porque além do pecado de ser contra a PL 122, ele pratica a heresia de apoiar candidatos da oposição.

E também é bom recordar que outro religioso que se proclama bispo de uma igreja que apoia o governo de plantão e inclusve é ministro no atual governo, também já se posicionou contra a PL 122 mas pelo extensivo apoio de seu partido e de sua igreja, sua posição contrária é simplesmente ignorada.


Quanto às ditas acusações de homofobia e racismo do pastor, convenhamos; o sujeito pode ser considerado para todos os efeitos tão incensados pela militância como negro, já que sua mãe é negra.

O cerne da lei da homofobia é que um homossexual não pratica homofobia se xinga outro homossexual de gay, viado e por ai vai. Se no entanto, o impropério vier de um heterosexual sobre um homossexual então é homofobia. Aplique-se o principio para a questão do racismo e o que temos é que um negro somente sofre o crime de racismo e/ou preconceito se o emissor tiver outra cor de pele. Logo por conclusão lógica, já que as palavras tem peso pelo seu significado, esse deputado emq questão jamais poderia ser acusado de racism porque ele é para todos os efeitos, negro como já dito.

Qual a base então para a acusação de racismo? Foi um leitura ou melhor um entendimento idiota de um texto biblico segundo o qual os negros seriam amaldiçoados por conta da maldição de Noé contra Canaã seu neto. Ocorre que segundo a Biblia, a raça negra por assim dizer teve sua origem em Cus e possivelmente de Pute, outros filhos de Cã e que não foram "amaldiçoados". Então é o caso do pastor ter feito uma leitura errada da Biblia. Isso é ruim, já que se trata de um pastor, mas ainda assim não é crime.

A base da acusação de homofobia é sua posição contrária a PL 122. Até onde eu sei, se posicionar contrário a um projeto de lei não é crime. E diga-se de passagem, seu discurso não é que homossexuais não tem direitos, mas que esses direitos devem ser obtidos através da Constituição. Logo são as alterações na constituição que preservam os direitos e não através do ativismo jurídico ou imposição de um entendimento que a letra da lei não possui. Convenhamos...

Gostaria de ver um debate de idéias. Que o deputado eleito pelo coeficiente eleitoral de seu partido, já que não teve votos populares para se eleger e que é o grande defensor da PL 122 e adversário do  dito pastor, derrube item por item, as argumentações de quem é contra o projeto de lei.

Que use fatos e números. O que vi até agora no entanto, são chavões, gritos e nariz empinado.

Em resumo, se a presença do pastor que é deputado é ruim porque ele é contra o projeto de lei e irá fazer de tudo para impedi-lo, a presença do deputado que é militante também é ruim porque ele é a favor do projeto e irá fazer de tudo para aprova-lo. Dito de outro modo, a tal da comissão de minorias deveria ser formada por pessoas estritamente neutras. Existem? Pois é!

E para finalizar, voltemos a pergunta feita. "Que nome se dá a esse tipo de atitude?"da militância emperdenida que é tão fundamentalista e extremista em sua posições mas se cala quando lhe convém? - Alguns chamam esse tipo de atitude como pragmatismo político.

Na verdade trata-se de pura e simples hipocrisia.



sábado, 28 de janeiro de 2012

171 en nome de Deus

Renascer em condenações

Penitência: TCU sentencia Sônia Hernandes a devolver dinheiro e pagar multa ao Erário (FOTO: Nelson Antoine/Futura Press)

A bispa Sônia Hernandes, líder da Igreja Renascer em Cristo, foi condenada a devolver R$ 785 mil aos cofres públicos. Em 2004, esse dinheiro foi repassado à Fundação Renascer, presidida pela bispa. Deveria ter sido aplicado na alfabetização de 8 mil pessoas. Não há provas de que tenha sido gasto para esse fim. Pior: os recursos foram sacados na boca do caixa e não podem ser rastreados. As irregularidades levaram o Tribunal de Contas da União a multar Sônia Hernandes em mais R$ 100 mil. Não chega a ser surpresa num currículo que inclui prisão nos Estados Unidos e acusações por lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica no Brasil. Os advogados da pastora dizem que ela ainda não foi informada da sentença.
Felipe Patury

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Críticas

Um leitor postou uma mensagem como anônimo. De certa forma algumas coisas que disse ou pelo menos tentou dizer espelham o que ouço ou leio de alguns.

No caso em questão, ele o "comentarista" escreve após ler o post Igreja e Dinheiro.

Sobre a questão em sí: "... Deixe que as coisas se resolvam por si.. ou que fiquem como estão para que Quem realmente pode solucionar tudo e todos os problemas aja...". Como não sou juiz e nem possuo autoridade para mudar as coisas que estão erradas, obviamente não posso resolve-las, mas esperar que as coisas se resolvam por sí mesmas é uma visão de mundo um tanto contemplativa por demais. Além do quê; quando falamos sobre algo o resultado concreto é entendermos esse algo melhor do que antes. O anônimo aparenta pelo texto acreditar em um ser superior que realmente irá solucionar tudo. Presumo que esse ser superior seja Deus, porque ele grafa o termo "quem" com maiúscula, portanto referindo-se ao Onipotente. Apesar do fato de concordar e compartilhar com o anônimo na crença que Deus irá realmente solucionar tudo em seu devido tempo; não significa que devamos por conta disso viver apartados do significado das coisas e acontecimentos, no mínimo para evitar cair em semelhantes armadilhas e no máximo fugir da possibilidade de ser partícipe ou cumplice de erros quando não crimes.

Sobre minhas postagens: "...Discussões massivas sobre assuntos prá lá de discutidos na mídia são seu principal assunto. Ao invez de discutir sobre assuntos que são irrelevantes...". - A depender da vontade do anônimo deveria escrever sobre chás, talvez sobre estudos comportamentais dos babuinos, porque não, sobre como criar coelhos da índia ou galinhas em apartamentos. Só rindo mesmo! Os blogs se dividem em dois tipos: Aqueles que repercutem e analisam as informações do momento sob um espectro ideológico ou outro e os blogs que repassam platitudes ou coisas pessoais dos donos do blog. Reinaldo Azevedo, Luis Nassif, Ildeber e Gravataí Merengue são exemplos do primeiro tipo. Quanto ao segundo, a web está coalhada de exemplos. Eu prefiro que meu blog se assemelhe aos primeiros citados, justamente para não ser irrelevante.

Quanto a irrelevância citada, sem dúvida, para os seguidores da igreja cujos pastores foram acusados, pode parecer irrelevância citar e analisar o caso. Seria melhor que ninguem falasse nisso. É o mesmo com petistas quando ocorreu o mensalão. Para os crédulos deve realmente ser um pouco angustiante ler que aqueles nos quais se deposita confiança não se monstram tão dignos dela; ou por outro lado é realmente chato ser apontado por fazer algo errado, se é que o leitor me entende.


Agora vem um conselho: "...aproveite seu site pra divulgar seu trabalho e seus projetos que, pelo que me parece, são bons e sérios. Esses comentários sobre assuntos repetitivos e cansativos tiram o foco e a seriedade de seus projetos profissionais...". - O querido leitor se fosse mais atento veria que tenho um site para divulgaçao de meu trabalho. O blog é de análises e opiniões. Faço também clipagem, postando reportagens e notas da imprensa sobre diversos assuntos. Como trabalho com energia, o foco acaba sendo mais nessa área. Mas o blog é de "opiniões", no caso as minhas e "análises", no caso, as minhas e de outros.
Se comentários tem o poder de tirar o foco e a seriedade de alguem; então por uma questão de lógica pura; ações antiéticas quando não criminosas teriam que poder sobre o foco de pastores em assuntos, vá lá espirituais, e a seriedade de sua, como direi, representação dos interesses do "O" Deus na terra? Pois é! para os segundos, o anônimo quer o silêncio obsequioso de todos para que o tempo faça a memória se apagar, mas para mim, um humilde e modesto escriba dos próprios pensamentos devo policiar-me para não ser tragado pelas ondas do insucesso. É mole?

Por fim a advertência de praxe: "...Entenda como uma crítica construtiva e não um insulto.". Uma crítica só é construtiva quando ela demonstra os porques de algo. No caso como não demonstrou que a opinião ou análise publicada estivesse errada; o anônimo expressa apenas e tão somente sua opinião. Respeitado esse seu direito, caberia a pergunta: aonde está a falha dos argumentos?. Porque nesse caso estamos diante de uma mera questão de gosto e não de fatos.

É isso!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Igreja e Dinheiro II

Tem uma meia duzia de pessoas que andou questionando não só a postagem que fiz como o noticiário de um modo geral.

As dúvidas são pertinentes e vale a penas visita-las. Vejamos:

1) Isso tudo é uma briga comercial da Globo para atacar a Rede Record:

Raciocinem comigo: aGlobo iria atacar uma concorrente com mêdo exatamente do quê? Perda de concorrência? O marketing share da Globo é maior que as três outras emissoras somadas. Qual é exatamente a sombra que o concorrente faz nela? Ademais, a Rede Record como asseveram os pastores da igreja, nada tem a ver com televisão, não é mesmo? Não é esse o discurso deles?

Outra coisa. Não se deve confundir causa com consequência. A Globo tá dando espaço enorme para a questão? Pois bem isso é CONSEQUÊNCIA de uma ação da justiça que por sua vez é CONSEQUÊNCIA de ações digamos assim muito mercantis e capitalistas dos pastores da igreja.

Mais do quê ações dos pastores em si, a CAUSA são os efeitos dessas ações.

2) É tudo safado e bandido pegando dinheiro do povo:

Lêdo engano. É discutivel a questão do dízimo ser bíblico ou não. Se existe a obrigatoriedade de doar dinheiro e bens para a igreja ou denominação que frequenta; ou se essa ação deva ser embasada na voluntariedade.

De fato, os membros de uma igreja não só podem como devem cobrir os gastos dessa igreja ou movimento, já que dele são os principais usuários.

Se os pastores da iurd vão como direi, com muita sede ao pote e elevam a prática de arrecadar dinheiro ao estado da arte; isso é uma coisa que precisarão forçosamente prestar contas ao Criador que dizem servir e convenhamos, é problema único e exclusivo do ingênuo que acha que pode barganhar com Deus.

O erro não está na bíblia, no cristianismo, em Deus, etc. O erro está nos pastores que levam uma vida de fausto e patrimônio pessoal invejável desviando recursos que foram doados para as obras da igreja.

3) Coitadinhos dos "crentes", foram enganados.

Outro engano. Os seguidores dessa igreja se deixam levar, o que é diferente de ser enganado. É verdade que quanto mais humilde a pessoa mais crédula ela tende a ser. Mas não deixa de ser interessante perceber que o sujeito que vai lá e dá tudo o que tem esperando um retorno financeiro de origem mística disso, entra na verdade num contrato de risco. Se ele eventualmente ganhar algo, irá reclamar? Só reclama aquele que viu seus sonhos virando fumaça. E no fundo, porquê? O sujeito tem muitos filhos, baixa instrução, sub-emprego, alimentação pobre e por isso mais suscetivel a doenças, usuário dos serviços públicos. Se essa mesma situação estrutural se mantêm após o "acordo" com o divino, porque cargas d'agua o sujeito acha que consegue sair da situação? Por outro lado, que Deus é esse que depende do sujeito dar todo o dinheirinho que tem para o pastor para Ele então dar dinheiro pro sujeito. Que lógica é essa?

Já explico. Baseado na falácia de que Deus é quem chuta a bola permitindo que o Káká faça acordos milionários e ninguem se pergunta por que esse mesmo deus deixa pessoas serem mortas no sudão.

Se "o" deus pode fechar acordos milinários para o KaKa porque não pode fazer a minha lojinha vender mais, não é mesmo?

Pois é! Não faz, salvo se você já tiver talento para vendas e comércio e se empenhar como nunca. Como o KaKa. Ou vai me dizer que só tem ele de evangélico entre milhares de outros jogadores no Brasil e no mundo. Contato com Deus por contato por Deus, todos eles deveriam estar na mesma situação do KaKa.

Por fim, o que importa nessa estória toda é saber se o dinheiro doado para a igreja transformou-se em propriedade privada e receita de pastores. Em empresas comerciais lucrativas. Em conforto e boa vida para os pastores,enquanto as "ovelhas passam fome".

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Igreja e dinheiro

E lá vamos nós...

Os líderes da igreja denominada IURD foram acusados em processo legal. Motivo: Desvio e lavagem de dinheiro.

Sai na imprensa, jornais e televisão; e a Rede Record responde atacando a Rede Globo que supostamente estaria fazendo campanha contra a igreja.

O que vou analisar aqui não é obviamente o processo em sí, até porque ninguem abre processo criminal contra alguem se os índicios não forem suficientemente fortes para tanto. Agora condenação virá, apenas se os índicios se confirmarem em provas robustas e indefensáveis. Caso contrário a pessoa é inocente...mesmo que não seja, que fique bem entendido.

O cerne da questão me parece, é outro.

Igrejas são entes não corpóreos. São uma aglomerado de pessoas que compartilham a mesma idéia, no caso religiosa, sobre um específico e determinado assunto; sua relação com "o" Deus. Se Ele aceita ouvir ou responde a esse relacionamento são outros quinhentos.

No mundo de hoje, alguem precisa pagar a conta de luz, a agua, os livros, etc, etc que esses membros usam e como dinheiro não é maná pra cair do céu é preciso que os membros sustentem suas denominações.

Pode ser discutido se dízimo é bíblico ou não; mas não se discute que são os membros da igreja que devem financia-la.

Isso posto, adiante;

As igrejas, por sua natureza humana, de conforto e ajuda, possuem isenções fiscais para sobreviver, porque parte-se do pressuposto de que a origem do dinheiro das igrejas já foi declarado em sua origem pelo doador. Como as igrejas não possuem fins lucrativos, é mais do que justo que as mesmas não sucumbam diante da montanha de impostos que temos sobre nossas costas.

Quer dizer que igrejas não podem ter negócios? Não! Não podem não! Embora as igrejas sejam obrigadas a se registrar como pessoas jurídicas, elas não podem ter negócios comerciais.

Uma igreja pode editar seus livros e publicações religiosas, mas não pode vende-los obtendo lucros. Ela pode adquirir terrenos e imóveis para construção de centros e templos mas não pode se tornar ou controlar uma imobiliaria.

E a razão é porque o dinheiro das igrejas advém de contribuições e dízimos de fiéis e sobre essa montanha de dinheiro não existem tributos e impostos.

Imagine você, dono de um negócio arcando com todos os impostos competindo com um negócio montado por uma igreja com recursos infindáveis? Quem você acha que sobrevive?

A IURD possui um apetite por negócios tão grande quanto parece ser sua devoção por Deus. O problema é saber até que ponto a devoção ao deus "dinheiro" toma o lugar da devoção ao deus "Deus".

Como a igreja em sí mesma não pode ser dona de negócios, os negócios estão em nome de pessoas físicas que curiosamente são pastores e líderes da igreja.

E aí é que começam as dúvidas. Como um religioso, um pastor, que dedica seu tempo e energia para a "obra do Senhor" consegue juntar recursos para adquirir uma rede de televisão, na verdade duas? empresas de informática, jornais, rádios, construtoras?

É obvio que os recursos vieram da igreja e alimentam os empreendimentos comerciais, quando não, o conforto e boa vida pessoal dos líderes da igreja e suas famílias.

E antes que algum iluminado queira me levar para o caminho da luz querendo me esclarecer que Deus abençoa o pastor fulano de tal porque se dedicou a obra, eu me adianto e pergunto: Porque esse mesmo deus não abençoou com o mesmo conforto material e riqueza física a massa de fiéis que entrega seu dízimo mês a mês e cotinua mês a mês morando em favela, andando em ônibus apertado, vivendo de sub-emprego?

E a reação da Record?

Ela não é igreja? Porque a Record em seus programas e jornais começaram a atacar a Globo, os Marinho e a descontruir as acusações mostrando os "efeitos positivos" da igreja sobre menbros dela?

A Record acusando a Globo de sensacionalismo faz uso dele quando ataca a Globo hoje e atacou a FSP meses atrás quando reportagens do jornal começaram a levantar essa questão.

Porque a Record faz questão de apontar o dedo para a Globo dizendo haver uma guerra entre as emissoras se as notícias não são de que a Record lava dinheiro, mas a igreja?

Se a Record não fosse controlada pela igreja, porque a raiva nas repostas diárias contra a Globo?

Em tempo; o dono legal da Rede Record é o mesmo que se declara líder e bispo da IURD.

Se o homem estando bispo vive para igreja, a sua fortuna pessoal veio de onde?

Se os recursos vieram de sua atuação como religioso, então o dinheiro veio da igreja.

Se o dinheiro veio da igreja, então a Rede Record é da igreja, já que o pastor também controla a igreja.

Se a lógica está errada, carta para a redação

quinta-feira, 12 de março de 2009

As crianças, o estupro e a questão da igreja

Uma criança de nove anos fica grávida, aguardando o nascimento de outra criança. Essa por sua vez foi resultado de um estupro por parte de um membro da própria família.

Em que pese a consideração de que um aborto é sim, um atentado contra a vida, entendo que seja uma questão de escolha se a vida da mãe estiver em risco. Como uma criança de nove anos (três anos mais velha apenas que minha filha mais nova que ainda vejo como um bebezão), pode parir um criança sem haver risco para ela? Isso portanto, me parece, um assunto que caberia a jovem e a sua mãe decidir (posto que o padastro foi o autor do estupro, o fazendo a tres anos segundo reportagens).

O estupro e principalmente o de crianças é um crime tão vergonhoso que espera-se, o sujeito pague com os rigores das leis propostas pela justiça bem como pelas leis das ruas. Em outras palavras, que pegue a pena máxima e lá seja transformado numa latrina pública pelos demais "companheiros".

O aborto me parece tambem um crime, mas a lei prevê tal ato em casos como dessa criança, já que nela uniu-se as duas excessões permitidas ao aborto; ser resultado de estupro e haver risco a mulher. O problema não é da lei, mas a moralidade por detráz do assunto.

E nesse ponto chega-se a questão de fundo. Os meios noticiosos fizeram mais escárceu com a fala de um bispo do que sobre o estupro em sí.

O bispo argumentou que quem praticou o aborto e quem autorizou, estariam excomungados da igreja, por terem praticado um ato contrário aos ditames da igreja, mas que eles não deveriam esperar a hora da morte para arrepender-se.

Ai a mídia desceu de pau.

Na prática, essa "excomunhão" serve para qual propósito. Fosse a entidade séria, a excomunhão, espulsão ou desassociação poderia ser um peso enorme a fazer o errante voltar do proceder errado. Mas na prática, o que significa ela para um catôlico? Nada, porque nada muda.

Então, por que a gritaria toda?

A igreja, por mais que as vezes queira, e já quiz isso muito nos séculos anteriores, não pode fazer de seus pontos de vista, uma norma para toda a sociedade.

A igreja pode e deve determinar para seus membros e seguidores o que podem fazer ou não.

Quem não é membro ou seguidor da igreja que dê uma banana pra ela.

Quem é membro ou seguidor e deseja ser fiel que o faça e defenda seu direito de assim fazê-lo.

Quem é membro ou seguidor e não deseja seguir as diretrizes, procure outra igreja ou religião. É simples assim.

De fato, milhares de pessoas que se dizem catôlicas, mesmo aquelas que vão a missa, etc; levam suas vidas poucos preocupadas se suas ações no dia-a-dia são aprovadas pela igreja, etc e tal.

De fato, os que mais reclamam, em geral são aqueles que mais quebram os chamados 10 mandamentos, assim o que dizer de um conjunto de regras, boa parte delas destoantes das práticas de seus próprios seguidores?

A questão importante é que o estuprador não seja colocado em liberdade e pague pelo crime cometido. O resto é conversa mole.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ainda sobre fé e telhados

Leram as duas notas da imprensa no post abaixo?

Pois é! são a prova de que...eu sei que é chato dizer isso, mas vá lá...eu tinha razão no post sobre fé e telhados.

Acompanhem o raciocinio:

1) O casal que está preso por contrabando e conspiração, e não são vítimas de perseguição religiosa é bom que se diga, falaram por telão, pedindo reforço no dízimo pra reconstrução da sede. Vender uma das propriedades do casal, carros de luxo, nem pensar. É preciso que os fiéis doem dinheiro.

2) Kaká, talvez a maior estrela entre os fíéis ganha algo em torno de 2 milhões de reais por mês fora o que arrecada como anunciante e garoto-propaganda. Porque o líder da igreja, não pior das hipóteses não pediu uma ajuda especial ao fiel famoso, já que ele sozinho poderia custear a reconstrução inteira sozinho, sem precisar apelar ao sofrido povo?

3) No discurso duas constatações. Uma das fiéis que morreu falou que era assim que queria terminar seus dias, logo foi Deus que providenciou a queda do telhado. A segunda é a tentativa nada sutil de dizer que as autoridades querem "pegar" a igreja fazendo a coação de um dos fiéis; ou seja, tudo que falam é obra do demônio e perseguição...por isso sua prisão.

Deu pra entender? Na comoção, a reforma da sede que custaria sei lá, 2 milhões de reais por exemplo, arrecadará dos fiéis e outros o dobro ou o triplo disso; obviamente porque "O DEUS" está a abençoar. Os mortos? há, esses estão em melhor condição com Jesus no céu. E os vivos, especialmente que derem dinheiro para o como direi, obra do senhor, serão abençoados com dinheiro, curas, empregos, negócios...

Como dizia o Mestre que eles dizem seguir: “...Vigiai-vos dos falsos profetas que se chegam a vós em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes...pelos seus frutos reconhecereis estes (homens)...Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome e não expulsamos demônios em teu nome, e não fizemos muitas obras poderosas em teu nome?’...Contudo, eu lhes confessarei então: Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei..."

Ponderações sobre fé e telhados II

Leiam primeiro a nota da agência estado:

Hernandes pede dinheiro de fiéis para reconstruir templo

Show de bailarinas, telões e transmissão via satélite. O templo evangélico Assembleia de Deus recebeu ontem, em São Paulo, os convidados da Igreja Renascer em Cristo. O casal de bispos Estevam e Sonia Hernandes apareceu nos telões, direto de Miami, onde cumprem liberdade condicional por conspiração e contrabando. Para uma plateia de 2 mil pessoas, os Hernandes aproveitaram para pedir reforço no dízimo para a reconstrução da sede da Renascer e pediram aos que tivessem contribuições "generosas" que fossem ao palco.

Foi a primeira vez que o casal se pronunciou publicamente sobre a queda do telhado da sede da Renascer, que no domingo matou nove pessoas. A plateia entre as quais parentes das vítimas, levantou e ovacionou o casal. "Sinto como se tivesse perdido nove filhos", disse o "bispo". Ele citou uma das vítimas, Maria de Lourdes, que teria afirmado querer morrer dentro da igreja. "Disse que aqui, entre os mortais, há muito trabalho a ser feito, mas que o melhor mesmo é estar perto de Cristo".

Aos parentes, mandou a mensagem: "Essa dor não é de morte, mas de ressurreição", ao que o público gritava "Aleluia!". Estevam continuou: "O sofrimento que o Satanás me causa é para alcançarmos a Glória." Ele também contou que um fiel teria sido chamado à delegacia e quase obrigado a fazer uma denúncia contra a Igreja. "Como é que vou fazer uma queixa contra a casa do Senhor, onde recebo todas as glórias?", perguntava Estevam aos fiéis. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Agora leiam outra abaixo:

O meia brasileiro Kaká, do Milan, além de ter sido o melhor jogador do mundo em 2007, na eleição da Fifa, também tem o maior salário do mundo. O apoiador recebe, somente do Milan, 750 mil euros (quase R$ 2 milhões) a cada mês. Isso quer dizer que o clube italiano paga ao craque R$ 44 por minuto.

volto depois.

domingo, 30 de março de 2008

Sobre a Liberdade de imprensa e a religião

Há pouco tempo, uma reportagem da Folha de São Paulo sobre o sucesso financeiro e empresarial da IURD, Igreja Universal do Reino de Deus; foi recebida com ira pelos dirigentes da igreja e seus fiéis. Num tentativa de calar a boca da imprensa ou puni-la pelo que publicou, os fiéis da igreja em várias e isoladas localidades abriram ações judiciais contra a reporter e a Folha de São Paulo. Muitas dessas ações possuiam o mesmo texto padrão, o que significa que a fonte foi a mesma levando juizes a proclamarem a vitória da Folha de São Paulo acusando o outro lado de litigância de má fé. Como de hábito, opositores da grande mídia apontaram a reportagem dao jornal como exemplo de erro e louvaram as ações da igreja. Outros desceram o pau no lombo dos religiosos por conta não só da reportagem como também do óbvio preconceito que "evangélicos" geram.

Será que pode-se dizer como colocado pelos blogs e jornais que a imprensa cometeu um pecado no uso da sua liberdade ao "atacar" uma igreja?

O sentido da palavra "pecado" é "errar o alvo"; já escrevi em um outro post. Logo a liberdade para algo em si mesmo não pode ser considerado pecado, mas o mau uso dessa liberdade pode levar ao pecado, ao erro, a errar o alvo.

Em sentido religioso pecado seria tudo que é contrário aos ditames biblicos ou aquilo que Deus deseja dos homens. Como então é possivel afirmar que a imprensa que é um ser abstrato pode errar contra Deus? É claro que nesse sentido não pode. Mas ela pode ser instrumento de perseguição contra pessoas que desejam seguir a Deus e isso é fato. Porém nesse sentido o pecado seria dos homens que da imprensa fazem uso para tais atos e práticas. Concluo portanto que a imprensa ao fazer uso da liberdade de informar, não pratica um pecado, não erra o alvo e a verdade o faria se não fizesse uso da liberdade que possui, que possuimos para bem informar, mesmo que esse bem informar seja contra interesses, não de Deus, mas de pessoas que dizem representa-lo.

Neste ponto, seria interessante observar o outro lado. A reportagem em questão não era um ataque gratuito e fortuito contra a igreja em questão, mas a partir do aniversário de fundação da mesma traçar o perfil da mesma. Após constatar coisas óbvias até, sobre o crescimento da igreja no campo empresarial; ela levanta hipóteses e não afirmações de que o dinheiro de fiéis seria lavado em paraisos fiscais. O resultado como já foi dito, foi uma avalanche de ações judiciais contra a jornalista e os veiculos de informação.

Além disso, a TV Record que é alimentada em grande parte pelo dinheiro da igreja, fez uma reportagem sobre assunto. Foco jornalistico? Seria se tivesse informado que as ações tem sido rejeitadas pelos juizes e algumas receberam condenação por litigância de má fé. Como ela simplesmente colocou fiéis da igreja falando e apontando a reporter e os veiculos, a sensação de uso da reportagem como arma de disuassão é muito forte.

E o que falou a reportagem de tão malevôlo? O principal representante da igreja era funcionário público quando fundou a igreja. 30 anos depois esse mesmo ex-funcionário público é um homem milionário já que em seu nome estão jornais, rádios, emissoras de televisão, empresas. Pergunto: Com qual dinheiro? herdou bens de familia de posses? Não. Ganhou em algum tipo de jogo? Não. Qual sua fonte de renda se a exatos 30 anos, o sujeito passa tempo integral na sua digamos assim, pregação? Ora é óbvio que a igreja custeou, custeia e continuará custeando seus empreendimentos comerciais e sua vida pessoal. É fato e contra fatos não há argumentos.

Grande parte dos recursos da emissora vem da venda do espaço noturno para a própria igreja. Como essa também compra o espaço em outras emissoras a comparação de números é quase obrigatória e segundo noticiou setores da mídia, o espaço vendido pela Record para a IURD é mais que o dobro do pedido por outras emissoras, inclusive a Globo que por conta da audiência possui os preços mais caros.

Assim está claro que a igreja, fundada pelo Sr. Edir Macedo, ajuda a sustentar a TV Record que é de quem? Do mesmo Sr. Edir Macedo. Somem o resto dos empreendimentos e tem-se um idéia do lucrativo negócio que foi fundar a igreja.

E pensar que o filho do Deus que esse pessoal diz servir declarou a certa feita, segundo um dos seus seguidores, que não possuia sequer um lugar para pousar a cabeça. Quanta ironia, não!

É claro que não sou idiota de dizer que todos devem agora atear fogo a seus bens. Acho natural e chega a ser óbvio que uma igreja ou denominação religiosa mantenha meios de produzir livros, revistas, audios que expliquem e espalhem sua fé. Isso é tão óvio que a legislação dá isenção de impostos para tais atividades. Também entendo como natural e importante que os fiéis de determinada igreja sustentem essa igreja; afinal é necessário que se pague a luz e água consumida, que se faça a limpeza dos locais, que se sustente os voluntários ou profissionais que dediquem suas vidas aquela "missão".

Agora, a partir desse donativo que em geral é dado por pessoas das classes sociais mais humildes para dar uma vida de riqueza para pastores, padres e familiares e com esse dinheiro construirem empresas e impérios financeiros, aí já é um pouco demais e o direito de se criticar tais coisas é inerente à cidadania e ao jornalismo.

Não faço aqui uma critica aos fieis dessa igreja, porque a mesma lei que dá liberdade de imprensa também dá liberdade de credo. Se um sujeito pensa que um pastor em um culto consegue fazer mais milagres que o próprio Cristo em toda a sua vida (paradoxalmente nenhum deles se atreve a tentar ressussitar os mortos mas conseguem vejam vocês curar aids, câncer e frieira), é um problema dele.

Se esse mesmo sujeito acha que deve entregar dinheiro para essa igreja e depois não se preocupar com o que é feito dele, é um problema dele.

Se esse mesmo sujeito acha que Deus é justo de curar sei lá quem, de câncer por ser fiel da igreja e dar o dízimo ou pagar sei lá o que pra ser levado na fogueira santa de sei lá aonde, ao mesmo tempo que permite crianças morrerem de fome no Sudão ou centenas morrerem de câncer em hospitais, é um problema dele.

Se esse mesmo sujeito acha que a riqueza do "bispo", de sua família (pesquisem na mídia sobre a casa que a mulher dele está construindo), ou de suas empresas é resultado da benção de Deus enquanto centenas de fiéis lutam para sobreviver apenas com "bolsas-família" dadas pelo governo, é um problem dele.

Quando esse mesmo sujeito se deixa usar como massa de manobra abrindo ações por sentir-se ofendido com reportagens que trazem atenção a tudo que está aí em cima, embora ele mesmo talvez sequer seja pastor ou dirigente da igreja, aí o problema passa a ser nosso, porque o direito de opinião e crítica passa a ser confundido com calúnia mesmo que o fato seja verdadeiro e logo poderá ser eu ou você a sermos calados porque criticamos esse ou aquele.

Religião relaciona-se com o sagrado, com a busca do homem por Deus e não a busca de Deus pelo homem. Logo se a religião tem um quê de sagrado, o que muitos fazem dela a torna a mais mundana das coisas.

Em nome do Deus cristão, de Jesus, de Alá, etc; pessoas mataram e foram mortas. Pessoas foram perseguidas pela inquisição. Cruzadas e ataques militares foram realizados por cristãos e mulçumanos. Guerras foram abençoadas por padres e capelães militares catôlicos e protestantes. Hindus e mulçumanos mataram-se uns aos outros na Índia. Tanta atrocidades em nome da religião, será tão inverossimel que homens usem essa mesma religião para enriquecer? Claro que não!

Faço uma sugestão aos fiéis dessa igreja. Antes de exigir dos outros pratique aquilo que deles está a exigir. Antes de se ofender com hipóteses sobre o que é feito com o seu dinheiro, peça ao seu pastor uma prestação de contas, o que entrou, o que saiu e aonde foi gasto o dinheiro. Depois disso, processe se achar que tem direito de faze-lo.

Por fim acabo de lembrar-me de Gandhi que disse ao vice-rei da Índia que ele "amava Cristo, mas odiava os cristãos porque não vivem como cristo vivia". Ah! isso me fez lembrar o Mestre que disse que os homens haviam invalidado a palavra de Deus trocando-a pelas tradições e era em vão que persitiam em adorar a Deus porque ensinavam por doutrina o mandato de homens.

É isso!