segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Atraso em obra encarece conta de energia em R$ 1 bilhão
O consumidor brasileiro poderia economizar R$ 1 bilhão na conta de luz se as termoelétricas que abastecem o Norte do país já estivessem operando com o gás natural do Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, inaugurado em novembro de 2009. Além do atraso no cronograma de conversão de algumas usinas (de óleo diesel para gás), a rede de distribuição do combustível não está pronta.
A Região Norte pertence ao sistema isolado e não tem intercâmbio de energia com o resto do país. Apesar disso, qualquer mudança na política energética da região afeta o Brasil inteiro. Hoje, todos os consumidores pagam um valor a mais em sua conta de luz para subsidiar o sistema isolado. Na região, a energia que abastece residências, indústrias e comércio vem de térmicas movidas a óleo combustível ou diesel.
Sem a ajuda do resto do país, os cidadãos do Norte não conseguiriam arcar com o custo elevado da energia. Em 2009, a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) paga pelos brasileiros somou R$ 2,4 bilhões. Neste ano, chegará a R$ 4,7 bilhões, por causa de uma mudança feita na legislação, que inclui, além do combustível, a manutenção da usina.
O Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, construído pela Petrobras, pode ser a grande alternativa da região para se livrar dos combustíveis caros e poluentes e, ao mesmo tempo, diminuir o peso do subsídio na conta de energia elétrica. Mas, por enquanto, o empreendimento, de R$ 4,5 bilhões, está à espera de seus principais consumidores: as termoelétricas de Manaus. As usinas com o cronograma atrasado pertencem à Amazonas Energia, do Grupo Eletrobras. São três unidades, com capacidade para mais de 500 megawatts (MW): Aparecida Bloco I, Aparecida Bloco II e Mauá Bloco III.
(Com Agência Estado)
terça-feira, 18 de maio de 2010
China compra empresas de energia no Brasil por R$ 3 bilhões
Extraido do site do Reinaldo Azevedo: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
Por Fabiano Maisonnave, na Folha:
A gigante elétrica chinesa State Grid anunciou anteontem um acordo para a compra de sete concessionárias de energia no Brasil, atualmente sob o controle das espanholas Cobra, Elecnor e Isolux. Se ratificado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o negócio será o maior investimento do país asiático já feito no Brasil.
A compra, de R$ 3,097 bilhões, envolve a aquisição de todas as ações das seguintes empresas transmissoras de energia, segundo comunicado da empresa: Ribeirão Preto, Serra Paracatu, Poços de Caldas, Itumbiara e Serra da Mesa. A estatal chinesa de energia elétrica deve ter ainda 75% da Expansión Transmissão de Energia Elétrica e da Expansión Itumbiara Marimbondo. Em ambos os casos, a espanhola Abengoa, que tem os demais 25%, tem um prazo de 60 dias para contestar o acordo.
Até agora, o maior investimento chinês no país é a compra da mineradora da Itaminas por US$ 1,2 bilhão, em março, adquirida pela ECE, também estatal. Caso aprovada pela Aneel, a transação marcará também a entrada da State Grid no Brasil. Maior empresa de transmissão de energia do mundo, a estatal é responsável pelo abastecimento de 88% do território chinês, o país mais populoso do mundo, com pouco mais de 1,3 bilhão de pessoas.
O interesse da State Grid e de outras estatais chinesas no Brasil marca uma nova onda de investimentos asiáticos no país, iniciada no final do ano passado, em que as cifras deixaram a casa dos milhões para passar à dos bilhões. O projeto mais ambicioso são as negociações entre a EBX, do empresário Eike Batista, e a Wisco, gigante estatal da mineração, para construir o Complexo Siderúrgico de Açu. O investimento, estimado em cerca de US$ 5 bilhões, teria 70% de participação chinesa.
As negociações ocorrem depois da compra, no final do ano passado, de 21,52% da MMX, de Batista, pela Wisco, um negócio de US$ 400 milhões. As estatais chinesas também estão demonstrando interesse pelo petróleo, que, como o minério de ferro, é considerado fundamental para que o país asiático mantenha o seu ritmo de crescimento.terça-feira, 18 de agosto de 2009
Norma ISO 50001 beneficiará sobretudo o Brasil
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Anatel regulamenta critérios técnicos para banda larga via rede elétrica
Fonte: Folha online.
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) publicou nesta segunda-feira uma resolução que regulamenta a transmissão de internet banda larga pela rede de energia elétrica. Chamado de BPL (Broadband Powerline), o sistema permitirá que o usuário acesse a internet ao plugar um modem especial em qualquer tomada da casa. A tecnologia "injeta" a conexão vinda de um cabo de fibra óptica na rede elétrica.
Em novembro do ano passado, a AES Eletropaulo havia anunciado que disponibilizaria a internet por rede elétrica ao consumidor no primeiro trimestre de 2009. A Resolução 527, publicada hoje pela Anatel, estabelece "os critérios e parâmetros técnicos que permitem a utilização dessa tecnologia", informa nota divulgada pela agência.
Segundo a agência, com essas regras a banda larga poderá chegar a um número maior de pessoas, "uma vez que as redes de distribuição de energia elétrica disponíveis apresentam grande capilaridade no território brasileiro".
AES Eletropaulo
O serviço, que deve ser oferecido em breve pela AES Eletropaulo, está em teste no bairro de Moema, zona sul de São Paulo, desde o fim de 2007. Atualmente, 150 clientes em 20 prédios da região têm acesso à esse tipo de conexão.
"A vantagem é que você não precisa fazer cabeamento, quebrar parede para puxar cabos que permitam o acesso à internet. É só usar as tomadas que já existem na residência", afirma Teresa Vernaglia, diretora-geral da AES Eletropaulo Telecom.
Os equipamentos que unem o sinal da fibra óptica à rede elétrica podem ser colocados nos postes de rua ou diretamente nos medidores (popularmente conhecidos como "relógios") dos prédios. A empresa afirma que o sistema é mais adequado para edifícios, em que a conexão é dividida para vários clientes. Montar essa infraestrutura para uma casa sairia muito caro.
De acordo com a Eletropaulo, durante os testes o sistema permitiu uma conexão de 80 MB por prédio: a velocidade para cada cliente vai depender do número de assinantes no local e do serviço contratado com a operadora.
Hoje, a empresa afirma que tem 2.000 km de fibra óptica instalada na Grande São Paulo --valor equivalente à distância entre São Paulo e Aracaju.
Interferência
Segundo a Anatel, a agência tomou as precauções necessárias para evitar que o compartilhamento da rede de cabos provoque interferência negativa no fornecimento de energia ou na velocidade da conexão da internet. Havia o risco, por exemplo, de ao ligar um liquidificador a velocidade da conexão cair.
A nota divulgada pela agência informa que foi estabelecida a obrigatoriedade da utilização de filtros "capazes de atenuar as radiações indesejadas". Além disso, informa a Anatel, "os sistemas deverão dispor de mecanismo que possibilite o desligamento remoto, a partir de uma central de controle, da unidade causadora de interferência prejudicial, caso outra técnica para sua atenuação não alcance o resultado esperado".
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Reação ao aumento no custo da energia
VERENA FORNETTI
Colaboração para Folha de S.Paulo
Atualizado às 10h21.
O reajuste da energia elétrica aprovado ontem pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) diminuirá a competitividade das empresas brasileiras em meio à crise e pode obrigar as organizações a demitir trabalhadores, de acordo com representantes de grandes consumidores, como indústrias e empresários do comércio.
Ricardo Lima, presidente-executivo da Abrace (associação de grandes consumidores de energia), afirma que onerar as empresas neste momento, quando há retração da atividade econômica, pode obrigar as organizações a demitir.
"Não dá para dizer que o aumento da energia elétrica foi abusivo porque seguiu a lei, mas certamente foi excessivo. Ele deve causar perda de mercado e aumento do desemprego", disse ele.
Lima destaca que, para os grandes consumidores, não há a alternativa de evitar o aumento dos custos migrando para o mercado livre, em que o consumidor não precisa comprar da distribuidora e pode contratar diretamente a geradora ou quem tiver energia sobrando.
Segundo Lima, a baixa oferta nesse mercado -causada pelo último leilão no segmento- encareceu os preços e tornou o mercado livre menos atrativo.
A associação que representa os shopping centers, a Abrasce, também afirma que o reajuste terá impacto expressivo. Segundo o diretor-executivo da associação, Luiz Fernando Veiga, o custo da energia elétrica representa de 15% a 20% dos gastos com condomínio. "Estamos vivendo um momento de aperto em todas as direções. É claro que um aumento de 20% em cima disso traz consequencias", disse Veiga.
Para o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), é preciso rever a metodologia para determinar os reajustes tarifários, opção que já foi mencionada pelo presidente da Aneel. A Pro-Teste, associação de defesa do consumidor, também defende a revisão.
Marcos Pó, assessor técnico do Idec, diz que a taxa pune excessivamente o consumidor. "Quando os reajustes ultrapassam o limite do razoável, a Aneel deve rever a metodologia que determina o aumento."
Maria Inês Dolci, coordenadora da ProTeste e colunista da Folha, destaca que o consumidor residencial é prejudicado duas vezes, com o reajuste direto na sua conta de luz e com o repasse do aumento dos custos para os produtos que a indústria e o varejo devem fazer.
Apesar da publicidade, companhias de petróleo investem pouco em energia alternativa
O governo Obama deseja reduzir o consumo de petróleo, aumentar os suprimentos de energia renovável e diminuir as emissões de dióxido de carbono naquela que é a mais ambiciosa transformação da política energética no período de uma geração.
Mas as gigantes mundiais do setor petrolífero não estão convencidas de que isso funcionará. No momento em que Washington está imersa em um frenesi em relação ao setor de energia, muitas companhias de petróleo estão colocando-se à margem do processo, recusando-se a investir nas novas tecnologias apreciadas pelo presidente, ou até mesmo renegando compromissos que já assumiram.
No mês passado a Royal Dutch Shell anunciou que congelaria as suas pesquisas e investimentos em energia eólica, solar e de hidrogênio, e concentraria os seus esforços em energias alternativas na área de biocombustíveis. A companhia já vendeu grande parte da sua estrutura de energia solar e no ano passado cancelou um projeto para a construção da maior usina eólica marítima do mundo, perto de Londres.
A BP, uma companhia que passou nove anos alegando que estava deslocando-se "para além do petróleo", está na verdade retornando ao petróleo desde 2007, e reduzindo os seus programas de energia renovável. E as companhias petrolíferas norte-americanas, que sempre foram mais céticas do que as suas congêneres europeias em relação às fontes alternativas de energia, estão ignorando sistematicamente as novas mensagens que vêm de Washington.
"A meu ver, nada de fato mudou", afirmou Rex W. Tillerson, o diretor-executivo da Exxon Mobil, após a eleição do presidente Barack Obama. "Não nos opomos às fontes alternativas de energia e ao desenvolvimento delas. Mas apostar o futuro da energia do país somente nelas é algo que contradiz a realidade em tamanho e escala".
O governo deseja investir US$ 150 bilhões nos próximos dez anos para criar aquilo que chama de "um futuro energético limpo". O seu plano teria como objetivo diversificar as fontes de energia do país ao encorajar o uso de mais fontes renováveis, e ele também reduziria o consumo de petróleo e as emissões de carbono oriundas dos combustíveis fósseis.
As companhias de petróleo veiculam frequentemente propagandas expressando o seu interesse em novas formas de energia, mas os investimentos que elas de fato fazem na área contradizem as suas mensagens de marketing. O grosso do investimento dessas empresas destina-se às fontes tradicionais de petróleo, incluindo fontes de energia que emitem muito carbono, como areias betuminosas e gás natural proveniente de xistos, enquanto que os investimentos em fontes alternativas representam apenas uma fração minúscula dos gastos. Até o momento, essa situação pouco mudou durante o governo Obama.
"A proporção dos investimentos dessas empresas em energia alternativa é tão minúscula que é difícil localizar tais investimentos", afirma Nathanael Greene, analista político do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. "Essas companhias não sentem que precisam estar na liderança no setor de fontes alternativas".
Talvez não seja motivo de surpresa o fato de a maioria dos investimentos em fontes alternativas de energia não vir dos cofres das companhias petrolíferas.
Nos últimos 15 anos, as cinco principais companhias de petróleo investiram cerca de US$ 5 bilhões no desenvolvimento de fontes renováveis de energia, segundo Michael Eckhart, presidente do Conselho Americano de Energia Renovável, um grupo comercial do setor. De acordo com Eckhart, isso representa apenas 10% dos cerca de US$ 50 bilhões investidos neste período na área de energias limpas pelos fundos de capital de risco e investidores corporativos.
"As grandes empresas petrolíferas não consideram a energia alternativa um negócio de grande importância", afirma Eckhart. "Para elas trata-se de uma atividade periférica".
A Shell, por exemplo, diz que desde de 2004 investiu US$ 1,7 bilhão em projetos alternativos. Essa quantia foi eclipsada pelos US$ 87 bilhões que a companhia investiu durante o mesmo período nos seus projetos de petróleo e gás em todo o mundo. Neste ano, os investimentos totais da companhia serão de US$ 31 bilhões, e a grande maioria dessa quantia será destinada à exploração de combustíveis fósseis.
Os executivos do setor alegam que comparar os investimentos em projetos de petróleo e gás com as suas iniciativas para pesquisas no setor de energias renováveis é um equívoco. Eles afirmam que embora os combustíveis renováveis sejam necessários, eles ainda estão em um estágio inicial de desenvolvimento, e o petróleo continuará sendo a fonte dominante de energia durante décadas.
Nas suas previsões de longo prazo, a Exxon diz que, até 2050, os hidrocarbonetos - incluindo petróleo, gás e carvão mineral - responderão por 80% dos suprimentos mundiais de energia, o que equivale aproximadamente ao patamar atual.
"As energias renováveis são bastante reais", disse em um discurso em Nova York, em novembro do ano passado, David J. O'Reilly, diretor-executivo da Chevron. "Necessitamos delas. Essas fontes serão uma parte essencial do futuro que eu vislumbro. Mas não seria realista supor que sejamos capazes de substituir as fontes de energia convencionais de acordo com o cronograma sugerido por certas pessoas". De acordo com Alexander Yelland, um porta-voz da empresa, a Chevron investiu cerca de US$ 3,2 bilhões desde 2002 em "energias renováveis e alternativas e serviços de eficiência energética". Ela pretende investir US$ 2,7 bilhões até 2011 em diversos projetos, incluindo um que ajuda a melhorar a eficiência energética em companhias e agências governamentais.
Apesar do entusiasmo recém-surgido de Washington pelo verde, os executivos do setor argumentam que a substituição de qualquer parcela significativa da área de combustíveis fósseis demoraria década, na melhor das hipóteses. Segundo a Agência Internacional de Energia, apenas para acompanhar o crescimento da demanda pelas fontes convencionais de energia, os produtores necessitariam investir mais de US$ 1 trilhão por ano até 2030.
"Muitas dessas companhias percebem que o mundo está mudando", diz Daniel Yergin, diretor da Cambridge Energy Research Associates e historiador especializado no setor. "Mas o desafio para uma companhia muito grande é obter uma escala crítica. As pessoas tendem a esquecer como o setor de energia é grande".
O mundo consome cerca de 85 milhões de barris de petróleo por dia. Os Estados Unidos sozinhos exigiram seis vezes a sua área de terras aráveis - e 75% das terras cultivadas do mundo - para atender às suas necessidades energéticas com etanol produzido a partir de milho, segundo os cálculos de Vaclav Smil, especialistas em energia da Universidade de Manitoba.
E metas mais realistas e modestas estão se mostrando difíceis de serem alcançadas. Segundo os especialistas, a meta da legislação do congresso norte-americano referente ao etanol, que exige que as companhias petrolíferas utilizem 136 bilhões de litros de etanol até 2020, não poderá ser alcançada sem a aplicação de grandes avanços tecnológicos que ainda demorarão anos para surgir.
Para aumentar a oferta de combustíveis, muitas companhias estão voltando-se para as areias betuminosas do Canadá, ou convertendo carvão ou gás natural em combustíveis líquidos, tecnologias que emitem muito mais dióxido de carbono do que o petróleo convencional.
A Shell, que é uma grande investidora na província de Alberta, no Canadá, acredita que as reservas tradicionais de petróleo não serão suficientes para atender ao crescimento da demanda mundial de energia no decorrer dos próximos 50 anos. Em 2007, a BP investiu nas areias betuminosas canadenses, gerando críticas de que a empresa estaria "recarbonizando-se".
John M. Deutch, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e ex-diretor de Inteligência Central, diz que é inútil criticar as companhias de petróleo sem criar primeiro regras federais que estabeleçam um preço para as emissões de dióxido de carbono. Segundo ele, assim que isso ocorrer, as companhias adaptarão as suas estratégias.
"Que papel as companhias de petróleo desempenharão no futuro em termos de alternativa aos hidrocarbonetos convencionais? A resposta correta é que ninguém sabe", diz Deutch. "O mais importante é que o governo crie uma política de carbono. Podemos ter certeza absoluta de que as companhias de petróleo, bem como outras companhias, seguirão essa política".
Uma área na qual as companhias se concentram cada vez mais é a de fabricação de combustíveis líquidos a partir de plantas. A BP em breve construirá uma fábrica de demonstração na Flórida, na qual produzirá etanol feito com matéria vegetal; a Shell trabalha com várias firmas desde 2002 no sentido de fabricar etanol a partir de culturas que não são destinadas à produção de alimentos. No ano passado, ela fechou acordos com seis companhias, incluindo uma do Brasil, e decidiu abandonar as suas outras iniciativas na área de combustíveis renováveis para concentrar-se apenas nos biocombustíveis.
"Os biocombustíveis são a fonte de energia que está mais próxima do nosso negócio central", justifica Darci Sinclair, uma porta-voz da companhia.
Outras áreas também trazem promessas significativas para a indústria, como as tecnologias para a captura de emissões de dióxido de carbono e a sua armazenagem no subsolo, bem como programas de eficiência energética, especialmente no setor de transportes. A Exxon, que há muito tempo é a companhia de petróleo mais cética em relação às fontes alternativas de energia, está trabalhando em programas de longo prazo para aumentar a economia de combustível e reduzir as emissões.
No fim das contas, muitos analistas dizem acreditar que as companhias de petróleo estão aguardando o surgimento de uma tecnologia vencedora. Alan Shaw, diretor-executivo da Codexis, uma empresa de biotecnologia do Vale do Silício que trabalha com a Shell, diz que as companhias de petróleo não estão cegas para a nova realidade política, mas observa que elas estão também fazendo os seus negócios com o objetivo de obter lucros.
"Não perca as esperanças em relação às grandes empresas petrolíferas", diz Shaw. "Elas ainda não atingiram um ponto em que estejam prontas a investir, mas estão chegando lá. Creio que nos próximos dez anos elas investirão centenas de vezes mais do que investiram nos últimos dez anos".
segunda-feira, 6 de abril de 2009
O Setor de Energia Brasileiro
06/04/2009
Recentemente participamos de um encontro promovido pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ), intitulado Seminário Cinco Anos do Novo Modelo: Realidade e Perspectivas para o Setor de Energia Elétrica. Além de um sucesso, refletido na participação das principais lideranças do setor elétrico e pelos relevantes temas tratados, o evento representou uma ótima oportunidade para uma reflexão sobre o passado bastante recente do setor a partir do racionamento de 2001/2002.
Quando falamos do novo modelo do setor elétrico, ou preferencialmente do modelo vigente, temos que nos reportar ao divisor de águas que foi o último racionamento ocorrido no País, a partir do qual, na Câmara de Gestão da Crise, foram iniciadas as discussões sobre as alterações necessárias no modelo. Mais precisamente, teríamos que retroagir um pouco, à época do Projeto RE-SEB, iniciado em agosto/96 e concluído em agosto/98, que teve na Lei 9.648, de maio de 1998, seu marco inicial.
Independentemente de onde queremos iniciar a reflexão, fica evidente que o acontecimento que se consagrou o maior pesadelo do segundo mandato do governo Fernando Henrique Cardoso, o racionamento de energia elétrica, paradoxalmente passou a ser um grande trunfo para o governo Lula. A redução do consumo ocasionou, na época, significativo excedente de energia — o qual recentemente se mostrou de menos monta após a “descoberta” da não-existência de gás suficiente para as termelétricas oriundas do Programa Prioritário de Térmicas - PPT: na sua origem abrangia um total de 53 usinas térmicas, totalizando 19.290,3 MW, oriundos de diversas fontes termelétricas, mas que perdeu fôlego ao longo do caminho, ficando sua implantação bastante aquém da expectativa inicial ― proporcionando para a ministra Dilma e sua equipe tempo necessário para estudar e discutir com as instituições representativas do setor elétrico as alterações então necessárias no modelo.
Com isso, em dezembro/03 foi publicada a MP 144, que estabeleceu as bases do atual modelo setorial. As 766 emendas apresentadas revelou o interesse da sociedade em se ter um modelo estável, equilibrado, benéfico para o consumidor e atrativo para que os investimentos necessários acontecessem. A MP 144 foi aprovada na Câmara dos Deputados sem muitas novidades em relação à versão original, mas avançou bastante no Senado Federal, especialmente quanto às regras de transição, numa negociação bastante profícua entre os agentes, poder legislativo e governo. Em abril/04 foi publicada a Lei 10.848, marco singular do modelo vigente.
Neste artigo não pretendemos esgotar o assunto, mas apresentar o que entendemos terem sido os avanços do atual modelo (parte 1) e os desafios que ainda terão que ser enfrentados (parte 2). Entendemos como avanços:
(i) as regras de transição - destacamos a viabilização da comercialização de usinas, particularmente as hidrelétricas, concedidas sob o marco regulatório anterior, que se tornaram elegíveis a participar dos leilões como "energia nova", competindo em bases isonômicas mediante compensação do encargo devido pelo Uso do Bem Público (UBP);
(ii) separação entre fio e energia - o desmembramento da tarifa de fornecimento nos componentes fio e energia permite que o consumidor efetivamente saiba o quanto paga pelo produto energia elétrica; caminha-se também para a consolidação da necessidade de separação entre o produto energia elétrica e o serviço de aumento da segurança no suprimento energético;
(iii) retomada do planejamento - veio a partir da criação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão de assessoramento do Ministério de Minas e Energia, que recuperou o planejamento não só elétrico, como energético, no País ― apesar das críticas muitas vezes formuladas ao Plano Decenal de Energia; na Geração a EPE proporciona o desenvolvimento de estudos de inventário, que em futuro próximo deverão viabilizar o aumento da oferta de novos empreendimentos hidrelétricos aptos a participarem dos leilões de energia nova; na Transmissão, trouxe a coordenação dos estudos de longo prazo e médio prazo, além de possibilitar a eliminação das principais restrições elétricas intra e entre submercados, bem como a gradativa interconexão dos sistemas isolados ao Sistema Interligado Nacional (SIN);
(iv) regulação técnica da transmissão - destacou-se a instituição da Parcela Variável, que sinaliza, via regulação por incentivos, a maximização da disponibilidade dos ativos de transmissão;
(v) realinhamento tarifário - proporcionou isonomia tarifária entre as diversas classes de consumo, através da eliminação dos subsídios cruzados; dessa forma, a energia passou a ter o real valor, dentro do conceito "vale quanto pesa";
(vi) leilões do mercado regulado - permitem coordenar 70% da expansão necessária, fazendo com que as distribuidoras passassem a manter uma contratação eficiente; além disso, os produtores independentes de energia acessaram efetivamente o mercado;
(vii) sistema de garantias financeiras da Câmara de Contratação de Energia Elétrica (CCEE) - propiciou o estímulo à contratação futura de energia; e
(viii) instituição do conceito de lastro - a contratação antecipada do lastro físico possibilitou adequação e segurança no suprimento.
Cabe destaque na retrospectiva aos leilões de energia realizados para suprimento do mercado, pois a inexistência de aproveitamentos hidrelétricos disponíveis ― motivados pela não-realização de inventários e pela forma com que empreendimentos hidrelétricos são tratados por algumas ONGs, setores do Ministério Público e órgãos licenciadores ― fez com que sua participação incremental na matriz energética, nos últimos cinco anos, fosse considerada pífia.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Mais uma sobre Itaipú e o (argh!) MST
Como o governo atual, é de um partido ou coligação deles, que sempre foral ligados ao MST, as invasões tem sido pontuais. Mais do que isso, as invasões e destruição de propriedades tem sido "direcionadas".
Direcionadas contra o inimigo; o capitalismo. Por isso as ultimas 'invasões" foram destruição de fazendas de eucaliptos para fabricação de papel, laboratório de produtos do agrobusiness e campanhas como a luta pela estatização da VALE e agora querem fazer campanha a favor dos interesses do Paraguai.
Falta uma letra no nome do movimento. Um F no final. Aí a sigla estaria representando a realidade: Movimento dos Sem Ter o que Fazer.
Ainda sobre Itaipú
1) O tratado determina que a empresa é partilhada pelos dois países, justamente porque usa as duas margens do rio, a margem brasileira e a paraguaia. Alguns críticos dizem hoje, que ela poderia ter sido construida dentro do território brasileiro apenas; porém essas considerações esquecem que essas enormes obras, foram feitas na época da ditadura militar de direita e os paises em volta do Brasil viviam uma situação semelhante, então era natural as associações além do que havia uma certo antagonismo com a Argentina e ligações fortes com paises a volta dos dois eram do interesse geopolítico brasileiro. Enfim...
2) O Brasil já era então uma potência com o chamado milagre econômico e o Paraguai era na verdade uma espécie de fazendão;
3) A construção envolvia problemas de engenharia tão imensos e o custo era tão grande, que o Paraguai não possuia como aliás ainda não possui recursos suficientes para bancar a metade da empreitada;
4) Considerando as diferenças entre os paises, o tratado propos uma espécie de partilha dos direitos sem a devida compensação das obrigações. Explico: Nem o Brasil possuia recursos para construir a usina, o que levou o país a contrair empréstimo para a obra. Esses empréstimos que pagaram a construção da usina foram feitos pelo Brasil sem participação do Paraguai;
5) Considerando o tratado que a usina seria importante para os dois paises, o capital social da empresa criada foi dividido em partes iguais para os dois paises, ficando cada um com 50% do capital social;
6) O Paraguai não possuindo recursos para integralizar esse capital inicial da empresa; adquiriu do governo brasileiro através do Banco do Brasil um empréstimo fianceiro do valor de sua parte no capital social que deveria ser pago em 50 anos a juros de 6% ao ano e o inicio do pagamento teria uma carência de 8 anos;
7) O contrato da empresa e o tratado bi-nacional previu a remuneração desse capital social em 12% ao ano. Assim a remuneração do capital cobriria os juros e ainda o Paraguai obteria um lucro anual. Considerando que o inicio do pagamento do empréstimo possuia uma carência de 8 anos, o Paraguai acumulou um volume razoavel de dolares nesse período;
8) Embora a construção tenha sido bancada pelo Brasil, a divisão de 50/50 da empresa dá ao Paraguai, o direito sobre 50% ou metade da produção de energia;
8) Como por duas situações: a) O Paraguai cabe dentro do estado de São Paulo fisica e financeiramente falando e b) não possuia como não possui um elevado grau de industrialização; o tratado prevê que a produção; o Paraguai não usa essa energia, o contrato prevê que o outro sócio deve comprar o excedente de energia produzido mas não consumido pelo outro sócio;
9) De lá para cá, o Paraguai recebe pelo excedente de energia produzido um valor pouco acima de US$ 2 doláres mais o custo médio pago pela Eletrobrás que compra a produção da usina;
10) Dessa forma, o Brasil tem em Itaipu, um sócio que recebe renumeração acertada como sendo o dobro do juros cobrados pelo empréstimo para formação do capital social da empresa; tem direito de uso de 50% da produção de energia e recebe pelo excedente (quantidade de Mwh entre o produzido e o consumido), por valor acima do preço de produção e formatado pela média paga pelo distribuidor brasileiro. Enquanto isso; o empréstimo de mais de 19 bilhões de doláres usado para construção e operação inicial da usina são bancados exclusivamente pelo Brasil.
Sobre Itaipú e os idiotas do MST
Abin monitora ''aliança'' entre MST e Paraguai para rever acordo de Itaipu
Por determinação do Palácio do Planalto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) deverá monitorar a aproximação que estaria ocorrendo entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o governo do presidente Fernando Lugo, do Paraguai. A preocupação do governo é com a tentativa de cooptação dos sem-terra pelos paraguaios, com o objetivo de apoiar mudanças no Tratado de Itaipu, aumentando o valor da energia paga pelo Brasil, além de renegociar a dívida. Essas mudanças estavam entre as principais promessas de campanha de Lugo nas eleições presidenciais do ano passado.
O MST está distribuindo entre acampados e assentados material com informações sobre a polêmica, chamando a atenção de seus militantes para os direitos do país vizinho. "No caso da usina de Itaipu, é uma questão de defesa dos princípio da soberania nacional e popular sobre os recursos naturais", disse ontem ao Estado um dos principais líderes nacionais da organização, Roberto Baggio. "A Eletrobrás paga uma bagatela para eles (paraguaios) e quem está ganhando mesmo são os grandes grupos econômicos, estrangeiros, que compram barato essa energia para ter lucro."
O governo brasileiro vê como um problema a eventual atuação do presidente paraguaio em sintonia com os sem-terra. Primeiro, porque seria uma interferência indesejada em assuntos internos, considerando que as autoridades brasileiras já disseram que o tratado é inegociável. E, segundo, porque ocorreria às vésperas do aniversário de 25 anos do MST, que deverá ser comemorado com manifestações de protesto, ocupações de terra e marchas por todo o País.
Acredita-se que a questão do pleito paraguaio será incluída nas manifestações, difíceis de serem monitoradas - devido ao fato de os sem-terra não terem um controle centralizado, cabendo a cada Estado definir o que fazer.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Em tempos de crise...Eficiência
Estamos vivendo um período de tempestade como nunca se viu na história. Uma crise financeira mundial que vem trazendo impactos cada vez mais forte para o país. A maior economia do planeta troca de comando governamental com uma guerra de duas frentes ou duas guerras por um mesmo motivo (iraque e Afeganistão), sem prazo curto para terminar e o Oriente Médio de novo pegando fogo. Ao mesmo tempo, as ações de combate ao Aquecimento Global não surtem os efeitos esperados e com o preço do petróleo tão baixo; não existem imperativos para implementar alternativas.
De fato, no meio disso tudo; as pessoas se preocupam com seus empregos e os empresários com suas empresas.
Nenhum empresário gosta de demitir. Sabem porque? Porque custa caro manter um empregado e mais caro ainda dispensa-lo. As leis trabalhistas oneram por demais o emprego. E podem me criticar a vontade, mas um dos motivos pelos quais o salário no Brasil é baixo é porque a legislação torna cara a relação trabalhista com os custos indiretos.
Eu sinceramente acho que o trabalhador brasileiro é inteligente o suficiente para saber o que fazer com seu dinheiro, mas o governo pensa diferente e por isso ele é obrigado a se aposentar pelo sistema público, o INSS, Aguardar anos para usufruir de um FGTS que talvez fosse melhor aplicado pelo trabalhador em sua familia mês a mês. Impostos e contribuições como COFINS, PIS-PASEP e outros diminuem as margens das empresas e por isso diminuem a margem de aumento nos salários sem que com isso, signifiquem aumentos nos preços. Sem falar em férias remuneradas em 1/3 do salário. O 13o. salário, que era meritório tornou-se obrigatório, seja o empregado eficiente ou não.
No mundo privado, os empregados esperam o dinheiro das férias, ou após anos o pessimamente mal aplicado dinheiro do FGTS para comprar um imóvel ou sua entrada. Impostos indiretos e os diretamente retidos de trabalhadores financia serviços públicos de péssima qualidade, na média dos estados. Aposentados, passaram a ganhar com base nas 36 ultimas contribuições e não sobre o total pago ao INSS durante toda sua vida.
No mundo publico ou estatal, os empregados vivem tal e qual os empregados do mundo privado como explicado acima, mas com uma diferença. Os salários são maiores. Porque são funcionários mais eficientes? Não, mas porque quem banca são os governos com dinheiro público vindo dos impostos. Apenas um exemplo: As estatais possuem uma constelação de empreiteiras e consultorias que prestam serviço a elas. Peque por exemplo, uma distribuidora de energia do grupo da Eletrobrás e compare quanto ganha um eletricista ou técnico em eletrotécnica da estatal e quanto ganha o mesmo profissional da empreiteira. Entendeu a questão?
Aposentados, os profissionais do mundo estatal e público terão vencimentos equivalentes ao quanto ganhavam na ativa, isso porque seus salários do INSS são complementados ou suplementados pela fundação dos funcionários da estatal em questão que é mantida em grande parte pela...estatal, na proporção de 2/1, 3/1, 4/1, etc.
Acabei me desviando um pouco do assunto.
Com tudo isso, a manutenção de um empregado, seu treinamento, etc é mais barata que sua demissão; mas o que fazer diante de uma crise que estrangula o crédito e não permite aumento dos preços? Diminuir seus custos para continuar fazendo a mesma coisa. E aí, ou manda-se gente embora ou...
Ou, se aplica de forma forte e duradoura medidas de eficiência que cortem custos e mantenham a rentabilidade.
Curiosamente, para isso as vezes é preciso investir.
Consumo de ÁGUA. As empresas utilizam muita agua. E todos somos, na maioria cativos de empresas federais ou estaduais de fornecimento de água. Vale a pena averiguar se existe acesso a veios de agua no terreno da industria. Poços artesianos. No limite para uso na limpeza de equipamentos. Na produção, depois da devida limpeza e adequação. A empresa de água não deixa? Ela que se dane. No limite, dá pra negociar bons descontos nas tarifas.
Existem equipamentos e eu pessoalmente conheço o representante de um equipamento do genêro que limpa para reutilização, 98% da agua utilizada em um local. Imagine uma empresa de lavagem de carros, reaproveitando a mesma agua que utiliza para lavar os carros em 98%? Imaginem os custos dessa empresa e qual seu preço de serviço? Competitivo, não?
Consumo de ENERGIA. Eu trabalho com isso. Eu vivo disso. As empresas podem fazer mais do que fazem pagando menos pela energia que consomem. Podem por exemplo eliminar a energia da distribuidora no horário de ponta. Podem melhorar seus programas de manutenção de equipamentos e sistemas, Educar seus funcionários a economizar energia, trocar motores e equipamentos por outros mais econômicos. Recuperar perdas do passado com impostos indevidos sobre partes da fatura que são cobradas pelas empresas a mais e ninguem reclama. Avaliar erros de faturamento, mais comuns do que muita gente imagina.
Novos Projetos
Minha empresa, a Globaltech Tecnologia e Sistemas, atua nas áreas de energia e gestão. Projetos de Eficiência Energética e Web-services são os carros-chefes de cada área. Negociação de débitos também.
O novo site será dedicado a essas atividades, dicas de economia, eficiência energética, etc.
Novos serviços serão oferecidos, como implantação de web-sites e portais e hospedagens de sites em servidores próprios.
Se sua empresa ou você se vê as voltas com processos de cobrança de distribuidoras de energia, me procure e ajudaremos você a resolver essas questões.
Por enquanto visite o atual site: www.grupobaltech.com.br
O Blog também sofrerá mudanças. Ficará mais elegante. Espero.
E conto com os eventuais leitores para torna-lo melhor.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Equador, Paraguai e dívidas com o Brasil
O Equador qualificou ontem de "lamentáveis" e resultado de "uma prática política condenável" as declarações do chanceler brasileiro, Celso Amorim, sobre a decisão de Quito de levar à arbitragem internacional uma dívida com o BNDES. Amorim disse que a medida foi "um tiro no pé" porque o Brasil seria uma das poucas fontes de crédito dos equatorianos.
"Nosso Estado é soberano e tem o direito de ir a arbitragens quando considerar que um contrato afeta seu interesse nacional", disse o ministro de Segurança equatoriano, Gustavo Larrea. "Se um país condiciona suas fontes de financiamento a que o Equador não tenha direito de exigir seus interesses, não nos interessa. Essa é uma prática política condenável."
Quito não quer pagar 30% de sua dívida externa de US$ 10 bilhões. Desse montante, US$ 242,9 milhões correspondem a recursos emprestados pelo BNDES para financiar obras da Odebrecht. Quito começou na terça-feira uma campanha internacional para conseguir apoio. Seus enviados já estão na Argentina e no Chile e devem viajar para os EUA e o Peru.
Outros governos, como o do venezuelano Hugo Chávez, já manifestaram sua solidariedade a Quito. "Esse é um caso típico de colonialismo econômico", disse Chávez num encontro com líderes da região em novembro, quando foi anunciado que Venezuela e Bolívia também poderiam "auditar" suas dívidas.
O Brasil endureceu o tom. Chamou de volta seu embaixador em Quito e ameaçou não financiar mais obras de infra-estrutura em países que seguissem o caminho equatoriano. A polêmica, porém, já havia lançado o País no que parece ser uma nova e delicada fase das relações com os países vizinhos.
O Paraguai agora quer o "perdão" de US$ 19 bilhões referentes às obras da hidrelétrica binacional de Itaipu. E Caracas deu uma resposta vaga a uma consulta do Itamaraty sobre se a "auditoria" da sua dívida poderia atingir interesses brasileiros.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Furto de energia
| O furto de energia elétrica |
| editorial |
| O Estado de S. Paulo |
| 29/9/2008 |
Para tentar reduzir o furto de energia elétrica por meio de ligações clandestinas nos postes da rede pública, crime conhecido popularmente como “gato”, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pretende substituir os tradicionais relógios eletromecânicos, que fazem a medição do consumo mensal de energia dos imóveis residenciais, por equipamentos de medição eletrônica, que permitem fazer o controle de modo mais eficiente e em tempo real. Divulgado essa semana, o plano da Aneel prevê a substituição, nos próximos anos, de 52 milhões dos 60 milhões de relógios eletromecânicos em operação no País, sem custo para o consumidor. A simples redução das perdas causadas por furto compensa o gasto de R$ 2,5 bilhões que as distribuidoras terão para instalar a nova tecnologia. Atualmente, 3 milhões de medidores eletrônicos já fazem a leitura da fatura mensal de imóveis residenciais, sob autorização da Aneel. A medida experimental trouxe resultados positivos para as distribuidoras de energia. Ela não atinge os consumidores industriais, que há algum tempo usam um sistema de leitura mais sofisticado. O que justifica a substituição do sistema de medição de consumo de energia elétrica é o prejuízo que a proliferação desenfreada de “gatos” vem causando para as distribuidoras e para o próprio poder público. Segundo o presidente da Aneel, Jerson Kelman, as perdas têm sido de R$ 5 bilhões por ano, dos quais 45% são relativos a impostos federais e estaduais que deixam de ser recolhidos. Esses valores são tão altos que ameaçam o próprio equilíbrio econômico-financeiro de algumas distribuidoras, obrigando-as a cobrar tarifas mais caras para compensar a evasão de receita provocada pelas fraudes. “Quem paga parte desse prejuízo é o consumidor”, diz Kelman. Na periferia das regiões metropolitanas, as ligações clandestinas costumam ser “garantidas” pelo narcotráfico e por “milícias”, que impedem a ação dos “leituristas” dos relógios eletromecânicos. Nas favelas, o crime organizado há muito tempo ameaça de morte os técnicos das distribuidoras encarregados de desligar os “gatos” dos postes da rede pública. Nem mesmo o apoio da polícia tem sido suficiente para dar segurança aos técnicos. Utilizando equipamentos eletrônicos, a nova tecnologia de medição de consumo dificulta a fraude, reduz em parte a necessidade de presença dos técnicos nas áreas mais problemáticas e tem um custo operacional muito inferior ao dos relógios eletromecânicos. Apesar de todos esses ganhos, a adoção da medição eletrônica vem esbarrando na resistência de políticos com força eleitoral em bairros pobres e em favelas. Sob a bandeira demagógica da defesa do “direito dos consumidores”, eles querem barrar os planos da Aneel. No Rio de Janeiro, onde os “gatos” cresceram desabaladamente nos últimos anos, esses políticos chegaram a instalar uma CPI na Assembléia Legislativa. Desde então, eles vêm tentando constranger os diretores de uma das distribuidoras que atuam no Estado, alegando que ela tem aumentado as contas de luz de forma abusiva. Mas a empresa comprovou que os valores das faturas correspondiam ao consumo real dos imóveis residenciais, que passou a ser aferido por medidores imunes a fraudes. Depois de também ter tentado indiciar várias autoridades estaduais e federais, a CPI encaminhou relatórios para o Tribunal de Contas da União e pediu aos órgãos policiais e ao Ministério Público a instauração de inquéritos criminais e a abertura de ações judiciais contra executivos das distribuidoras e funcionários públicos. Conhecendo os interesses eleiçoeiros por trás desses pedidos, delegados e promotores tiveram o cuidado de avaliar a procedência das denúncias e até agora não tomaram qualquer providência judicial. A resistência que a Aneel vem enfrentando ao tentar acabar com o grave problema do furto de energia elétrica e os argumentos de natureza “social” invocados por políticos venais que se mobilizaram para impedi-la de cumprir sua obrigação funcional mostram o ponto a que chegou a afronta à ordem pública no País. |
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Sobre Itaipu e Paraguai II
1. Itaipu é uma grande obra de engenharia política, jurídica e diplomática. Os artífices do tratado tiveram a inteligência de perceber que essa parceria não poderia prosperar em bases comerciais. Se tivesse sido pensada como um simples negócio, os direitos em Itaipu teriam de ser proporcionais ao aporte financeiro de cada uma das partes. Dadas as dimensões do projeto, o Paraguai não teria condições de arcar com a parcela de encargos (capital e garantias para empréstimos) correspondentes ao seu inalienável e indiscutível direito a 50% da produção da usina.
2. Como os encargos da construção de Itaipu foram repartidos proporcionalmente à capacidade econômica dos parceiros, coube ao Brasil assumir 100% dos financiamentos, dívidas no exterior e garantias aos credores. Falharão, portanto, todas as tentativas de interpretar o tratado a partir de uma ótica puramente econômica ou comercial.
3. A viabilidade de Itaipu foi assegurada com base em três garantias que desafiam a lógica de mercado: (i) receita anual suficiente para cumprir com todos os seus compromissos financeiros; (ii) obrigação das "altas partes" (Eletrobrás e Ande) de contratar toda a potência instalada; e (iii) mercado cativo para a energia produzida.
4. Em troca dessas garantias -que protegeram e continuam protegendo Itaipu dos riscos inerentes às oscilações de mercado-, ficou estabelecido que toda a energia produzida deve ser destinada ao consumo exclusivo de Brasil e Paraguai. A venda a terceiros abriria a possibilidade de qualquer dos sócios especular em benefício próprio, o que geraria benefícios desiguais para os países, em flagrante conflito com o espírito do tratado.
5. A dívida estará integralmente paga em 2023, com recursos obtidos da energia produzida, o que comprova que as bases do tratado são justas e sustentáveis.
Itaipu responde hoje por 20% de toda a energia consumida no Brasil e 95% da energia que abastece o Paraguai -que se tornou um dos poucos países que têm soberania energética assegurada pelas próximas quatro décadas, um ativo valioso para impulsionar seu desenvolvimento.
6. Além disso, o Paraguai já recebeu US$ 4,5 bilhões referentes a royalties e compensação por cessão de energia -benefícios que não podem ser desconsiderados. Sem ignorar o fato de que o tratado permitiu ao país tornar-se co-proprietário de uma empresa que tem hoje um valor de mercado estimado em US$ 60 bilhões. Assim, Brasil e Paraguai devem se orgulhar do Tratado de Itaipu.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Sobre Itaipu e o Paraguai
Qual é a verdade dos fatos? Ainda mais considerando que o presidente Lula e o ministro das relações exteriores dizem ser favoráveis ou que existe espaço para negociar preços?
Visite o site da empresa Itaipu. Lá existe um relato detalhado dos acordos e tratados entre os dois paises que propiciaram a construção da ainda hoje, maior hidroelétrica do mundo.
Aqui faço apenas algumas considerações sobre o assunto.
1) O tratado determina que a empresa é partilhada pelos dois países, justamente porque usa as duas margens do rio, a margem brasileira e a paraguaia. Alguns críticos dizem hoje, que ela poderia ter sido construida dentro do território brasileiro apenas; porém essas considerações esquecem que essas enormes obras, foram feitas na época da ditadura militar de direita e os paises em volta do Brasil viviam uma situação semelhante, então era natural as associações além do que havia uma certo antagonismo com a Argentina e ligações fortes com paises a volta dos dois eram do interesse geopolítico brasileiro. Enfim...
2) O Brasil já era então uma potência com o chamado milagre econômico e o Paraguai era na verdade uma espécie de fazendão;
3) A construção envolvia problemas de engenharia tão imensos e o custo era tão grande, que o Paraguai não possuia como aliás ainda não possui recursos suficientes para bancar a metade da empreitada;
4) Considerando as diferenças entre os paises, o tratado propos uma espécie de partilha dos direitos sem a devida compensação das obrigações. Explico: Nem o Brasil possuia recursos para construir a usina, o que levou o país a contrair empréstimo para a obra. Esses empréstimos que pagaram a construção da usina foram feitos pelo Brasil sem participação do Paraguai;
5) Considerando o tratado que a usina seria importante para os dois paises, o capital social da empresa criada foi dividido em partes iguais para os dois paises, ficando cada um com 50% do capital social;
6) O Paraguai não possuindo recursos para integralizar esse capital inicial da empresa; adquiriu do governo brasileiro através do Banco do Brasil um empréstimo fianceiro do valor de sua parte no capital social que deveria ser pago em 50 anos a juros de 6% ao ano e o inicio do pagamento teria uma carência de 8 anos;
7) O contrato da empresa e o tratado bi-nacional previu a remuneração desse capital social em 12% ao ano. Assim a remuneração do capital cobriria os juros e ainda o Paraguai obteria um lucro anual. Considerando que o inicio do pagamento do empréstimo possuia uma carência de 8 anos, o Paraguai acumulou um volume razoavel de dolares nesse período;
8) Embora a construção tenha sido bancada pelo Brasil, a divisão de 50/50 da empresa dá ao Paraguai, o direito sobre 50% ou metade da produção de energia;
8) Como por duas situações: a) O Paraguai cabe dentro do estado de São Paulo fisica e financeiramente falando e b) não possuia como não possui um elevado grau de industrialização; o tratado prevê que a produção; o Paraguai não usa essa energia, o contrato prevê que o outro sócio deve comprar o excedente de energia produzido mas não consumido pelo outro sócio;
9) De lá para cá, o Paraguai recebe pelo excedente de energia produzido um valor pouco acima de US$ 2 doláres mais o custo médio pago pela Eletrobrás que compra a produção da usina;
10) Dessa forma, o Brasil tem em Itaipu, um sócio que recebe renumeração acertada como sendo o dobro do juros cobrados pelo empréstimo para formação do capital social da empresa; tem direito de uso de 50% da produção de energia e recebe pelo excedente (quantidade de Mwh entre o produzido e o consumido), por valor acima do preço de produção e formatado pela média paga pelo distribuidor brasileiro. Enquanto isso; o empréstimo de mais de 19 bilhões de doláres usado para construção e operação inicial da usina são bancados exclusivamente pelo Brasil.
Como uma elevação dos preços, implica em dizer aumento de custos para a sistema Eletrobrás; isso significa na prática que todos os consumidores que são atendidos por distribuidoras e fornecedoras que compram energia de Itaipu ou da Eletrobrás terão impacto nas tarifas; ou seja todos os estados do Sul e Sudeste. Como esses estados respondem pelo grosso das atividades comerciais e industriais, não é preciso ser um gênio da economia para concluir que ceder aos apelos do Paraguai significará um impacto em todos os preços.
Mas alguem pode alegar que o governo em prol de interesses maiores pode exigir da Eletrobrás que suporte esse custo sem repasse. Pois bem, na prática isso faz com que a energia seja paga com fios e cabos? com pipoca e chimarrão? Não! Será com dinheiro que o principal e único sócio, na maiorias delas, da estatal deverá por na empresa. Como esse principal sócio é o governo, esse dinheiro que ele deve por é publico, e dinheiro público vem da onde? dos impostos e contribuições. Logo se os impostos bancam a brincadeira, então novamente através de um caminho mais longo, todos pagam, incluso aqueles que no Nordeste , por exemplo, não recebem energia de Itaipu.
Mas isso é uma forma de ajudar o Paraguai, dele crescer! - Dirão alguns. Pois é. O problema desse pensamento é que ele alude a Bolívia que nacionalizou os poços e deu uma tungada na Petrobrás e no governo brasileiro. um perdeu os bens e propiedade por ressarcimento simbólico e o segundo engoliu aumento do preço do gás. A diferença é que o gás é propriedade da Bolívia e a energia do Paraguai é energia excedente que ele não usa e não tem como vender para ninguem, salvo o Brasil. Ele paga um valor simbólico por ela, coisa natural já que ele responde por toda a dívida da construção da usina? Não, ele paga o valor de mercado de uma usina. O preço é médio, porque claro, considera-se volume da transação, como também que o preço é ditado pela usina posta em operação. As usinas de maior preço são as termoelétricas que somente são postas em funcionamento quando o sistema vai chegando no limite de fornecimento. Assim, pagar um preço maior pela energia de Itaipu para o Paraguai seria o mesmo que pagar por energia hidro o preço de uma termo. Faz sentido?
domingo, 30 de março de 2008
A questão energética e o exemplo da União Européia
Obviamente o assunto é mais amplo; entretanto é possivel verificar a importância do tema por conta da falta de informação ou interesse sobre o mesmo que muitos ainda possuem. Certo orgão de imprensa noticiou a pouco tempo que mais de 30.000 empresas funcionavam em São Paulo sem aplicarem nenhuma ação de eficiência energética, como se a energia não fosse um insumo importante, parte vital dos custos de uma empresa e na verdade fosse um presente divino, como o ar e a vida.Se isso ocorre em São Paulo que é o maior centro produtor do Brasil, melhor dizendo, da América Látina, o que não ocorre em outras regiões?
Por outro lado é bom que se frise, que os que mais sofreram na época do racionamento foram as pessoas e empresas que possuiam preocupação com o assunto e haviam aplicado pouco antes do período do racionamento medidas de eficientização. Como resultado, tiveram que cortar na carne enquanto os outros na maioria cortaram apenas na gordura.De lá para cá, existe a propaganda ideológica míope que coloca como culpada pelo "apagão energético" as privatizações feitas no setor durante o governo FHC. O problema desse argumento tosco, mas que infelizmente pegou é que lhe falta lógica; afinal durante o governo da época, o setor elétrico assistiu a privatização das distribuidoras de energia e não das geradoras que praticamente se mantiveram 100% sob controle federal ou estadual. O que ocorreu na época foi falta de chuvas para encherem os reservatórios e a falta de visão estratégica do governo de se antecipar ao problema embora tenha sido rápido e competente para gerenciar a crise. Hoje, o setor energético vive, a mesma falta de visão estratégica vivido no governo FHC, no governo Lula.
O marco regulatório criado para o setor energético foi alterado no governo Lula e esse marco prioriza investimentos estatais, que não ocorrem, permite a ingerência política no setor que antes estava meio que blindado, não deixa clara a ou as regras do jogo para investimentos privados (por exemplo, limita em 20% o investimento privado nas usinas do rio madeira, logo os 80% restantes serão lógicamente supridos pela Eletrobrás, estatal do setor. - isso é incentivar investimentos privados?). Já o programa PROINFA que apoia a matriz energética diferente das convencionais é praticamente pra inglês ver.
O que realmente precisariámos é que o anseio desejado pelo marco regulatório fosse aplicado como fez a União Européia, permitindo que os usuários finais de energia escolham livremente seus fornecedores, como ocorre com a telefonia.
A privatização da telefonia no Brasil e mais do que isso, permitir que o mercado fosse livre sem amarras de áreas de concessão, permitiu que rigorosamente todos os brasileiros tenham acesso a telefonia fixa e móvel e por preços compativeis com sua capacidade de gastos porque quem escolhe a operadora e a tarifa que deseja pagar é o cliente. Foi isso que a União Européia fez com a energia e era esse o modelo que era pra ser aplicado no Brasil e ainda não foi.
Com mercado cativo e uns muito pouco privilegiados que podem optar pelo mercado livre (e esses precisam pensar muito bem em faze-lo, porque os clientes livres tem encontrado dificuldade de contratar energia para 2009 em diante), não existe motivação para buscar efetivamente energia de matrizes alternativas e que possibilitem um custo menor na tarifa (a energia no Brasil é bom que se diga embora possuia uma matriz hidro, possui custo de matriz nuclear).Assim, a cultura da racionalização e da eficiência energética só se tornarão um item básico e não opcional, quando o mercado for livre e os agentes do setor forem obrigados por conta da concorrência a elevar sobremaneira a qualidade e diminuir sensivelmente seus custos.