sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Lembre-se amigo...
Lembre-se de que a discussão sobre o pré-sal implica numa falsa premissa. A falsa premissa é o que se fazer com o dinheiro que será obtido com o pretóleo do pré-sal. É uma falsa-premissa porque esse dinheiro já está circulando na economia. Ou de onde você acha que vem o dinheiro necessário para fazer a comercialização desse oléo? Os custos da cadeia de prospecção, armazenagem, etc? Esse investimento todo terá retorno com a venda do oléo em si.
Lembre-se de que políticos antes das cores ideológicas gostam mesmo é da cor verde do dolar; então a briga pelos royalties é basicamente uma briga pelo pedaço de bolo de milho que será feito com um milho que ainda será plantado. Em suma, verbas para eleições...
De resto, o oléo já está no nivel comercial de produção.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A questão do pré-sal
Começando pelos segundos, é uma obvia falsa discussão:
A questão do nacionalismo. Porque? Por que para quem não sabe, a Petrobrás é uma empresa de capital aberta com ações negociadas na bolsa de valores aqui e em NY. Quem são os donos dessas ações? Fundos de pensão americanos, Fundos de pensão de estatais brasileiras e milhares de brasileiros que usaram 50% de seu FGTS para comprar ações da empresa. E é justamente por isso que o governo quer por que quer criar uma nova estatal, a tal de Petro-Sal. Porque nela o governo mandaria 100% sem precisar ficar dando bola pra acionista. Vem justamente do fato da Petrobrás ser uma empresa de capital aberto que faz o governo querer uma outra empresa. É curioso portanto ver a defesa incansável do governo e grupelhos de apoio a favor da Petrobrás e ao mesmo tempo agir de forma que a Petrobrás não seja a dona da festa sozinha.
A questão da soberania. Porque? Por que para quem não sabe, o petróleo não sairá de onde está de graça ou por ordem do governo. Depende de recursos da ordem de bilhões de dolares para atualizar quando não,criar a tecnologia necessária e que o preço do barril mantenha-se em niveis altos para possibilitar retorno do investimento. Uma empresa sozinha, por maior que seja não reune as condições para isso sozinha e precisa dos parceiros, muitos deles estrangeiros. Já é assim hoje com a Petrobrás e ninguem até agora fora os "de sempre", batem nessa tecla.
Outra falsa questão é o sistema. Concessão ou partilha? Cada uma das opções possui fontos fortes e fracos. Mas existe uma só certeza: Não importa qual o sistema seja adotado, haverá empresas e investidores interessados, caso a premissa citada acima, o preço do petróleo mantenha-se comercialmente favorável. Vejam o caso da Bolívia que nacionalizou as refinarias da Petrobrás, fez aquela pantomima toda e as empresas que lá operam sabem que arrufos a parte, tudo é apenas negócio, nada pessoal. O que vale é saber se o lucro atingido vale pelo custo investido. Alguem ouviu falar de alguma empresa que saiu da Bolívia batendo a porta? Já viram a Venezuela com todo o seu anti-americanismo falar: "danen-se os ianques" deixando de entregar o petróleo para eles, até por exemplo levantarem o embargo contra Cuba que eles tanto criticam? Pois é! Negócios são negócios.
As questões que precisam ser realmente discutidas são:
a) É preciso realmente outra estatal? A ANP, Agência Nacional de Petróleo não pode fazer esse papel sem a burocracia e o empreguismo que uma estatal sempre gera? De fato, uma agência pressupoêm que seus diretores que possuem mandatos fixos sejam independentes do governo e me parece ser justamente essa a principal razão para esvaziar a ANP, que é o resultado prático e primeiro dessa nova estatal.
b) Se a Petrobrás não é o digamos assim, braço do governo na questão do pre-sal, mas uma empresa operadora, posto que não haverá concessão, esse privilégio não fere a lei das licitações?
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Galp retira primeiros barris de petróleo do campo de Tupi
A Galp estima que o campo Tupi, descoberto em 2006, venha a render entre cinco e oito bilhões de barris de petróleo e gás natural.
De acordo com a petrolífera portuguesa, "este primeiro carregamento totalizou cerca de 315 mil barris que foram transferidos da Plataforma Flutuante de Produção, Armazenamento e Offloading Cidade de São Vicente para o petroleiro Nordic Spirit, com destino ao porto de São Sebastião, no Estado de São Paulo, no Brasil".
O presidente executivo, Ferreira de Oliveira, considerou - citado numa nota da Galp -, que este carregamento "representa a incorporação no mercado das primeiras quantidades de óleo provenientes do pré-sal da bacia de Santos", sendo assim um dia "que ficará na história deste grande projeto".
A empresa especificou que toda a produção atualmente "é obtida a partir do poço Tupi-Sul, o qual produz cerca de 14 mil barris de petróleo por dia, no âmbito do teste de longa duração que se estenderá por um período de 15 meses".
"Durante este período, serão ainda recolhidos dados técnicos fundamentais para avaliação e desenvolvimento dos outros reservatórios descobertos na bacia de Santos, como os de Iara, Iracema, Júpiter, Bem-te-Vi e Caramba", acrescenta o texto.
A jazida explorada pelo poço Tupi-Sul, localizado no Bloco de exploração petrolífera BM-S-11, "encontra-se numa área onde a lâmina de água é da ordem dos 2.200 metros, a cerca de 5 mil metros de profundidade sob uma sequência de formações salíferas com mais de 2 mil metros de espessura".
A Galp Energia participa em mais de 20 projetos de exploração e produção no Brasil, em parceria com a Petrobras.
Fonte: UOL Economia
Contrato entre Vale e Petrobras não prevê comercialização do gás
" A aliança com a Vale é de exploração. Não estamos falando de comercialização de gás, de logística da gás " , disse Gabrielli, lembrando que a mineradora é um cliente relevante, com cerca de 2 milhões de metros cúbicos de consumo por dia, para um mercado de cerca de 45 milhões de metros cúbicos diários. " Qual a grande vantagem de estar associado com um grande consumidor de gás? A vantagem é repartir o risco exploratório. Isso aumenta a eficiência da cadeia como um todo " , acrescentou.
O presidente da Vale, Roger Agnelli, ressaltou que a companhia investirá este ano US$ 260 milhões em gás natural. A empresa tem participação em 26 blocos exploratórios em 16 concessões, das quais 22 são em parceria com a Petrobras. Para o executivo, a Vale tem condições de elevar o consumo, no curto prazo, para 6 milhões de metros cúbicos por dia, apenas com projetos como a substituição do diesel pelo gás natural como combustível das locomotivas e na utilização do insumo em térmicas e pelotizadoras.
" Estamos falando em parceria na exploração, ir a risco. A questão comercial é completamente diferente " , reiterou Agnelli.
Gabrielli revelou que atualmente não há sobra de gás natural no mercado brasileiro. Segundo ele, a Petrobras trabalha no limite da capacidade de produção e pede à Bolívia o teto de 30 milhões de metros cúbicos por dia estipulados em contrato.
" Estamos trazendo o suficiente, não há nenhuma crise. Está sob controle, só não tem folga de gás " , afirmou.
Fonte: (Rafael Rosas | Valor Online)
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Petrobrás, CPIs, Militâncias...
Pois bem, uns alegam que a CPI é coisa política e que precisa um fato determinado para ela, coisa que não existe. Outro alega razões comerciais para proteger interesses estrangeiros no petróleo. Outro alega o pleito político, as eleições de 2010 e artifícios para desmoralizar o governo. Outro...
Quais são os fatos relevantes que são usados pelos opositores de uma CPI para corroborar as ilações acima:
A) A Petrobrás é uma empresa tão grande e poderosa que o presidente dela despacha com o Presidente da República embora no organograma, ele esteja sob a esfera da ministério das minas e energia e exista uma agência, a ANP para digamos assim, vigia-la;
B) Os preços do oléo e da gasolina são instrumentos do Estado para manutenção de preços e controle da inflação;
C) O valor da Petrobrás explodiu indo de cerca de 70 bilhões para mais de 200 bilhões durante o presente governo Lula;
D) A Petrobrás é a mais valiosa estatal brasileira;
Ocorre que existem outros fatos que corroboram justamente uma investigação mais séria:
1- Recentemente, a Petrobrás precisou recorrer a financiamento com a CEF para fechar o caixa, dando como argumento a necessidade de pagamento de impostos. Não é possivel que uma empresa de valor tão alto se viu assim do nada para arcar com impostos que na pior situação podem ser previstos com 1 mês de antecedência;
2- Recentemente, a Petrobrás viu-se envolvida em uma investigação a respeito de pagamento de royalties para municipios que envolveu parentes de gente do governo, pra variar um pouco;
3- Dúvidas a respeito da contabilidade da empresa a partir do escândalo dos royalties.
O que temos portanto é que:
Considerando os itens A, B, C e D, a luz dos três ultimos fatos citados, uma CPI se faz presente.
Até porque, a Petrobrás não é uma estatal na acepção da palavra porque possui ações negociadas em Bolsas de valores no mundo todo. Milhares de brasileiros possuem ações da empresa atráves de fundos nos quais investiram parte de seu FGTS.
Qual seria o mêdo real de uma investigação?
terça-feira, 19 de maio de 2009
Petrobrás, Estado e CPIS
Segue o roteiro para leitura:
http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/?cat=1178
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Sobre a Petrobrás, reservas pré-sal, investimentos - Perguntar não ofende
Pelo que saiu nos jornais neste fim de semana; a Petrobrás viu o preço do barril de petróleo cair perto do seu limite operacional, US$ 30,00. Que nesse valor o investimento programado para os próximos anos em especial o necessário para extrair o petróleo pré-sal fica inviável. Haveria portanto a necessidade de pesados investimentos. A China faria um empréstimo bilionário e o ministério das minas e energia abriu o leque de oportunidades de empréstimo para a Petrobrás mediante parte das reservas que o país possui.
Como sabemos, a estatal Petrobrás não é uma estatal pura porque tem ações negociadas em bolsa de valores. Unica razão pela qual o governo estuda criar uma empresa estatal, para gerenciar os recursos pré-sal, pelo que parece no modelo Noruegues.
Se a Petrobrás é vista com reservas até pelo governo para cuidar do pré-sal e não cogita usar a ANP para controlar essas reservas mas um nova estatal para participar da operação; porque a Petrobrás deve se preocupar com investimentos no pré-sal? Buscar recursos de empréstimos na China ou pegar empréstimos das reservas?
Tá certo, não sou especialista em petróleo e com certeza, muito menos em certos tipos de governos; mas a dúvida é pertinente, olhando a coisa do ponto de vista do acionista direto (aquele que colocou dinheiro em ações), e o indireto (todos os que pagam impostos e viram recursos públicos serem empregados nas estatais).
Porque criar uma nova estatal, por mais enxuta que seja (e alguem dúvida que terá pencas de diretores, especialistas, secretárias, administrativos, motoristas, infra-estrutura, veiculos, escritórios, etc, etc, etc), com o sistema de partilha de produção se a Petrobrás já pode e faz isso?
É para se associar com a Petrobrás? Mas nesse caso se associar consigo mesmo?
Não, a nova empresa vai ficar no lugar da Petrobrás nessas áreas e irá se associar ou outras empresas nacionais e estrangeiras. Nesse caso, a Petrobrás será ressarcida dos investimentos feitos na camada pré-sal e nessa cordilheira de dinheiro que está pegando emprestado? Porque senão me fica a impressão, que os "acionistas" da Petrobrás ficarão com o ônus da camada pré-sal e o "governo" com o bônus dela com a nova e "pura" estatal. Estou errado?
Os especialistas, por favor, me ajudem a entender, respondendo as questões levantadas!
Cartas para a redação!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Ainda sobre a Petrobrás
O governo começou a liberar as estatais da obrigação de acumular superávits primários para que impulsionem os investimentos do setor público. Entre outubro de 2007 e outubro deste ano, o valor anualizado da poupança das empresas federais caiu (incluindo pagamentos de Itaipu) de R$ 20 bilhões para R$ 6,5 bilhões, enquanto os investimentos - liderados pela Petrobrás, que já tomou emprestado mais de R$ 35 bilhões no ano - subiram de R$ 27,5 bilhões para R$ 37,6 bilhões.
O movimento, que vinha ocorrendo por conta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), se intensificou em outubro, com o agravamento da crise internacional. Boa parte dessas estratégia de incrementar os investimentos das estatais deriva também do perfil do governo Lula: baixíssima capacidade de investir o dinheiro do Orçamento da União e altíssima disposição política para aumentar o custeio - só a conta da folha de salários (ativos e inativos), vai pular de R$ 120 bilhões, ano passado, para R$ 150 bilhões no ano ano que vem.
A liberação das metas fiscais é antiga reivindicação da cúpula das estatais e já chegou a ser sugerida até por economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma vez que essas empresas não têm dívidas que justifiquem superávit tão elevado. Hoje, o dinheiro economizado pelas estatais fica no caixa, sem poder ser utilizado para investimentos.
Durante algum tempo, esses superávits foram usados para ajudar a cumprir as metas fiscais do setor público. As disponibilidades em caixa das estatais, estimadas em R$ 45 bilhões pelo Banco Central, integram os chamados créditos do setor público, que são descontados do valor bruto da dívida para se chegar à dívida líquida.
Analisei, acredito que acertadamente, a ter por base o editorial do Estadão, a questão da Petrobrás e seu problema de caixa. Fiz menção a questão da gestão da empresa e seus custos em relação ao preço do petróleo. Também considerei que o motivo dessa busca de aporte financeiro para pagamento de impostos era estranha, já que estatal a empresa sendo; haveria de ter meios de encontros de contas ou outros procedimentos que permitissem que a estatal necessitando pagar impostos em tal volume , pudesse faze-lo sem que para isso fosse preciso buscar financiamento com juros altos na economia interna.
A reportagem do mesmo Estadão acima, demonstra isso. Se o Estado pôde até o momento praticar o superávit primário represando os investimentos estatais (e isso foi um dos motivos que levou o professor Pinguelli, estudioso da área de energia e defensor de primeira hora do governo Lula a sair da presidência da Eletrobrás, ja que não conseguia investir no setor por conta do engessamento para o superávit); em outras palavras, o dinheiro está parado no caixa; porque criar dificuldades futuras para a estatal com juros, depreciando obviamente seus papeis por conta desse tipo de operação?
Quer dizer que eu se eu morasse com meus pais, deixaria cerca de 40% do que ganho numa caixa de sapatos com eles e precisando de dinheiro para pagar minhas contas incluso ajudar na despesa de casa faço empréstimo com meu pai. Ai eu pago o empréstimo para ele, quito as despesas da casa mas continuo deixando 40% do que ganho na caixa de sapato que fica e mcasa debaixo da cama; ninguem usa e não ganho um mísero centavo de juros por isso? eu seria um completo idiota se fizesse isso, não? E se fizesse isso por um ano inteiro? Mais idiota ainda. Entretanto, e guardadas as devidas proporções, foi exatamente o que a Petrobrás fez até agora.
Tem lógica? Pois é!
Ainda sobre a Petrobrás e a crise financeira
Sábado, Novembro 29, 2008
A Petrobrás deve respostas O Estado de S. Paulo EDITORIAL
O espanto foi justificado, também, pelo fato de a Petrobrás ser uma empresa com ações cotadas no exterior e com acesso fácil, pelo menos até agora, ao mercado financeiro internacional. Em condições normais, não precisaria, portanto, concorrer com empresas nacionais - e, mais que isso, com empresas muito menores - na busca de empréstimos concedidos no mercado interno, especialmente de recursos destinados ao capital de giro, hoje muito escasso e muito caro para a maior parte das companhias.
Antes de recorrer à Caixa, no entanto, a Petrobrás já havia atingido, com um financiamento de R$ 751 milhões, seu limite de crédito no Banco do Brasil (BB). Esse fato não havia chamado a atenção. Só ganhou publicidade mais tarde, quando o empréstimo de R$ 2,02 bilhões já estava acertado.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) interveio duas vezes para facilitar a movimentação da Petrobrás no mercado financeiro interno. Na primeira, em 30 de outubro, autorizou a estatal a obter créditos ou garantias no valor de até R$ 8 bilhões. Na segunda, excluiu a empresa dos limites impostos ao setor financeiro público para empréstimos a empresas estatais.
Tanto da Petrobrás quanto do governo partiram explicações consideradas pouco satisfatórias por analistas do mercado. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a empresa teve de recolher grande volume de impostos e teve dificuldades momentâneas de capital de giro. Por isso precisou buscar financiamento. Foi, resumidamente, a explicação oferecida também pela estatal.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou a existência de qualquer problema sério. A Petrobrás, segundo ela, agiu como qualquer outra empresa em busca de capital de giro para pagar impostos. Escolheu a Caixa como poderia ter escolhido qualquer banco, acrescentou. Todo banco, segundo ela, sonha em emprestar dinheiro à estatal. Pode ser, mas a Petrobrás acabou recorrendo a duas instituições controladas pelo Tesouro Nacional e, além disso, o CMN precisou mudar regras para permitir a movimentação da empresa no mercado bancário nacional.
Há fatos estranhos em número mais que suficiente para justificar a cobrança de explicações. A piora das condições no mercado internacional de capitais não é novidade e várias empresas brasileiras se voltaram para o mercado interno em busca de financiamento. Essa explicação faria sentido. Menos evidente é a alegação de que a empresa tenha sido surpreendida pelo pagamento de royalties. A valorização do dólar, que elevou o débito em reais, torna o assunto um pouco menos misterioso, mas não elimina dúvidas sobre a gestão de caixa da empresa.
Além do mais, o último balanço financeiro da empresa mostrou uma grande elevação de custos. Com o preço do petróleo em torno de US$ 50 por barril - cerca de um terço do que era há poucos meses - e a economia global em marcha lenta, o peso relativo desses custos muda consideravelmente. Depois, faltou esclarecer a destinação efetiva de grandes volumes de dinheiro, como despesas não especificadas, por exemplo, que passaram de R$ 956 milhões no segundo trimestre para R$ 2,38 bilhões no terceiro. Quanto mais pronto o esclarecimento dessa e de outras questões, menor o risco de uma indesejável e danosa exploração política das dificuldades, quase certamente passageiras, da Petrobrás.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
A petrobrás diante da crise II
É óbvio, comum, natural e esperado que um empresa que está acostumada a captar recursos no exterior com juros muito pequenos seja obrigado a buscar recursos nos bancos nacionais de seu principal acionista, no caso o estado brasileiro para cobrir suas necessidades.
Ora, se a Vale, privatizada pode obter recursos do BNDES bem como a Oi e a Brasil Telemar para se fundirem também podem, qual o problema do Petrobrás captar dinheiro na CEF (e foi na CEF, porque o BB não poderia ceder tal volume de dinheiro, já que em outubro já havia feito um empréstimo), sendo que o processo de financiamento foi com taxas normais sem subsídio?
Pois é! Nada demais. Tinha mais que ir atrás do dinheiro, porque a opção, ficar com o caixa a descoberto e não cumprir as obrigações seria pior ainda.
O que chama a atenção nesse caso é:
a) a capacidade da empresa de não antever o preço de seu principal produto adequando seus custos a uma flutuação do preço. Se você considerar que o preço do barril foi de mais de 150 doláres para 50 dolares, isso é ótimo para quem compra oléo mas péssimo para quem o produz não é mesmo? E a Petrobrás produz o quê? Pois é!
É de se perguntar o que uma empresa do tamanho da Petrobrás faz em termos de gestão, para de uma hora para outra perder seu fluxo de caixa. É nessas horas que se percebe que até mesmo uma empresa gigantesca como a Petrobrás, mesmo com ações negociadas em bolsa e milhares de acionistas padece de problemas similares a qualquer estatal. E denota-se isso quando se lê no post abaixo quais as medidas que a Petrobrás resolveu tomar para adequar seu caixa:
- Paralisação da contratação de consultorias (e isso nos remete aquelas consultorias que deram um land-rover para um certo petista e esse depois que caiu em desgraça montou uma empresa para prestar serviços para quem? Adivinhou hein!!);
- Corte nos patrocinios (É realmente impressionante que com tanta verba para patrocinios culturais e esportivos, a empresa tenha que correr para pegar empréstimos para pagar impostos. Fica a dúvida se questionados, os acionistas permitiriam esse verdadeiro sorvedouro de dinheiro);
- Fazer uso de teleconferência ao invés de viagens (outra coisa impressionante. Uma empresa reconhecidamente tecnológica deveria ter como meio comum de comunicação, até por conta de seu tamanho tais tecnologias e no entanto só agora resolve-se preferi-la a preteri-la como se fazia?);
- Diminuir custo com presentes. Sinceramente, cortem a zero. Estamos em crise, não estamos? Ninguem precisa ficar distribuindo presentes de final de ano tendo a corda no pescoço. Todos entendem e os acionistas agradeçem. Estejam certos!!
b) Outra coisa a chamar a atenção é a motivação dada para correr em outubro ao BB e agora à CEF. Pagar impostos.
Claro, sou um completo idiota, por isso me corrijam se estiver errado:
1. O estado, representado pelo governo de plantão recolhe impostos da Petrobrás, cujo dono em grande parte é o próprio estado;
2. O estado, representado pelo governo de plantão empresta para a Petrobrás, atráves dos bancos BB e CEF , bancos que possuem como dono esse mesmo estado;
3. O estado, representado pelo governo de plantão recebe o dinheiro dos impostos da Petrobrás que foi pago com o dinheiro que o governo de plantão emprestou via BB e CEF;
4. O estado, representado pelo governo de plantão receberá o IOF dessa operação;
5. A Petrobras paga os impostos para o estado e irá pagar para o estado, já que o mesmo é o dono dos bancos, os empréstimos e os juros;
Se a empresa estatal se vê sem fluxo de caixa, mas com certeza é credora do estado em outras operações, por exemplo a Eletrobrás que é uam estatal compra oléo diesel fornecido pela Petrobrás. Não seria o caso e o momento de optar por encontro de contas, o famoso escambo, já que é a mesma casa?
Porque operações tão vultosas com juros tão altos para pagar...impostos? Sinceramente, qual o juros cobrado por um atraso de pagamento de impostos? Serão mais altos que os juros praticados pelo BB e pela CEF? Não estou dizendo que a Petrobrás deve dar calote mas convenhamos.
E olha que a Petrobrás afirma que não irá mexer um milimetro sequer dos investimentos programados incluso o oléo pré-sal.
Como é possivel que uma empresa séria como a Petrobrásque não consegue cobrir seu fluxo de caixa do mês não reavalia seus investimentos no futuro?
Empréstimos para pagar impostos?
A Petrobrás diante da crise
Segue um post do blog do Noblat, volto mais tarde em outro post sobre o assunto
Banco do Brasil também socorreu Petrobras
Além da Caixa Econômica Federal, a Petrobras também precisou tomar dinheiro emprestado no Banco do Brasil no fim de outubro. Num momento de crise no crédito e falta de dólares para exportação, a maior empresa brasileira fez uma operação de R$ 750,99 milhões com o banco estatal, além dos R$ 2,022 bilhões tomados junto à Caixa Econômica Federal.
Procurado, o BB não se manifestou sobre a operação.
Com isso, a empresa ficou com 21% de todos os recursos em moeda estrangeira que o BB, principal financiador do comércio exterior, ofereceu aos exportadores em outubro. No mês, para ter uma idéia da dificuldade de obter dólares, houve queda de quase 30% nas operações de financiamento externos em relação a setembro.
A Petrobras fez um ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) com o BB. Esse tipo de financiamento tem como contrapartida uma exportação.
No caso da empresa, o vencimento será em abril de 2009 e custo de 6,3% ao ano. No último leilão de dólares feito pelo BC (Banco Central), a taxa que os bancos cobraram para repassar moeda estrangeira aos exportadores ficou próxima de 4,5% ao ano. Já o empréstimo da Caixa à Petrobras no mês passado corresponde a 44% dos R$ 4,5 bilhões em créditos para empresas concedidos pelo banco estatal em outubro.
A Caixa disse, por meio de sua assessoria, que possui "várias operações desse porte em sua carteira de capital de giro para grandes empresas", mas que, por razões de sigilo, não poderia comentar os contratos.
* * * *
Além de recorrer a bancos privados para tentar cobrir seus problemas de caixa, a Petrobras já começou também a fazer pequenos cortes para compensar o brutal encolhimento na receita após o agravamento da crise, em setembro. Só investimentos estão sendo mantidos.
Entre as "gorduras" que estão sendo queimadas, a estatal decidiu, por exemplo, suspender a contratação de consultorias até fevereiro. A despesa da Petrobras com consultoria é calculada em cerca de R$ 1 bilhão por ano.
Outra decisão que deve gerar controvérsia diz respeito aos patrocínios. A Petrobras também decidiu cortar 20% de todos os patrocínios para 2009 nas diversas áreas em que atua, inclusive na cultura e nos esportes. A estatal é a empresa que dispõe da maior verba de patrocínio do país.
Além dessas medidas, a Petrobras também decidiu cortar as tradicionais festas de fim de ano e os brindes da diretoria no período natalino. As viagens foram reduzidas, principalmente para o exterior, e passou-se a estimular o uso de videoconferências. Assinante do jornal leia mais em:
* * * *
O empréstimo emergencial de R$ 2 bilhões da CEF (Caixa Econômica Federal) à Petrobras mostra que a crise financeira pegou a empresa desprevenida, atingiu o seu caixa e revelou a real -e pesada- estrutura de custos da companhia e seus problemas de gestão num cenário de queda do preço do petróleo e falta de crédito, dizem especialistas do setor.
"Esse empréstimo preocupa não pelo valor, mas por ser destinado a capital de giro. Agora que o petróleo foi para US$ 50, começa aparecer o real custo dela [Petrobras]. Ficam claras a má gestão e a ineficiência. A atual direção só pegou a fase de bonança da indústria do petróleo, que ficou sempre acima dos US$ 100, na média. Essa fase já passou", diz Adriano Pires, especialista do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura).
A crise bateu com força à porta da maior empresa brasileira, e a revelação dos problemas de caixa da Petrobras surge porque o empréstimo é destinado exclusivamente a capital de giro, dizem especialistas do setor.
* * * *
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou ontem no plenário do Senado ter informações de que fornecedores da Petrobras "não estão sendo pagos". Ele também insistiu em um pedido de esclarecimentos à empresa.
O tucano fez aparte ao discurso do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que justificava a operação de empréstimo da Caixa à Petrobras.
"Dois fornecedores que estão com seus pagamentos atrasados confirmam que existem atrasos de pagamento, em geral, aos fornecedores da Petrobras. Garanto-lhe", disse Tasso a Suplicy. "Isso me foi dito por pessoas sérias, algumas das quais pode ser que Vossa Excelência conheça também."
Suplicy concordou que o presidente da Petrobras tem de prestar esclarecimentos. No entanto, negou que haja corte a fornecedores.
"O presidente José Sergio Gabrielli me assegurou que a Petrobras não está atrasando pagamentos de fornecedores. Se há um ou outro caso, então vou esclarecer, e inclusive esse nosso diálogo será objeto, obviamente, do conhecimento" do Gabrielli.
* * * *
O empréstimo da Caixa Econômica Federal para a Petrobras foi fechado dentro de taxas e prazos vigentes no mercado, mas a operação chama a atenção pelo fato de o banco estatal não costumar atender empresas do porte da Petrobras nem fazer empréstimos a um único cliente no valor de R$ 2 bilhões.
Focada em pequenas e microempresas, a vice-presidência de atendimento a pessoa jurídica da Caixa não tem estruturado um setor independente para atender grandes corporações (Corporate), carro-chefe do Citibank e UBS Pactual.
Na Caixa, o atendimento a grandes empresas fica a cargo da mesma superintendência que atende médias empresas.
Entre os bancos públicos, o que mais atenção dá a esse segmento é o Banco do Brasil. À época, os recursos do BB já estavam comprometidos com a compra de carteiras de crédito e financiamento da agricultura.
Para o consultor Roberto Troster, da Integral Trust, a operação ocorreu "dentro dos parâmetros" de mercado. "Só chama a atenção que esta fora da área de atuação da Caixa."
* * * *
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem serem "ridículas" as declarações de senadores do PSDB que levantaram dúvidas sobre a saúde financeira da Petrobras. A própria ministra, no entanto, reconheceu que o empréstimo de R$ 2 bilhões- concedido pela Caixa Econômica Federal à estatal do petróleo- se deve a "um problema imediato de caixa".
As declarações foram concedidas após uma visita à quinta edição da Feira Nacional da Agricultura Familiar, que se realiza neste ano no Rio de Janeiro. Ao responder às perguntas sobre a Petrobras, a ministra perdeu o bom humor que ostentava durante a visita.
"Essa é uma acusação ridícula sobre a Petrobras. A Petrobras é a maior empresa, não só de petróleo, mas a maior empresa nacional. Ela não está descapitalizada. Ela tinha um problema imediato de caixa para pagar impostos. Só isso", afirmou Dilma.