sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um texto de Reinaldo Azevedo

Resolvi republicar aqui um texto de Reinaldo Azevedo. Não sendo catôlico, não posso obviamente comungar das idéias religiosas dele, mas o texto que trata diretamente sobre a eutanasia e porque nào indiretamente sobre o aborto foi um dos melhores que li até agora.

Ele é longo, vou avisando, mas merece ser lido até o fim.


"...Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade de Liège, na Bélgica, publicaram um artigo no
The New England Journal of Medicine em que informam ter conseguido estabelecer uma comunicação com pessoas com sérios e irreversíveis danos cerebrais, 23 delas no chamado “estado vegetativo”. Nesse grupo, 4 foram capazes de responder a estímulos, o que foi verificado por meio de um aparelho de ressonância magnética. O Jornal Nacional fez uma boa síntese do teste (os especialistas da área e os muito dedicados têm o link com o relato de toda a experiência):
Os pesquisadores disseram a eles: “Imagine que você está jogando tênis” ou “Imagine que você está andando pela sua casa”. Segundo os cientistas, quatro pacientes responderam ao estímulo e, ao imaginar cada um desses movimentos, apresentaram atividades em partes diferentes do cérebro. Depois, os pesquisadores fizeram uma associação: disseram aos pacientes que jogar tênis significava “sim” e andar pela casa representava “não”. Ao perguntarem se um dos pacientes tinha irmãos. A imagem da ressonância mostrou que ele imaginou que estava jogando tênis - ou seja, um “sim” - a resposta correta.

Um texto
Vocês sabem que não sou exatamente amado por todo mundo, o que me conforta bastante. É quase um dever do jornalista despertar alguns rancores. Nessa minha determinação de não ser um doce de coco, já apanhei muito por isso e aquilo. E costumo apanhar mais, por incrível que pareça, quando defendo a inviolabilidade da vida humana. DE QUALQUER VIDA E EM QUALQUER ESTADO.

Lembram-se de Terri Schiavo, a moça que se encontrava no tal “estado vegetativo”, alimentada artificialmente? Seus pais se dispunham a cuidar dela. O marido — já com nova família formada, mas ainda legalmente responsável por ela — recorreu à Justiça para suspender a alimentação artificial. E A JUSTIÇA AMERICANA ORDENOU O ASSASSINATO DE TERRI. Ela morreu no dia 31 de março de 2005. À míngua. Ficou alguns dias murchando, sem alimento. Escrevi, então, aquele que considero o meu melhor texto para um órgão de imprensa. Foi publicado no site e na revista Primeira Leitura. Eu o reli há pouco e fiquei bastante emocionado, e vocês certamente saberão por quê. Chama-se “O assassinato de Terri Schiavo e o direito de regar gerânios”. Se vocês ainda estão dispostos, há uma boa chance de que gostem.

Nota: em 2005, eu ainda não me sentia à vontade para me dizer católico porque não me achava pronto. O caso Terri Schiavo, saibam, iluminou minhas idéias e, se me permitem o clichê, meu coração. Sou católico, sim! Contra o triunfo do horror! Ao fim do artigo, volto ainda para mais uma poucas linhas.
*
O direito de regar gerânios

Vivemos os novos tempos bárbaros, impostos, curiosamente, pelo triunfo da ciência e da razão. O caso Terri Schiavo mobiliza e choca o mundo, dividindo radicalmente opiniões, porque, de fato, estamos lidando com a única questão filosófica verdadeiramente relevante - e não é o suicídio, como pontificou Albert Camus, um bom literato disfarçado de filósofo do pessimismo - um mau filósofo. A única questão filosófica relevante é a vida, ponto inicial de qualquer outra consideração. Tudo o mais que sabemos ou é conhecimento (ou ignorância) de fenômenos da natureza ou é linguagem, uma construção, portanto, tornada uma outra natureza. Sem a vida, ficamos privados até da oportunidade de não saber. Do mundo natural surgem os fatos, que se impõem; da linguagem, crenças, valores, ideologias, religiões, novos mistérios. Cientistas, desde o Iluminismo, querem-se também eles manifestação da natureza, quando, de fato, integram o grupo da linguagem. Não são o fenômeno, mas apenas uma interpretação dele. A ciência é um código, um conjunto organizado de sinais. Quando muito, oferece uma leitura da realidade, jamais a realidade ela-mesma.

Podemos e devemos contar com o concurso da ciência para erguer edifícios, mudar o curso dos rios, conter o avanço do mar, estudar a vida dos microorganismos, desenvolver a engenharia de materiais, recomendar que não consumamos bacon em excesso para que as coronárias não entupam, mergulhar nos meandros na nanotecnologia para encurtar o tempo das operações matemáticas, transformar em vida abundante as potencialidades das células-tronco. Tudo isso torna a vida mais fácil, mais longa, mais prazerosa, mais decente. E, de fato, o conjunto desses conhecimentos diz-nos o quê? Só expõe a nossa formidável ignorância pregressa e faz supor, quando menos por analogia, o que nos falta saber de agora até um ponto qualquer, aleatório, no futuro. À diferença do que supõe o racionalismo de propaganda, cada novo avanço da ciência NÃO expõe a fraude da teologia ou das religiões. Cada novo avanço da ciência o que expõe são os erros pregressos da própria ciência.

E com isso quero dizer o quê? Estou eu aqui fazendo profissão de fé no obscurantismo? Não! Estou fazendo profissão de fé na autonomia dos domínios. Podemos e devemos mobilizar os recursos que for possível mobilizar para o desenvolvimento científico, mas ele não anula os postulados da ética, das crenças, dos valores, das religiões. Sempre que essas fronteiras foram rompidas, com boa ou má ciência, tanto faz, flertou-se abertamente com o horror. Foi assim na fase do terror revolucionário francês, do nazi-fascismo ou do stalinismo.

A decisão da Justiça americana de matar Terri Schiavo, entendo, remete a questões muito mais sérias do que parece à primeira vista. A mídia leiga e liberal nos EUA (filoesquerdista no Brasil) transformou o caso em mera disputa entre Bush (e seus ditos “fundamentalistas” cristãos) e aqueles que se opõem ao presidente. Os argumentos que justificam a interrupção do fornecimento de alimento à moça evidenciam uma fantasmagoria verdadeiramente totalitária na mais importante democracia do mundo. O Estado, com o concurso dos cientistas, arroga-se o direito de decidir qual vida merece ser vivida, estabelecendo, pois, a partir desse caso, quais seriam as condições mínimas aceitáveis. Até o Deus do Velho Testamento aceitava recurso. Quem foi que deu a cientistas e juízes tais direitos?

Proponho aqui uma questão aos meus leitores: ainda que Terri fosse mesmo um vegetal, porque seus pais e seu irmão não teriam direito de “cultivá-lo”? Por que os juízes decidiram lhes arrancar do jardim da vida - sim, que, então, segundo eles próprios, é vida, mesmo que vegetal - a rosa, a begônia ou o jacinto de sua dor e de seu amor, de seu afeto e de sua tristeza, de seu cuidado e de seu sofrimento? Esse caso me provoca mal-estar. A maioria das pessoas com as quais converso acha tudo muito normal e prefere malhar Bush. Já escrevi aqui algumas vezes que escolheria o catolicismo como religião se ele tivesse me escolhido. Eu prefiro o mundo em que toda a ciência seja considerada divina, desdobramento natural da Graça para elevar a vida humana. O homem, criado à imagem e semelhança de Deus - e, por isso, com a vida inviolável por qualquer outra força -, é uma idéia que nos protege como espécie.

Mas alguns bárbaros do direito e da ciência preferem ser, eles próprios, o Deus que renegam. A morte de Terri Schiavo, nas condições em que se dá, nos expõe ao risco do terror científico. Todo americano deve ter o direito, suponho, de cultivar, se quiser, gerânios na janela. Seus pais deveriam pedir aos juízes americanos que a filha fosse declarada, então, um gerânio, que nenhuma lei impede que seja regado. Os que defendem a medida adotada, mesmo entre nós, podem me mandar e-mails dizendo por que proibir os pais de Terri de cultivar gerânios, podem me dizer por que ela deve morrer seca, esturricada, como uma erva daninha.

Sou evidentemente contrário, e já se percebeu, creio, a isso que chamam eutanásia. Não aceito, em princípio, que se estabeleçam precondições para definir vidas que mereçam ser vividas ou interrompidas. Será isso tão reacionário quanto alguns fazem crer? Meu pai padeceu longamente de um câncer, que depois se generalizou em metástases várias. Todo o meu entendimento com a excelente equipe médica que o atendeu era para usar as drogas disponíveis para amenizar-lhe a dor. A anestesia, esta, sim, traz em si o sopro da divindade, vem nas asas dos anjos. A eutanásia é só a voz suave do demônio. Falo por metáfora. Chamo aqui “demônio” a tentação dos que pretendem assumir o lugar do absoluto por um golpe da vontade, como se os assistisse “o” saber absoluto.

Meu pai já não podia mais se comunicar, mas estava vivo. E, me garantiu o médico, Paulo Zago, não sentia mais dor. Não sofria mais. Até seu último suspiro, que eu não olvidaria esforços para retardar, construí e reconstruí teias de afetos e de lembranças, caminhei pelos desvãos da memória, tentei entendê-lo melhor e a mim mesmo. Queria me fazer, e talvez tenha conseguido, a partir dali, um homem melhor. Meu pai estava vivo porque sua vida, mesmo naquelas condições, vivia em mim, na minha irmã, na minha mãe, nos seus netos, na generosa rede familiar que se criou, incluindo sobrinhos, irmãos, cunhados, amigos, para protegê-lo e dignificá-lo.

Seu corpo ainda morno, embora já não mais emitisse qualquer sinal de consciência, me acolhia e me amparava, cobrava de mim entendimento. Até que não se dê o último suspiro, não tem início o luto, e quem o determina é o inelutável, não um togado arrogante ou um aprendiz desastrado de Deus. Uma vida, nem que seja a de um aspargo, senhores juízes, não vive apenas em si mesma. Existe na circunstância, no mistério dos sentimentos que mobiliza, numa construção que não se esgota nas ciências biológicas ou jurídicas. O assassinato de Terri Schiavo deveria nos ofender gravemente.

Perplexidade
Já escrevi aqui: sou mais tolerante na vida privada e no trabalho do que, talvez dê a entender o meu texto, que tem sotaque reconhecidamente militante, em relação às coisas em que acredito. Costumo bater muito duro e, obviamente, sei bem o que quer dizer aquela lei de Newton. Digo sempre que isso é do jogo. Não vou para o confronto para ofender nem me deixo ofender facilmente. Quem está nessa profissão tem de ter a casca dura. Assim, sigo aquela máxima de Terêncio e me escandalizo pouco com a variedade humana porque, vá lá, nada do que é humano posso reputar absolutamente estranho a mim. Mas certas manifestações organizadas, confesso, testam, se não a minha tolerância, ao menos a minha compreensão.

O que, na opinião de vocês, faz com que pessoas saiam de casa, se organizem, escrevam cartazes, ganhem as ruas, se mostrem, fundem ONGs, e tudo para defender algo como a eutanásia - vale dizer, a morte? Fico cá me perguntando como podem ter tanta certeza e clareza sobre o ponto de inflexão em que uma vida deixa de ser vida ou em que um “não se sabe o que seja” ainda não é vida? Nem chega a ser o interesse pessoal - como talvez seja o do ex-marido de Terri. Assim fosse, bastaria que deixassem registrado em juízo ou numa fita de vídeo o tratamento que gostariam que lhes fosse dispensado em situação semelhante.

Não! Em vez disso, tornam-se mesmo militantes da morte, estetas da solução final, prosélitos do homicídio humanitário, dignatários do fim de um tabu: a inviolabilidade da vida. Santo Deus! Quantas são as causas para as quais os convocam, todo dia, a vida e seu ofício?! Quantas são as crianças abandonadas neste vasto mundo?! Quantas são, então, as pessoas dotadas da tal “consciência” (que eles tomam como critério do que é vida), mas entrevadas por limitações físicas que cobrariam a sua mobilização e a sua disposição para a luta?! Por que se organizam para nos oferecer a boa morte? Qual é, afinal de contas, a utopia dessa gente?

Não, eu não gostaria de viver num mundo em que o ex-marido de Terri Schiavo pudesse ser um norte moral. Este senhor, comportando-se como Deus por força de uma questão legal, decidiu que é chegada a hora de sua ex-mulher morrer. Os pais já reivindicaram a guarda legal da filha; um milionário se ofereceu até para comprá-la. Tudo inútil. Sua cupidez, pelo visto, é de outra natureza. Por razões que certamente nem a medicina nem o direito explicam, ele precisa que ela morra para recuperar, no universo psíquico, alguma forma de potência, alguma forma de poder. Só isso explica que tenha transgredido também o terreno do nefando, impedindo que os pais, católicos, ministrassem a comunhão à moça em plena Páscoa. Ele é o verdadeiro Anjo da Morte.

Espírito do tempo
Michael Schiavo foi claramente adotado pela mídia “progressista” nos EUA e no mundo. Os esforços para manter Terri viva são tratados como radicalismo de fundamentalistas cristãos, sejam os católicos, sejam aqueles que rodeiam Bush. Pesquisas de opinião - aquelas mesmas que davam a vitória para John Kerry nas eleições presidenciais - acusam perda de prestígio do presidente americano ao se mobilizar para permitir que os pais tentassem recorrer à Justiça federal.

Há nisso tudo um paralelismo simbólico que a muitos escapa. Ainda que muitos nem mesmo percebam, não é Terri que conta em tudo isso, mas aquele que é a encarnação suprema do pensamento religioso e do princípio da inviolabilidade da vida: João Paulo 2º. Sim, o papa não vive em estado vegetativo, mas é visível a sua decadência física. Os telejornais e os jornais, prestem atenção, a seguir o que vêm fazendo até aqui, noticiam o caso Terri e a saúde do papa no mesmo bloco de noticiário. São consideradas notícias correlatas.

João Paulo não depende de aparelhos para sobreviver, mas seus movimentos são mínimos, ele já não pode falar, muitos duvidam mesmo de que esteja inalterado seu estado de consciência. Desligar o tubo de Terri corresponde a uma espécie de cobrança para que o papa renuncie a suas funções, defesa que, curiosamente, fazem mais os não-católicos (e mesmo os anticatólicos) do que os que seguem a religião. Todos sabem que a Igreja é também uma burocracia que não depende de decisões cotidianas do Sumo Pontífice para funcionar. Sua liderança é, antes de tudo, espiritual e simbólica. A renúncia corresponderia à posse de um meio papa enquanto João Paulo, ainda que em “estado vegetativo”, vivesse.

A decisão em favor do assassinato legal de Terri expõe gravemente o espírito deste tempo. Não é possível ignorar que um dos homens mais importantes do mundo - talvez o mais importante - vive situação análoga. No terreno simbólico, matar Terri corresponde a apressar também a morte do papa. Tudo em nome da funcionalidade, da razoabilidade, da eficiência, da ciência, do conhecimento.

Está em curso um poderoso movimento, de múltiplas faces e de origens distintas, mas sempre organizados em torno de um eixo: o preconceito anticristão e, particularmente, anticatólico. Sua pele de cordeiro é o saber científico e o que se chama, com fingida inocência, “direito de decidir”. Sua natureza de lobo é a imposição do terror científico, que nem mesmo se esforça para convencer: quer-se impor como causa natural, não como escolha. Este tempo decidiu matar Terri e gostaria de apressar o fim do papa. Um dia terá a ambição de arbitrar sobre a vida de todos nós, convertidos que seremos em meros funcionários de uma causa, de um “supra-saber”.

Reacionário, queridos, é nos proibirem até de regar gerânios

*
Volto e encerro
Eu sei que foi a ciência que descobriu atividade cerebral em pacientes em “vida vegetativa”. E fico muito satisfeito por isso. Se pudesse, daria os parabéns aos pesquisadores. Mas atenção! Antes que a ciência pudesse chegar lá, eis uma questão que, entendo eu, já foi resolvida no terreno da ética, que não é inimiga do saber científico; trata-se apenas de um outro domínio.

Antes que me dissessem que há “vidas vegetativas” com atividades cerebrais, eu já tinha um norte: “Não matarás”!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Luto

A Dona Constança Bastos Fedeli, minha avó, iria completar em abril, 95 anos de vida.

Nascida em 1915, paticamente assistiu todos os eventos que ocorreram no mundo no século.

Sua vida foi um campo de batalha, numa luta diária e dessa luta produziu 5 filhos, sendo que o mais velho cedo em termos foi-lhe tomado, devido a um derrame. Dos demais viu frutificar sua descendência em mais de 12 netos e 9 bisnetos. Tres gerações.

Sua vida daria um filme, um romance e algumas estórias reais dela podem ser encontradas no inicio deste blog.

A longa caminhada, que todos estamos a percorrer, para ela terminou na noite do 2 de fevereiro e ontem nos despedimos.

E se é possivel dizer que a paciência é uma qualidade humana, ela possuia uma que em geral é limitada aos deuses; a comtemplaçào.

Dizer o quê sobre a sua perda? - Que é do jogo da vida? Isso não é reconfortante. - Que é natural? Inimaginável. - Que Deus assim quer? Rídiculo

Acredito piamente que seja apenas um hiato. Uma breve vitória do inimigo, esse marginal sem escrupúlos, que usa a morte como ferramente de trabalho na sua insanidade de usurpar de Deus o seu direito.

Mas como uma vez disse o Todo Poderoso, que a vingança é dele; deixo nas mãos dele a vendetta, que sei lá eu porque, meu sangue italiano está a exigir.

Quanto a Dona Constança, meu norte ético, está agora na memória de Deus e tenho fé e esperança que logo irei reve-la.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Realmente, ser idiota deve dar algum prazer...

Porque senão não haveriam tantos, não é mesmo?

O que faz seres, supostamente membros da raça humana, diante de tamanha devastação no Haiti, e que no fundo foi sei lá eu, a cereja podre do bolo que o diabo assou por aquelas paragens; gastar oxigênio tão precioso para nós, dizendo sandices como a de que o terremoto foi decorrente de uma arma americana?

Nem vou nominar aqui, os digamos assim, elucubradores de tal, como direi, acusação; porque de um diriam que é má vontade e de outra diriam que seu partidário de tucanos e por aí vai.

Mas é impressionante a capacidade quase infinita de dizer bobagens e para quê?

De um lado, tirar a atenção de si mesmo e sua sucessão de fracassos a frente de um pais que está a cada dia mais pobre e solapado embora nade em petróleo e a outra para fazer jus a condição de la passionaria.

Deus nos livre...graças a ele, que ser idiota é uma questão de caráter e não contágio por virus, porque estariámos todos condenados diante dessa verdadeira pandemia.

De qualquer forma, fazer o quê além de orar?

Oremos

E tomem vitamina C por via das dúvidas...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Espanto diante dos dias

A semana que passou foi de tristes acontecimentos. Tristes porque sendo limites, fica-se com a impressão de que a vida fortuita, um presente divino ou como querem alguns, um feliz acaso do destino; seja uma sucessão de efemeridades e uma incontestável perda de tempo com assuntos sem real importancia.

Porque é dificil explicar como dois programas tão antagônicos conseguem espaço nas ondas sonoras e televisivas.

De um lado, um documentário que está sendo exibido pela HBO sobre Malaui produzido por Madona. Ela conta a estória do menino que ela adotou e outros e o documentário é um soco no estomâgo. Um jovenzinho teve seus orgãos sexuais cortados para ser usado em rituais de magia; e Madona bancou o tratamento dele, dando-lhe uma casinha para morar. Era uma casinha literalmente e a felicidade do menino era indescritivel mostrando sua casa e sua cama; uma esteira de palha enrolada. Uma jovem cujos pais morreram precisava passar por um ritual da tribo que envolve ter relações com os homens da aldeia para afastar o mal que matou seus pais. Não é a toa o alto número de pessoas infectadas com o virus da aids.

A sensação é de desolação ao terminar o filme.

De outro lado, mudando os canais a esmo, deparo-me com a edição do BBB na Globo, justamente em um momento no qual uma das protagonistas momentos antes de escolher alguem para ser votada para permanecer na casa ou não, está aos prantos, falando que as pessoas não sabem como aquilo é dificil.

A desolação deu lugar ao asco. Quem sabe a edição do programa, se bom senso tivesse, programasse um presente digamos assim para os participantes e mostrasse o documentário da Madona sobre Malaui. Quem sabe, aqueles "desocupados" tivesse motivo real para chorar ou caissem em si, reconhecendo que são enormemente privilegiados.

As discussões existenciais entre eles se aproximam da dificuldade de um menino que não compreende porque teve seu pênis cortado ou da menina que precisa fazer sexo com vários homens?

Tá certo, não é porque pessoas passam fome que agora vamos ficar nos limitando a comer arroz puro três vezes por semana. Devemos aproveitar e aproveitar bem o tempo que nos é dado nesta terra, porque não sabemos a quantidade deste tempo, e se for cm conforto tanto melhor.

Mas não podemos ser cegos ao que ocorre ao redor do mundo e as incontáveis injustiças que ocorrem; porque se é fato que dificilmente podemos resolve-las, igualmente é um fato que podemos ao menos, sermos menos mediocres com nossos "pequenos" problemas, que até podem ser grandes, já que dor é algo pessoal, instranferivel e impossivel de ser medido.

Mas podemos contemporizar e olhar as coisas com mais equilibrio. Se temos problemas, há que se enfrenta-los e resolve-los na medida do possivel, mas não somos o centro do mundo. Existem outros passando por situações que oramos dia-a-dia para conhecer apenas teoricamente pelos livros e jornais.

Mas a semana ainda estava em seu começo e fomos brindados com um trailer do Armagedon, com o terremoto no Haiti e assistimos quase em tempo real o pavor e a desesperança de milhares e o que fazer diante da sucessão de tragédias que se sucedem sobre um povo que nada possui além de sua força de vontade de superar os problemas?

Minhas sinceras condolências a todos que de alguma forma perderam familiares e amigos nesta tragédia.

Meu repúdio aos programas de "realidade" que apresentam uma realidade pra lá de irreal.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sobre a questão da anistia...

Sou a favor do principio de que um crime se for anistiado precisa contar com um inseparável e irretratável posição de arrependimento. Caso contrário você deixa de punir um delinquente ou vá lá, até um homem de bem, por um ato cuja motivação pode ser replicada e repetida se o autor achar que deva. Assim o arrependimento é um contrição da alma, do caráter e independente da punição sr ou nào aplicasda dá-se como certo que não irá se repetir.

Dto isso, a anistia referente a crimes cometidos durante a ditadura militar a favor ou contra essa cujas vítimas no fim eram cidadãos que deveriam ter sido preservados, incorre nesse mesmo erro.

Os criminosos de ambos os lados, em momento algum proferem poucas e sábias palavras como "se pudesse voltar atrás...". Pelo contrário; é terrivelmente certo que diante da opção, fariam tudo de novo sem o menor remorso, com poucas e honrosas excessões.

Vai dái que querer a essa altura do campeonato, demonstrar a culpabilidade de torturadores e se possivel leva-los a julgamento e condenação sem com isso levar os ditos terroristas razão unica e exclusiva para os outros legitimarem ações de tortura que não deveriam ter ocorrido é um engano ideológico levado a frente porque os derrotados de então estão no poder agora.

Restaria saber qual seria a posição se os vencedores de então fossem o poder agora.

De resto, diante dessa discussão que corre o risco de se tornar eterna por diferentes razões; o que seria mais interessante seria a extinsão de efeito retroativo da lei da anisitia.

Assim, todos os que foram condenados voltariam a cumprir as penas e os que sequer passaram por julgamento, seriam julgados.

Assim os crimes de ambos os lados seriam punidos, sem leniência, e sem espaço para vitimismo ou coitadismo.

Quem matou e torturou para defender um regime militar ou para derruba-lo, que seja julgado e condenado e pronto, não se fala mais nisso.

E é claro, ruas, praças e prédio públicos que tenham nomes dos "herois" da revolução militar ou dos "herois" das esquerdas devem ceder lugar ao nome das vítimas de ambos os lados que não pegaram em armas e morreram mesmo assim, ás mãos do estado que tinha por obrigação preservar-lhes a vida ou ás mãos das esquerdas que não tinham esse direito.

Mais BBB, mais do mesmo!

Tá certo, apenas os mais ingênuos e incautos não sabem que a programação de uma emissora de televisão vida lucro, via publicidade e propaganda e ela só vem se houver público.

E apesar da liderança da emissora Globo, a luta pela audiância é acirrada. Por essa única e exclusiva razão que o modelo de reality shows como o BBB não pode sob hipótese alguma manter o padrão original ou clásssico de sua criação. A mesmisse e a sensação de "já vi isso tudo" fazem o público mudar o canal tão rápido possa apertar a tecla do controle remoto.

Isso sem contar aqueles que dispoêm de aparelhos que gravam a programação sem precisar assisti-la ou assistem videos pela internet e esse público é impossivel de mensurar, logo contabilizar para a propaganda.

E é por isso que a cada nova edição, temos um formato novo...com os velhos ingredientes. Os saradões com frases prontas, os cabeças que ainda serão testados pelo apresentador para saber até onde vai a "erudição" e é claro os militantes das "minorias" que na realidade já são maiorias, pelo menos midiáticas.

De novo, de novo mesmo, três integrantes se declararam gays, 2 homens e uma mulher. E como seria de se esperar, isso foi apresentado em verso e prosa no primeiro dia.

Haver homossexuais no programa, não é em si a novidade. Houve uma edição em que havia um e esse levou o prêmio, edição inclusive que usou e abusou do modelito do "bem contra o mal" e colocando o integrante homossexual como sendo vítima de uma perseguição.

Depois houve outra edição que um dos participantes sacando a estratégia do vencedor anterior declarou de forma ambigua não saber se era gay ou não para depois ficar de namorico com uma das integrantes.

E logo depois, em outra edição um dos integrantes resolveu apostar na mesma estratégia, logo abandonada para seguir a linha brucutu com sentimento.

A diferença agora é a quantidade com tres optando abertamente por esse modelo de comportamento.

Curiosamente, o apreentador colocou questões sobre ser aceito, isso e aquilo e todos apreentaram quase que os mesmos chavões. "Estamos cada vez mais aceitos, mas a luta continua"; "o que importa é que eu me aceite e a opinião dos outros não importa"; "eu respeito os outros e quero ser respeitado", e por ai foi.

Nem vou entrar no mérito do discurso, porque se a aceitação de um modelo é direito de opinião, a discordância igualmente é direito de opinião; mas aí haverá aqueles que discordarão de mim, e seria perda de tempo debater o assunto, porque a conclusão obvia seria que opinião de respeito é aquela que concorda e puro preconceito ou falso moralismo aquele que discorda.

E no entanto, exige-se a obrigatoriedade da aceitação, melhor dizendo imposição e submissão à nova ordem sob pena de ser tachado de homofóbico, falso moralista, direitista e outros.

E no fim das contas, o que faz o programa? Na primeira prova, separa os integrantes em "tribos". Se é certo que três deles se encaixavam a perfeição na tribo "cabeça" pela questão da profissão, também poderiam ter-se emquadrado em outras, mas o fato é que separaram os tres integrantes homosexuais numa tribo separada de nome "coloridos" e eles adoraram.

Oras bolas? Para quem até aquele momento fez o discurso do "a luta continua, existe preconceito mas estamos avançando", etc e tal, a segregação foi absurdamente tachativa; até porque negou-se que um ou todos pudessem ser "cabeça", ou "belos", vá lá.

A Globo escolheu tres integrantes homossexuais, fez o discurso bonitinho da luta contra o preconceito e na primeira opotunidade os segregou numa tribo separada. Dá pra entender?

Porque não os separou por idade, ou pela letra do nome seguindo o alfabeto, altura, peso? tipo de cabelo? Essas formas de divisão teriam formado os mesmos grupos necessários para a prova e sem precisar apelar para uma classificação que no caso deles foi tachativa. E o pior foi que gostaram, embora reclamem do preconceito e isso ou aquilo.

De resto, a edição do programa chamou aqueles que foram os insossos e bonzinhos demais de outras edições para lhes dar uma nova chance de conseguir o prêmio. Nesse ponto eles poderiam até ter uma vantagem de possuir uma espécie de torçida organizada mas a produção foi esperta de não chamar os da ultima edição, os ganhadores e os mais polêmicos. Assim a diferença não é tanta.

Se isso ajuda em alguma coisa o programa eu duvido muito, porque se eles não venceram suas edições e todos, rigorosamente todos dizem que não jogam, que são eles mesmos; dificilmente vencerão esta edição.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sobre a militancia na blogosfera debatendo a questão da anistia

Eu até ia fazer uma post comentando o que andou saindo por ai na blogosfera militante e nos jornais porém depois lembrei-me do sábio Mark Twain que deixou uma frase que representa a perfeição o que eu ia dizer sobre as manifestações da turma.

Disse ele:

“O barulho não prova nada: muitas vezes, uma galinha que simplesmente pôs um ovo cacareja como se tivesse posto um asteróide.”

Precisa mais?