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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Por incrivel que pareça, mais sobre o BBB

E quando você acha que o fundo do poço foi atingido, descobre que teve gente cavando pra ir mais fundo ainda.

Já escrevi sobre o BBB e pretendo ficar longe dele; mas é impossivel não tratar do suposto estupro e expulsão de um dos jogadores.

Pelo que li e ouvi, teve uma festa com muita bebida, a turminha ficou pra lá de bagdá, uma das meninas foi pra cama e alí ficou, um dos meninos chegou junto e aplicou na prática o velho adágio que pontifica que determinada parte do corpo de um "bebâdo não tem dono".

Tudo gravado e veiculado, começou uma gritaria nas redes sociais exigindo a expulsão do comelão, e é claro, políticos de diversos matizes exigindo averiguação.

Não quero aqui entrar no mérito da moça ter dado mole, com o perdão do trocadilho; porque até os bebâdos tem direito. Guardadas as devidas proporções, o garotão aceitaria que alguem se aproveitasse da mãe ou da irmã se elas estivessem em coma no hospital? - ninguem aceitaria. Logo, não é porque a moçoila entornou o caneco que está liberado faze-la de capacho.

A questão que me parece mais importante é o papel da emissora e do diretor do programa.

Se tivesse ocorrido uma briga daquelas com socos e pontapés, o diretor iria gravar tudo para então expulsar os lutadores ou se preocuparia com a integridade física de todos e daria gritos pelo microfone e mandaria segurança pra dentro? - Pergunto porque em versões anteriores pelo que averiguei, o diretor parava a gravação pra dar bronca porque alguem estava desatento, porque tirou o microfone, porque escreveu mensagem no espelho, porque...

Se a garota estava bebâda sem condição de defesa digamos assim, porque o diretor não chamou a atenção do rapaz impedindo que algo ruim se concretizasse? - Porque sexo vende e tenho certeza que não esperavam essa gritaria toda contra o programa.

A explicação do apresentador segundo consta do site da emissora é rídicula, por afirmar que estavam analisando com cuidado o assunto desde o ocorrido na madrugada do sábado e na segunda de tarde tomaram a decisão. É rídicula porque se assim fosse o diretor do programa não teria dado a resposta rídicula que deu, dizendo que era preconceito e racismo, porque o rapaz é negro e ninguem quer um negro com uma mulher bonita. É obvio que não fosse a onda de indignação e a polícia bater na porta do projac, nenhuma atitude teria sido tomada pela direção.

Tomara que esse limite imposto justamente pelos que consomem esse produto, torne o padrão atualmente aceitável de cafajestagem algo do passado.






segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O circo chegou e o picadeiro é a sua casa...

E iniciou-se a temporada circense. Não! não me refiro ao circo de soleil, que aliás recomendo. Eu pessoalmente não pude mas minha familia foi assistir o espetáculo Varekai quando estiveram em São Paulo e me disseram que é estonteante o show.

Refiro ao outro circo, televisivo, do...BBB (as reticências eram engulhos que tive de engolir pra não sujar o note). Não assisti os primeiros episódios e sinceramente, não me atrai a idéia de faze-lo, mas o que foi que jornais e sites especialmente da Globo e UOL mencionam?

Um prêmio para quem respondeu: o mesmo de sempre. Mulheres com corpos contruidos, cuja conversa no segundo dia, segundo o Stycer era sobre aparecer nua nas revistas e a grana envolvida.

Gente praticamente aos berros declarando bissexualidade porque sabem que isso agrega torcida e defensores, coisa que o agora deputado Willys (por coeficiente eleitoral e não votos diretos), foi pioneiro e de lá pra cá, virou arroz de festa essa situação.

As pessoas escolhidas possuem personalidades de tal forma magnéticas que casais formam-se tão rapidamente que o ar se ioniza.

É claro, ocorrem e ocorrerão as cartases públicas, com choradeira por conta da vida sofridissima, do esforço sobrehumanos para ali chegarem, da infância terrivel, que não são compreendidos, etc e etc.

As coisas são mais ou menos cíclicas. A televisão na década de 50 quando começou tinha uma programação de qualidade, elitizada até, porque a televisão não era um consumo de massa como o rádio.

Na década de 60 popularizada a televisão, muitos programas foram criados a base de sensacionalismo e mundo cão.

A exatos dez anos, reality shows dominaram as redes de televisão com maior ou menor intensidade, e o BBB é sem dúvida o produto mais bem sucedido em termos de vendas de publicidade embora em termos de qualidade fique abaixo de qualquer nível de medição objetiva ou subjetiva.

Há aqueles que gostam, e nesse caso, gosto não se discute mas lamenta-se profundamente. Por isso, caro leitor, aproveite o tempo do BBB e leia um livro.







segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Espanto diante dos dias

A semana que passou foi de tristes acontecimentos. Tristes porque sendo limites, fica-se com a impressão de que a vida fortuita, um presente divino ou como querem alguns, um feliz acaso do destino; seja uma sucessão de efemeridades e uma incontestável perda de tempo com assuntos sem real importancia.

Porque é dificil explicar como dois programas tão antagônicos conseguem espaço nas ondas sonoras e televisivas.

De um lado, um documentário que está sendo exibido pela HBO sobre Malaui produzido por Madona. Ela conta a estória do menino que ela adotou e outros e o documentário é um soco no estomâgo. Um jovenzinho teve seus orgãos sexuais cortados para ser usado em rituais de magia; e Madona bancou o tratamento dele, dando-lhe uma casinha para morar. Era uma casinha literalmente e a felicidade do menino era indescritivel mostrando sua casa e sua cama; uma esteira de palha enrolada. Uma jovem cujos pais morreram precisava passar por um ritual da tribo que envolve ter relações com os homens da aldeia para afastar o mal que matou seus pais. Não é a toa o alto número de pessoas infectadas com o virus da aids.

A sensação é de desolação ao terminar o filme.

De outro lado, mudando os canais a esmo, deparo-me com a edição do BBB na Globo, justamente em um momento no qual uma das protagonistas momentos antes de escolher alguem para ser votada para permanecer na casa ou não, está aos prantos, falando que as pessoas não sabem como aquilo é dificil.

A desolação deu lugar ao asco. Quem sabe a edição do programa, se bom senso tivesse, programasse um presente digamos assim para os participantes e mostrasse o documentário da Madona sobre Malaui. Quem sabe, aqueles "desocupados" tivesse motivo real para chorar ou caissem em si, reconhecendo que são enormemente privilegiados.

As discussões existenciais entre eles se aproximam da dificuldade de um menino que não compreende porque teve seu pênis cortado ou da menina que precisa fazer sexo com vários homens?

Tá certo, não é porque pessoas passam fome que agora vamos ficar nos limitando a comer arroz puro três vezes por semana. Devemos aproveitar e aproveitar bem o tempo que nos é dado nesta terra, porque não sabemos a quantidade deste tempo, e se for cm conforto tanto melhor.

Mas não podemos ser cegos ao que ocorre ao redor do mundo e as incontáveis injustiças que ocorrem; porque se é fato que dificilmente podemos resolve-las, igualmente é um fato que podemos ao menos, sermos menos mediocres com nossos "pequenos" problemas, que até podem ser grandes, já que dor é algo pessoal, instranferivel e impossivel de ser medido.

Mas podemos contemporizar e olhar as coisas com mais equilibrio. Se temos problemas, há que se enfrenta-los e resolve-los na medida do possivel, mas não somos o centro do mundo. Existem outros passando por situações que oramos dia-a-dia para conhecer apenas teoricamente pelos livros e jornais.

Mas a semana ainda estava em seu começo e fomos brindados com um trailer do Armagedon, com o terremoto no Haiti e assistimos quase em tempo real o pavor e a desesperança de milhares e o que fazer diante da sucessão de tragédias que se sucedem sobre um povo que nada possui além de sua força de vontade de superar os problemas?

Minhas sinceras condolências a todos que de alguma forma perderam familiares e amigos nesta tragédia.

Meu repúdio aos programas de "realidade" que apresentam uma realidade pra lá de irreal.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Mais BBB, mais do mesmo!

Tá certo, apenas os mais ingênuos e incautos não sabem que a programação de uma emissora de televisão vida lucro, via publicidade e propaganda e ela só vem se houver público.

E apesar da liderança da emissora Globo, a luta pela audiância é acirrada. Por essa única e exclusiva razão que o modelo de reality shows como o BBB não pode sob hipótese alguma manter o padrão original ou clásssico de sua criação. A mesmisse e a sensação de "já vi isso tudo" fazem o público mudar o canal tão rápido possa apertar a tecla do controle remoto.

Isso sem contar aqueles que dispoêm de aparelhos que gravam a programação sem precisar assisti-la ou assistem videos pela internet e esse público é impossivel de mensurar, logo contabilizar para a propaganda.

E é por isso que a cada nova edição, temos um formato novo...com os velhos ingredientes. Os saradões com frases prontas, os cabeças que ainda serão testados pelo apresentador para saber até onde vai a "erudição" e é claro os militantes das "minorias" que na realidade já são maiorias, pelo menos midiáticas.

De novo, de novo mesmo, três integrantes se declararam gays, 2 homens e uma mulher. E como seria de se esperar, isso foi apresentado em verso e prosa no primeiro dia.

Haver homossexuais no programa, não é em si a novidade. Houve uma edição em que havia um e esse levou o prêmio, edição inclusive que usou e abusou do modelito do "bem contra o mal" e colocando o integrante homossexual como sendo vítima de uma perseguição.

Depois houve outra edição que um dos participantes sacando a estratégia do vencedor anterior declarou de forma ambigua não saber se era gay ou não para depois ficar de namorico com uma das integrantes.

E logo depois, em outra edição um dos integrantes resolveu apostar na mesma estratégia, logo abandonada para seguir a linha brucutu com sentimento.

A diferença agora é a quantidade com tres optando abertamente por esse modelo de comportamento.

Curiosamente, o apreentador colocou questões sobre ser aceito, isso e aquilo e todos apreentaram quase que os mesmos chavões. "Estamos cada vez mais aceitos, mas a luta continua"; "o que importa é que eu me aceite e a opinião dos outros não importa"; "eu respeito os outros e quero ser respeitado", e por ai foi.

Nem vou entrar no mérito do discurso, porque se a aceitação de um modelo é direito de opinião, a discordância igualmente é direito de opinião; mas aí haverá aqueles que discordarão de mim, e seria perda de tempo debater o assunto, porque a conclusão obvia seria que opinião de respeito é aquela que concorda e puro preconceito ou falso moralismo aquele que discorda.

E no entanto, exige-se a obrigatoriedade da aceitação, melhor dizendo imposição e submissão à nova ordem sob pena de ser tachado de homofóbico, falso moralista, direitista e outros.

E no fim das contas, o que faz o programa? Na primeira prova, separa os integrantes em "tribos". Se é certo que três deles se encaixavam a perfeição na tribo "cabeça" pela questão da profissão, também poderiam ter-se emquadrado em outras, mas o fato é que separaram os tres integrantes homosexuais numa tribo separada de nome "coloridos" e eles adoraram.

Oras bolas? Para quem até aquele momento fez o discurso do "a luta continua, existe preconceito mas estamos avançando", etc e tal, a segregação foi absurdamente tachativa; até porque negou-se que um ou todos pudessem ser "cabeça", ou "belos", vá lá.

A Globo escolheu tres integrantes homossexuais, fez o discurso bonitinho da luta contra o preconceito e na primeira opotunidade os segregou numa tribo separada. Dá pra entender?

Porque não os separou por idade, ou pela letra do nome seguindo o alfabeto, altura, peso? tipo de cabelo? Essas formas de divisão teriam formado os mesmos grupos necessários para a prova e sem precisar apelar para uma classificação que no caso deles foi tachativa. E o pior foi que gostaram, embora reclamem do preconceito e isso ou aquilo.

De resto, a edição do programa chamou aqueles que foram os insossos e bonzinhos demais de outras edições para lhes dar uma nova chance de conseguir o prêmio. Nesse ponto eles poderiam até ter uma vantagem de possuir uma espécie de torçida organizada mas a produção foi esperta de não chamar os da ultima edição, os ganhadores e os mais polêmicos. Assim a diferença não é tanta.

Se isso ajuda em alguma coisa o programa eu duvido muito, porque se eles não venceram suas edições e todos, rigorosamente todos dizem que não jogam, que são eles mesmos; dificilmente vencerão esta edição.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Reality Shows - Voyerismo sádico

Segue reportagem de VEJA sobre os realitys shows


Do Troca de Família ao BBB9, os reality shows renovam
os suplícios e humilhações impostos aos participantes.
E alguns já chegam a extremos perigosos

Na semana passada, o reality show Troca de Família, da Record, contrapôs os costumes de um lar argentino aos de uma família negra brasileira. "Como quase não há negros na Argentina, nós esperávamos reações racistas", diz o diretor Johnny Martins. Mas a mãe brasileira, transplantada para a outra casa, se deu bem com seus parentes postiços – e o produto final foi um programa morno. A situação ilustra o dilema dos produtores do Troca de Família. A atração (originada de um formato da rede americana Fox) explora os conflitos, digamos, antropológicos resultantes do intercâmbio entre clãs com valores diferentes. Após duas temporadas, contudo, a fórmula se tornou manjada. Os participantes, escaldados, tendem a posar de vestais da correção política. A estratégia da Record para driblar o problema foi radicalizar. A mulher de um delegado entrou em pânico ao ser despachada para uma colônia hippie (os cabeludos tentaram até extorqui-la). Uma palmeirense fanática assumiu o lugar da esposa do presidente da maior torcida organizada do arquirrival Corinthians. Num programa que vai ao ar em breve, apela-se para o bizarro: uma senhora católica passa uns tempos com um praticante de sadomasoquismo e seus filhos, que vivem numa boate paulistana em meio a jaulas, correntes e escravos sexuais.

O Troca de Família chega a extremos perigosos. No episódio que enfocou o intercâmbio entre torcedores de times rivais, a presença da mãe palmeirense na quadra da torcida rival causou tanto tumulto que ela teve de ser retirada às pressas. Na semana passada, os bispos da Record ainda decidiam se abortarão a transmissão de uma história que, no começo deste ano, terminou em tragédia. Nesse episódio, a participante Deborah expôs sua inusitada situação conjugal: seu marido, o roqueiro Oswaldo Vecchione, do jurássico grupo Made in Brazil, se dividia entre ela e uma amante. Deborah tinha histórico de depressão e se suicidou semanas depois da gravação. É impossível saber até que ponto o programa a afetou, se é que a afetou – mas expor uma pessoa com essa delicada condição psicológica revela, no mínimo, falta de critérios.

Desde o seu surgimento, há cerca de quinze anos, a fórmula do reality show se mostrou elástica. Há programas que abraçam o assistencialismo, como o Extreme Makeover – Home Edition, em que uma família necessitada ganha uma reforma em sua casa. O American Idol (do qual derivou o brasileiro Ídolos) rejuvenesceu os programas de calouros, e o American Inventor, dos mesmos produtores, tem até certo caráter edificante, enaltecendo o empreendedorismo. Há, ainda, as mil variações de gincanas sobre moda e decoração. Mas a nota dominante do gênero é a do voyeurismo sádico: os programas mais populares são aqueles que submetem as pessoas a toda sorte de provações. Voluntariamente, é claro: aparentemente, a fama passageira conquistada nesses programas compensa toda a degradação.

Os suplícios físicos sempre fizeram parte do Survivor, sucesso desde o início da década na televisão americana. Na gincana, refeições à base de vermes e insetos são corriqueiras. E também o risco de ferimentos: em sua edição mais recente, que se passa nos cerrados do Tocantins, um participante perdeu um dos dentes numa prova de mergulho. Nos chamados programas de transformação, apela-se a outra forma de terapia de choque: a humilhação. No 10 Anos Mais Jovem, que estreou há duas semanas no SBT, mulheres ganham plásticas e novos cortes de cabelo, mas antes têm de passar pela execração pública numa gaiola de vidro. Há também a tortura psicológica. O Big Brother Brasil 9 já se valeu de uma técnica militar de interrogatório – a privação sensorial, por meio do "quarto branco". As trombadas culturais do Troca de Família completam esse quadro da miséria humana.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Mais um sobre o BBB

O reality show da Globo entrou em seu nono ano ou edição. Fiz um post sobre o assunto. Agora depois de alguns capítulos exibidos, digamos assim, algumas considerações:

É curioso como os "jogadores" se tornaram profissionais do jogo. Explico; o discurso de quase todos ele é que entraram sem querer "jogar". Estão alí inteiros e puros. Como a afirmação de cada um é sobre si mesmo, infere-se que os outros não estão sendo inteiros e puros. Outro termo recorrente é "mascaras cairão".

Na verdade, só o fato de alguem afirmar que não quer jogar ou que não está jogando já é um jogo em sí. Porque? Porque os "jogadores" acostumaran-se com as edições anteriores nas quais o público determinou que:

a) Pune os malvados e aqueles que tentam puxar o tapete dos outros;
b) Gosta e prêmia os "sinceros", que são "eles mesmos";
c) Tende a querer fazer justiça social, premiando os "pobrinhos", os que "mais necessitam".

A atual edição mostrou os jogadores justamente usando essas armas. A maioria falando da vida dificil que tiveram ou tem; perdas dos pais, naufrágios sentimentais e emocionais, etc.

A maioria se esforça a demonstrar posturas éticas, recriminando o que seriam atitudes ruins.

A maioria se descreve lá dentro como sendo o que é aqui fora.

A maioria tenta descontruir a imagem que os outros querem montar, ao ponto de determinar que esse ou aquele não precisa estar lá por conta das posses da família, coisa e tal.

E a maioria das pessoas que assistem acabam comprando essas coisas e vão formando as torcidas, em grande parte por conta do que é editado pelo programa.

A população não leva em consideração que:

1) A maioria é formado, o que demonstra nesse país, que possuem ou vem de famílias con renda. Praticamente todos os homens se declaram empresários, artistas. Uma é advogada. Outra jornalista. Boa parte possui idade "friends". Não são adolescentes mas ainda não são os quarentões com filhos, hipotecas, etc.
2) As mulheres, mesmo aquelas que choram a dificuldade financeira familiar pagaram operações estéticas como a colocação de silicone nos seios, operação que custa por baixo, cerca de R$ 6.000 a R$ 10.000,00. Não é coberta pelo SUS nem por planos de saúde. Como pode?
3) O pudor e o digamos assim o recato; tão exigido dos outros jogadores logo é esquecido pelos eliminados que participam de ensaios "sensuais" e aceitam convites para posar sem roupas para revistas masculinas e femininas. Claro se forem, como é mesmo que dizem; fotos de bom gosto, artísticas, tudo bem.

Ao final do programa esses se juntarão aos anteriores formando um grupo pouco maior que 100 pessoas que ostentarão como um cartão corporativo o termo "ex-bbb".

Fazer o quê!?! Se quem paga é você!?!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Meu Deus, mais uma novela da Globo

A novelista considerada de primeiro time da Globo, Glória Perez está com mais uma novela no ar que se iniciou ontem.

Novelas longe de serem um artigo da cultura e da arte são um dos meios mais promissores de marketing que a televisão já criou.

Uma novela começa obviamente pela sinopse inicial, o roteirão basico. A partir dele o autor ou autores vão construindo a história principal e as paralelas que vez ou outra se cruzarão. Mas o roteiro não é de todo fechado como um filme, porque ele sofrerá influências a partir do retorno que a população dará em assistência e em pesquisas específicas. Ou alguem acha que aquelas reportagens e aparições em programas da grade dos atores e atrizes pra falar do personagem é não tem objetivo de marketing?

O estilo de roupas, cabelo e bordões também são planejados para serem absolvidos pela população e um exemplo do sucesso de uma novela é justamente a população copiar as roupas, cabelos e bordões.

Porém mais importante de tudo, os departamentos ligados a marketing sem ainda uma única cena rodada ou ido ao ar, já possuem uma idéia de quantos patrocinadores poderão ter seus nomes veiculados, quantas inserções comerciais haverão e quantas cenas serão produzidas para merchandinsing.

Pra quem não sabe, explico: São aquelas cenas inseridas na trama apenas para mostrar um produto. Por exemplo, na ultima novela, foi feita uma cena apenas para mostrar o internet banking de um banco com um personagem usando um laptop e o outro falando o que o gerente do banco disse. Ou tomando um refrigerante específico e a garrafa aparece em destaque no vídeo como se fosse uma coisa natural. Até os carros usados pelos personagens em cenas externas são uma ação de merchandising.

É por essa razão, leitor amigo, que dificilmente você verá uma novela de época ou baseado em uma obra de escritores consagrados, no horário nobre. É possivel claro que sejam fonte de idéias, mas nunca haverá retratos fieis deles em roteiros. Qual foi a ultima novela de época da emissora em horário nobre? Pois é! Quanto mais próximo do horário chamado nobre (que compreende o tempo do jornal âncora da grade; no caso da Globo o Jornal Nacional, seguido da novela principal e do programa posterior, no caso o BBB), mais caras são as ações comerciais.

E a nova novela? Bem, quem assistiu as ultimas novelas da escritora (nessa hora o santo google ajuda); Explode Coração, O Clone, América. Já assistiu a nova novela; embora a autora rejeite essa "ligação"

Explico: O roteiro segue a mesma linha das demais com um grupo étnico como enredo central (em uma eram ciganos, na outra árabes, na outra interioranos e imigrantes nos EUA e nessa ultima indianos). As primeiras cenas para conferir verosimilhança são feitas nos locais (Miami em uma, Marrocos em outra e a ultima na Índia); sendo que o resto é filmado em estúdios ou aréas do país que se assemelhem ao local original. Mas até aí, qualquer filme faz isso.

A questão é que ao usar o mesmo casting de atores que ela gosta, e não estou aqui fazendo um juizo de valor sobre o profissionalismo deles, acaba gerando um link com a anterior atuação. O ator Estênio Garçia por exemplo fez um cigano em "Explode Coração" e um árabe em "O Clone", absolutamente iguais.

Poxa não quero ser chato, mas a impressão que tenho das novelas dela é a mesma impressão horrorosa daquele filme feito com atores americanos sobre o Chico Mendes que usaram mexicanos para caracterizar os brasileiros da amazônia; ou os filmes de faroeste americanos que usavam o mesmo grupo de mexicanos para serem os peles-vermelhas abatidos pela sétima cavalaria. Explico: Todos os estrangeiros das novelas de Glória Perez tem o biotipo do brasileiro interiorano ou nordestino. Sempre. E como ela sempre usa os mesmos atores, já viu né?!?!?

No desejo de querer mostrar a realidade de outros paises e culturas, as novelas simplesmente demonstram o estereótipo que a imaginação popular criou ou eternizou.

E curiosamente, as três novelas com apelo "étnico" apontam para a mesma direção: a mocinha obrigada a se casar com alquem que não gosta, ama outro homem que a familia não aprova, se rebelerá contra familia e marido e sofrerá até o final quando ficará com seu "amor. Até lá, os diferentes nucleos se relacionarão esporádicamente.

Há é claro, o núcleo pobre, mas sempre formado por pessoas de enorme sapiença. Os empregados dos ricos são quase seres puros, verdadeiros gurus que ajudarão os mortais patrões que são ricos mas cheios de problemas.

Há o núcleo engraçado, que pode fazer parte do nucleo pobre ou ser amigo destes com situações paralelas.

Emglobando tudo, a novela mostrará a feliz união dos povos aqui no Brasil como exemplo para o mundo.

Então é isso! Se quiser assistir a novela para conhecer a Índia, recomendo que pegue um atlás geográfico, o dvd com o filme Gandhi e se tiver sorte um documentário sobre o país. Junte uma grana e faça uma visita. Vale a pena.

Já a novela usará a Índia apenas como pano de fundo para mostrar um enredo similar ao já mostrado em novelas anteriores.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Mais um BBB

Vai aqui alguns achismos. Nem sei a quantas anda esse programa em outras partes do mundo. Aqui em terras tupiniquins, de fato, começou o de número 9. Ou seja, a quase uma década, a população acompanha a situação ou situações vividas em um aquário.

Com uso apenas da memória, a maioria das pessoas lembra fatos e casos relacionados a esse programa. E boa parte deles relacionadas a situações tensas, brigas, etc. Por essas e outras, a edição considerada um fracasso foi justamente a que não apresentou barracos ou polarizações.

A maioria das pessoas acaba torcendo por esse ou aquele, baseado no que é apresentado pelo programa no canal aberto, obviamente cenas editadas. Primeiro por uma questão de tempo, segundo de interesse. É muito mais interessante mostrar uma discussão do que uma conversa modorrenta entre dois participantes.

A escolha dos candidatos também seguiu a mesma receitinha de bolo. Jovens com profissões fluidas como "modelo" e "empresário"; termos que podem abarcar uma gama enorme de coisas e situações. Corpos na maioria em forma e...só. A atual edição possui dois candidatos da chamada "terceira idade" o que é uma novidade em relação aos anteriores.

Se na terceira edição, os participantes já tinham uma idéia de como se comportar, como o público reage a isso ou aquilo; os participantes do nono sabem muito mais.

O que resta de prático mesmo, é que a maioria das mulheres serão convidadas para posarem nuas em revistas masculinas, irão se apresentar em eventos, a maioria quando entrevistadas dirão que querem seguir carreira como atrizes e citarão como exemplo "Grazi".

Já os homens seguirão mais ou menos a mesma linha.

A maioria irá desfilar com o epiteto "ex-bbb" como se fosse um cartão corporativo.

Um ficará milionário.

Já se perguntou com qual dinheiro? É amigo, com o seu. Explico:

Uma produção de televisão só é produzida e veiculada na grade se: a) tiver grande interesse do público e b) tiver grande interesse dos patroinadores. Ocorre que o segundo depende do primeiro.

A partir das edições passadas, sabe-se que um número gigantesco de pessoas ligam a televisão para assistir as novelas da Globo e acompanham o BBB. Há também uma gama enorme de pessoas que pagam os canais fechados para assistir ao BBB. Então os patrocinadores pagam os espaços publicitários ou seja, os comerciais; pagam para que a marca seja citada em determinada prova (como aquelas em que determinada loja daria os prêmios se os candidatos chegassem perto do preço); porque serão vistos, citados e lembrados e suas vendas aumentam.

Existe o ganho com ligações que são milhares a cada votação e não há outra razão, inventaram algumas votações extras para a população participar (pagando o preço da ligação mais impostos).

O programa a depender do sucesso puxa a audiência do programa posterior o que gera mais receita publicitária, etc.

O custo dessa operação publicitária é calculado a partir do custo do programa incluso o prêmio final e outros.

Os patrocinadores e empresas que participam desse bolo, não gastam essa fortuna do próprio bolso, mas o custo de marketing está inserido no preço de seus produtos. Assim quando você compra o produto da empresa que está patrocinando o programa ou liga participando das votações; seu dinheirinho é que está bancando o programa e o futuro milhão do ganhador.

Não estou aqui acusando ninguem disso ou daquilo. Faz parte do jogo e não tem nadade ilegal nisso. Apenas é para demonstrar que o velho jargão "não existe almoço grátis" é verdadeiro. alguem sempre paga.

E se alguem quiser opinar que as votações são para ter a participação do povo; seria o caso de perguntar porque a Globo então não usa número 0800 cuja ligação é gratuita para que mfaz a chamada mas paga pelo receptor da chamada, ao inves de angariar alguns milhões com os milhões que votam pelo telefone, pagando por isso mais impostos?

O programa em sí, não apresenta aspectos culturais, fatos históricos, análises, sequer fantasia e teatro, arte própriamente dita. Apresenta apenas um grupo de pessoas sem nada a fazer, salvo tomar banho de sol em piscina, discussões vazias sobre o nada, esperando a hora da saída para ganhar dinheiro posando nú ou nua para revistas, aparecendo em eventos e passado um tempo mais ou menos curto, ser alvo de piadas do Pânico na TV ou do CQC.