quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
TCU paralisa fusão da Brt e OI
O ministro Raimundo Carreiro do TCU, afirmou que a ANATEL não possui as informações necessárias para conceder anuência prévia para a operação de fusão da Br e OI e portanto deve se abster de aprovar essa fusão.
Como resultado, se a ANATEL não aprovar a anuência prévia até sexta-feira agora, a OI terá de pagar uma multa de R$ 490 milhões de reais por descumprimento de prazo contratual.
A Anatel supendeu reunião de seus conselho e montou uma equipe para prestar esclarecimentos ao tribunal; porém advogados ouvidos acham que é pouco favtível que a Anatel reverta a decisão do TCU em apenas dois dias.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
A fusão BrtOi
A reportagem da VEJA no penultimo post erra ao analisar que a fusão faz todo o sentido, etc e tal.
A área de comunicação no Brasil era até o presente momento fortemente regulada. No primeiro governo FHC saimos de uma situação de estatismo puro para uma situação de concessionárias de serviço público privadas. Trocou-se um monopólio estatal por um privado? Sim no conceito mas não na essência. Por que? Porque foram criadas por leilão as concessões das empresas espelhos que fariam a concorrência e as concessionárias se pretendiam entrar nos rentáveis mercados de celulares e banda larga (que estavam em seu inicio, diga-se), deveriam cumprir as metas de universalização da telefonia.
As novas tecnologias mudaram a forma de ser dos mercados e hoje pode-se viver confortavelmente sem uma única linha fixa de telefone. Quem viveu as épocas que a posse de uma linha telefônica deveria ser declarada como bem na declaração de imposto de renda e constava de lista de bens a serem herdados, sabe muito bem o enorme avanço que a privatização proporcionou. "Mas o atendimento não presta, é ruim, fica-se horas no maldito 0800 e nada ss resolve"; dirão os críticos. Pergunto: Como era o atendimento na época da telefonia estatal? Era bom proporcionalmente ao número de usuários e donos de linhas? Não! era tão ruim quanto, a diferença que o atendimento era feito por um despótico funcionário ao invés de uma voz ao telefone e a relação era de ESTATAL com consumidor, obrigado a obedecer.
Claro, os "jovens" de hoje talvez questionem as coisas e a comparação com o passado talvez surte um efeito bucólico, como dos velhinhos relembrando os tempos de menino. Mas algum dos "jovens", se pudesse viveria naquele tempo, com as limitações da época e dos costumes achando realmente estar no melhor dos mundos? Convenhamos.
Adiante...
O fato da legislação falar em concessões implica em dizer que nenhuma empresa pode chegar aqui e começar a trabalhar sem a devida área de concessão e todo o território nacional já é dividido em concessões. Então não há que se falar em "competições com gigantes". E fora? A área de telecomunicação em qualquer lugar do mundo é uma atividade que exige alto investimento. A crise financeira mundial cortou os meios de crédito de todo mundo. É natural portanto que o apetite por novos mercados seja contido um pouco. Além do quê, salvo o continente africano, qual mercado realmente rentável.
O mercado realmente competitivo dentro da telefonia são os de "provedores de contéudo" para celulares e afins bem como "aparelhos de celulares" cada vez mais compactos, multi-uso, etc.
Nesse aspecto o Brasil fica a mercê de gigantes realmente, na qual a escala e a quantidade de opções são os meios de firmar posições em mercado. Quer um exemplo besta? Aparelhos motorola, nokia, siemens, lg, podem ser vistos nas mãos de usuários em qualquer país dotado de telefonia celular. Então, se é que podemos falar assim, o Brasil carece não de empresas gigantes que ofereçam pulsos ou minutos de telefonia mas tecnologia em programas e aparelhos. A reportagem da VEJA embora não tenha sido essa a intenção, comprova essa fato ao mostrar uma exposição com mulheres de modelos de paparelhos celulares em oferta.
Se a fusão cria uma forte empresa diminuindo concorrência ao invés de amplia-la, qual a razão de tantos lutarem tanto para obtê-la? Vale de novo uma análise ou opinoão que já teci anteriormente repetida no inicio deste post; ou seja, a retribuição aos financiadores de campanhas de ontem e de hoje. Só isso!
Quanto ao post anterior.
Sempre fui um crítico do dossiê VEJA de Nassif. Não porque desgoste dele, já que não o conheço pessoalmente, mas porque ao lê-lo, senti falta de um negócio chamado "provas".
Colocar trechos de uma reportagem ou artigo, críticas favoráveis ou não e a partir da data de publicação fazer conjecturas como se fatos fossem, das "intenções" do que foi publicado, numa coletânea de Ctrl V e C somados a interpretação de intenções segundo sua premissa pessoal das pessoas envolvidas não se pode chamar de provas.
É curioso que a todo o momento, Nassif declarava que VEJA estava a soldo de Dantas. Mas note-se que, como demonstrado no post abaixo; o proprio blogueiro afirma que a VEJA eracontra a fusão mas AGORA que Dantas assinou o acordo ela é favorável, e usa como exemplo o artigo.
Se VEJA estava a soldo de Dantas, porque faria campanha CONTRA a fusão? Agora depois que o presidente Lula assina a lei que mudou a área de telefonia para legitimar o negócio, publicar um artigo achando que a fusão do ponto negocial é razoável, significa ser a favor de Dantas? Só rindo mesmo!
Mainardi, Reinaldo Azevedo, Gravataí Merengue, praficar nos três mais criticados por Nassif, sempre foram CONTRA a fusão. Os motivos? Os mesmos que me faziam ser contra também.
Não acreditem em mim, pesquisem nos blogs deles para ver. Não é a primeira vez que a revista em um artigo adota uma posição contrária a de Mainardi e Reinaldo Azevedo (vejam por exemplo as posições sobre Barack Obama, por exemplo), e nem por isso, os blogueiros mudaram de opinião.
E Nassif? Durante todos os meses que esse assunto foi debatido ele no máximo declarou em um post ver sinergias na fusão, como por exemplo melhor ou maior poder de negociação com fornecedores. Sobre o assunto em sí, as relações com Dantas, governo, financiamento do BNDES nem uma palavra. Agora que a lei autorizando a fusão saiu, ele fez posts para "discutir" o assunto, falando em criticos e favoráveis mas sequer uma linha dele próprio a favor ou contra; mas se insurge contra a comentarista que diz que ele se omitiu.
Nassif e a reportagem da VEJA sobre a fusão BrtOi
"...Critica onde? Desde que Dantas firmou acordo, ela passou a apoiar. "Sob a linha-d'água da supertele. Olha o título:
"Lula assinou decreto que permite a criação da Oi-BrT.
A fusão faz todo o sentido na luta de gigantes da telefonia,
mas a guerra interna entre petistas contra e a favor
mudou a face do partido e do governo"
E onde eu me omito? Sempre que ler algo desse rapaz, confira. Ele é compulsivo.
A matéria da VEJA sobre a fusão BrtOi
Fiquem com a máteria de VEJA sobre a fusão BrtOi; volto depois.
Sábado, Novembro 22, 2008
Sob a linha-d'água da supertele
VEJA
Lula assinou decreto que permite a criação da Oi-BrT.
A fusão faz todo o sentido na luta de gigantes da telefonia,
mas a guerra interna entre petistas contra e a favor
mudou a face do partido e do governo
Ronaldo França e Ronaldo Soares
VEJA TAMBÉM
|
Com uma assinatura, o presidente Lula validou, na última quinta-feira, uma das mais complexas, intrincadas e corrosivas operações do mundo dos negócios no Brasil. A transação, que não sairia sem o aval de Brasília, dividiu o governo em facções, despertou os instintos mais primitivos do lobby privado e mudou a face do Partido dos Trabalhadores. A assinatura do presidente era esperada e adiada desde 2005 em virtude dos desdobramentos políticos e policiais do negócio. Ela altera as regras que vigoravam desde 1998, ano da privatização do sistema Telebrás, e proibiam que uma operadora de telefonia fixa oferecesse serviços em mais de uma região do país. A mudança viabilizou a compra da Brasil Telecom, a terceira maior empresa de telefonia fixa do país, pela Oi, a vice-líder do setor em vendas. Juntas, as duas vão faturar por ano 29 bilhões de reais, formando a terceira maior geradora de caixa do setor privado nacional – atrás apenas da Vale e da Gerdau. Será criada também a 30ª maior operadora de telefonia do mundo. A mudança, feita pelo presidente por decreto, não precisa passar pelo crivo do Congresso. Apenas a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vão ainda analisar o negócio, sem perspectivas de reversão, porém.
Do ponto de vista empresarial, a criação da Oi-BrT faz todo o sentido. Telefonia é, no mundo todo, um embate entre gigantes. Sozinhas, Oi e BrT sumiriam. Juntas, ganham tamanho para enfrentar os concorrentes internacionais. A evolução tecnológica também dissolveu o bem-sucedido modelo de privatização das telecomunicações implementado em 1998 pelo então ministro Sergio Motta. Deixou de existir uma divisão tão clara entre setores como os de longa distância, móvel ou fixo. As novas tecnologias digitais mudam completamente o jogo. A criação da Oi-BrT, portanto, abre uma porta para que o Brasil entre na competição global dos serviços de infra-estrutura de telecomunicações, o que inclui transmissão de sinais de vídeo, de redes de dados e de entretenimento. Isso exige musculatura suficiente para competir por novos mercados, principalmente na América Latina, que hoje se divide quase exclusivamente entre o bilionário mexicano Carlos Slim, que controla a Claro e a Embratel, e a espanhola Telefónica, dona da operadora de mesmo nome. "A divisão dos serviços na América Latina é quase um novo Tratado de Tordesilhas. Só que entre espanhóis e mexicanos", afirma Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi, que presidirá a nova empresa. "Vamos acabar com esse sonho de duopólio."
| Fotos Eugenio Savio/Folha Imagem e Julia Moraes/Folha Imagem |
A NOVA VOZ DA TELEFONIA |
Para uma transação de lógica negocial tão óbvia, a chegada ao mundo da Oi-BrT foi muito dolorosa. Essa via-crúcis tem vários ramais. O primeiro e mais conspícuo é o político. Em qualquer país, a telefonia é o setor mais dependente do governo, que estabelece padrões, tipos de equipamento, regiões de operação e, ao fim e ao cabo, decide quem são os perdedores e os vencedores no setor. No caso da Oi-BrT, esse poder deu-se de forma ainda mais forte. Em primeiro lugar, porque ambas as empresas têm como detentores de parte de seu capital os poderosos fundos de pensão dos funcionários de empresas estatais. Em segundo, porque o governo do PT, mais do que o anterior, acredita na planificação e na centralização da economia. Quando o destino do negócio era ainda muito nebuloso, tanto a Oi quanto a BrT trataram de acionar seu lobby em Brasília. Nessa fase valeu tudo. Até o filho do presidente da República, Fábio Luís, o Lulinha, foi alvo dos lobistas. Oi e BrT travaram um duelo para ver quem conseguiria recrutá-lo para sua causa. A Telemar (atual Oi) passou na frente da BrT e investiu 5,2 milhões de reais na Gamecorp, uma produtora de TV e de jogos para celular que tem entre seus sócios o filho do presidente. Na semana passada, esse investimento era o cavalo de batalha de parte da oposição em Brasília em sua condenação à assinatura do decreto. "Essa mudança deveria ter sido encaminhada ao Congresso, por uma questão de probidade", protestou na última sexta-feira o deputado federal Rodrigo Maia, presidente do partido Democratas (DEM). Os controladores da Oi são os empresários Carlos Jereissati e Sérgio Andrade. Jereissati é dono de um dos maiores grupos de shopping centers do país e conhece como ninguém as engrenagens dos fundos de pensão de estatais brasileiras. Andrade é amigo de Lula desde os tempos em que o atual presidente parecia ser apenas um eterno candidato ao maior posto da hierarquia política do país. O Grupo Andrade Gutierrez, que ele comanda, foi o maior doador da campanha de reeleição de Lula, em 2006, com 6,4 milhões de reais. Sérgio Andrade é hoje o empresário mais próximo do presidente.
| Feng Li/Getty Images |
QUANTO MAIS, MELHOR |
Como parece ser sua sina estar presente em todo negócio confuso do país, neste também aparece como personagem o financista Daniel Dantas. O decreto assinado por Lula significa para Dantas um cheque a seu favor que, dependendo da quantidade e do valor das ações que detém, chegará a alguma coisa entre 1 bilhão e 2 bilhões de reais. Mas esse é o mesmo Daniel Dantas, o inimigo número 1 do governo petista? Não é ele o alvo da mais cara e mais alardeada operação da Polícia Federal, a Satiagraha? Sim, caro leitor, é o mesmo Daniel Dantas. Como ele saiu dessa ainda mais rico do que era é um desses paradoxos do capitalismo estatal, com suas sombras inescrutáveis. Para lembrar: Dantas era o controlador da Brasil Telecom até 2005. Foi praticamente expulso pelos fundos de pensão de estatais – manobrados politicamente pelo ex-ministro Luiz Gushiken, partidário de uma empresa de telefonia 100% estatal. Ao sair, Dantas decidiu manter uma posição em ações na BrT e comprar quanto pôde de ações da Oi no mercado. Manteve acesos também os processos judiciais que movia contra os fundos de pensão. Como é do seu feitio, municiou-se de dados sensíveis e das alianças que construiu no coração do petismo. Dividido entre os inimigos de Dantas e os partidários de Dantas, o PT deixou-se arrastar para o terreno comercial, perdendo quase todo – se não todo – o seu decantado purismo ideológico. Quando as negociações para a fusão entre a Oi e a BrT prosperaram, no ano passado, Dantas foi chamado a negociar e fechou um acordo por meio do qual receberia seus bilhões, a que tem direito agora, depois que Lula apôs sua assinatura ao decreto.
| Pablo Valadares/AE |
AINDA MAIS RICO |
Um lado e outro do rubicão comercial do petismo vão ver a Oi-BrT a seu modo. Para um, foi uma rendição à iniciativa privada e uma vergonhosa maneira de enriquecer ainda mais Daniel Dantas. Para o outro lado, foi um passo do governo coerente com sua visão de mundo. É o mais provável. Lula sempre foi entusiasta da proteção e formação de grandes empresas nacionais. A criação da Oi-BrT se encaixa perfeitamente nesse contexto. É claro que o entusiasmo do presidente e do PT vai muito além de criar condições para a existência de poderosos grupos nacionais no campo comercial, industrial e de serviços. Se pudessem, eles iriam mesmo para a materialização do sonho que não escondem: a criação de empresas estatais hegemônicas em seus campos de atuação. Ao anunciar na semana passada a compra da Nossa Caixa, o banco estatal paulista, pelo Banco do Brasil, Lula disse que o objetivo do BB é voltar a ser o maior banco nacional – posto perdido pela recente fusão do Itaú com o Unibanco. "Não é um problema de partido, não é um problema ideológico. O Brasil ganha com o negócio porque haverá um banco público mais sólido e competitivo, com muito mais agilidade e muito mais dinheiro", disse Lula.
sábado, 1 de novembro de 2008
A verdadeira questão das Teles.
Uma navegação sem destino certo na blogosfera demonstraria ao internauta que existem três grandes assuntos sendo tratados:
a) A "unção" de Barack Obama como a pedra de toque que faltava para a "esquerda" tomar o poder e não perca seu tempo, leitor amigo, de tentar convencer os, como direi, analistas e pensadores, que o que se chama de esquerda americana não tem nada ver com a esquerda petista, com Lula e muito menos com a visão de esquerda de Evo Molares, de Chavez e daquele padre com nome que lembra brinquedo de armar, Lugo. Ah!, é claro, não perca seu tempo em faze-los voltar a razão porque a maioria imagina um mundo dourado com o novo presidente mudando tudo que lá está aí e sendo o redentor do mundo. Só dois exemplos apenas: McCain e sua vice usaram aviões da Embraer porque ou já estavam disponiveis ou inham custo mais barato e foram pressionados a usar Boeings, produtos americanos. McCain é favorável ao fim de subsídios ao etanol americano favorecendo o produto brasileiro e Obama votou contra o fim dos subsídios.
b) Construção de explicações para a derrota do PT em São Paulo ou descontrução das vitórias e não perca tempo, leitor amigo, de tentar convence-los, até porque a maioria é militante, de que não tem nada a ver dizer:
- Que houve preconceito contra a candidata, por ser mulher. Não adianta argumentar com o fato de que a cidade já escolheu mulheres antes e desse mesmo partido. Sabe porque não adianta? Porque os militantes chegam a desconstruir as próprias vitórias num enome paradoxo, para legitimar a explicação. Dizem que Erundina só ganhou porque na época não havia segundo turno, e no caso de Marta, ela só ganhou porque o governo anterior, de Pitta foi extremamente ruim. Viram? Não houve mérito ou qualidade nas candidatas para atingirem a vitória, houve falha ou defeito nos outros.
- Que houve preconceito pela questão homossexual. Não adianta argumentar com a fato de a cidade escolheu como prefeito justamente alguem acusado de esconder ser homossexual. Sabe porque não adianta? Porque os militantes chegam a descontruir as próprias ações do partido como por exemplo a reação ruim a campanha pelo pessoal GLT e a retirada da peça publicitária. Alegam que nunca ocorreu nada, mas a imprensa, essa malvada de sempre, fez as ilações terriveis para que o povo mandasse a candidata petista para escanteio.
- Que houve apoio de malufistas e dessa turma nojenta da direita. Não adianta desenhar que o partido de Maluf é o PP que é por sua vez o antigo PDS e que por sua vez era a antiga Arena, partido de apoio aos governos militares; partido esse que nadou de braçada no mensalão e que tem ministério no governo Lula, por ser da BASE de apoio do governo federal. Sabe porque não adianta? Porque os militantes chegam a desconstruir as proprias alianças porque o que vale é a contextualização, a relativização, a troca dos fatos por sua particular interpretação.
- Tem um monte de outras explicações e contra-explicações. A que me causa mais risos é a força como os militantes petistas afirmam que o governador Serra não ganhou nada com a vitória do candidato do DEM. Os risos vem de saber que se eventualmente a candidata do PT tivesse levado a eleição, os mesmos militantes e "analistas" estariam escrevendo como a vitória da candidata foi uma vitória do Lula por causa de seus 80% de popularidade.
c) A crise e os efeitos dela no Brasil.
Enquanto isso, um importante assunto vai se consolidando e que está meio que entrameado com outros assuntos que estão em aberto. Esse assunto importante é a fusão da Brt e Oi.
A Brasil Telecom era uma empresa de telefonia resultante da privatização do sistema telebrás. Essa em especial ficou com Daniel Dantas, telecom Italia e fundos de pensão, enquanto que a Telemar ficou com Carlos Jereissati do grupo Laforte e fundos de pensão. A telesp ficou com a telefonica espanhola. O BNDES entrou com empréstimos para os interessados que em troca cederam as ações e participações como garantias.
De lá pra cá, uma série de brigas e disputas foram se sucedendo entre planos de pensão, Daniel Dantas e sócios estrangeiros. Enquanto isso; as empresas de telefonia iam marcando posições e o mercado de celular era o filão. Assim as teles atráves de participações tinham empresas na área de telefonia móvel além da fixa. Com a compra da Embratel por Carlos Slim, mexicano, o sistema de telecomunicação brasileiro não tinha nenhuma estatal mas diversas empresas e as chamadas concorrentes espelhos com áreas de concessão determinadas pelo govenro e controladas pela ANATEL e sua lei de outorga.
Uma das cláusulas dessa lei era o impedimento de um grupo ser controlador de mais de uma empresa de telecom. Na prática essa cláusula impede que uma empresa compre a outra ou se funda, evitando assim uma dominância de mercado, ainda mais porque esse mercado é dividido em concessões, não é um mercado livre. Explico: o cliente é livre em termos, para escolher sua operadora de celular desde que ela tenha autorização para operar na aréa de concessão aonde está o cliente. Por exemplo, em SP, você pode escolher usar um celular da Vivo, da Claro, da Tim, mas não podia usar da OI, porque a OI não tinha concessão para operar em SP. No caso das tarifas de DDD você pode usar as disponiveis no mercado; mas se quiser adquirir uma linha fixa de telefone, em SP você é obrigado a comprar essa linha da Telesp. Adiante;
Com o crescimento e incremento do uso do sistema celular; essa operação foi ficando tão importante que a OI, a operadora de serviço de celular da Telemar ficou maior que a mesma e a Telemar passou a comunicar como Oi-Telemar e agora simplesmente Oi.
A BrasilTelecom, designada Brt não adquiriu a mesma força que a Oi ou mesmo outras empresas da área.
Falemos dos donos;
Daniel Dantas era a estrela dos anos 90 adquirindo essa fama e posição, pelos contatos que tinha no governo e sua ascenção no mundo dos negócio na época do governo FHC. Ele era sem sombra de dúvidas um dos grandes financiadores de campanha do então PFL atual DEM e PSDB. Daí o ojeriza com que a militância de esquerda e do PT o tratam até hoje.
Ocorre que agora sabe-se o que alguns já haviam advertido e muitos fecharam os olhos; que Daniel Dantas também financiava os partidos agora no poder, e da pior forma possivel, aquela por baixo do pano. Segundo Mainardi, que foi o primeiro a falar nisso, Dantas era a verdadeira fonte do mensalão.
Então temos em uma ponta, Daniel Dantas, que sempre apoiou financeiramente partidos e políticos, com um problema enorme nas mãos que era a briga pelo controle da Brasil Telecom com a itália Telecom, fundos de pensão e Citibank. (Não esqueça, leitor amigo, que em parte essa briga ocorre porque um lado dos petistas no governo, que controlam os fundos de pensão eram contra Dantas e outra facção, nos ministérios era a favor).
Na outra ponta, temos os donos da Oi que são os maiores financiadores e apoiadores de campanha do PT e do presidente Lula.
Adular o presidente e criar meios de força na área de telecom é um caminho natural, embora não seja lá muito ético, de defender interesses comerciais.
Dantas fez isso, bancando despesas de uma empresa pequena que começava seus primeiros passos e que tinha como sócios, filhos de petistas, um deles, filho de Lula. Após bancar despesas pequenas, Danta deu o bote com proposta de capitalização da empresa, a gamecorp, através da BrasilTelemar. Lula, no entanto, aconselhado por petistas amigos, fez o filho rejeitar a oferta.
Mas a empresa precisava de sustentação e em socorro dela apareceu a Oi então ainda Telemar comprando participação ao custo de alguns milhões de reais e a gamecorp passou a desenhar jogos para celular para a Oi.
O crescimento foi tão frenético que a gamecorp fez um acordo comercial com a TV Bandeirantes e passou a controlar a programação de televisão do canal 21 com o nome de PlayTV.
Lembram-se das pontas? De um lado, temos a BrT, de Daniel Dantas que deu sustentação a base do governo alimentando o mensalão e na outra ponta a Oi, do grupo La fonte, que não é qualquer empresa mas é a empresa que deu sustentação a gamecorp, empresa do filho de Lula e tambem foram grandes se não foram os maiores, financiadores da campanha petista e da campanha de Lula.
Como amarrar essas pontas que são do mesmo novelo, o emaranhado resultante da mistura de interesses comerciais, políticos, financeiros?
A resposta é a fusão da Brt com a OI. Porque?
1) A receita da fusão, enquanto negócio, é sem dúvida um belo retorno pelo financiamento de uma campanha tão vitoriosa quanto a petista. Abre caminho para o OI ter atuação nacional, com uma campanha promocional no mínimo simpática ao cliente e que tem e terá enorme resultado.
2) É um meio de ressarcir Dantas do jogo em que esteve metido e como a BrT não tem tamanho nem poder para comprar a OI, o jogo lógico é a OI comprar a Brt e dessa compra, Daniel Dantas sai com mais de 01 bilhão de reais no bolso, sem as pendengas judiciais com os sócios e os fundos de pensão com tamanho e poder de decisão mais reduzidos, fortalecendo a atual e mais forte facção do PT no poder, já que a fusão encerra uma disputa interna dos militantes.
Como explicar no entanto, uma operação comercial dessas, além do que, é ilegal, já que a lei de outorga entçao vigente proibe essa operação?
Deve-se mudar a lei, obviamente, mas como fazer isso e ainda contar com apoio da turma, da manada?
Usa-se a velha tática do nacionalismo bocó.
O governo passado foi entreguista e estamos nas mãos dos malvados estrangeiros. O que fazer? Criar uma estatal? Não dá! Convenhamos, esse motivo "nacionalista" é só uma desculpa. A resposta é fortalecer uma empresa NACIONAL. Qual? a Oi. Mas ela não é Nacional em termos de abrangência. Então tá, ela se funde com a Brt, outra coitadinha, pequenina, que está no meio de uma briga de investidores estrangeiros malvados e elas, juntas terão "sinergia" para negociar com fornecedores e fazer frente ao mexicano capitalista, aos espanhois imperialistas e ao ET de Varginha.
A coisa é tão certa, que o BNDES entrou com um financiamento gigantesco para que a Oi e Brt façam a fusão. Mais a frente, a OI conseguiu outro empréstimo gigante com o Banco do Brasil.
Com tantos nobres interesses a serem atingidos, o governo indica para a cadeira vaga na direção da ANATEL, uma pessoa indicada por José Sarney que por mera coincidência, era favorável a fusão das teles e votou a favor da mudança da lei. (é curioso que esse raciocinio torto a favor dessa mudança, não considera que o malvado mexicano com o talão de cheques recheadissímo, pode adquirir por exemplo a Telefonica dos espanhois, a VIVO dos portugueses e espanhois, a TIM dos italianos e ficar dez vezes maior que a OI).
Enquanto isso, tem jornalistas e blogueiros que lançam uma cortina expessa de fumaça em torno do assunto, levantando uma bandeira de luta contra Daniel Dantas e acusando revistas, jornais e outros profissionais da mídia de vender sua "pena" aos interesses de Dantas. Quando o governo age em favor desses mesmos interesses, concordam por conta da "sinergia". Quando o BNDES financia uma operação até então ilegal, concordam com seu silêncio. Quando a FSP, a revista VEJA, Mainardi e outros publicam críticas ao governo, a Lula, a Dantas; tudo não passa de armação para defender Dantas.
E assim as coisas vão se sucedendo...
Tem mais uma coisa interessante. Paulo Henrique Amorim, acusou a Brasil Telemar ou Brt, dona do portal IG de censura-lo e manda-lo embora por sua luta contra a fusão Brt e OI. Ele então cria uma página e passa a cantar as glórias de ser independente. Mas se você olhar o registro do site verá que a empresa que mantêm o site tem como um de seus principais clientes com direito a banner enorme no site da empresa, adivinha quem? a OI que na verdade é telemar, uma das pontas da fusão BrtOI.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Sobre a BrOi , a nova super-tele
O acordo que permite aos sócios privados da Oi, a antiga Telemar, se tornarem donos da Brasil Telecom foi assinado há pouco no Rio de Janeiro. Nasce a BrOi, que eu chamo de Telezona, porque além de gigantesca, a nova empresa está sendo criada à revelia da lei.
O mais constrangedor é que a ilegalidade é, como sempre foi, abençoada pelo governo. A desculpa é a criação de uma supertele nacional. Mas não é preciso ser muito esperto para perceber que agradar grandes financiadores de campanha também pesou na balança do Planalto.
A compra resulta que Carlos Jereissati, dono da La Fonte, e Sérgio Andrade, da construtora Andrade Gutierrez, foram coroados os reizinhos das telecomunicações brasileiras. Também significa que o dono do Opportuntiy, Daniel Dantas, ficará pelo menos R$ 1 bilhão mais rico. Depois os caras-de-pau dizem que eu favoreço o banqueiro. Ridículos.
Em linhas gerais: Banco do Brasil e subsidiárias, GP, Citigroup e Opportunity deixam o setor de telefonia. O BNDES paga boa parte da conta, mas diminui a participação. Também encolhem os fundos de pensão ligados às estatais. La Fonte e Andrade Gutierrez se deram bem. Muito bem.
Agora é esperar e ver como o governo vai lidar com a imposição de metas. É o mínimo que pode fazer antes de essa "operação tropical" acabar sacramentada _ o que só acontecerá com a mudança da legislação.
A privatização da Telebrás, que resultou na divisão do sistema em várias empresas arrematadas por grupos estrangeiros e nacionais, completará dez anos no próximo 29 de julho. Jamais esquecerei aquele dia. O salto da bota quebrado que me fez passar o leilão descalça, o burburinho da redação, a comemoração no fim da noite por um trabalho de equipe perfeito.
De lá para cá, mudei bastante. Envelheci, aprendi e me tornei capaz de pensar nas conseqüências de minhas ações no longo prazo. O Brasil? Muito menos, creio. A politicagem e os interesses de campanha seguem ganhando a queda-de-braço com o desenvolvimento.
Para entender minha linha de raciocínio, convido você a um passeio no túnel do tempo.
A privatização das teles foi idealizada por Sérgio Motta, ministro das Comunicações e um dos mais influentes tucanos no primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso. Outro grande aliado de FHC era Luís Eduardo Magalhães, então presidente da Câmara, filho do senador Antônio Carlos Magalhães e um dos expoentes do PFL.
Motta, o trator, e Luís Eduardo, o conciliador, foram indispensáveis para as costuras políticas que permitiram o fim do monopólio estatal nas telecomunicações. Por isso, o governo sofreu um golpe pesado quando ambos morreram subitamente, poucos meses antes do leilão, em decorrência de problemas de saúde.
O desaparecimento dos dois principais articuladores políticos de Fernando Henrique colocaram a base aliada em polvorosa. Havia um acordo implícito para o PFL apoiar os tucanos na eleição de 1994 _ ao fim de oito anos, o sucessor de FHC na chapa composta seria um pefelista. O nome natural era o de Luís Eduardo, estimado pelo presidente, capaz de mobilizar os políticos nordestinos e, assim, promover a alternância de poder entre o sul e o norte.
Dentro do governo, o acordo era visto com bons olhos pela equipe econômica, capitaneada pelo então ministro da Fazenda, Pedro Malan, mas causava urticária na ala tucana conhecida como "desenvolvimentista", cuja pretensão era a de apresentar um candidato próprio, o recém-empossado ministro da Saúde, José Serra.
Sem Motta para conter os desenvolvimentistas e Luís Eduardo para manter acesa a chama do acordo fechado com o PFL em 1994, a política ficou de pernas para o ar. A equipe econômica, espécie de fiadora do pacto, estava desgastada pelas seguidas crises econômicas internacionais e pelo alto custo da manutenção do câmbio administrado.
Resultado: os desenvolvimentistas vislumbraram uma brecha para lançar a semente da candidatura de um tucano desenvolvimentista em 2002. O PFL passou a desconfiar dos aliados. E o PT, oposição ferrenha, completamente abafado no primeiro mandato de FH, revoltado com o tratamento que recebia do "intelectual", viu uma chance de crescer com o desbalanceamento dos adversários.
TODOS precisavam fazer caixa para a campanha (menos FHC, que já tinha garantido dois mandatos).
Foi assim que o jogo começou.
Como você sabe, no Brasil existem "esquinas políticas", instâncias onde os interesses menores e imediatos permitem maior interação entre determinados partidos.
Em 1998, PFL e PSDB jogavam em dobradinha no Congresso e na agenda econômica. Também estavam reunidos no Ministério da Previdência, onde o PFL dava as cartas, inclusive na Secretaria de Previdência Complementar (responsável pela fiscalização dos fundos de pensão).
Com a morte de Sérgio Motta, o Ministério das Comunicações foi para o PSDB desenvolvimentista, também titular do BNDES e dono da maior parte das cadeiras importantes no Banco do Brasil.
O PT, em contrapartida, aparecia em má situação, sozinho em um cenário onde todos os demais tinham aliados. A campanha sistemática do partido contra a privatização havia fracassado, percebida como discurso anacrônico, retrógrado. Por conta das manifestações (o MST chegou a invadir o BNDES), seus militantes corriam o risco de receberem, mais uma vez, o rótulo de intransigentes _ imagem que atrapalhara muito a legenda na eleição perdida para Collor (1989) e as duas derrotatas para FHC (1994 e 1998).
Onde o PT era poderoso? No Sindicato dos Bancários (o que o tornava um player importante para o Banco do Brasil, e na Previ, o gigantesco fundo de pensão do BB). Nada no banco ou na entidade de previdência passava sem um acordo com os petistas, pois parte das vagas de comando, no segundo caso, era obtida por voto dos bancários. Mesmo assim, a força do Estado era esmagadora _ a maioria dos acertos era fechada em bases ruins para os trabalhadores.
A influência sindical também permitia certa influência do PT na Caixa Econômica Federal e seu respectivo fundo de pensão, a Funcef, bem como na Petrobras e na Petros, instituição previdenciária da petrolífera.
Quando o assunto é bilhão, esses três fundos são os que interessam: Previ (o maior da América Latina), Petros e Funcef. Juntos, eles detêm cerca de 70% dos ativos do sistema brasileiro de previdência complementar. São os gigantes dos investimentos de longo prazo. Praticamente TUDO na economia passa por eles, inclusive no mercado de capitais.
Justiça seja feita _ se a governança corporativa dos fundos de pensão é falha hoje, naquele tempo era uma piada. Diversos negócios mal explicados resultavam em prejuízos para as fundações. Rendiam dinheiro só para os tucanos-pefelês; os petistas se descabelavam com as sobras. Corriam ao Ministério Público com freqüência para fazer denúncias sérias, fundamentadas, que _ DEZ ANOS DEPOIS _ deram em zero de punição. Por que será? Deixo para outra ocasião.
O PSDB desenvolvimentista, matreiro, decidiu jogar em duplicidade. Uma parte (Ministério das Comunicações e BNDES) continuaria alinhada ao PFL e ao acordo azeitado por FHC. Outra, a do Banco do Brasil, iria compor com o PT, de olho mais no futuro presidente do que naquele que ocupava o posto naquele momento. Fosse qual fosse o resultado, os tucanos sairiam ganhando. Pelo menos, era o que eles pensavam.
E o Planalto? Aí eu só posso dizer para você o que eu acho: a eleição de 2002 pouco interessava a ele, que tinha garantido dois mandatos. Fazer um sucessor que não fosse Luís Eduardo era indiferente para Fernando Henrique Cardoso. Fechou os olhos e mandou seguir.
Vamos sair um pouquinho da política e olhar a quantas andava a economia em 1998. O Plano Real, um sucesso, responsável pelo fim da inflação, ainda estava em fase de consolidação. Para tanto, a equipe econômica optara por manter a taxa de câmbio administrada. (Como bem lembrou o Carl, em seu comentário, o regime adotado foi o de "flutuação suja".)
Mesmo quem entende patavinas de ciência econômica percebe que essa relação é ilusória. Como a moeda do país mais poderoso do mundo pode valer (mais ou menos) o mesmo que outra, a de uma nação de terceiro mundo? Impossível, a não ser de forma artificial.
A administração da taxa de câmbio, assim, exigia um esforço hercúleo. A relação entre a dívida brasileira e o PIB sofria forte degeneração, as reservas eram insuficientes, o funcionalismo amargava sem reajustes (não é de se admirar que o PT tenha feito um rapa nos votos dos servidores públicos), as contas externas viviam em desequilíbrio. Por outro lado, era possível saber quanto valeria o salário no fim do mês, algo impossível antes do Real.
Outro aspecto bagunçava ainda mais o coreto da economia nacional: sucessivas crises ocorridas no exterior. Esses abalos implicavam mudanças bruscas no fluxo de capital internacional, criando um ambiente propício para os especuladores apostarem contra determinadas moedas. Primeiro foi a crise do México, depois a da Ásia e, em meados de 1998, formava-se a nuvem negra que viria a ser confirmada como a crise da Rússia.
Também é fácil entender, portanto, que a época estava longe de ser a ideal para atrair capital de longo prazo. Os investidores viam o Brasil com cautela, devido ao histórico complicado da economia, à prática da corrupção típica dos países latino-americanos e às imensas lacunas e contradições do sistema regulatório.
Mesmo assim, a princípio, alguns estrangeiros mostraram interesse nos consórcios que disputariam as empresas resultantes da cisão da Telebrás. Entre eles, Citigroup, Bell South, MCI e Sprint; Telefónica de Espanha, a canadense TIW, Telecom Italia, Portugal Telecom, France Telecom.
Nem todos ficariam até o fim. O capital anglo-saxão, principalmente, não gostou do que viu por aqui. A maioria deu no pé antes de se meter em confusão.
Então você, até aqui, guardou as principais informações do cenário em volta da privatização das teles: em 1998, a economia mundial sofrera vários abalos e havia sinais de outros a caminho; a política monetária brasileira tinha um alto custo e sinalizava implosão (o que realmente aconteceu no começo de 1999); o acordo com o PFL, balizador das duas candidaturas de Fernando Henrique Cardoso, fora subitamente enfraquecido; o PSDB desenvolvimentista havia crescido em importância e o PT vira uma chance para si no racha da base aliada.
(Creio que é melhor ir direto para o leilão, ou levarei meses escrevendo antes de opinar sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi-Telemar, motivo dessa análise toda. Depois, se você quiser, deixe um comentário ou mande um e-mail. Se houver demanda, retomo o assunto, ok?)
No resumo, basta saber que o dono do Opportunity, Daniel Dantas, era visto como alguém com bom trânsito no PFL e, por conseqüência, com o próprio FHC.
A esperança dos tucanos alinhados com os pefelistas era que, ao fim do leilão, Telecom Italia/Bradesco/Globo ficassem com a região de São Paulo; a espanhola Telefónica com o Centro-Oeste e o Sul (onde já atuavam) e o grupo Citigroup/ fundos/Opportunity levassem a Telemar.
Como dizem no futebol, faltou combinar com os russos.
O dono da La Fonte, Carlos Jereissati, era velho conhecido dos fundos de pensão, de quem era sócio no setor imobiliário. E Sérgio Andrade, como bom mineiro e excelente empreiteiro, se relacionava bem com todo mundo. Viram a oportunidade bater à porta com a exclusão de pessoas ligadas ao PT na montagem dos grandes consórcios.
Dias antes do leilão, Jereissati e Andrade, apoiados pelos fundos de pensão e pela ala desenvolvimentista tucana do Banco do Brasil, montaram um consórcio. Para compensar a falta de uma operadora internacional no grupo, adotaram o discurso nacionalista.
Alguns integrantes dos fundos, por sua vez, se aproximaram da Telecom Italia. E os tucanos do Banco do Brasil cevaram a relação com os espanhóis. Encontros secretos às vésperas da operação de venda para cá, desistências para lá... Sabe-se lá como, no dia do leilão, tudo saiu ao avesso.
Os espanhóis apresentaram um lance altíssimo por São Paulo e retiraram a oferta pela Tele Centro-Sul. Resultado: a segunda maior oferta pela futura região da Brasil Telecom, a do grupo Citi/fundos/Opportunity, venceu a rodada (ágio de 6,15%). Assim, foram automaticamente obrigados a sair da disputa pela Telemar. Quem ficou por lá? O consórcio engendrado por Jereissati e Andrade. Arremataram a empresa por 1% de ágio sobre o lance mínimo (você leu certo, é UM por cento mesmo).
Naquele dia mesmo, os compradores da Telemar anunciaram que usariam dinheiro emprestado do BNDES para quitar metade dos R$ 1,4 bilhão que teria de ser pago à vista pela operadora.
Dia 29 de julho de 1998. As 12 empresas do sistema Telebrás foram privatizadas por R$ 22,058 bilhões. Ao fim do leilão, que durou quatro horas e quatro minutos, o ágio médio chegou a 63,74% _ muito acima dos 17% esperados pelo governo e pelos mercados.
Do lado de fora da Bolsa de Valores do Rio, milhares de policiais e militantes de esquerda, contrários à privatização, se enfrentavam. Cerca de 300 pessoas foram presas e mais de 30 acabaram no hospital.
Como de costume, acredito, o chão-de-fábrica que estapeava os policiais e tomava bordoadas na cabeça não sabia que, lá onde o martelo fora batido, os representantes graduados do PT se cumprimentavam felizes. Por conta de manobras muito bem pensadas, o resultado do leilão calcinara o acordo entre FHC e o PFL, impulsionara os tucanos desenvolvimentistas e consolidara uma aliança muito proveitosa para os petistas com o grupo que comprou a Telemar. Melhor, impossível.
Números enganam bem menos que as palavras, por isso admiro quem tem familiaridade com eles. Mas, às vezes, a informação que chega por meio de algarismos é como uma cebola _ quando picada, traz lágrimas aos olhos. Aqui, na quinta e penúltima parte da análise sobre a compra da Brasil Telecom pela Telemar, você entenderá o motivo pelo qual digo isso.
A criação da Telemar, como descrito antes, permitiu a união de empresários locais com representantes dos fundos de pensão ligados à ala sindical do PT. O tempo mostraria, porém, que as ambições dos dois grupos para o futuro eram diferentes.
A idéia dos petistas era fazer com a Telemar, no longo prazo, algo semelhante ao que ocorreu na Vale do Rio Doce: os fundos de pensão manteriam o poder, ao lado de um forte sócio privado (o Bradesco, no caso da operadora; a Andrade Gutierrez, no caso da operadora).
Andrade, por sua vez, enxergou uma ótima oportunidade de unir forças em dois setores da infra-estrutura: a construção civil e as telecomunicações. Sua pretensão era (e é) criar uma plataforma conjunta, atraente o bastante para a exportação. O mesmo pensou Jereissati, acostumado a negócios imobiliários e comerciais.
Mas, antes que o descompasso entre os dois e os petistas ficasse evidente, o que só ocorreu nos últimos meses, a parceria rendeu. Os fundos de pensão puderam deixar a administração da Telemar nas mãos dos amigos e concentraram suas forças em recuperar o comando da Brasil Telecom. Em troca, colocaram muito dinheiro nas empresas dos sócios privados. Escrevi uma reportagem em 2005 sobre isso.
“Fundos injetaram R$ 950 milhões na La Fonte; valor é 86% do aporte da empresa na Telemar (desde 1998); Polícia Federal investiga se fundos bancaram sócios privados da tele.”
Nunca ouvi nada sobre o resultado desse inquérito. Você ouviu?
Seja como for, Andrade e Jereissati são dois ases dos negócios. Se, por um lado, o dinheiro dos fundos entrava, por outro, eles se tornaram grandes financiadores de campanha.
“Um dos principais acionistas privados da Oi e maior interessado na compra da Brasil Telecom, o grupo Andrade Gutierrez foi também o maior financiador do PT em 2006, ano com o último dado disponível. A construtora mineira doou R$ 6,4 milhões para o partido -dinheiro usado sobretudo para financiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de outras campanhas petistas. ...Além da doação ao partido, a Andrade Gutierrez doou R$ 1,52 milhão diretamente para a campanha de Lula em 2006. Para que a Oi possa comprar a BrT, é preciso um decreto presidencial mudando a legislação. O governo apóia a venda da BrT.”
O trecho acima consta de reportagem escrita por Leonardo Souza e Fábio Zanini, da sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo, em 13 de janeiro deste ano.
A melhor e mais ousada jogada da dupla, contudo, não foi na Telemar, embora muita gente ache que a compra a Gamecorp, empresa do filho do presidente da República, por R$ 5,2 milhões em 2004, um mês depois de ela ser constituída tenha ajudado.
Para mim, a tacada de mestre dos dois foi deixar a Telecom Italia, o Opportunity, os fundos e o Citigroup se engalfinharem pela Brasil Telecom. Quando todos os adversários estavam sujos, ensangüentados e enfraquecidos... Clap! Um único sopapo na orelha. Nenhum dos briguentos ficou de pé.