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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

E a festa do sorteio, quem diria...

Custou 30 milhões aos cofres publicos cariocas...

Show com artitas, que sinceramente estão a tempos longe das telinhas...

Atrizes e apresentadores da emissora da Globo em um evento que para ser planejado foi vitoriosa uma empresa do grupo...

Precisava mesmo terem gasto 30 milhões...quanto custará a abertura a título de comparação?

E é claro, não se pode esquece da cereja do bolo que foi o fechamento do aeroporto próximo, o Santos Dumont por seis horas para o barulho dos aviões não atrapalharem a emissão da festa...

Faz sentido, porque se orgãos do governo como o IPEA sustentam que os aeroportos não ficarão prontos para atender a demanda de pessoas viajando e voando; nada mais correto do que fechar o aeroporto para a tão preciosa festa do sorteio das chaves...assim a turma já vai acostumando...

Realmente, o pessoal da FIFA, da Globo e do governo são visionários e estadistas a seu próprio tempo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Jogos e jogos

O Brasil mais uma vez vestiu-se de verde e amarelo, com 190 milhões de para-técnicos a esperar que a seleção trouxesse o hexa-campeonato de futebol.
E o que ficou é que aparentemente, tivesse o técnico oficial dado ouvidos aos para-técnicos levando trio de ouro do Santos; é possivel que o resultado fosse o mesmo, mas ninguém poderia acusa-lo de nada não é mesmo? É possivel até que voltasse ao país nos braços do povo e frente da seleção para 2014.
Mas o que ficou foi a arrogância destituída de resultados que a explicassem (não justificassem).
A convocação da população para demonstrar patriotismo como se o selecionado fosse um esquadrão da FEB indo para campos de batalha no estrangeiro e tratando a imprensa que ali estava como representante desse mesmo povo, sendo tratada a pontapés, foi apenas o tom da verdadeira opera-bufa que a seleçao brasileira apresentou.
E nem se pode dizer que os resultados da primeira fase permitiram que Dunga agisse como agiu.
No fim das contas, o sujeito sai levando da CBF quase meio milhão pela rescisão, fora a enorme bolada recebida com os comerciais que fez para os patrocinadores.
Acho que tanto o selecionado quanto a equipe técnica deveriam atuar por resultado. Só ganha dinheiro e permissão de fazer publicidade se a equipe fosse vencedora. Perdeu, fica o resultado pela espécie de pro-labore que o técnico receberia. Quanto aos jogadores, como já recebem salários, só o fato de serem campeões seria o suficiente, já que a maioria deles usa a copa como vitrine para renovação de contratos.
Enquanto isso não ocorrer, é ridículo exigir patriotismo e amor as cores nacionais quando sequer um espetáculo em termos de jogo a população foi privada.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ponderações sobre a incoerência

É ruim ficar analisando questões políticas, porque em geral o que sobra e a sujeira presa no sapato, se é que me entendem.

Mas não posso deixar de analisar o discurso e o método por tráz dele; e refiro-me a ultima e mais recente fala do presidente Lula.

Em uma entrevista, afirmou que: "...Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de prender as pessoas em função da lei de Cuba, assim como quero que respeitem o Brasil...".

Porque chamo de incoerente o discurso?

Em primeiro lugar, se fosse uma questão de respeito ao regime judiciário e leis de um local ou época, seria o caso do próprio presidente e a grande maioria dos que recebem pensão por conta de terem sido "perseguidos" pela ditadura militar devolverem o dinheiro porque afinal de contas, embora errada e íniqua, a ditadura militar tinha um arcabouço de leis para se sustentar. Entretanto, como se tratou de uma ditadura de direita e as "vitimas" eram de esquerda, cabe-lhes todas as honras, pensões vitálicias e rapapés. Mas em Cuba, deve-se observar silêncio obsequioso porque a ditadura militar é de esquerda e as vítimas não sào vítimas, mas habitantes do sistema carcerário de lá.

Que se note: O atual presidente Lula era o antigo metalurgico presidente do sindicado que liderou as famosas greves no ABC que resultaram na sua prisão por cerca de 30 ou 45 dias. A lei na época não previa o direito de fazer greve. Na verdade a lei, na ditadura militar proibia a greve. Logo Lula foi preso com base na lei e justiça então em vigor e nem por isso, deixou de ser considerado prisioneiro politico tanto que recebe pensão vitálicia.


Em segundo lugar, existe a incoerência de decretar respeito a uns e a bradar a ira divina a outros, dependendo quem está levando o chute no traseiro. Por exemplo, quando o ex-presidente de Honduras teve sua deposição decretada com base na constituição de lá, estranha para nós é certo, mas aceita lá; logo ocorreu dentro do regime de justiça hondurenho; o governo brasileiro liderou as críticas, ataques e ações visando o retorno do companheiro deposto. Mas quando se trata de criticar um governo também de companheiros por abuso de direitos humanos, exige-se o respeito a justiça local mesmo que ela seja...inexistente.


Em terceiro lugar, existe o tão prezado sentimento de independência do imperialismo ianque. Como os EUA são críticos ao extremo do governo cubano, deve-se demonstrar independência indo na direção contrária
. Mas não existe o mesmo sentimento de independência ao se alinhar com o regime Cubano, que tem o direito de prender quem quiser ou o Venezuelano, que tem democracia até demais.

Em quarto lugar, existe o caso Batisti, no qual o governo se esforçou além do necessário para manter no país um terrorista condenado na Itália, acusando em primeiro plano , o suposto desrespeito aos direitos humanos por parte da Itália, uma democracia. Nem se deve considerar aqui que o sujeito teve direito a defesa até em cortes internacionais e presos cubanos sequer a julgamento; mas va lá; como o STF entendeu que cabe a extradição do marginal condenado, o executivo pelo andar da carruagem, o manterá no Brasil por questões humanitárias. Já os prisioneiros em Cuba não merecem sequer uma desagravo por questões humanitárias mas levam um pito no lugar além de comparações com marginais condenados no Brasil.

Se o presidente tivesse, sei lá eu, defendido o direito de Cuba de ter o governo que deseja, pouco importando se é uma ditadura ou um democracia, mas que deveria zelar pelos direito humanos libertando os prisioneiros de opinião; e usando seu próprio exemplo como gosta tanto de lembrar, que é criticado todo dia nos jornais mas tem mais de 80% de popularidade, ou seja, opinar não mata ninguem; ele seria aplaudido de pé, por todos e haveria uma espécie de unanimidade, nessa questão, como é do gosto dele.

Mas o que ocorre é que os jornais deram destaque a entrevista dele, os críticos desceram com razão o porrete, os defensores, especialmente na blogosfera militante fazem um silêncio obsequioso e logo surgirão postagens e comentários ora defendendo ora explicitando que houve distorção do realmente dito, etc e tal.

E por ai continuamos, tomando o cuidado de não sujar os sapatos, embora seja impossivel não ficar nauseado com o cheiro.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Incômodo

Dizem que os incomodados que se mudem, segundo antigo ditado. Mas quando o incômodo vem de ações e palavras de um ser digamos assim, composto e abstrato? Resta-nos então tornar claro esse incômodo. Se for só meu, é assunto meu mas se outros se sentirem assim, então deveria ser um assunto do incomodador.

Não tenho nada que ver com as posições do governo no caso de Honduras. É obvio que o já famoso "não sabia" ou "fui pego de surpresa" são usados apenas e tão somente para evitar a pecha direta de se intrometerem em assuntos alheios, o que aliás, é bom que diga, sempre foi a reclamação contra os "ianques", não é verdade?

Mas ao que parece é do jogo entre as nações, jogo esse as vezes bastante sórdido, que estados se movimentem a favor desse ou daquele por mais que os outros tenham talvez razão.

Logo, a posiçào do Brasil a favor do presidente deposto, deposto não por conta do duvidoso gosto por chapelões texanos, mas porque resolveu agir contra a constituição do seu país; não é isolada dos demais. O que incomoda são as ações de exacerbada rígidez quando não grosseria como exigir a saída do embaixador hondurenho da reunião de direitos humanos, ação levada a cabo tendo o Brasil a frente.

E daí?

Daí que o íncômodo venha justamente de ter assistido os mesmos personagens brasileiros assistindo o discurso grosseiro, mentiroso e preconceituoso do presidente do Irã na mesma comissão na ultima vez que se reuniram e não somente aplaudiram como tentaram fazer embaixadores americano e europeus participarem da reunião, coisa que se recusaram para não ouvir aquele monte de bobagens.

Mas o embaixador salvadorenho foi expulso da reunião porque o presente governo dele é "golpista".

Tem outra;

Os mesmos personagens tupiniquins se esforçaram em verso e prosa para mostrar a dignidade e acerto da decisão brasileira de recusar-se a condenar o governo do Sudão por conta do verdadeiro extermínio genocida em Darfur. Mas pra condenar a Honduras na OEA, ONU, comitê disso e daquilo, até nos clubes de bocha; não se mede esforços.

É só isso que incômoda. O resto só assusta quem ainda acha que o ser humano, incapaz de aumentar em um minuto que seja, o seu tempo útil de vida neste planeta, seja capaz de fazer o que é certo sem deixar um rastro de mortos pelo caminho.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Brasil cede ao Paraguai em acordo de Itaipu

O Brasil vai permitir que o Paraguai venda livremente sua cota de energia de Itaipu no mercado brasileiro, acabando com a obrigação de operar apenas com a Eletrobrás. Mas a mudança seria feita de forma gradual e estaria completa em 2023, quando o tratado entre os dois países será renegociado.

Com a concessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajuda na sobrevivência política do colega Fernando Lugo, acuado pelas revelações de que teve filhos quando era bispo. A avaliação no governo brasileiro é que, sem a compreensão do Brasil, Lugo não termina o mandato.

A nova proposta foi entregue na quinta-feira ao governo paraguaio pela embaixada do Brasil em Assunção. Segundo um dos principais negociadores, o Paraguai conquista a "soberania energética", enquanto o Brasil ganha "garantia de fornecimento" porque os paraguaios não poderão vender energia de Itaipu para outros países.

A medida se somará ao pacote para fomentar o setor produtivo paraguaio que Lula ofereceu duas vezes neste ano, que foi desconsiderado por Lugo. A expectativa é que os presidentes assinem um acordo sobre o tema na próxima sexta-feira, em Assunção, na reunião do Mercosul. Seria o fim a uma disputa que contamina as relações bilaterais e o bloco há 11 meses.

O assunto causou polêmica no governo, mas prevaleceu a posição do Itamaraty. O Ministério de Minas e Energia era contra, por temer aumento no preço pago pelo consumidor pela energia de Itaipu. A diretoria brasileira da binacional está decepcionada com a decisão.

O acordo só foi possível depois que o Paraguai trocou os negociadores. O engenheiro Ricardo Canese irritou o Brasil ao questionar a legitimidade da dívida de Itaipu e ao dizer que recorreria à arbitragem internacional. Lugo escolheu então o diretor-geral paraguaio da binacional, Carlos Mateo Balmelli, para cuidar do assunto. A proposta de entrada gradual do Paraguai no mercado livre brasileiro é de Balmelli.

A avaliação no governo paraguaio é que suas demandas foram atendidas. O único ponto pendente é o reajuste do valor pago ao Paraguai por ceder sua energia. O país consome apenas 5% da produção de Itaipu. Os negociadores brasileiros vão reapresentar a oferta de elevar dos atuais US$ 105 milhões para US$ 215 milhões. O Paraguai, que chegou a pedir US$ 800 milhões, espera que chegue a US$ 240 milhões.

O pacote traz ainda a criação de um fundo binacional e a abertura de uma linha de US$ 1,5 bilhão no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os recursos financiariam uma linha de transmissão de energia de Itaipu a Assunção de US$ 450 milhões.

No Itamaraty, a perspectiva é que o pacote será aceito. Com o gesto adicional do Brasil, Lugo poderia rotulá-lo como uma "vitória" de sua diplomacia e não mais como "espelhinhos e migalhas" do imperialismo brasileiro.

Fonte: Estadão

quinta-feira, 12 de março de 2009

A crise: Mera marolinha ou furacão tropical?

Ia escrever um texto sobre o assunto. Ainda mais considerando que otimismo é bonito mas não enche a barriga de ninguem; as previsões de que o crescimento será próximo de 0 e não 4 por cento como preceituava o oráculo Lulês; apenas demonstram o que estamos sentindo na prática.

Mas acredito que o texto de Reinaldo Azevedo seja quase definitivo sobre o assunto e por isso o transcrevo abaixo:

Quando Lula afirmou que o tsunami financeiro chegaria no Brasil como uma marolinha, o que vimos? Uma marolinha de indignação para um tsunami de tolice.

Alguns se calaram por interesse. Outros por burrice. E um terceiro grupo se deixou mover por uma espécie particular de estupidez: o pensamento mágico. Como economistas erram aqui e ali — a exemplo de meteorologistas (menos os do aquecimento global, que acertam sempre, especialmente quando erram), médicos e videntes —, houve certo receio de admitir que o Brasil está inserido na economia global. E se Lula estivesse certo? “Afinal, ele é um homem que costuma contrariar o óbvio e as estatísticas”, cheguei a ler. Em algumas áreas do neopentecostalismo lulista, uma seita que reúne uns poucos fanáticos, alguns calculistas e uma esmagadora maioria de vigaristas, a crise ganhou o selo de “psicológica”. Isto mesmo: o mundo estava sendo sacudida pela maior crise desde 1929-1930, mas o Brasil resistiria intacto. Convinha não contrariar Lula. Afinal, quem tem 80% de popularidade pode decretar: “A crise não existe”. E, no entanto, a crise está aí.

Conheço o peso da intolerância com a crítica. Já fui até mesmo enquadrado num grupo acusado de cultuar o “pessimismo sombrio”. Um pessimista sombrio é assim: Lula diz que a crise será só uma marolinha, e o vitimado por essa moléstia moral responde: “Ih, acho que não.” Como vocês sabem, este escriba não é especialista em economia — de verdade, os meus adversários têm razão: não sou especialista em nada. Só tenho certo apreço pela lógica, que me serve como a lanterna de Diógenes. Só sou mais discreto em público quando contrariado. Ela me ajuda a não cair no mentira de pessoas dedicadas ou à autoflagelação ou à auto-exaltação. Eu ainda era de esquerda e já me protegia dessa vocação de Lula para ser porta-estandarte da escola de samba de um homem só. Aliás, quando trotskista, via o Apedeuta como uma derivação teratológica da luta pelo socialismo; quando deixei de ser trotskista, passei a vê-lo como uma derivação teratológica pura e simplesmente. Adiante.

Lula passou alguns bons anos chamando para si a responsabilidade pelo crescimento da economia mundial. Em um dos seus muitos arroubos de vulgaridade acintosa, que passam por descontração à brasileira, chegou a dizer que Deus tinha mesmo privilegiado “esse baianinho”. Ressentido porque apontassem que, afinal, apenas surfava na onda do crescimento mundial, aceitou abrir mão do mérito de ser a causa das virtudes desde que o considerassem um instrumento de Deus. Lula é assim: se não é o primeiro entre os homens, reivindica ser ao menos ser a segunda pessoa da Trindade.

“Se Lula, e não a economia mundial, é a causa do crescimento, então continuaremos a crescer, certo?, já que Ele continuará no meio de nós”. Não houve uma só vez em que tenha feito aqui tal ironia que não fosse perseguido por um tsunami de estupidez adesista. Que conseguia se agigantar ainda mais a cada rodada de pesquisas que indicavam recordes sucessivos de popularidade.
“Aí, tá com inveja (???), né?”
“Aí, choooora, minoria”.
Arrogante, Lula se oferecia para dar conselhos ao então presidente dos EUA, George W. Bush. A propósito: há certo desconsolo no mundo, agora que o diabo se aposentou... Depois que Obama assumiu e que mais um demiurgo se viu confrontado com a realidade, o mago nativo baixo um pouco o farol da prepotência. Agora, ele não dá mais conselhos; apenas reza pelo Mago do Norte...

Não! Lula não era “a” causa do crescimento, o que implica que também não é “o” responsável pela crise. Esse negócio de culpar o presidente por crises internacionais é coisa de petista, de vigarice política que manda às favas o interesse do país e mira apenas nas estratégias de tomada do poder e de ocupação do aparelho de estado. As oposições não caíram nessa — o que não quer dizer que não tenham sido, também, omissas na crítica. Omissão devidamente compartilhada com boa parte da imprensa. Que não puxou as orelhas de Lula nem mesmo quando saiu proclamando: “Compre, compre muito; se você comprar, a crise ficará longe de nós”. Acabará sendo um dos responsáveis, aí sim, por muito desempregado endividado.

LULA NÃO É O RESPONSÁVEL PELA CRISE, MAS É O RESPONSÁVEL POR TER ENGANADO O PAÍS. Há dois meses, ele e Guido Mantega, ministro da Fazenda, ainda insistiam no crescimento de 4% em 2009, o que todo o mercado considerava um delírio. Mas sem alarido. Afinal, como é mesmo?, “Lula sempre contraria as estatísticas e as previsões”... QUEM NÃO ENTENDE A CRISE, OU MENTE A RESPEITO, NÃO SE PREPARA PARA ELA. Eis o ponto.

O tsunami chegou, sim, ao Brasil, e Lula não pode nos deixar a herança do crescimento. Ele se foi, tragado por fatores que estão fora do alcance do Brasil. Mas há uma herança que ele nos deixa. E ela tem a sua assinatura, a sua marca inequívoca, as suas digitais. LULA NOS DEIXA A HERANÇA DO DESCONTROLE DE GASTOS. E PROMETE GASTAR AINDA MAIS. Entre 2003 e 2008, o dispêndio com pessoal e encargos sociais no Brasil saltou de R$ 98,9 bilhões para R$ 130,8 bilhões; os benefícios previdenciários pularam de R$ 139,7 bilhões para R$ 199,5 bilhões; o desembolso com custeio foi de R$ 94,5 bilhões para R$ 164,1 bilhões. Parcela considerável dessa gastança foi decidida quando o mundo já dava claros sinais de desequilíbrio. O mérito de Lula é ter atrapalhado pouco o crescimento quando o mundo crescia. E seu grande demérito é ter elevado brutalmente os gastos do governo mesmo depois de a crise ter mostrado as fuças.

Não é só isso...
Nos jornais e nas TVs, economistas das mais diversas correntes imploram ao Banco Central ousadia no corte da taxa de juros. Mesmo alguns que sempre consideraram quase uma sabotagem qualquer crítica à política monetária passaram a ver na decisão do Copom uma tábua de salvação — e, de fato, não vai salvar grande coisa, não agora. A POLÍTICA MONETÁRIA É A MAIOR EVIDÊNCIA DE QUE GOVERNO E BANCO CENTRAL ESTAVAM COM UMA LEITURA ERRADA SOBRE OS EFEITOS DA CRISE FINANCEIRA NO BRASIL. Não se trata de crucificar ninguém, mas de admitir o erro. É um passo importante para que não se erre de novo. Durante alguns meses, o Brasil foi tomado por várias loucuras diferentes, algumas opostas, mas combinadas:
- Lula e Mantega diziam que a crise seria amena no Brasil, que cresceria 4%;.
- ao mesmo tempo, a Fazenda pressionava o BC a baixar juros;
- o BC dizia que o problema não eram os juros, mas os gastos (o que também é verdade) e decidiu demonstrar que ninguém dava pitaco no Copom: "Aqui quem manda é nóis";
- temerosos de que a independência do BC fosse maculada pela Fazenda, certos setores passaram a usar o acerto para justificar o erro: até que o governo não cortasse gastos, não dava para ser mais agressivo no corte dos juros. Os gastos tinham e têm de ser controlados, o que não quer dizer que os juros não tivessem num patamar irrealista.

Em suma, a leitura macroeconômica estava errada. Os vários agentes do governo não entenderam a natureza da crise. E quem poderia fazer a crítica ou se ausentou (setores da oposição) com receio da popularidade de Lula ou preferiu adotar como conselheiro o clichê do avestruz: “se eu esconder a cabeça, o perigo passa”.

E notem: não obstante as dificuldades, a irresponsabilidade continua — ou, então, a depender do futuro, urde-se uma grotesca mentira. Lula e a ministra Dilma Rousseff estão prometendo um milhão de casas de graça. É isto mesmo: de graça. Com pagamento meramente simbólico — e a candidata já avisou: quem não puder não vai pagar. Creio ser a primeira vez na história em que um agente financiador de um benefício apresenta como seguro ao financiado o direito ao calote. Nunca antes nestepaiz...

QUAL É O IMPACTO FISCAL DE TAL MEDIDA SE EFETIVAMENTE IMPLEMENTADA? O MAIS PROVÁVEL É QUE NADA ACONTEÇA. Se Dilma vencer as eleições, o PT cumpre a promessa se e quando puder. Caso o vitorioso seja Serra, os petistas botarão na rua os sem-casa para que o tucano cumpra a promessa feita pelo antecessor. Que não terá constrangimento nenhum em dizer que, como é mesmo?, seu sucessor encontrou “a prateleira lotada de projetos”. Quem se empanturra com projetos em prateira são as traças.

O PAC e a crise
Cada um com as suas ilusões. Eu alimento uma, confesso. Em algum futuro, não sei quando, historiadores se debruçarão sobre esses dias e, então, poderão elaborar alguma teoria sobre momentos da história dos países em que uma espécie de ilusão coletiva se sobrepõe à realidade.

O inexistente PAC — SIM, O PAC NÃO EXISTE — não foi vendido apenas como o maior programa de obras da história brasileira. Não! Ele também era, assegurou-nos Dilma Rousseff, o instrumento de intervenção anticíclica, que permitiria ao Brasil passar quase incólume pela crise. E essa irrealidade continuará a ser brandida pelos palanques. E boa parte da imprensa especializada continuará a ignorar os números do programa. Pode parecer impressionante, mas, até agora, boa parte mesmo dos leitores de jornais e revistas, ignora que aqueles R$ 500 bilhões do PAC, depois transformados em mais de R$ 1 trilhão, nunca existiram. Nem existirão.

Encerro observando que há uma boa notícia, sim: O BRASIL NÃO VAI ACABAR. Aliás, o Haiti ou o Sudão são a prova de que países não acabam nunca. Hoje em dia, eles nem mesmo quebram. Ou, de fato, nunca quebraram. Peguem o caso da Argentina: fosse uma empresa, teria fechado as portas na crise que depôs Fernando de la Rúa. E há, sem dúvida, como VEJA demonstrou na edição retrasada, motivos para apostar que a crise, por aqui, será bem menos devastadora do que em outros países. Isso, em si, é bom e demonstra virtudes da economia brasileira que foram sendo construídas ao longo dos últimos 20 anos.

Essa perspectiva não nos pode impedir de apontar os erros cometidos pelo governo: sua insanidade na escalada dos gastos públicos; sua perspectiva irrealista em relação à crise, revelada pela política monetária e pelas previsões equivocadas; sua irresponsabilidade ao estimular o “compre, que o Lula garante”.

É claro que não cabia a Lula e ao governo liderar o cordão do pessimismo.Mas o que pode ganhar um país com o irrealismo dos governantes?