terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Condolências

Expresso meus sentimentos para os familiares do jornalista Boechat, em razão de seu falecimento.

Eu era um ouvinte assíduo do jornalista na rádio e acredito que sua participação no programa Canal Livre tornava esse programa de entrevistas melhor do que o programa Roda Viva, ícone desse tipo de programa.

É de fato, uma pena essa perda, que não é só dos familiares, decerto os mais atingidos, mas de todos nós.


domingo, 10 de fevereiro de 2019

Uma vrz flamengo, flamengo até morrer...

É triste ver quando as palavras de um hino, se afastam do lírico e ganham as cores da realidade, curiosamente as mesmas cores do time, o vermelho do fogo e o preto da fumaça.

O acidente no centro de treinamento, trágico por si mesmo, adquire um tom mais triste porque as vítimas foram menores, que treinavam na base do clube, alguns, ao que parece, com grandes chances de se tornarem esportistas habilidosos e bem sucedidos. A coisa fica ainda mais triste quando se noticia que a grande maioria vinha de famílias pobres e o sucesso do garoto era a chance de futuro melhor da família.

A grande mídia passou os dias tratando do tema. torcedores fizeram vigílias no clube, abraçando-o. Não faltou os depoimentos emocionados de ex-jogadores do clube e de outros.

O que achei curioso nessa estória toda é que até o presente momento, a coisa foi tratada como se o incêndio tivesse ocorrido por combustão espontânea; ou consequência da forte tempestade do dia anterior, ou um tremendo azar.

Vez ou outra, a mídia noticiava que o local seria desativado.

Depois que as emoções passarem, a triste noticia dará lugar de destaque a outras que ocorrerão, normalmente negativas. Assim é a vida.

Mas deveríamos ficar atentos.

O incêndio que ao que parece começou no ar-condicionado; e o fato de que o local seria desativado, demonstra, pra dizer o mínimo, que o local não recebia manutenção adequada. Afinal pra que gastar dinheiro com manutenção e reforma se voce vai colocar abaixo a estrutura?

Mas é ai que surge perguntas: - Aonde estão os documentos que comprovam que de fato o local seria desativado? - Porque os menores de idade e a maioria egresso de famílias pobres se concentravam na estrutura que "ia ser desativada" e não foram transferidos para os prédios novos, dedicados ao time principal? Porque afinal de contas, os jogadores do time principal moram na cidade com suas famílias e os garotos da base, na maioria moravam ali, pelo que li nas noticias, porque suas famílias eram de outras cidades e mesmo estados.

O Clube recebeu uma grande carga de apoio e manifestações favoráveis. Mas o acidente não foi um azar da natureza, nem ato de deus. Foi claramente resultado da falta de manutenção e reforma e isso é relapso gerencial e ato falho humano.

O tom agressivo e até mesmo justificado que tem sido usado com a Vale no caso de Brumadinho, ainda não apareceu com o Flamengo.

Se as noticias demonstrarem que o que escrevi não procede, mudarei de opinião e farei outro post. Até lá, o clube Flamengo não merece minha consideração e lamento. As famílias das vítimas sim.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Brumadinho - O que deve ser considerado


No meio da emoção e da comoção, as coisas podem ficar misturadas. De pronto as redes sociais e a turminha mais a esquerda começou a ligar o caso á privatização da Vale ocorrida em 1997, portanto, lá se vão 21 anos.

Entendo portanto que vale a pena algumas considerações:

1. As vítimas do evento são todos os direta ou indiretamente afetados. No entanto, os únicos entes que não podem ser classificados como vítimas são a empresa, seus acionistas e diretores e o governo em todas as suas esferas.

2. Não, o evento não é resultado da privatização; porque se fosse assim , a P36, plataforma da Petrobrás que explodiu e afundou, jamais teria ido a pique com pelo menos 10 mortes e prejuízos ao meio ambiente.

3. O evento não é um acidente ambiental, como se voce sem querer, despejasse óleo de cozinha no jardim. O evento foi um crime ambiental e criminal, porque a empresa embora tenha o tamanho e a importância que tem, não se preocupou em substituir a tecnologia de represamento, que está em desuso praticamente no mundo todo, justamente pelo alto grau de perigo de acidentes. Se a empresa tivesse alterado sua operação, fosse exemplar nesse sentido e por um azar desses, ocorresse um terremoto de proporções suficientes para causar o derramamento da lama, ai sim, se poderia chamar de acidente ambiental.

4. A Vale deveria ter aprendido a lição com o evento de Mariana, que foi idêntico e em uma de suas empresas coligadas e as mortes e prejuízo que causou na época deveria ter feito a Vale eliminar o problema. Se ela estivesse nos EUA, a empresa teria pago milhões de dólares em indenizações e os diretores possivelmente presos. Aqui, sequer as multas ambientais foram pagas na totalidade e os sobreviventes moram acampados por casas que na maioria não saíram do papel.

5. O governo é culpado em suas esferas porque não fiscalizou com a atual lei ambiental em vigor, as instalações. Ao contrário, o ultimo governo estadual afrouxou as regras ambientais para Brumadinho. Não, não foi essa mudança que gerou o evento, mas o descaso da empresa em aumentar a produção, baixando as regras de exigências ambientais em um local cuja tecnologia recomendava prudência e não ousadia.

6. As regras ambientais são rígidas demais? - Sem dúvida. Um empreendedor gastar milhões de reais em estudos de impacto ambiental para obter licenças ambientais que levam 10 anos para serem liberadas e quando o são, o projeto está obsoleto o que exige novas licenças baseados em novos estudos que gastam outros milhões, é absurdo e precisa ser ajustado. Agora a fiscalização nas operações das empresas não pode ser tratada como comezinha ou para "inglês ver", porque é essa fiscalização que gera conforto para a população e credibilidade para a empresa.

Enfim, que os sobreviventes de Brumadinho não sejam tratados como cidadãos de segunda categoria como os de Mariana são tratados; que diretores e responsáveis técnicos respondam civil e criminalmente pelo evento; que a empresa pague a reconstrução de todo o entorno indenize com correção as famílias das vitimas e sobreviventes; que o governo fiscalize com lupa as operações da empresa e de outras similares é o mínimo que se espera.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

E lá vamos nós...BBB de novo

Não se luta contra os fatos. E gosto não se discute, quando muito é possível lamentá-lo.

E é fato que o produto "BBB" é bem sucedido. Diversos outros programas no modelo "reality" não duraram o que o veiculado pela Globo tem durado. O folego desse programa demonstra que existe gente que assiste e portanto o retorno financeiro das propagandas e patrocínio é mais do que certo, o que alimenta sua longevidade em uma espécie de moto perpétuo.

Também é fato que embora os "atores" do processo proclamem aos quatro ventos, que o evento é uma aula, que mudou sua vida e isso e mais aquilo; o programa nada mais é do que o antigo fuxico da candinha nos anos 50 e 60...aquela senhora que vivia na janela observando a vida dos outros e sendo uma espécie de central de notícias da vizinhança.

Também é fato que o programa apela para o que temos de mais inútil em nossa personalidade que é aquele desejo quase incontrolável de saber da vida dos outros e meter o pitaco sem se responsabilizar pelo resultado. Ou não é isso que ocorre cada vez que alguém vota ou escolhe isso ou aquilo para acontecer no programa, ou escolher quem sai ou quem fica?

Também se percebe o "sucesso" do programa, pelo fato de ter criado uma nova casta na sociedade, os "ex-bbb". O Brasil já tem até um astronauta, atualmente ele é ministro. Apesar da importância da primazia, ninguém o trata como ex-astronauta. Temos diversos vencedores de prêmios intelectuais internacionais e outros tanto, que são medalhistas de ouro no esporte. Ninguem é lembrado. Agora ex-bbb se torna uma espécie de ser apartado da sociedade comum, mesmo que nada tenha ou irá contribuir para a sociedade. No geral, dão entrevistas falando de seu trabalho que é aparecer em eventos vip.

Mas é assim mesmo. Se esse programa fosse sei lá eu, 16 músicos especializados em musica erudita disputando uma vaga na orquestra sinfônica de Londres, não passaria do primeiro. Como os telespectadores assistem para a) ver gente bêbada dando show, b) ver gente se pegando e declarando amor eterno, c) ver gente se pegando declarando juras de ódio e sangue;  é isso que recebem.

Uma olhada rápida nos realitys da televisão aberta e fechada, demonstra isso. Os mais longevos são no geral os que mostram bebedeira, barracos, confusão e sexo. Os que não se apegam nessa receita, curiosamente a mídia e a critica logo proclamam que o "programa" esgotou sua vitalidade, esta repetitivo e acabam sendo encerrados.

Enfim BBB 19... "os que farão barracos nos saúdam"

Tristes Tempos

sábado, 19 de janeiro de 2019

Sobre o novo decreto sobre armas

Acho que o assunto está sendo discutido muito mais pelo lado emocional e pelo tradicional "flaxflu" militante que outra coisa.

O decreto se analisado a fundo em relação a antiga norma muda apenas qual grupo de pessoas pode requerer a posse de arma e deixa de ser necessário apontar o porque precisa da posse. Além disso exige que se houver crianças. adolescentes ou pessoas portadoras de deficiência  intelectual no local, a arma deve ser guardada em um cofre ou local fechado a chave.

De fato o decreto, como redigido, permite a qualquer cidadão que cumpra com os requisitos da legislação atual (que não foram alterados), consiga a posse de uma arma devidamente autorizada.

Ocorre que...

Quais são os argumentos para tal mudança?

1. Promessa de campanha. De fato a campanha do atual presidente repetiu a exaustão essa promessa, agora cumprida. Em tese fica mais rápido o processo, porque a grande mudança de fato, foi trocar o julgamento da policia federal sobre a alegação de ter necessidade de se armar é justificada ou não, para a determinação que determinados grupos da população tem tal necessidade e ponto final. E os grupos apontados já eram os mesmos de antes, com uma mudança significativa, ao dar essa determinação para qualquer cidadão cujo estado apresentou uma taxa de 10 homicídios por 100.000 habitantes, ou seja, todos os estados da federação.

2. Direito a autodefesa. O argumento é que uma pessoa tem o direito de defender a si mesmo e a seus familiares e por isso não pode prescindir de uma arma de fogo.

3. Diminuição dos crimes. O argumento é que um meliante diante da ciência que o dono de uma casa que ele pretende invadir pode ter uma arma, vai dissuadi-lo de cometer o crime.

 O que entendo?

1. Sobre ser promessa de campanha. A mudança foi feita, a meu sentir, de uma forma tal, que em tese pouca coisa muda. Se de fato abre-se a possibilidade de qualquer cidadão comprar uma arma e tê-la em casa no seu estabelecimento comercial; ao mesmo tempo exige que a mesma fique trancada em cofre ou armário com chave. Ademais nada mudou por enquanto, no que tange ao porte de arma, ou seja, andar com ela na cintura ou debaixo do braço exige autorização da policia federal e as exigências para obter o porte não mudaram. Ou seja mudou para continuar tudo na mesma. Claro, essa é minha opinião e o ano a frente vai indicar se houve de fato aumento na compra de armas.

2. Direito a autodefesa. O argumento parte do pressuposto que a autodefesa só pode ser feita com um revolver taurus, um pistola bereta ou um rifle de ferrolho. Eu pessoalmente se tiver a chance de derrubar um meliante usaria o que estivesse a mão. Ademais ter uma arma em casa, guardada em um cofre...convenhamos...Se um marginal invade sua casa, 99% da população não tem o treinamento para manter o sangue frio, ir até o cofre, lembrar da senha de cara, puxar a arma, mirar e disparar. Isso é fácil de fazer na série walking dead ou nos filmes de ação. Na vida real é bem diferente.

3. Diminuição dos crimes. O marginal nada tem a perder, o cidadão de bem sim; daí que existe uma consequência plausível de que aumente o número de latrocínio, que basicamente é a morte da vítima em um assalto. Diante da possibilidade de em uma casa invadida haver armas de fogo, o marginal pode achar melhor eliminar a resistência e roubar com mais facilidade e adquirir mais armas.

Minha opinião...

O brasileiro não tem a devida educação para conviver abertamente com armas de fogo. O número de homicídios no Brasil indicam isso.

Mulheres são mortas sendo atiradas de sacada, por esganamento e facadas. Marginais atiram em aposentados para roubar correntinhas douradas. Homens, mulheres e crianças são mortas no transito, atropeladas por motoristas bêbados ou irresponsáveis. Outros são alvejados e mortos por conta de briga de transito. Dezenas com as cabeças abertas por canos em brigas de torcidas organizadas. Outras dezenas são espancadas por turbas movidas por ódio racial, sexual ou religioso.

Permitir que mais pessoas comprem armas, tem pouca chance de diminuir o quadro acima e grande chance de aumenta-lo.

O que faria diminuir o quadro é uma nova legislação criminal, no qual se possa ter a possibilidade de :

A. Pena de prisão perpétua sem direito a sursis e diminuições de pena para crimes de homicídio sem causa justificada, crimes de ódio, uso de menores para cometimento de crimes como vem ocorrendo no nordeste em janeiro, chefes de tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, contrabando de armas;
B. Fim das saídas em feriados;
C. Visitas sem possibilidade de contato mesmo para advogados e com as visitas registradas em video e audio, no caso de advogados sem audio;
D. Construção de presidios apenas em áreas de caatinga, no meio da bioma amazônico e áreas rurais distantes das cidades, com quarteis do exercito no entorno;
E. Celas individuais para dormir, sem televisão e rádio e o resto do tempo trabalhando e estudando (o trabalho servirá para reduzir os custos do estado e não servirá para diminuir tempo de pena. O estudo será ensino básico, colegial técnico e faculdade a distancia visando proporcional ao preso capacidade de ser absorvido no mercado de trabalho);
F. Depoimentos de presos somente por video conferencia sem a necessidade de transporte de presos com gastos de recursos e uso de efetivo policial.
G. Menores delinquentes presos, não serão libertados aos 18 anos mas incorporados automaticamente ao exercito no serviço de fronteira obrigados a servir no mínimo 5 anos sem saídas.
H. Tornar definitiva na legislação, que após decisão colegiada de segunda instância, a pena começa a ser cumprida, já que recursos posteriores não tem o poder de mudar decisões sobre condenação ou absolvição, salvo se forem apresentadas provas novas ou fatos supervenientes.





segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O caso do terrorista condenado italiano e o fim da novela

O sujeito nos anos 70 participou nos assassinatos de 4 cidadãos italianos. Segundo o sujeito, eram alvos da célula terrorista do qual participava. Segundo as leis italianas, tratou-se de crime comum, independente das posições politicas do sujeito. Condenado, seus advogados entraram com recurso que foi julgado e a decisão manteve a condenação. Seus advogados foram para a comissão europeia de direitos humanos e essa decidiu contra o sujeito.

Alegou-se depois que os julgamentos foram de exceção porque o sujeito foi julgado a revelia, sem sua presença. Ocorre que o sujeito fugiu para o México e de lá para a França, países que à época possuíam governos de esquerda. Ou seja, foi julgado a revelia (embora todo o processo tenha sido feito com seus advogados), porque o pilantra fugiu.

Quando os governos mudaram e entrou na parada governos ditos de direita, o bandido condenado faz as malas e foge para o Brasil com documentos falsos (atenção: isso significa que cometeu mais dois crimes, aquisição de documentos falsos e seu uso e a entrada ilegal em outro país). Por aqui viveu sossegado até ser preso e;

Ai começou a palhaçada. Solicitou asilo politico e embora todos os setores técnicos do governo, então governo Lula, decidissem em contrário, o ministro da justiça resolveu se tornar revisor não só da corte de primeiro grau italiana, mas de seu supremo e da comissão europeia de direitos humanos, afirmando que estavam errados. Afirmou com todas as letras que ele matou, mas tinha uma agenda politica. Ou seja, o então ministro não disse que ele matou por causa de sua agenda politica, mas que matou e tinha uma agenda politica e como essa agenda politica era por óbvio do agrado dele, então concedeu o asilo. Foi além e resolveu reescrever a história afirmando que os julgados se deram em um governo de exceção, quando na verdade a Itália vivia uma democracia, lutava arduamente contra uma guerrilha terrorista e o governo era liderado por um partido de esquerda.

O STF foi provocado e decidiu que o asilo como posto era ilegal e que a decisão era soberana do presidente. Lula então no ultima dia de mandado, pra mostrar que era o dono do país concede o asilo, mandado as favas o acordo de extradição com a Itália.

Com a mudança de governo, o bandido condenado italiano fez o que já havia feito no México e na França, fugiu, indo para a Bolivia. Lá foi preso e como o país não tem acordo de extradição com a Itália, já que o sujeito é natural da Itália, o expulsou sendo entregue às autoridades italianas.

Já em solo italiano vai começar a cumprir a pena pelos 4 homicídios praticados.

Já foi tarde...

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

FEBEAPA versão 2019

O brasileiro de um modo geral tem memória curta ou não concatena a que possui com os fatos e contextos.

Então é preciso apontar alguns conceitos prévios.

O primeiro é que por definição, a direita é truculenta, no discurso e no mais das vezes na prática do mesmo. Já a esquerda é intransigente no discurso e na prática do mesmo.

O segundo é que não se pode confundir direita com democracia e esquerda com ditadura. A França vive um ditadura com o governo oscilando da esquerda para direita e vice versa. A Itália também. E a história ensina de forma lapidar que tanto direita quanto esquerda podem produzir ditaduras extremamente mortais. A Alemanha nazista, a Itália fascista, a Espanha fascista nos anos 30 a 40, boa parte dos países da América do Sul nos anos 70 e 80 são exemplos de ditaduras de direita, e todas elas terminaram e os países em questão vivem sob regimes democráticos. Russia, China, Vietnam, Camboja, Cuba, são exemplos de ditaduras de esquerda, algumas em vigor até hoje. Em todas elas, sem exceção a ideologia foi colocada a frente do estado e o mesmo foi instrumentalizado para executa-la e resultou em milhões de mortos. MILHÕES DE MORTOS. E não se trata de milhões por questão de guerra, mas milhões de seus próprios cidadãos, seja por perseguição política, racial, religiosa como também, pela fome.

Porque não se pode esquecer os conceitos? Porque a esquerda no Brasil, enquanto lutava pelo poder (derrubar a ditadura militar para no lugar implantar uma ditadura do proletariado) sempre foi intransigente, preconceituosa e machista. A denominada luta pelos direitos da mulheres e do LGBT nunca foi bandeira da esquerda, ao contrário. Entre os anos 60 e 70, enquanto Cuba era o centro de treinamento da guerrilha de esquerda no Brasil, os homossexuais cubanos eram enviados para campos de concentração e até o inicio da década de 90, os cubanos que contraíssem aids sofriam segregação. A China deixou de criminalizar o homossexualismo no inicio da década de 90 e a China é uma ditadura de esquerda desde o final da segunda guerra.

Como a esquerda, no Brasil, perdeu a guerra quente com a ditadura militar mas ganhou a guerra de marketing, ela se manteve viva no "ideário" e comprou para si, a fantasia que lutava pela democracia e pela liberdade. E para dar verossimilhança ao discurso foi preciso dar guarida a luta de minorias, das mulheres, etc e tal. 

E agora, depois de um ciclo de praticamente 16 anos, a denominada "direita" está no poder e o discurso de campanha foi todo calcado nas antigas discussões de direita e esquerda, comunismo, direitos das minorias. E o que se percebe é que os conceitos acima apontados continuam válidos. O discurso é agressivo e as demonstrações em especial do primeiro escalão apontam para essa truculência. E a esquerda é intransigente. Da mesma forma que foi intransigente quando não era governo, mantem o discurso e a postura da intransigência agora.

Mas porque FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País? 

- Porque a truculência da direita no discurso cria motes e discussões que nada tem a ver com esquerda. A fala sobre azul e rosa não tem sentido nenhum nem mesmo como alegoria como tentou se explicar depois a autora da fala. E a esquerda? Sua intransigência apareceu com adultos e adultas vestindo azul ou rosa, como se a ministra tivesse se referido a adultos, quando na verdade se referia crianças e indo um pouco mais longe; estava longe de se referir a vestes literais, porque seria de se perguntar o que faríamos com o branco, bege, amarelo, verde,  laranja. 

- Porque quando voce defende que não pode haver ideologia de gênero, então voce deveria defender que crianças devem ser protegidas até terem idade suficiente para entender as questões relacionadas. Quando fica na criação de motes como esse do "azul/rosa" está simplesmente trocando uma ideologia liberal na falta de palavra melhor por uma conservadora.

Não existem registros de diminuição de direitos de mulheres ou gays nos países democráticos, sejam seus governos de viés de direita ou de esquerda. Essa situação existe mais profundamente nos países de maioria islâmica. Logo, não se pode esperar do atual governo, que direitos sejam eliminados, ou que as pessoas passem a usar triângulos com cores a depender de sua ideologia ou "crime".

Mas o discurso agressivo da direita e a intransigência da esquerda, podem acarretar em aumento da violência, das agressões. É sintomático que no ano passado aumentou as denuncias de agressão contra as mulheres. 


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Em tempos de ataques a mulher e ao feminismo...

Alguém, algum dia, vai conseguir me explicar.

Vivemos um tempo em que as mulheres são cada vez mais vítimas de violência doméstica. O feminismo, no sentido da luta para proteger direitos e buscar graus maiores de igualdade está   sob ataque, como se fosse uma coisa da esquerda estúpida a ser combatida a todo o custo.

Mas o que fazem os canais abertos de televisão? Tem uma visão preponderantemente machista e isso se percebe na grade da programação.

Olhando a grade dos canais abertos, percebi algo interessante na programação do período da tarde

Record = novelas
Band = O melhor da tarde com Cátia Fonseca
SBT = Fofocalizando e casos de familia
Rede TV = A tarde é sua com Sonia Abrão
Globo = Filme e reprise de novelas

E daí?

Bem, em primeiro lugar, lembrem-se que a principal, aliás a grande fonte de receita de um canal de televisão são os anúncios e propagandas.

Preços de veiculação de comerciais nos horários fora da denominada faixa nobre são mais baratos e na madrugada, mas baratos ainda, pois se depreende por questão lógica que o número de pessoas, logo possíveis compradores, que assistem televisão nesses horários é muito menor que no horário nobre. Dai a necessidade das emissoras de não "errar" na programação e conteúdo no horário nobre.

Mas o que ocorre no período da tarde nos canais abertos?

Ocorre que há muito tempo, décadas, o horário da tarde é considerado um horário em que as "donas de casa" assistem a televisão. E como se vê acima, com exceção da Globo em certa medida, as emissoras criam programas que "entendem" ser do interesse da "mulher".

Na Band, O melhor da tarde traz culinária, artesanato e reportagens sobre a vida de "celebridades" e tem um grande espaço de merchan ou de propaganda de produtos, em grande parte voltados para mulheres.

No SBT, o Fofocalizando, um programa que, sinceramente, achei deplorável. Se dedica a como o próprio nome do programa auto afirma, trazer fofocas sobre a vida de celebridades e pseudo-celebridades. São 4 a 5 sujeito sentados em um sofá dando opinião sobre a vida dos outros. É seguido de outro programa com casos armados no estilo mundo cão, aonde supostas famílias se expõem com uma irmã e uma mãe reclamando da filha mais velha que é periguete ou vagabunda; ou do marido que não trabalha e vive as custas da mãe...É um show de horrores piorado pelo fato dos supostos filhos, pai, mãe, etc aparecerem em outros programas fazendo outros "papeis".

Na Rede TV, o A tarde é sua com Sonia Abrão é uma espécie de mash-up dos anteriores citados. Trabalha em cima de fofoca sobre celebridades e pseudo-celebridades e reportagens que acha ser do interesse das mulheres. Hoje se dedicou a mostrar celebridades acima dos 40 anos que possuem corpos bem cuidados. Seria interessante ela mostrar celebridades acima dos 40 anos destruídas pelos tempo, não é... É claro, amplo espaço de propaganda para produtos voltados para mulheres. Ahh, ia me esquecendo, esse programa em particular é uma espécie de programa parasita de reality shows, especificamente o big brother da Globo e a Fazenda da Record, discutindo e acompanhando esses como direi "eventos".

Para quem não sabe, boa parte dos salários dessas apresentadores vem de participação nas propagandas.

E é claro, se existe espaço para propagandas e esses espaços estão tomados é porque essas empresas tem retorno do investimento.

E ai é que vem a pergunta. A mulher brasileira, dona de casa, que parece ser o alvo desses programas, realmente só se interessa por fofocas de celebridades, culinária e artesanato?

Porque salvo engano, essa mulher é dos anos 50 a sei lá eu 70, aqui no Brasil. Que passava a tarde fazendo tricô e crochê e preparando o jantar do marido.

Em 2018 acho incompreensível que esses programas tenham tanto espaço.





sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A necessidade profissional de aparecer e a mascara do vitimismo

Eu não sei o que o eventual leitor pensa, mas fico impressionado com a capacidade de alguns de usarem a mídia, da mídia fazer dessa gente noticia e o pior, ter quem compre essa noticia. Afinal se não houvesse consumo disso, não haveria exposição o que não levaria esse pessoal a fazer uso da mídia.

Olhando os sites de noticias da uol, me deparei com uma nota. A nota é a "opinião" dada em uma rede social de uma mulher. A opinião dela, descrita como desabafo era que já havia sofrido preconceito por ser "bonita".

Eu fiquei imaginando, mulheres de aspecto "feio", se juntando em uma turba para lincha-la. Ou vendedoras de loja fazendo piquete e se recusando a atende-la. Talvez recusada em um busca de emprego com os administradores com esgar de escarnio dizendo que só contratavam inteligentes. Mas ficou na imaginação. O que provavelmente aconteceu, foi aquele coisa típica de adolescente, a chamada inveja da "gostosa" que atrai os olhares da molecada. Chamar isso de preconceito é dar um tapa na cara das gentes que realmente sofrem preconceito e real na vida; dos gordos que não podem passar nas roletas, dos negros que são parados pela policia só por serem negros; dos moradores de rua.

Mas como a pessoa em questão vive de imagem, já que a referencia mais antiga remete a ser dançarina em um programa de televisão; é preciso alimentar as "aparições" e dá-lhe redes sociais e como existe "muita concorrência" nesse mercado é preciso apelar para bobagens.

E é curioso, porque estando em relacionamento amoroso com uma pessoa trans cuja família exibe sua "intimidade" em um reality show; ela poderia reclamar do suposto preconceito com o fato de ser gay, já que se relaciona com uma mulher que está fazendo tratamento para se transformar em homem; mas não usa isso. E talvez nem poderia, porque o "sucesso" deles advém justamente do fato de saberem usar essa situação a seu favor na mídia. O que resta? Alegar sofrer preconceito por ser bonita ou usar biquíni.

Seria o caso de dizer "só rindo mesmo" mas é somente deplorável.

Up to Date: Lendo os "jornais", hoje (07.01.19) apareceu outra. Uma cidadã brasileira que vive da imagem se sentiu ofendida com um, atenção, um comentário dizendo que ela parecia um monstro com tantos músculos. É curioso. A pessoa se expõe nas redes sociais e deixa aberto o espaço de comentários e logicamente, aceita os elogios e cantadas. Mas quando alguém expõe opinião contrária, ai a comentarista é violenta e agressiva.

Não trata de perseguição e agressividade. A pessoa em questão podia se expor e esse é seu principal motivo; mas poderia se poupar de comentários sejam bons ou ruins. Mas quando abre os comentários é porque o ego deseja os elogios e qualquer opinião contrária vai contra seus objetivos. Daí, a pessoa novamente se expõe na condição de perseguida e vítima.

Tristes Tempos!!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Sobre o flme Bird Box

Não assisti e pra falar a verdade, não me senti motivado a tanto.

Como sou um leitor e telespectador curioso, li a sinopse, as criticas, etc.

Trata-se de mais um filme apocalíptico da vertente "invasão alien". Os invasores são seres de tal sorte medonhos que uma vez visualizados, os humanos sãos ou supostamente sãos, se matam e os loucos se tornam instrumentos; como mais a frente o medonho se traveste de ente queridos perdidos...O filme optou por não mostrar os invasores, embora em uma determinada cena, desenhos feitos por um "enlouquecido" deem uma idéia da coisa; porem...é preciso um senão.

O filme e o livro não explicam. De uma hora para outra a visão do horror ou de ente queridos perdidos levam as pessoas a se matar. Os loucos e psicóticos no entanto, não são afetados pelo horror mas acabam sendo instrumentos dos "invasores", de forma a forçar os "normais" a enxergar a beleza. E nesse ponto, como não se explica, tanto podem ser aliens, quanto espíritos ou demônios, reais ou aqueles internos. Ou seja, entenda como quiser.

O nome do filme vem do fato de que pássaros avisam que os "invasores" estão próximos. E na parte final, a personagem principal solta pássaros de um caixa, por se sentir segura.

No livro e o filme deixou de lado, os cães tem reações com as "coisas".

O filme não é um registro exato do livro e nem poderia sê-lo mas além de diferenças de personagens ou a inexistência de alguns, o filme destoa mais no final que possui um tom mais positivo que o livro. O filme mostra que ela se refugiando em uma escola para cegos, mas o livro mostra que o refugio no final é formado por pessoas que furaram os olhos para não correr riscos.

Existe uma explicação bem psicológica. O filme trata da cegueira que uma doença de cunho mental traz para a pessoa. No caso, depressão pós-parto meio que se justifica no processo, já que a medica dela está no refugio, o uso de uma peça azul a todo o momento, menos no final quando ela demonstra real afeição pelos filhos. Ou seja, o uso de alegorias para explicar os horrores das doenças mentais.

Ocorre que...

A questão principal do filme (a perda da visão), já teve tratamento em outro filme, "Ensaio sobre a cegueira", e me pareceu muito mais intrigante, já que a falta da visão levou aos homens a colocar a frente seus instintos mais primitivos e os dotes da civilização logo são deixados de lado. Embora o livro e nesse aspecto, o filme, não tivessem por objetivo descrever um mundo apocalíptico; mas como o "não enxergar" faz parte da natureza humana em especial no que diz respeito à relação com o próximo; é impossível não lembrar dele e perceber sua superioridade.

Mas se ficarmos apenas no nicho "filmes pós-apocalípticos"...

Há pouco tempo, em abril deste ano, foi lançado o filme "um lugar silencioso". Mesma coisa, mesma temática, na qual uma família acha refugio em uma fazenda, de um mundo que foi invadido por aliens, mas o sentido atacado no caso é a audição. No caso, os aliens que são cegos atacam qualquer ponto de origem de sons, daí a necessidade de absoluto silêncio. Dito de outro modo, para sobreviver não se deve falar e tudo deve ser feito com muita calma e sem barulho. No caso de Bird Box, para sobreviver, se deve abrir mão da visão.

Nos dois casos, abrir mão de um dos sentidos para sobreviver em um mundo sem a ordem civilizatória é o cerne dos filmes e dai a sensação de deja vu.

Tem mais, como a origem das "coisas" não é explicada e sequer elas aparecem, outra ligação impossível de não ser feita é com o filme "Fim dos tempos", mais antigo no qual os humanos se matam, atacados pelo que se vê depois, pela "natureza", com o vento levando uma espécie de pólen ou feromônio que ataca os humanos, os levando a se matar. A solução é abandonar os grupos humanos e se isolar até passar a devastação, o que vai contra o credo civilizatório de que vivemos e nos protegemos melhor vivendo em coletividades e ajudando uns aos outros.

Logo, guardadas as proporções, Bird Box é uma mistura de "Um lugar silencioso" com "Fim dos Tempos".

Não fosse pelo inusitado de não ser produto das grandes empresas produtoras mas da Netflix, um empresa de stream e possui um estrela de primeira grandeza no elenco, Sandra Bullock, é possível que esse filme passasse despercebido. Ou se o roteiro fosse condensado devidamente, poderia ser um belo episódio de Black Mirror








Algumas questoes sobre o João que não era de Deus...

Antes de qualquer coisa, o que se pretende é apontar algumas questões sobre um caso recente de crimes sequencialmente praticados sob o manto da religião; e não atacar essa ou aquela religião.

Isso posto...

  1. João de Deus é um médium que atua curando espiritualmente pessoas que o procuram por pelo menos 40 anos. 
  2. João de Deus "incorpora" espíritos que curam as pessoas que o procuram desde que ele se iniciou na religião.
  3. João de Deus, por orientação do considerado "papa" do espiritismo, Chico Xavier, já falecido, se estabeleceu em Goiás e alí ficou até hoje.
  4. João de Deus, sabe-se lá porque, se tornou o médium preferido de politicos e de artistas, criando fama internacional com a entrevista para a americana Oprah, que notoriamente é forte formadora de opinião através de seu programa na televisão americana.
  5. João de Deus, através de sua base de atuação, possuía acordos comerciais com a Federação Espírita Brasileira para publicação e venda de livros.
  6. João de Deus tornou-se fonte de renda para essa Federação e se tornou um homem milionário.
  7. João de Deus foi preso em regime preventivo, após dezenas e agora centenas de mulheres relatarem terem sido vítimas de abuso sexual, e com isso se descobriu até agora que o mesmo é como já dito, milionário, guardando em bunkers construídos em suas casas mais de 1 milhão de reais, armas sem registro e as denúncias apontam para relacionamento com outras áreas criminosas como o garimpo clandestino.
  8. No auge do caso a Federação Espirita Brasileira, publicou notas na imprensa dizendo que não apoia "curadores" que agem sozinhos com os pacientes e sempre precisa ter alguém junto. Que não é espirita quem não segue as regras da Federação e que o médium perde a mediunidade se sua atuação é baseada em ganancia e desejo pessoal.

Esses são os fatos em resumo sobre o tal João de Deus.

Ao acompanhar o tema na mídia, não foi difícil perceber que algumas questões se levantam naturalmente e não vejo quase ninguém fazendo essas perguntas.

A primeira que percebi logo de cara, foi o silêncio que em especial os artistas estão fazendo. É obrigatório lembrar como a classe artística, em especial as mulheres, foram rápidas em se posicionar na campanha do "ele não" em relação a eleição de Bolsonaro. E o eventual leitor pode concordar ou não com isso, mas elas tinham o direito de se posicionar, como fizeram. Também rapidamente me vem a mente, as artistas se posicionando no "mexeu com uma, mexeu com todas", a versão tupiniquim do "me too", no caso de assédio que atrizes e profissionais de televisão sofreram de atores e diretores. E esse movimento é importantíssimo para se criar uma cultura de respeito a mulher, tão em falta hoje em dia. Entretanto, muitas das artistas que se fizeram presentes nas duas campanhas e que já foram ao centro do João de Deus receber tratamento ou passes, estão praticando um silencio obsequioso até agora e a falta de apoio dessas atrizes às vítimas do João de Deus é inacreditável. 

A segunda é a rapidez com que essa Federação tratou de se descolar dos fatos, com uma explicação pra lá de interessante que pode ser resumida assim: o sujeito não é espirita porque não seguiu a orientação da federação. Não é medium, porque a mediunidade se perde. dito de outro modo, o "espirito" se afasta do sujeito se ele não tiver boas intenções. Faltou a essa entidade apontar em qual livro ou normativa, entregue ao tal João de Deus, o informava das orientações e porque ela não as tornou públicas desde o inicio. Também faltou a entidade explicar que se o sujeito não é espirita por conta disso, porque ela manteve as relações comerciais com sua base. E por fim e não menos importante, porque nenhum desses espíritos de luz que se afastaram do dito João de Deus não avisaram a entidade do desserviço que o sujeito estava fazendo a causa.

A terceira é o tratamento da mídia e a reação da população. Fosse o sujeito um pastor evangélico, as esquerdas estariam se esgoelando na mídia e nas tribunas contra o fundamentalismo cristão e seu apoio a Bolsonaro e a involução dos direitos humanos e das mulheres e por ai afora. Não faltaria quem apontasse as igrejas evangélicas, no geral, como centros de crime organizado e que as ditas curas são teatro para apanhar os incautos. Como se trata de um espirita, ai existe todo um cuidado de se separar a religião do criminoso. Mal comparando é o que ocorre quando islâmicos praticam atentados e logo a mídia corre para separar a religião dos criminosos. E talvez isso se explique por ser uma religião de origem não cristã e ter "sofrido" preconceito da denominada "cultura católica", embora o sincretismo e o tráfego de conceitos se fizeram e fazem muito comuns no país. Mas que são formas distintas de reagir isso são e isso, não se discute.

A quarta é o modus operandi do sujeito. A escolha das vítimas demonstra que tudo era conscientemente planejado. Todas elas eram mulheres desconhecidas, sem acesso a mídia e adeptas da fé que se sujeitavam ao que o "cavalo" do espirito de luz dizia ser necessário. Ele não abusou de nenhuma artista famosa ou gente com acesso à mídia e televisão. E isso não enfraquece a denuncia, mas a fortalece, pois se o sujeito tivesse se esfregado em uma juliana paes ou xuxa da vida, elas teriam botado a boca no trombone na mesma hora. A atriz e cantora Alessandra Maestrini
 afirmou que ela poderia ter sido uma vítima. Ledo engano. Afinal o médium usava as famosas e famosos para ter visibilidade e usava as não famosas para saciar seus desejos.

A quinta é que a memória quase de imediato linka com o caso do médico Roger Abdelmassih que por conta de 52 casos de assédio contra 39 mulheres, foi condenado a mais de 180 anos de prisão e cumpre a pena em prisão domiciliar. E como praticamente todo mundo já esqueceu dele; é natural que mais cedo ou tarde, o mesmo ocorra com o tal João de Deus.

A sexta é de fundo religioso. Se o sujeito curava as pessoas, ou era efeito placebo ou de fato havia a intervenção de forças superiores. Se o sujeito estava sob controle dessas forças superiores e pela teoria são seres de luz e bons, porque não impediram o "cavalo" de atacar as pacientes? Se era efeito placebo, o sujeito de fato estava a praticar medicina sem ser médico o que é mais um crime a ser averiguado.

Se como disse a Federação Espirita, o medium perde o "poder" se usar para o mal, por assim dizer, porque esse "espíritos de luz" não alertaram outros médiuns sobre os crimes cometidos, sob o manto da religião e que se afastaram do dito cujo? - Ou, e isso é uma alternativa, se voce se basear no cristianismo bíblico; os ditos espíritos não eram de luz.

De qualquer forma, mais um criminoso que usando poder e controle fez centenas de mulheres vitimas.






quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Liminares pra cá...Liminares pra lá...

Tirando toda a bobajada militante pró-lula, o movimento de liminares e anulações no STF a respeito da prisão após segunda instância, não passa de firula e jogo pra torcida, na minha opinião. Explico o porque dela: O ministro Marco Aurélio é o relator de duas ações contestando a inconstitucionalidade da prisão em segunda instância. O ministro em questão é contrário a esse procedimento e neste sentido o faz por fazer uma leitura da letra fria da lei. Ocorre que...Essas duas ações estão colocadas para julgar ao menos desde o ano passado. E se antes não havia nada no caminho, desde abril deste ano, o ex-presidente Lula, que está preso por ter sido condenado em segunda instância, é o nome mais famoso entre os presos e há por certo o componente politico na decisão do juiz. O problema, a meu sentir, é que se havia grave prejuízo a ser combatido com a emissão de uma liminar que cancelava as prisões em segunda instância, porque não a emitiu antes, quando a então presidente do STF entendeu que não iria pautar as ações tão cedo, porque o tema já havia recebido a atenção da corte em três ocasiões distintas (me poupo de tecer comentários se haviam ou não outras razões, de outras ordens)? E porque a emissão da liminar se o atual presidente pautou as ações para julgamento para Abril de 2019? E porque a emissão da liminar em horário tal que seria impossível reunir a corte, já que a mesma entrou em recesso e nesse caso cabe ao presidente decidir sua revogação, anulação ou aquiescência? A mim, o ministro emitiu a liminar sabendo que o presidente do STF seria provocado a revoga-la. Ao faze-lo o ministro se torna alvo das esquerdas, agora em posição de defesa com a entrada de um novo governo, que não pode ser chamado de companheiro. Ao mesmo tempo, cria uma imagem de zelo pela constituição em tempos que a mesma tem sido deixada de lado em muitos casos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Carrefour, animais, crimes menores e maiores

Voltei ao blog. E o tema é uma somatória de achismos, erros e verdades incompletas. Em tempos de fakenews, todo cuidado é pouco na hora de ler noticias e apostas em fontes. E o que temos? 1. Uma rede de supermercados que possuem como é natural, um grupo terceirizado de colaboradores: vigilância, limpeza, caixas, etc. Para o público e consumidores pouco importa. Dentro das dependências da empresa ou voce é um consumidor/cliente ou você é um funcionário e se é funcionário voce é a cara da empresa e o que voce faz, na verdade é a empresa que está fazendo. Dito de outro modo, se voce já foi recepcionado por uma caixa nervosa que lhe tratou mal, a empresa lhe tratou mal, porque a fonte pagadora daquela profissional não diz respeito aos clientes. Ok até aqui? - Conclusão lógica: a atitude do vigilante de eliminar o animal, não importa se por iniciativa própria ou por ordem indireta do chefe como se alegou de inicio foi uma atitude da empresa e errou o Carrefour quando de inicio querendo se livrar jogou a culpa no terceirizado. 2. Crimes são crimes. Esse é de pouca monta, por se tratar de um animal. Mas partindo pras hipóteses: E se fosse um crime mais grave, o estupro de uma mulher, o roubo de um veiculo, o espancamento de um morador de rua que tentasse entrar no local para pedir comida? A teoria das janelas quebradas se faz presente aqui. O descaso com a morte do animal, de forma cruel e desnecessária, deixada pra lá, se permite olhar com desdém para outros crimes que possam vir a ocorrer. Não se trata de valorizar a vida do bicho acima do homem, mas ao tratar a vida do bicho sem valor, acabamos relativizando o valor da vida do homem. 3. O Carrefour errou no tratamento da questão. Errou na questão do tratamento de situações adversas quando ficou emitindo notas à imprensa tentando fazer de conta que a empresa nada tinha com aquilo. Errou na questão de treinamento de seu pessoal que não soube lidar com a questão do transito de animais em locais que exigem um mínimo de asseio e limpeza. Errou ao não emitir a ultima nota, correta, desde o inicio. Errou ao não abrir investigação interna e procedimentos administrativos mas aguardar pronunciamentos da policia. 4. Ai começam as boatarias. A fonte menos crível que se pode ter são funcionários da empresa. Por óbvio defenderão a empresa e na era do fakenews, aparecem as bobajadas de que a loja do carrefour fechou, que pessoas perderão o emprego...tudo mentira. 5. Ativistas fizeram campanha contra o carrefour. Em grande parte essa campanha é resultado dos erros da própria empresa, apontados acima. Tivesse agido mais rápido e melhor, as noticias seriam elogios e positivas. 6. Especialistas ouvidos pela revista Exame, ponderaram que clientes mais fieis da loja e aqueles que possuem relacionamento mais forte com animais tendem a boicotar a loja por um tempo. As ações positivas da empresa se ocorrerem e saírem do discurso tendem a reverter a situação. 7. O boicote é legitimo e é a única arma que o consumidor possui. Aqui no Brasil, a população pouco se mobiliza, mas nos EUA e Europa a coisa é levada a sério, mesmo que em alguns casos, seja fruto de ignorância. Querem exemplos? - A Acelor-Mittal anos atrás começou a perder volume de vendas na europa. Como possuía todas as ISO exigidas foi pesquisar o que estava ocorrendo e as empresas que comprovam seu aço estavam deixando de faze-lo, porque seus clientes queriam uma garantia de que não se usava carvão vegetal feito com madeira de arvores em extinção e da amazonia. A primeira ação da empresa foi se encher de paciência e explicar que usavam carvão mineral e não carvão para churrasco. Não adiantou. O volume de vendar só foi retomado quando a empresa gastou alguns milhões para "certificar" que o carvão mineral usado na produção do aço não vinha de madeira de arvores em extinção. - O Santander sofreu pressão de seus clientes por conta do financiamento de uma exposição de arte considerada pornográfica. A pressão acabou quando o financiamento parou. E quando se condena manifestações e a coisa se alinha com a tese de que empregos são importantes e que boicotes e manifestações são erradas? - O caso da cidade de Mariana está aí. A empresa até hoje se recusou a pagar as multas ambientais e as famílias, praticamente a cidade toda foi destruída e nada de ser ressarcida. Boicotes..a tese dos que defenderam que a empresa é mais importante está ai. Ninguem sabe mais o que ocorreu por lá e as vitimas aguardam ressarcimento até hoje.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Mensalão = Condenados entram com recursos, os embargos de declaração.

A turminha da pesada, condenada no processo do mensalão, entrou com os chamados embargos de declaração.

Entenda leitor amigo amigo o que são esses embargos. É um instrumento que tanto a defesa quanto a promotoria podem utilizar para deixar mais clara uma posição do juiz no acordão. Talvez a conclusão não bata com o texto ou datas para um mesmo ato sejam diferentes em partes diferentes do acordão que é o documento que unifica todos os votos.

Em nosso país, os votos dos 11 ministros do STF são juntados às notas taquigráficas das sessões plenárias. É criado um resumo desses votos. Essa massa de documentos enorme é o acordão com a decisão do STF. Em outros paises é apresentado um só voto informando que os juizes tais votaram com o relator sendo dissidentes e derrotados os juiz x e y. Quando o relator é vencido, o voto vencedor do dissidente é tratado como voto do colegiado informando-se que os juizes tais votos votos vencidos.

Ocorre que a grande maioria e olha que os advogados são todos estrelinhas, entraram com embargos de declaração mas o conteudo são de embargos infrigentes, coisa que o STF ainda vai julgar se aceitará ou não porque uma lei recente eliminou esse tipo de recurso embora o regimento interno do STF ainda os cite.

Alguns pediram que o relator seja outro já que o ministro Joaquim Barbosa é o presidente do STF. Me parece logico que se isso fosse correto, então o revisor também deveria ser outro porque o revisor é o vice-presidente. Também pedem que se aguarde que o executivo indique o novo membro do STF.

É o famoso juris experneandi.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Roberto Carlos por ser chamado de rei, acha que é imperador...

Saiu na VEJA desta semana que o cantor Roberto Carlos entrou com ação judicial impedindo que um livro que na verdade seria a versão publicada de uma tese.

Maíra Zimmermann, historiadora e professora de moda, escreveu o livro intitulando o mesmo como “Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude”.

Pelo tema, já que não conheço o conteúdo e considerando que a autora é professora de moda, me parece óbvio que o livro gira em torno da...moda, não é mesmo.

Ocorre que o cantor em questão é citado como liderando ao lado de outros dois o movimento que recebeu o nome de jovem guarda e o cantor entendeu por bem que falar de jovem guarda é falar dele e por isso não tem conversa. Pediu a proibição ou o recolhimento do livro.

Não vou entrar no mérito da questão, de uma pessoa ainda viva, mesmo pública; ter o direito de impedir que fatos pessoais venham a tona ou se tornem públicos. Ocorre que no caso em questão, o cantor deseja na prática transformar em um bem pessoal algo que é público, um movimento musical e que ocorreu a bem da verdade em todo mundo na esteira dos Beatles e dos Roling Stones, até porque a maioria dos cantores e cantores que participaram desse movimento cantaram versões das musicas dos beatles.

Pesquisem na web e descobrirá videos e mais videos de especiais da emissoras de televisão a respeito da jovem guarda reunindo os artistas da época e o Roberto Carlos não apareceu em nenhum. Parece óbvio até, porque ele logo se descolou desse movimento enveredando pela musica romântica e os demais se mantiveram mais ou menos presos àquela época e musicas e os revivals traziam um pouco de ar fresco e dinheirinho para carreiras na maior parte estagnadas. Roberto Carlos não precisava disso.

Agora, uma historiadora escreve sobre o movimento e ele se acha no direito de agir contra e pedir algo inconstitucional, que é a censura.

Pode até ser um excelente cantor, nem vou discutir o discutivel título de rei. Mas é inconcebível que se permita que ele exija coisas que somente um imperador exigia de seus súditos.


Apresentador da BBC admite ter abusado de 14 meninas.


BERNARDO MELLO FRANCO
DE LONDRES
O apresentador de TV britânico Stuart Hall, 83, admitiu ter abusado sexualmente de 14 meninas de 9 e 17 anos de idade, entre 1967 e 1985.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (2), durante seu julgamento por acusações de pedofilia num tribunal de Preston, no norte da Inglaterra.


Andrew Yates/AFP
Apresentador Stuart Hall, da BBC, em fevereiro; ele admitiu nesta quinta ter abusado sexualmente de 14 meninas
Apresentador Stuart Hall, da BBC, em fevereiro; ele admitiu nesta quinta ter abusado sexualmente de 14 meninas

Hall vai permanecer em liberdade até a leitura da sentença, em 17 de junho. Ele deixou o tribunal sem falar. Seu advogado disse que ele pede perdão às vítimas.
Há dois meses, o apresentador se disse inocente e chamou as acusações eram "caluniosas, cruéis e espúrias". Ele também pôs em dúvida a demora para os casos virem à tona.
Hall é um dos rostos mais conhecidos da TV britânica. Atuou na BBC durante 53 anos em diferentes funções, como repórter, apresentador de programas de variedades e comentarista esportivo.
No fim de 2011, ele foi condecorado pela rainha Elizabeth 2ª com a Ordem do Império Britânico. Quando as acusações foram divulgadas, no fim do ano passado, a BBC o suspendeu de suas funções até que o caso fosse esclarecido.

CASO JAMES SAVILE
No ano passado, outro escândalo de pedofilia envolvendo o ex-apresentador da BBC James Savile (1926-2011) chocou o Reino Unido. Segundo a polícia londrina, ele teria sido responsável por 450 casos de abuso sexual de menores e adultos.
As acusações só vieram à tona depois de sua morte. A BBC foi acusada de encobrir o caso quando já tinha informações suficientes para divulgá-lo, e dois editores do programa "Newsnight" foram substituídos.

Morre sobrevivente mais idoso dos campos de concentração

Morre sobrevivente mais idoso dos campos de concentração

De Viena

  • Beate Rammerstorfer/Efe
    Leopold Engleitner faleceu aos 107 anos Leopold Engleitner faleceu aos 107 anos
O homem mais idoso que sobreviveu aos campos de concentração nazistas, o austríaco Leopold Engleitner, faleceu no dia 21 de abril aos 107 anos, informou nesta quinta-feira o jornal austríaco Salzburger Nachrichten.

A sobrevivente mais idosa é Alice Herz-Sommer, nascida em 1903.

O falecimento só foi anunciado nesta quinta-feira para respeitar a vontade expressada por Leopold Engleitner antes de morrer.

Engleitner, nascido no dia 23 de julho de 1905 perto de Salzburgo, foi internado sucessivamente nos campos de concentração de Buchenwald, Niederhagen e Ravensbruck por ter se negado a integrar as fileiras das Forças Armadas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial por razões religiosas.

A vida de Leopold Engleitner, que era Testemunha de Jeová, foi registrada em uma biografia publicada em 1999, "Ungebrochener Wille" ("Uma vontade de ferro"), e em um documentário.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Empresas e Esoterismos

Segue nota do Radar no site da VEJA. Depois eu volto.

"...Eike Batista contratou uma “consultora esotérica” para tentar espantar o péssimo momento do grupo EBX. O diagnóstico até agora é complexo: o sol, símbolo do grupo, estaria “girando para o lado errado”, ou seja, para o lado esquerdo. Assim, a comunicação visual da holding será trocada.

A moça, chamada no grupo de “consultora filosófica e psicológica”, andou pelo edifício-sede na segunda-feira passada para “carregar de energias positivas” os projetos do grupo. Na quarta-feira, chegou a viajar até o Porto do Açu, no helicóptero de Eike. Para alguns diretores, a ação da “consultora” foi explicada como sendo um “diagnóstico cultural” do grupo – seja lá o que isso signifique..."

Voltei...

Vejamos, as forças cósmicas até agora pouco se lixaram pro sol do logotipo girando pra esquerda, pra baixo, pra cima ou em ziguezague; porque o sujeito estava entre os maiores bilionários do mundo. Ai de uma hora pra outra, cismaram com o logo e a coisa começou a desandar. 

Isso segundo uma consultora esotérica que não deve ter feito o trabalho apenas em troca de donativos para uma creche não é mesmo?

Aiai...e eu, idiota que sou, achando que as finanças do sujeito estavam indo de mal a pior porque ele ao plantar apenas ventos estaria a colher as tempestades...opa, olha eu dando uma de consultor de assuntos supra-naturais...

Recomendo ao executivo em questão, caso as coisas continuem ruins, que contrate os serviços dos irmãos Winchester da série Supernatural. Na luta contra as influências espirituais, talvez seja preciso usar de força além de apenas mudar os logos...

Fico imaginando o Jorge Paulo Lemann, se preocupando com o logo da InBev ao invés de fazer a empresa crescer no mundo real e não só no virtual...


 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mais um atentado terrorista...

Enquanto as nações se preocupavam com um perfeito idiota, o ditador da Córeia do Norte na sua bravata militar que o transformou em uma espécie de Brancaleone as avessas; os atentados em Boston mostraram que o perigo real e imediato foram bombas caseiras construidas com panelas de pressão e pregos.

Dois jovens mulçumanos vivendo nos EUA tornaram-se terroristas de sucesso, driblando a vigilância americana e ao estilo McGyver causaram mortes e destruição.

Depois de um morto e o outro ferido gravemente, perebe-se um esforço quase insano da imprensa de evitar o termo mulçumano trocando-o por fundamentalista religioso.

Na verdade, é óbvio que a religião mulçumana como instituição assim como a cristã, a judaica, a budista, e por ai vai defendem a vida e não apoiam esses tipos de atos. A discussão que precisa ocorrer e não ocorre é porque sob o manto de uma religiosidade mais profunda ou mais aguerrida, pessoas passem a enxergar as outras como alvos.

Diferentemente do terrorista padrão que se mata ao explodir a bomba no corpo, no veiculo ou derrubar o avião em um prédio; os dois irmãos chechenos escaparam com vida do local do atentado.

Me parece portanto que o recado era politico e não religioso e o fato de serem mulçumanos não implicou necessáriamente em torna-los terroristas, mas os exemplos de terroristas mulçumanos pode tê-los motivado.

De qualquer forma mais um exemplo de como nesse mundo caótico, o perigo pode estar em qualquer lugar, a qualquer tempo.

terça-feira, 26 de março de 2013

As coisas fora de lugar e as campanhas do ódio

Ultimamente, pipocam na mídia pessoas e grupos que escolheram no lugar do debate de idéias a inclusão da mordaça como parte da indumentária destinada aos outros, as gentes que porventura pensem e falem algo que seja contrário ao desejo e vontade daqueles.

No caso desse pastor que foi alçado a presidente de uma comissão de minorias, tenho ficado impressionado com a movimentação de militantes contra o sujeito.

Antes de qualquer coisa porém, é preciso deixar claro que não tenho por objetivo defender o dito pastor. Na verdade acho até que a legislação deveria proibir que líderes religiosos que ostentem qualquer tírulo, pastor, padre, bispo, apóstolo, pai de santo e por ai vai não poderiam ter cargos eletivos. O mesmo para aqueles que portam bandeiras especificas e militam em determinados movimentos. Mas enfim, do momento que a legislação permite, me parece um tanto óbvio que esses possuem a mesma legitimidade de falar, pensar e defender a plataforma que quiserem da mesma forma que é legitimo o falar, pensar e defender de alguem que seja ateu ou da turminha dita politicamente correta.

E é apenas disso que se trata.

Até porque a mesma turminha que hoje desce o porrete no pastor em questão, é a mesma que se calou quando ele apoiou a atual presidente da república quando da campanha política para a Presidência. E não é preciso e nem desejo que acreditem em mim porque estou a dizer isso. Basta uma pesquisa na web e você leitor poderá assistir videos desse apoio. Naquela época como agora, ele tinha as mesmas idéias, pensamentos e plataforma tão "odiosas" que servem agora para acusa-lo.

Que nome se dá a esse tipo de atitude? - Analisemos agora a questão de fundo e depois voltaremos a essa pergunta.

A tal comissão de minorias não é uma comissão sobre assuntos negros ou assuntos homossexuais, tão somente e que são as duas acusações contra o pastor.

Essa comissão até pouco tempo estava nas mãos dos ditos partidos de esquerda. Era um nicho quase de propriedade por uso capião do PT e durante todo esse período, pouca coisa avançou na pauta tão incensada dessa turminha militante.

E o protesto dessa turma é, no meu particular sentir, extremamente seletivo. Apenas a guisa de exemplo, consideremos:

- Os índios, me parece, são uma minoria etnica,  na falta de uma expressão melhor, do país e qual a gritaria que houve até o momento contra a inexistência de sequer um membro dessa minoria no congresso ou nessa comissão específica?

- Ciganos sem sombra de dúvida são um grupo minoritário na população brasileira. Qual a gritaria que houve até o momento contra a inexistência de representantes deles no congresso ou nessa comissão específica?

E o que dizer das minorias sociais, como os sem teto, sem terra e assim por diante? - silêncio sepulcral dos ditos humanistas e progressistas que se esgoelam no congresso e na mídias, em especial na imprensa quanto a permanência do tal pastor apenas e tão somente por ser ele contrário a PL 122, ou a lei da homofobia.

A questão de fundo portanto, é que o dito pastor por ser contra a dita lei da homofobia merece a mordaça e não pode expressar opiniões, e não importa aqui se são corretas ou não; sequer ter cargos, porque os militantes entendem que somente os que tem opiniões semelhantes às deles tem direito à tribuna e aos cargos. É claro, nas eleições, os agora amordaçados poderão expressar opiniões desde que em apoio aos candidatos dessa turminha militante como ocorreu com esse pastor, como já ocorreu.

É sintomático nesse sentido perceber que um outro pastor que igualmente se posiciona contra a PL 122 sofre igual pressão e porrete nas costas para se calar em qualquer cisrcunstância porque além do pecado de ser contra a PL 122, ele pratica a heresia de apoiar candidatos da oposição.

E também é bom recordar que outro religioso que se proclama bispo de uma igreja que apoia o governo de plantão e inclusve é ministro no atual governo, também já se posicionou contra a PL 122 mas pelo extensivo apoio de seu partido e de sua igreja, sua posição contrária é simplesmente ignorada.


Quanto às ditas acusações de homofobia e racismo do pastor, convenhamos; o sujeito pode ser considerado para todos os efeitos tão incensados pela militância como negro, já que sua mãe é negra.

O cerne da lei da homofobia é que um homossexual não pratica homofobia se xinga outro homossexual de gay, viado e por ai vai. Se no entanto, o impropério vier de um heterosexual sobre um homossexual então é homofobia. Aplique-se o principio para a questão do racismo e o que temos é que um negro somente sofre o crime de racismo e/ou preconceito se o emissor tiver outra cor de pele. Logo por conclusão lógica, já que as palavras tem peso pelo seu significado, esse deputado emq questão jamais poderia ser acusado de racism porque ele é para todos os efeitos, negro como já dito.

Qual a base então para a acusação de racismo? Foi um leitura ou melhor um entendimento idiota de um texto biblico segundo o qual os negros seriam amaldiçoados por conta da maldição de Noé contra Canaã seu neto. Ocorre que segundo a Biblia, a raça negra por assim dizer teve sua origem em Cus e possivelmente de Pute, outros filhos de Cã e que não foram "amaldiçoados". Então é o caso do pastor ter feito uma leitura errada da Biblia. Isso é ruim, já que se trata de um pastor, mas ainda assim não é crime.

A base da acusação de homofobia é sua posição contrária a PL 122. Até onde eu sei, se posicionar contrário a um projeto de lei não é crime. E diga-se de passagem, seu discurso não é que homossexuais não tem direitos, mas que esses direitos devem ser obtidos através da Constituição. Logo são as alterações na constituição que preservam os direitos e não através do ativismo jurídico ou imposição de um entendimento que a letra da lei não possui. Convenhamos...

Gostaria de ver um debate de idéias. Que o deputado eleito pelo coeficiente eleitoral de seu partido, já que não teve votos populares para se eleger e que é o grande defensor da PL 122 e adversário do  dito pastor, derrube item por item, as argumentações de quem é contra o projeto de lei.

Que use fatos e números. O que vi até agora no entanto, são chavões, gritos e nariz empinado.

Em resumo, se a presença do pastor que é deputado é ruim porque ele é contra o projeto de lei e irá fazer de tudo para impedi-lo, a presença do deputado que é militante também é ruim porque ele é a favor do projeto e irá fazer de tudo para aprova-lo. Dito de outro modo, a tal da comissão de minorias deveria ser formada por pessoas estritamente neutras. Existem? Pois é!

E para finalizar, voltemos a pergunta feita. "Que nome se dá a esse tipo de atitude?"da militância emperdenida que é tão fundamentalista e extremista em sua posições mas se cala quando lhe convém? - Alguns chamam esse tipo de atitude como pragmatismo político.

Na verdade trata-se de pura e simples hipocrisia.