segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Se precisar eu desenho, ok?
Não adianta ficar no xingamento achando que eu ficarei com medinho e publicarei agressões pro cidadão mostrar pro resto da manada e dizer "...acabei com ele...vai da probema pra ele responder agora". - obviamente essa é uma tradução aproximada do zunido que os sujeitos soltam.
Se você não consegue criar argumentos mínimamente razoáveis que demonstrem que eu estou errado no que escrevo ou que existe uma visão diferente porém igualmente válida, vá lá; publicarei com prazer mesmo não concordando com as teses como ocorre com o Luiz Brasileiro que eventualmente comenta no blog quando o assunto se aproxima de direitos humanos, tortura, etc.
De resto continua valendo o anteriormente combinado: Se voce relincha, não entre no blog e se você entrar no blog não relinche.
Isso posto, se alguem acha que o aborto é válido e o defende, use essas palavras e não meios termos e explique o porque.
Só mais uma coisa sobre o assunto abaixo
A sociedade moderna, por assim dizer, conseguiu separar os dois objetivos. Antes para gozar do segundo deveria-se arcar com o primeiro e se quisesse o primeiro, o segundo vinha de brinde, se é que me entendem. Agora os preservativos masculinos e femininos, pilulas antes e após coito, injeções, pomadas, etc e etc permitem que o segundo objetivo seja plenamente aproveitado tornando o primeiro quase que um acidente.
Ocorre que a concepção de uma nova vida não é um problema momentâneo de um espinha no rosto no dia da foto da formatura ou o calo novo no dia da entrevista pro emprego novo. É a alteração, a mudança de rumo que a vida da pessoa dará, homem e mulher.
Diante do enorme avanço da medicina que permite a contracepção de muitas formas, encerrar a gestação de uma nova vida, não pode ser tratada como uma questão de escolha.
Se a pessoa, homem ou mulher, não pode arcar com a decisão de sustentar outra vida, deve agir com responsabilidade e simplesmente abster-se de fazer sexo. É simples assim.
Quer discutir a questão da castidade, religião, uso de contraceptivos, tudo bem. A unica coisa que não se pode admitir é que a morte de um ser vivo, no caso humano, se transforme em uma opção de contracepção pós-coito com a única motivação de livrar a mãe e pai de problemas financeiros a frente. Pois se trata no fundo apenas disso, o custo.
Uma fala da nova ministra e a falta de compromisso com a lógica
A informação é de entrevista de Johanna Nublat publicada na edição desta segunda-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
Iriny tem histórico de militante dos direitos humanos e sua declaração toca num dos pontos mais explorados durante a disputa eleitoral. Para ela, o papel do governo federal na questão é cumprir a lei, e cabe ao Congresso definir políticas públicas.
O tema consta em programa do PT do início do ano. A futura presidente Dilma Rousseff, porém, se disse contrária a mudanças na legislação -que prevê o aborto apenas em caso de estupro ou risco à saúde materna.
Comento:
Pra variar começa-se bem como sempre. Não cabe a ministros e autoridades expressar opiniões pessoais que vão de encontro a lei ou ao que expressam as autoridades de maior poder. Explico: A política em questão está numa posição no executivo para colocar em funcionamento as leis e as diretrizes governamentais e nenhuma delas pode ditar algo que a Constituição ou os Códigos Legais proibem. Quando essa autoridade expressa sua opinião pessoal a favor do aborto embora a legislação o proiba com algumas excessões; cria-se um clima desnecessário de embate entre os que são contra e a favor do aborto e sem nenhum resultado prático, porque o executivo não pode legislar sobre o assunto e o congresso que deveria faze-lo não o fará tão cedo por uma questão de sobrevivência política porque a ampla maioria da população, veja você amigo leitor, é contra o aborto.
Quando alguem está em um cargo público ele abdica de sua "posição pessoal" para defender a "posição pública", no caso a do governo de plantão. E o teor final da reportagem deixou claro que a presidente eleita não pretende mexer nesse vespeiro.
O que vai acima, infelizmente não é um caso isolado. No presente governo, teve ministro fazendo apologia da liberação de drogas, o que a legislação define como apologia ao crime e ele se achou muito moderno e destemido embora sua posição pessoal tenha ido de encontro a posição do governo que ele representava.
Por fim a questão da falta de compromisso com a lógica. Notem a fala da ministra, que cedo ou tarde receberá o título de corajosa por expor sua opinião e abrir o "devido debate"; se a pessoa não está defendendo o aborto mas respeitar a decisão que a mulher tomar, porque notem, ninguem pode obrigar alguem a ter um filho; ela está a defender o quê? Se o contrário do aborto é o nascimento e ela quer respeitar a decisão de não ter o filho, ela está a defender o quê exatamente?
Acho curioso que as pessoas não tem a coragem, e aqui valeria o epiteto mesmo, de dizer que defende o aborto embora a grande maioria da população o rejeite e no que depender dela irá lutar pra mudar a lei. E que aguentasse o tranco com a reação.
O que não dá pra admitir é achar meios termos pra fugir da palavra "aborto" e seu significado por saber que o assunto é mau visto pela população em sua maioria e em especial por saber que o governo que representa não irá no curto e médio prazo comprar essa visão. Portanto além de desnecessário, a fala passa longe da lógica e do compromisso que o cargo exige.
E o que ela deveria dizer então? Que a posição do governo é essa ou aquela e sua posição pessoal não interessa ao debate.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Sobre o caso da enfermeira que trocou soro por vaselina
Certas profissões exigem mais responsabilidade do que outras, embora todas precisem ser responsáveis, se é que me entendem. Logo profissões ligadas a uma situação tão limite que é internar-se em um hospital exigem atenção e responsabilidade em grau muito maior e não é de médicos e enfermeiras somente, porque um administrativo que copie no sistema o nome ou dosagem do medicamento errada será tão prejudicial quanto o enfermeiro errar sozinho essa dosagem, ou a faxineira que não cumpre sua obrigação limpando mal o ambiente sujeitando a pessoa ali internada a um problema maior do que foi ali tentar curar.
Por isso independente de qualquer coisa a entidade tem responsabilidade no assunto, no limite porque de alguma forma foi irresponsável por ser responsável pela organização maior do local permitindo que materiais tão similares porém distintos e potencialmente letais ficassem junto.
Qualquer empresa tem equipe de segurança, cipa e por ai afora que demonstra em quadros o grau de perigo de cada ambiente da empresa. Aone estava a preocupação da direção desse hospital em prever um possivel acidente?
E por fim, mas não menos importante, existe a responsabilidade individual do profissional. Ela escolheu essa carreira e portanto sabia de antemão que erros da espécie podem levar a óbito. Lero o rótulo do frasco que estava pegando era portanto a mais e talvez unica e comezinha ação de segurança que deveria ter tomado e não tomou. Dizer que foi induzida a erro porque os materiais são iguais só poderia ser atenuante se não estivessem rotulados. Do momento que estavam rotulados e as matérias das reportagens demonstraram isso, então o induzimento ao erro deu-se por conta da distração, ou da pressa, ou do acúmulo de coisas por fazer, ou isso tudo junto. Mas sob hipótese alguma ela, a profissionou deixa de ser a responsável não pela falta de gerenciamento de risco do hospital que faltou mas pelas suas prõprias ações por não ler um simples rótulo.
Um trágico incidente, porque não passa pela cabeça de ninguem que a profissional desejasse matar alguem; mas ainda assim clamoroso na busca das responsabilizações para servir de exemplo de algo que não mais deveria se repetir.
Por fim, ficar a acusar a sociedade, seja lá o que isso queira dizer é apenas mais uma forma de distribuir culpas por erros, enquanto que sucessos no mais das vezes posuem dna, pai e mãe e são indiviziveis com o coletivo.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Hipocrisias...
Poucas vozes ou pra dizer a verdade, nenhuma levantou-se clamando contra o malvado império americano. Aliás fora do circulo especializado, não se deu atenção a essa notícia.
O australiano que nem jornalista é atualmente preso por acusações na Suécia tem um site especializado em publicar informações de cunho sigiloso quebradas ou roubadas por pessoas ligadas a governos e grande empresas.
Uma verdadeira onda de gritos contra a prisão do sujeito que alguns falsamente ligam ao fato dele expor no seu site material sigiloso; demonstra a irracionalidade do como chamarei, pensamento.
No fundo o que temos é uma antiamericanismo do mais bocó em ação a começar pelo sujeito, porque salvo engano, material sigiloso de paises sérios como a Coréia do Norte, Cuba, Irã, Sudão e por ai afora não é procurada, vasculhada e publicada. Apenas das democracias e no caso levando ao rídiculo a nação que leva esse conceito de organização da sociedade ao extremo.
Seria interessante ver esse bastião da liberdade, o Wickleaks; levando ao ridículo esses paises tão sérios como os citados. Parece que na verdade o que se tem é o resultado prático da liberdade de um sistema de organização que não existe nos citados.
E se é bem verdade que nenhum segredo inconfessável foi alí revelado, tanto que existe um esforço hercúleo da blogosfera militante em achar algo realmente importante, tem um lado ruim de expor muitas das vezes pensamentos e meras opiniões que podem vir a prejudicar negociações muito mais sérias.
No fim de tudo, se o sujeito é jornalista, ele tem todo o direito de publicar o que quer que seja sendo que quem realmente cometeu um crime foi o vazador que lhe entregou a informação. Mas se ele não é jornalista e não passa de um mero blogueiro ele é tão somente um cumplice de um crime.
Não são as boas motivações que enobrecem um crime. Na verdade elas impedem que eles sejam cometidos e se não impediram era porque boas as intenções não eram.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Pondo os pingos nos is...
São os os objetivos principais:
a) Pulverizar o dinheiro público evitando concentra-lo na grande mídia;
b) Defender a cultura nacional incluso nessa cultura as artes, musica, lingua, valores, etc;
c) Controlar o conteúdo se o mesmo atenta contra os itens acima, etc e tal.
Agora, leitor amigo, partindo do principio saudável que o senhor é um sujeito equilibrado, que tem boa compreensão do texto escrito e é um falante competente da lingua materna, pergunto-lhe:
Alguns patriotas ávidos de defender o belo e o virtuoso queriam banir a obra de Monteiro Lobato por conta de uma leitura racial que sequer era a intenção do autor na época que escreveu suas obras. Consegue imaginar o que esses valentes aceitariam como conteúdo de rádios e televisões?
Filmes como "E o vento levou" receberão a marca da danação eterna. Muito provavelmente, toda a obra cinematográfica dos saudosos "trapalhões" seria considerada indecorosa e preconceituosa por conta das brincadeiras envolvendo a cor do Mussum, a origem nordestina de Didi e a homossexualidade de Zacarias; coisas que virava e mexia, apareciam como temas de brincadeiras entre eles.
Pondo os pingos nos is.
O objetivo é minar financeiramente a malvada Globo, a Satânica VEJA e os hediondos jornalões FSP e Estadão, já que o quarteto é considerado na blogosfera militante, como a imprensa golpista, e por ai vai. Se esquecem os iluminados que a VEJA não é o maior semanário lido por ter pacto com o demônio mas pela qualidade de seu trabalho embora ela seja criticada em verso e prosa pela "nova imprensa".
A Globo perdeu espaço para as demais e ainda assim representa o dobro de assistência das demais. E isso ocorre não porque exista uma lei da física quântica a impelir os televisores a ficarem sintonizados na emissora. Existe a questão da qualidade.
E nem se fale dos jornais. Uma pesquisa sem a mistificação esquerdopata da blogosfera militante demonstra que a FSP por exemplo contem artigos as dezenas criticando a oposição, desqualificando partidos como o DEM, criticando o governo do estado, mas basta um artigo criticando o governo federal e ele é escorraçado como sendo golpista.
O Estadão então...uma lei censurou previamente proibindo o veiculo de noticiar fatos a respeito do clã Sarney, hoje amigo de infância do presidente e a blogosfera deitou e rolou desqualificando a posição de agredido que o veiculo ostentava com razão. A razão seria de que ela queria era fazer campanha contra o governo e ela não podia publicar material sigiloso que havia vazado. Pois bem, os mesmos agora elevam ao panteão dos heróis mitológicos o hacker australiano que publicou material sigiloso que havia vazado. Deu pra entender? Se ainda não, explico: o hacker vazou documentos que ridicularizam principalmente os EUA, a vitima de dez entre dez esquerdistas apoiadores de Cuba. Já o Estadão queria publicar fatos reveladores sobre os Sarneys que são a base de sustentação do governo no senado e que dez entre dez esquerditas já esqueceram que o estado natal e controlado por eles afunda na pobreza na proporção inversa da riqueza familiar.
E é claro, algum dos críticos da malvada grande imprensa lembra que os antigos coroneis do nordeste continuam mandando aliados do governo e esses são os donos das mídias em seus estados e essas mídias na maioria reproduzem material da grande imprensa ou são retransmissoras da Globo? Pois é, isso a turminha não lembra.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Questões de preconceito
Com razão, as vozes se levantam contra essa clara e sórdida demonstração de preconceito e desrespeito a uma pessoa que tem o direito de expressar sua opinião e seu modo de vida sem ter o receio de ser atacado como o rapaz foi. E que fique claro, respeitar essa opinião não significa, repito, não significa concordar com ela mas não agir de forma tal que aqueles que pensam diferente sintam-se segregados.
Como sempre, a religião acaba invadindo a questão das escolhas pessoais e é tratada pelo viés errado. Já disse isso antes mas vale a pena repetir:
A Bíblia, posto ser considerada a palavra de Deus e guia orientativo para os que se denominam cristãos, deve obrigatoriamente ser considerada quando da tomada de decisões por aqueles que se declaram cristãos. Se alguem se denomina cristão mas desconsidera o texto sagrado preferindo correntes filosóficas outras, ou explicações provindas de outras religiões ou privilegia suas opiniões pessoais ele não é mais cristão. Dito de outro modo; se alguem deseja ser cristão, precisa por obrigação, digamos assim, contratual com o Deus que escolheu adorar, seguir suas orientações, porque de outro modo estará servindo a si mesmo e não a Deus.
Tudo certo aqui? - Sigamos.
A biblia é clara na condenação das práticas homossexuais. Essa é a postura clara de Deus, o autor do texto sagrado. Logo aquele que deseja ser cristão, deve evitar as práticas homossexuais. Deus não condena ou desconsidera a pessoa do homossexual mas a prática do homossexualismo. Dito de outro modo, alguem que como todos possue o desejo de alimentar-se mas ao faze-lo exagera na dose ou seu corpo por questões de dna produzisse enormes quantidades de gordura levando a pessoa a um peso escessivo e perigoso a sua saúde teria que viver sob intenso regime. A vontade de comer permanece mas ele se policia porque sabe que o sacrificio resulta em boa saúde. Quer dizer que este que vos escreve estã dizendo que homossexualismo é doença? - Não, em muitos casos é resultado de alterações do dna que faz com uma pessoa sinta atração por outra do mesmo sexo. É da natureza do homem essa situação.
Ocorre que do ponto de vista religioso não só não era para ser assim, como a Biblia registra uma promessa na qual o mundo se tornará melhor com todos seguindo as diretrizes de Deus. Logo a pessoa escolhe se deseja as bençãos futuras e para isso se adapta ao que diz o texto sagrado ou opta por seguir sua natureza abrindo mão das bençãos futuras.
É simples assim. O que não pode é querer que o texto sagrado seja alterado para que a vontade divina se adapte a vontade pessoal quando deve ser o contrário.
Portanto as pessoas tem o direito de defender seus pontos de vista desde que não seja com violência, tem o direito de recusar pontos de vista diferentes respeitando o direito dos outros de pensarem diferente e sem que com isso essa recusa não se mostre por meios violentos e por fim, as pessoas tem o direito de no debate, no campo das idéias, de tentar convencer os outros a pensarem como ele, sem que se use para tanto leis e violência.
Esse é o verdadeiro cerne da liberdade. E que se note, da mesma forma que as pessoas até podem ter o direito de achar que suas idéias pessoais estejam acima das divinas em ordem de preferência, as religiões tem o direito de exigir a prática do dia-a-dia baseado na vontade divina e quem quer pensar diferente que saia da religião arcando com os ônus dessa decisão.
Na pratica, vejam vocês, a blogosfera fala o mesmo que eu disse acima usando outras palavras.
Agora vejam outro caso. Um casal do litoral de SP depois de mais de 16 anos foi condenada a juri popular porque optou por seguir a orientação do texto sagrado quanto ao uso de sangue para uma filha, com 13 anos à época.
Na blogosfera, os comentaristas de sempre, os que se acham sábios e a favor da raça humana, condenam o casal sem sequer uma olhada nos autos, mas movido pelo puro e simples preconceito e a crença que a pessoa deve colocar suas idéias acima das divinas.
O casal responderá por homicidio doloso. Esse termo indica que havia intenção de levar a vítima a óbito.
Conheço pessoalmente o casal. São gente de bem, humildes. Na ocasião, Hélio sendo policial militar não queria ter nada a ver com a religião da esposa, embora respeitasse porque a mesma não vê com bons olhos o porte de armas, tanto que se recusam a servir o exército. A menina acompanhava a mãe na rotina religiosa e sua fé era claramente genuina.
A menina era portada de anemia falciforme. Segundo a Rev de saúde pública de 2005 publicada pela fsp.usp, a taxa de mortalidade de pessoas portadoras de anemia falciforme era de 78,6%. A elevada letalidade demonstra a gravidade da doença que é hereditária e não tem cura.
A menina era portadora do caso mais grave e portanto poder-se-ia dizer, tinha uma sentença de morte já decretada.
Atentaram, leitores para o fato da doença ser hereditária? A menina Juliana nasceu com a doença. Os velozes críticos do casal e da religião, poderiam tentar buscar nos autos e no hospital, o número de vezes sem conta que os pais correram com a menina para o hospital nas crises que a doença provoca.
Seria realmente crivel imaginar que pais dispostos a deixar a filha morrer, logo homicidas culposos, levariam a mesma filha ao hospital vez após vez mesmo naquela crise que se demonstrava ser a fatídica e final? Venhamos e convenhamos.
Resgatem os jornais da época, o jornal A tribuna de Santos, por exemplo. A médica que iniciou esse processo verdadeiramente inquisitorial respondeu ao jornal que a menina consciente declarou não querer receber sangue. Notem, a menina foi movida por sua fé e não pela dos pais.
Aos incautos que desejem atacar o casal, seria bom observar que o pai da menina não sendo à época, da mesma religião que a esposa, disse a médica que autorizaria o uso do sangue se ela garantisse que a menina não morreria e se isso curaria a doença. A médica disse que não, que era apenas um paliativo e que novas crises ocorreriam se aquela fosse sanada e com isso, o pai disse que sendo assim preferia evitar magoar a consciência da filha e apoiou a decisão dela.
Embora com todas as pesquisas realizadas até agora, o câncer não possui cura assim como a anemia falciforme. É bem verdade que determinados tipos de câncer podem ser eliminados do corpo e depois de cinco anos sem o retorno, considera-se a pessoa curada. Mas no geral, o resultado do câncer mais cedo ou mais tarde ainda é a morte.
Por conta disso, muitos afligidos pela doença, cujo tratamento é mais violento que a doença optam por deixar a natureza seguir seu rumo e não aceitam o tratamento quimioterápico e radioterápico. Seria de se perguntar se os críticos irão propor leis obrigando a tais a serem forçados a fazer o tratamento contra sua vontade. Irão fazer isso? Os promotores irão punir familiares por apoiarem a decisão dos familiares pacientes?
E o que dizer das centenas de pessoas que aguardam exames que comprovam a existência de câncer corroendo seus corpos e outras centenas que aguardam fazer tratamento pelo SUS, que são marcados para meses a frente eliminando a possibilidade de cura, já que todos sabem que a chave do sucesso no combate ao câncer é o quão cedo o tratamento começa? Os promotores irão punir os membros do governo responsáveis pelo SUS como homicidas culposos por todos os que morrerem nas filas do SUS?
Pois é...essa é a questão.
Se os pais tivesse deixado a menina em casa sem tratamento algum, não só deveriam ser presos mas de alguma expostos em praça pública. Mas considerando como tudo realmente aconteceu, os pais estão a partir de agora expostos em praça pública sem realmente terem culpa alguma.
Por fim uma questão de ordem prática. Se a menina estava tão ruim que o sangue "salvaria sua vida", porque ela não estava em uma CTI ou UTI de forma que o hospital agisse com ou sem o consentimento dos pais? Porque a médica não solicitou autorização de um juiz que facilmente concederia mas preferiu abrir uma queixa-crime contra os pais?
Pois é...a turminha defende a luta contra o preconceito até fim, ao mesmo tempo que o pratica desbragadamente.