Eu não sei o que o eventual leitor pensa, mas fico impressionado com a capacidade de alguns de usarem a mídia, da mídia fazer dessa gente noticia e o pior, ter quem compre essa noticia. Afinal se não houvesse consumo disso, não haveria exposição o que não levaria esse pessoal a fazer uso da mídia.
Olhando os sites de noticias da uol, me deparei com uma nota. A nota é a "opinião" dada em uma rede social de uma mulher. A opinião dela, descrita como desabafo era que já havia sofrido preconceito por ser "bonita".
Eu fiquei imaginando, mulheres de aspecto "feio", se juntando em uma turba para lincha-la. Ou vendedoras de loja fazendo piquete e se recusando a atende-la. Talvez recusada em um busca de emprego com os administradores com esgar de escarnio dizendo que só contratavam inteligentes. Mas ficou na imaginação. O que provavelmente aconteceu, foi aquele coisa típica de adolescente, a chamada inveja da "gostosa" que atrai os olhares da molecada. Chamar isso de preconceito é dar um tapa na cara das gentes que realmente sofrem preconceito e real na vida; dos gordos que não podem passar nas roletas, dos negros que são parados pela policia só por serem negros; dos moradores de rua.
Mas como a pessoa em questão vive de imagem, já que a referencia mais antiga remete a ser dançarina em um programa de televisão; é preciso alimentar as "aparições" e dá-lhe redes sociais e como existe "muita concorrência" nesse mercado é preciso apelar para bobagens.
E é curioso, porque estando em relacionamento amoroso com uma pessoa trans cuja família exibe sua "intimidade" em um reality show; ela poderia reclamar do suposto preconceito com o fato de ser gay, já que se relaciona com uma mulher que está fazendo tratamento para se transformar em homem; mas não usa isso. E talvez nem poderia, porque o "sucesso" deles advém justamente do fato de saberem usar essa situação a seu favor na mídia. O que resta? Alegar sofrer preconceito por ser bonita ou usar biquíni.
Seria o caso de dizer "só rindo mesmo" mas é somente deplorável.
Up to Date: Lendo os "jornais", hoje (07.01.19) apareceu outra. Uma cidadã brasileira que vive da imagem se sentiu ofendida com um, atenção, um comentário dizendo que ela parecia um monstro com tantos músculos. É curioso. A pessoa se expõe nas redes sociais e deixa aberto o espaço de comentários e logicamente, aceita os elogios e cantadas. Mas quando alguém expõe opinião contrária, ai a comentarista é violenta e agressiva.
Não trata de perseguição e agressividade. A pessoa em questão podia se expor e esse é seu principal motivo; mas poderia se poupar de comentários sejam bons ou ruins. Mas quando abre os comentários é porque o ego deseja os elogios e qualquer opinião contrária vai contra seus objetivos. Daí, a pessoa novamente se expõe na condição de perseguida e vítima.
Tristes Tempos!!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Sobre o flme Bird Box
Não assisti e pra falar a verdade, não me senti motivado a tanto.
Como sou um leitor e telespectador curioso, li a sinopse, as criticas, etc.
Trata-se de mais um filme apocalíptico da vertente "invasão alien". Os invasores são seres de tal sorte medonhos que uma vez visualizados, os humanos sãos ou supostamente sãos, se matam e os loucos se tornam instrumentos; como mais a frente o medonho se traveste de ente queridos perdidos...O filme optou por não mostrar os invasores, embora em uma determinada cena, desenhos feitos por um "enlouquecido" deem uma idéia da coisa; porem...é preciso um senão.
O filme e o livro não explicam. De uma hora para outra a visão do horror ou de ente queridos perdidos levam as pessoas a se matar. Os loucos e psicóticos no entanto, não são afetados pelo horror mas acabam sendo instrumentos dos "invasores", de forma a forçar os "normais" a enxergar a beleza. E nesse ponto, como não se explica, tanto podem ser aliens, quanto espíritos ou demônios, reais ou aqueles internos. Ou seja, entenda como quiser.
O nome do filme vem do fato de que pássaros avisam que os "invasores" estão próximos. E na parte final, a personagem principal solta pássaros de um caixa, por se sentir segura.
No livro e o filme deixou de lado, os cães tem reações com as "coisas".
O filme não é um registro exato do livro e nem poderia sê-lo mas além de diferenças de personagens ou a inexistência de alguns, o filme destoa mais no final que possui um tom mais positivo que o livro. O filme mostra que ela se refugiando em uma escola para cegos, mas o livro mostra que o refugio no final é formado por pessoas que furaram os olhos para não correr riscos.
Existe uma explicação bem psicológica. O filme trata da cegueira que uma doença de cunho mental traz para a pessoa. No caso, depressão pós-parto meio que se justifica no processo, já que a medica dela está no refugio, o uso de uma peça azul a todo o momento, menos no final quando ela demonstra real afeição pelos filhos. Ou seja, o uso de alegorias para explicar os horrores das doenças mentais.
Ocorre que...
Há pouco tempo, em abril deste ano, foi lançado o filme "um lugar silencioso". Mesma coisa, mesma temática, na qual uma família acha refugio em uma fazenda, de um mundo que foi invadido por aliens, mas o sentido atacado no caso é a audição. No caso, os aliens que são cegos atacam qualquer ponto de origem de sons, daí a necessidade de absoluto silêncio. Dito de outro modo, para sobreviver não se deve falar e tudo deve ser feito com muita calma e sem barulho. No caso de Bird Box, para sobreviver, se deve abrir mão da visão.
Nos dois casos, abrir mão de um dos sentidos para sobreviver em um mundo sem a ordem civilizatória é o cerne dos filmes e dai a sensação de deja vu.
Tem mais, como a origem das "coisas" não é explicada e sequer elas aparecem, outra ligação impossível de não ser feita é com o filme "Fim dos tempos", mais antigo no qual os humanos se matam, atacados pelo que se vê depois, pela "natureza", com o vento levando uma espécie de pólen ou feromônio que ataca os humanos, os levando a se matar. A solução é abandonar os grupos humanos e se isolar até passar a devastação, o que vai contra o credo civilizatório de que vivemos e nos protegemos melhor vivendo em coletividades e ajudando uns aos outros.
Logo, guardadas as proporções, Bird Box é uma mistura de "Um lugar silencioso" com "Fim dos Tempos".
Não fosse pelo inusitado de não ser produto das grandes empresas produtoras mas da Netflix, um empresa de stream e possui um estrela de primeira grandeza no elenco, Sandra Bullock, é possível que esse filme passasse despercebido. Ou se o roteiro fosse condensado devidamente, poderia ser um belo episódio de Black Mirror
Como sou um leitor e telespectador curioso, li a sinopse, as criticas, etc.
Trata-se de mais um filme apocalíptico da vertente "invasão alien". Os invasores são seres de tal sorte medonhos que uma vez visualizados, os humanos sãos ou supostamente sãos, se matam e os loucos se tornam instrumentos; como mais a frente o medonho se traveste de ente queridos perdidos...O filme optou por não mostrar os invasores, embora em uma determinada cena, desenhos feitos por um "enlouquecido" deem uma idéia da coisa; porem...é preciso um senão.
O filme e o livro não explicam. De uma hora para outra a visão do horror ou de ente queridos perdidos levam as pessoas a se matar. Os loucos e psicóticos no entanto, não são afetados pelo horror mas acabam sendo instrumentos dos "invasores", de forma a forçar os "normais" a enxergar a beleza. E nesse ponto, como não se explica, tanto podem ser aliens, quanto espíritos ou demônios, reais ou aqueles internos. Ou seja, entenda como quiser.
O nome do filme vem do fato de que pássaros avisam que os "invasores" estão próximos. E na parte final, a personagem principal solta pássaros de um caixa, por se sentir segura.
No livro e o filme deixou de lado, os cães tem reações com as "coisas".
O filme não é um registro exato do livro e nem poderia sê-lo mas além de diferenças de personagens ou a inexistência de alguns, o filme destoa mais no final que possui um tom mais positivo que o livro. O filme mostra que ela se refugiando em uma escola para cegos, mas o livro mostra que o refugio no final é formado por pessoas que furaram os olhos para não correr riscos.
Existe uma explicação bem psicológica. O filme trata da cegueira que uma doença de cunho mental traz para a pessoa. No caso, depressão pós-parto meio que se justifica no processo, já que a medica dela está no refugio, o uso de uma peça azul a todo o momento, menos no final quando ela demonstra real afeição pelos filhos. Ou seja, o uso de alegorias para explicar os horrores das doenças mentais.
Ocorre que...
A questão principal do filme (a perda da visão), já teve tratamento em outro filme, "Ensaio sobre a cegueira", e me pareceu muito mais intrigante, já que a falta da visão levou aos homens a colocar a frente seus instintos mais primitivos e os dotes da civilização logo são deixados de lado. Embora o livro e nesse aspecto, o filme, não tivessem por objetivo descrever um mundo apocalíptico; mas como o "não enxergar" faz parte da natureza humana em especial no que diz respeito à relação com o próximo; é impossível não lembrar dele e perceber sua superioridade.
Mas se ficarmos apenas no nicho "filmes pós-apocalípticos"...
Há pouco tempo, em abril deste ano, foi lançado o filme "um lugar silencioso". Mesma coisa, mesma temática, na qual uma família acha refugio em uma fazenda, de um mundo que foi invadido por aliens, mas o sentido atacado no caso é a audição. No caso, os aliens que são cegos atacam qualquer ponto de origem de sons, daí a necessidade de absoluto silêncio. Dito de outro modo, para sobreviver não se deve falar e tudo deve ser feito com muita calma e sem barulho. No caso de Bird Box, para sobreviver, se deve abrir mão da visão.
Nos dois casos, abrir mão de um dos sentidos para sobreviver em um mundo sem a ordem civilizatória é o cerne dos filmes e dai a sensação de deja vu.
Tem mais, como a origem das "coisas" não é explicada e sequer elas aparecem, outra ligação impossível de não ser feita é com o filme "Fim dos tempos", mais antigo no qual os humanos se matam, atacados pelo que se vê depois, pela "natureza", com o vento levando uma espécie de pólen ou feromônio que ataca os humanos, os levando a se matar. A solução é abandonar os grupos humanos e se isolar até passar a devastação, o que vai contra o credo civilizatório de que vivemos e nos protegemos melhor vivendo em coletividades e ajudando uns aos outros.
Logo, guardadas as proporções, Bird Box é uma mistura de "Um lugar silencioso" com "Fim dos Tempos".
Não fosse pelo inusitado de não ser produto das grandes empresas produtoras mas da Netflix, um empresa de stream e possui um estrela de primeira grandeza no elenco, Sandra Bullock, é possível que esse filme passasse despercebido. Ou se o roteiro fosse condensado devidamente, poderia ser um belo episódio de Black Mirror
Algumas questoes sobre o João que não era de Deus...
Antes de qualquer coisa, o que se pretende é apontar algumas questões sobre um caso recente de crimes sequencialmente praticados sob o manto da religião; e não atacar essa ou aquela religião.
Isso posto...
- João de Deus é um médium que atua curando espiritualmente pessoas que o procuram por pelo menos 40 anos.
- João de Deus "incorpora" espíritos que curam as pessoas que o procuram desde que ele se iniciou na religião.
- João de Deus, por orientação do considerado "papa" do espiritismo, Chico Xavier, já falecido, se estabeleceu em Goiás e alí ficou até hoje.
- João de Deus, sabe-se lá porque, se tornou o médium preferido de politicos e de artistas, criando fama internacional com a entrevista para a americana Oprah, que notoriamente é forte formadora de opinião através de seu programa na televisão americana.
- João de Deus, através de sua base de atuação, possuía acordos comerciais com a Federação Espírita Brasileira para publicação e venda de livros.
- João de Deus tornou-se fonte de renda para essa Federação e se tornou um homem milionário.
- João de Deus foi preso em regime preventivo, após dezenas e agora centenas de mulheres relatarem terem sido vítimas de abuso sexual, e com isso se descobriu até agora que o mesmo é como já dito, milionário, guardando em bunkers construídos em suas casas mais de 1 milhão de reais, armas sem registro e as denúncias apontam para relacionamento com outras áreas criminosas como o garimpo clandestino.
- No auge do caso a Federação Espirita Brasileira, publicou notas na imprensa dizendo que não apoia "curadores" que agem sozinhos com os pacientes e sempre precisa ter alguém junto. Que não é espirita quem não segue as regras da Federação e que o médium perde a mediunidade se sua atuação é baseada em ganancia e desejo pessoal.
Esses são os fatos em resumo sobre o tal João de Deus.
Ao acompanhar o tema na mídia, não foi difícil perceber que algumas questões se levantam naturalmente e não vejo quase ninguém fazendo essas perguntas.
A primeira que percebi logo de cara, foi o silêncio que em especial os artistas estão fazendo. É obrigatório lembrar como a classe artística, em especial as mulheres, foram rápidas em se posicionar na campanha do "ele não" em relação a eleição de Bolsonaro. E o eventual leitor pode concordar ou não com isso, mas elas tinham o direito de se posicionar, como fizeram. Também rapidamente me vem a mente, as artistas se posicionando no "mexeu com uma, mexeu com todas", a versão tupiniquim do "me too", no caso de assédio que atrizes e profissionais de televisão sofreram de atores e diretores. E esse movimento é importantíssimo para se criar uma cultura de respeito a mulher, tão em falta hoje em dia. Entretanto, muitas das artistas que se fizeram presentes nas duas campanhas e que já foram ao centro do João de Deus receber tratamento ou passes, estão praticando um silencio obsequioso até agora e a falta de apoio dessas atrizes às vítimas do João de Deus é inacreditável.
A segunda é a rapidez com que essa Federação tratou de se descolar dos fatos, com uma explicação pra lá de interessante que pode ser resumida assim: o sujeito não é espirita porque não seguiu a orientação da federação. Não é medium, porque a mediunidade se perde. dito de outro modo, o "espirito" se afasta do sujeito se ele não tiver boas intenções. Faltou a essa entidade apontar em qual livro ou normativa, entregue ao tal João de Deus, o informava das orientações e porque ela não as tornou públicas desde o inicio. Também faltou a entidade explicar que se o sujeito não é espirita por conta disso, porque ela manteve as relações comerciais com sua base. E por fim e não menos importante, porque nenhum desses espíritos de luz que se afastaram do dito João de Deus não avisaram a entidade do desserviço que o sujeito estava fazendo a causa.
A terceira é o tratamento da mídia e a reação da população. Fosse o sujeito um pastor evangélico, as esquerdas estariam se esgoelando na mídia e nas tribunas contra o fundamentalismo cristão e seu apoio a Bolsonaro e a involução dos direitos humanos e das mulheres e por ai afora. Não faltaria quem apontasse as igrejas evangélicas, no geral, como centros de crime organizado e que as ditas curas são teatro para apanhar os incautos. Como se trata de um espirita, ai existe todo um cuidado de se separar a religião do criminoso. Mal comparando é o que ocorre quando islâmicos praticam atentados e logo a mídia corre para separar a religião dos criminosos. E talvez isso se explique por ser uma religião de origem não cristã e ter "sofrido" preconceito da denominada "cultura católica", embora o sincretismo e o tráfego de conceitos se fizeram e fazem muito comuns no país. Mas que são formas distintas de reagir isso são e isso, não se discute.
A quarta é o modus operandi do sujeito. A escolha das vítimas demonstra que tudo era conscientemente planejado. Todas elas eram mulheres desconhecidas, sem acesso a mídia e adeptas da fé que se sujeitavam ao que o "cavalo" do espirito de luz dizia ser necessário. Ele não abusou de nenhuma artista famosa ou gente com acesso à mídia e televisão. E isso não enfraquece a denuncia, mas a fortalece, pois se o sujeito tivesse se esfregado em uma juliana paes ou xuxa da vida, elas teriam botado a boca no trombone na mesma hora. A atriz e cantora Alessandra Maestrini
afirmou que ela poderia ter sido uma vítima. Ledo engano. Afinal o médium usava as famosas e famosos para ter visibilidade e usava as não famosas para saciar seus desejos.
A quinta é que a memória quase de imediato linka com o caso do médico Roger Abdelmassih que por conta de 52 casos de assédio contra 39 mulheres, foi condenado a mais de 180 anos de prisão e cumpre a pena em prisão domiciliar. E como praticamente todo mundo já esqueceu dele; é natural que mais cedo ou tarde, o mesmo ocorra com o tal João de Deus.
A sexta é de fundo religioso. Se o sujeito curava as pessoas, ou era efeito placebo ou de fato havia a intervenção de forças superiores. Se o sujeito estava sob controle dessas forças superiores e pela teoria são seres de luz e bons, porque não impediram o "cavalo" de atacar as pacientes? Se era efeito placebo, o sujeito de fato estava a praticar medicina sem ser médico o que é mais um crime a ser averiguado.
Se como disse a Federação Espirita, o medium perde o "poder" se usar para o mal, por assim dizer, porque esse "espíritos de luz" não alertaram outros médiuns sobre os crimes cometidos, sob o manto da religião e que se afastaram do dito cujo? - Ou, e isso é uma alternativa, se voce se basear no cristianismo bíblico; os ditos espíritos não eram de luz.
De qualquer forma, mais um criminoso que usando poder e controle fez centenas de mulheres vitimas.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2018
Liminares pra cá...Liminares pra lá...
Tirando toda a bobajada militante pró-lula, o movimento de liminares e anulações no STF a respeito da prisão após segunda instância, não passa de firula e jogo pra torcida, na minha opinião.
Explico o porque dela:
O ministro Marco Aurélio é o relator de duas ações contestando a inconstitucionalidade da prisão em segunda instância. O ministro em questão é contrário a esse procedimento e neste sentido o faz por fazer uma leitura da letra fria da lei.
Ocorre que...Essas duas ações estão colocadas para julgar ao menos desde o ano passado. E se antes não havia nada no caminho, desde abril deste ano, o ex-presidente Lula, que está preso por ter sido condenado em segunda instância, é o nome mais famoso entre os presos e há por certo o componente politico na decisão do juiz.
O problema, a meu sentir, é que se havia grave prejuízo a ser combatido com a emissão de uma liminar que cancelava as prisões em segunda instância, porque não a emitiu antes, quando a então presidente do STF entendeu que não iria pautar as ações tão cedo, porque o tema já havia recebido a atenção da corte em três ocasiões distintas (me poupo de tecer comentários se haviam ou não outras razões, de outras ordens)?
E porque a emissão da liminar se o atual presidente pautou as ações para julgamento para Abril de 2019?
E porque a emissão da liminar em horário tal que seria impossível reunir a corte, já que a mesma entrou em recesso e nesse caso cabe ao presidente decidir sua revogação, anulação ou aquiescência?
A mim, o ministro emitiu a liminar sabendo que o presidente do STF seria provocado a revoga-la. Ao faze-lo o ministro se torna alvo das esquerdas, agora em posição de defesa com a entrada de um novo governo, que não pode ser chamado de companheiro. Ao mesmo tempo, cria uma imagem de zelo pela constituição em tempos que a mesma tem sido deixada de lado em muitos casos.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Carrefour, animais, crimes menores e maiores
Voltei ao blog. E o tema é uma somatória de achismos, erros e verdades incompletas.
Em tempos de fakenews, todo cuidado é pouco na hora de ler noticias e apostas em fontes. E o que temos?
1. Uma rede de supermercados que possuem como é natural, um grupo terceirizado de colaboradores: vigilância, limpeza, caixas, etc. Para o público e consumidores pouco importa. Dentro das dependências da empresa ou voce é um consumidor/cliente ou você é um funcionário e se é funcionário voce é a cara da empresa e o que voce faz, na verdade é a empresa que está fazendo. Dito de outro modo, se voce já foi recepcionado por uma caixa nervosa que lhe tratou mal, a empresa lhe tratou mal, porque a fonte pagadora daquela profissional não diz respeito aos clientes. Ok até aqui? - Conclusão lógica: a atitude do vigilante de eliminar o animal, não importa se por iniciativa própria ou por ordem indireta do chefe como se alegou de inicio foi uma atitude da empresa e errou o Carrefour quando de inicio querendo se livrar jogou a culpa no terceirizado.
2. Crimes são crimes. Esse é de pouca monta, por se tratar de um animal. Mas partindo pras hipóteses: E se fosse um crime mais grave, o estupro de uma mulher, o roubo de um veiculo, o espancamento de um morador de rua que tentasse entrar no local para pedir comida? A teoria das janelas quebradas se faz presente aqui. O descaso com a morte do animal, de forma cruel e desnecessária, deixada pra lá, se permite olhar com desdém para outros crimes que possam vir a ocorrer. Não se trata de valorizar a vida do bicho acima do homem, mas ao tratar a vida do bicho sem valor, acabamos relativizando o valor da vida do homem.
3. O Carrefour errou no tratamento da questão. Errou na questão do tratamento de situações adversas quando ficou emitindo notas à imprensa tentando fazer de conta que a empresa nada tinha com aquilo. Errou na questão de treinamento de seu pessoal que não soube lidar com a questão do transito de animais em locais que exigem um mínimo de asseio e limpeza. Errou ao não emitir a ultima nota, correta, desde o inicio. Errou ao não abrir investigação interna e procedimentos administrativos mas aguardar pronunciamentos da policia.
4. Ai começam as boatarias. A fonte menos crível que se pode ter são funcionários da empresa. Por óbvio defenderão a empresa e na era do fakenews, aparecem as bobajadas de que a loja do carrefour fechou, que pessoas perderão o emprego...tudo mentira.
5. Ativistas fizeram campanha contra o carrefour. Em grande parte essa campanha é resultado dos erros da própria empresa, apontados acima. Tivesse agido mais rápido e melhor, as noticias seriam elogios e positivas.
6. Especialistas ouvidos pela revista Exame, ponderaram que clientes mais fieis da loja e aqueles que possuem relacionamento mais forte com animais tendem a boicotar a loja por um tempo. As ações positivas da empresa se ocorrerem e saírem do discurso tendem a reverter a situação.
7. O boicote é legitimo e é a única arma que o consumidor possui. Aqui no Brasil, a população pouco se mobiliza, mas nos EUA e Europa a coisa é levada a sério, mesmo que em alguns casos, seja fruto de ignorância. Querem exemplos?
- A Acelor-Mittal anos atrás começou a perder volume de vendas na europa. Como possuía todas as ISO exigidas foi pesquisar o que estava ocorrendo e as empresas que comprovam seu aço estavam deixando de faze-lo, porque seus clientes queriam uma garantia de que não se usava carvão vegetal feito com madeira de arvores em extinção e da amazonia. A primeira ação da empresa foi se encher de paciência e explicar que usavam carvão mineral e não carvão para churrasco. Não adiantou. O volume de vendar só foi retomado quando a empresa gastou alguns milhões para "certificar" que o carvão mineral usado na produção do aço não vinha de madeira de arvores em extinção.
- O Santander sofreu pressão de seus clientes por conta do financiamento de uma exposição de arte considerada pornográfica. A pressão acabou quando o financiamento parou.
E quando se condena manifestações e a coisa se alinha com a tese de que empregos são importantes e que boicotes e manifestações são erradas?
- O caso da cidade de Mariana está aí. A empresa até hoje se recusou a pagar as multas ambientais e as famílias, praticamente a cidade toda foi destruída e nada de ser ressarcida. Boicotes..a tese dos que defenderam que a empresa é mais importante está ai. Ninguem sabe mais o que ocorreu por lá e as vitimas aguardam ressarcimento até hoje.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Mensalão = Condenados entram com recursos, os embargos de declaração.
A turminha da pesada, condenada no processo do mensalão, entrou com os chamados embargos de declaração.
Entenda leitor amigo amigo o que são esses embargos. É um instrumento que tanto a defesa quanto a promotoria podem utilizar para deixar mais clara uma posição do juiz no acordão. Talvez a conclusão não bata com o texto ou datas para um mesmo ato sejam diferentes em partes diferentes do acordão que é o documento que unifica todos os votos.
Em nosso país, os votos dos 11 ministros do STF são juntados às notas taquigráficas das sessões plenárias. É criado um resumo desses votos. Essa massa de documentos enorme é o acordão com a decisão do STF. Em outros paises é apresentado um só voto informando que os juizes tais votaram com o relator sendo dissidentes e derrotados os juiz x e y. Quando o relator é vencido, o voto vencedor do dissidente é tratado como voto do colegiado informando-se que os juizes tais votos votos vencidos.
Ocorre que a grande maioria e olha que os advogados são todos estrelinhas, entraram com embargos de declaração mas o conteudo são de embargos infrigentes, coisa que o STF ainda vai julgar se aceitará ou não porque uma lei recente eliminou esse tipo de recurso embora o regimento interno do STF ainda os cite.
Alguns pediram que o relator seja outro já que o ministro Joaquim Barbosa é o presidente do STF. Me parece logico que se isso fosse correto, então o revisor também deveria ser outro porque o revisor é o vice-presidente. Também pedem que se aguarde que o executivo indique o novo membro do STF.
É o famoso juris experneandi.
Entenda leitor amigo amigo o que são esses embargos. É um instrumento que tanto a defesa quanto a promotoria podem utilizar para deixar mais clara uma posição do juiz no acordão. Talvez a conclusão não bata com o texto ou datas para um mesmo ato sejam diferentes em partes diferentes do acordão que é o documento que unifica todos os votos.
Em nosso país, os votos dos 11 ministros do STF são juntados às notas taquigráficas das sessões plenárias. É criado um resumo desses votos. Essa massa de documentos enorme é o acordão com a decisão do STF. Em outros paises é apresentado um só voto informando que os juizes tais votaram com o relator sendo dissidentes e derrotados os juiz x e y. Quando o relator é vencido, o voto vencedor do dissidente é tratado como voto do colegiado informando-se que os juizes tais votos votos vencidos.
Ocorre que a grande maioria e olha que os advogados são todos estrelinhas, entraram com embargos de declaração mas o conteudo são de embargos infrigentes, coisa que o STF ainda vai julgar se aceitará ou não porque uma lei recente eliminou esse tipo de recurso embora o regimento interno do STF ainda os cite.
Alguns pediram que o relator seja outro já que o ministro Joaquim Barbosa é o presidente do STF. Me parece logico que se isso fosse correto, então o revisor também deveria ser outro porque o revisor é o vice-presidente. Também pedem que se aguarde que o executivo indique o novo membro do STF.
É o famoso juris experneandi.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Roberto Carlos por ser chamado de rei, acha que é imperador...
Saiu na VEJA desta semana que o cantor Roberto Carlos entrou com ação judicial impedindo que um livro que na verdade seria a versão publicada de uma tese.
Maíra Zimmermann, historiadora e professora de moda, escreveu o livro intitulando o mesmo como “Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude”.
Pelo tema, já que não conheço o conteúdo e considerando que a autora é professora de moda, me parece óbvio que o livro gira em torno da...moda, não é mesmo.
Ocorre que o cantor em questão é citado como liderando ao lado de outros dois o movimento que recebeu o nome de jovem guarda e o cantor entendeu por bem que falar de jovem guarda é falar dele e por isso não tem conversa. Pediu a proibição ou o recolhimento do livro.
Não vou entrar no mérito da questão, de uma pessoa ainda viva, mesmo pública; ter o direito de impedir que fatos pessoais venham a tona ou se tornem públicos. Ocorre que no caso em questão, o cantor deseja na prática transformar em um bem pessoal algo que é público, um movimento musical e que ocorreu a bem da verdade em todo mundo na esteira dos Beatles e dos Roling Stones, até porque a maioria dos cantores e cantores que participaram desse movimento cantaram versões das musicas dos beatles.
Pesquisem na web e descobrirá videos e mais videos de especiais da emissoras de televisão a respeito da jovem guarda reunindo os artistas da época e o Roberto Carlos não apareceu em nenhum. Parece óbvio até, porque ele logo se descolou desse movimento enveredando pela musica romântica e os demais se mantiveram mais ou menos presos àquela época e musicas e os revivals traziam um pouco de ar fresco e dinheirinho para carreiras na maior parte estagnadas. Roberto Carlos não precisava disso.
Agora, uma historiadora escreve sobre o movimento e ele se acha no direito de agir contra e pedir algo inconstitucional, que é a censura.
Pode até ser um excelente cantor, nem vou discutir o discutivel título de rei. Mas é inconcebível que se permita que ele exija coisas que somente um imperador exigia de seus súditos.
Maíra Zimmermann, historiadora e professora de moda, escreveu o livro intitulando o mesmo como “Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude”.
Pelo tema, já que não conheço o conteúdo e considerando que a autora é professora de moda, me parece óbvio que o livro gira em torno da...moda, não é mesmo.
Ocorre que o cantor em questão é citado como liderando ao lado de outros dois o movimento que recebeu o nome de jovem guarda e o cantor entendeu por bem que falar de jovem guarda é falar dele e por isso não tem conversa. Pediu a proibição ou o recolhimento do livro.
Não vou entrar no mérito da questão, de uma pessoa ainda viva, mesmo pública; ter o direito de impedir que fatos pessoais venham a tona ou se tornem públicos. Ocorre que no caso em questão, o cantor deseja na prática transformar em um bem pessoal algo que é público, um movimento musical e que ocorreu a bem da verdade em todo mundo na esteira dos Beatles e dos Roling Stones, até porque a maioria dos cantores e cantores que participaram desse movimento cantaram versões das musicas dos beatles.
Pesquisem na web e descobrirá videos e mais videos de especiais da emissoras de televisão a respeito da jovem guarda reunindo os artistas da época e o Roberto Carlos não apareceu em nenhum. Parece óbvio até, porque ele logo se descolou desse movimento enveredando pela musica romântica e os demais se mantiveram mais ou menos presos àquela época e musicas e os revivals traziam um pouco de ar fresco e dinheirinho para carreiras na maior parte estagnadas. Roberto Carlos não precisava disso.
Agora, uma historiadora escreve sobre o movimento e ele se acha no direito de agir contra e pedir algo inconstitucional, que é a censura.
Pode até ser um excelente cantor, nem vou discutir o discutivel título de rei. Mas é inconcebível que se permita que ele exija coisas que somente um imperador exigia de seus súditos.
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