Sou desfavorável aos sistemas de cotas, especificamente falando das cotas denominadas raciais nas faculdades.
Já expliquei isso em outros artigos. Entendo que essas cotas deveriam ser sociais. Até 10 salários mínimos de renda familiar e não possuindo bens, os cidadãos poderiam fazer uso de cotas para entrar nas faculdades federais.
O STF está julgando um caso a respeito do tema que servirá obviamente de jurisprudência. O resultado será de 8 a 2 pela constitucionalidade das cotas.
Ninguem em sã consciência é contra que mulheres grávidas, pessoas com deficiências físicas e idosos merecem tratamento diferenciado a frente dos demais. A situação em si permite enxergar a necessidade e pouco importa no caso se a mulher é branca ou negra, se o idoso é mulato ou japones ou se a pessoa deficiente é rica ou pobre. A ninguem, ocorreu a idéia de questionar se esse tipo de atendimento preferencial é inconstitucional já que a carta magna sentencia que todos são iguais perante a lei sem distinção.
As mulheres, é nesse caso pouco importa se elas são humildes ou bem de vida, brancas ou negras, com ótima saúde ou sem ela; são o grupo de pessoas mais perseguido, se é que posso usar o termo, na história da humanidade. Muitas em pleno séculos XXI ainda morrem nas mãos de maridos e companheiros, são escravas de lares, cumprem mais que dupla jornada de trabalho, suas remunerações são históricamente menores que as dos homens, são vítimas contumazes de estupro como arma de guerra, sofrem mais que o dobro de agressões sexuais muitas vezes dentro das próprias famílias e por ai vai.
Analisem os quadros dos principais escalões do governo federal. Seguramente os cargos de ministro da economia, do BNDES, do BB, pra ficar na área financeira, geralmente a mais importante e visivel está nas mãos de homens e as mulheres comandam ministérios inexpressivos. Não vale apontar a casa civil, porque no governo Lula esse ministério com Dirceu e Dilma era forte e agora sequer se houve falar dele.
E com tudo isso, aonde estãos as cotas para mulheres?
De fato, o principio das cotas raciais para adentrar nas faculdades tem um norte meritório, porque a digamos assim parte da população brasileira negra ocupa também a maior parte dos extratos sociais mais humildes ou baixos. Isso significa pouco estudo, se tem foi adquirido nas escolas públicas, de notória deficiência e dá-se com favas contadas que consiga competir com os outros. Ocorre que no campo "outros" há uma enorme gama de pessoas não necessáriamente brancas de olhos azuis que estão na mesma situação, nordestinos por exemplo que passam pela mesma dificuldade e não terão a mesma chance por não se classificarem como negros.
E não questiono o mérito da idéia mas sua pertinência diante de um país fortemente miscigenado. E é nesse sentido que tecer comparações com os Estados Unidos por exemplo é algo descabido, porque lá o rascismo é de tal ordem que embora os escravos tivesse sido libertos, não se deu a eles a plena cidadania, coisa que começou a ser discutida nos anos 60 do século passado. Leis segregacionistas impediam cidadãos negros de sentar lado a lado com brancos em transportes coletivos, restaurantes, escolas e faculdades. A parte pobre da cidade era sempre o bairro negro. Diante de tal horror social as ações afirmativas e politicas de cotas fazem todo o sentido do mundo para diminuir o espaço criado entre negros e brancos. E que se note; se a plena igualdade jurídica e material fosse atingida, ainda assim haveria o rascismo e o preconceito, porque como dizia Martin Luther King "...nenhuma lei pode obriga-lo a me amar, mas pode impedi-lo de me linchar...".
No caso brasileiro, temos um padrão de comportamento chamado de universalidade. Nosso sistema de saúde atende a todos indistintamente mediante o SUS. Como o custo de tal proeza é por demais oneroso, o atendimento é sofrivel e quem já penou em fila de atendimento sabe do que estou falando, mas vejam vocês, o sistema de saúde americano não é universal e se você não tiver um plano de saúde, esqueça...
No caso brasileiro, as escolas públicas atendem a todos pouco importando a cor e o tamanho do bolso. Como é uma proeza manter todos dentro da escola, o resultado prático que é oferecer e fazer reter conhecimento é sofrivel; mas vejam vocês, o sistema educacional americano não é aberto a todos, mas utiliza a meritocracia acadêmica e esportiva para preencher suas vagas com a distinção feita a cotas raciais pelos motivos expostos.
Diante disso tudo, cotas raciais deveriam ser sociais como dito e dessa forma a parcela da população negra obviamente seria atendida e não deixaria de lado uma parte significativa da população que merece um tratamento diferenciado por conta do atendimento universalizado que faz de conta que ensina, faz de conta que cura...e faz de conta que o sistema não é rascista e preconceituoso.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
A decisão do STF - aborto de anencéfalos
Pelo andar da carruagem, o STF irá legitimar o aborto de fetos anencéfalos, ou seja, fetos sem cérebro.
A discussão é antiga. De um lado, o sentimento da mulher que sabendo a partir da 12ª semana que o feto irá se desenvolver até o nono mês quando nascerá ou morto ou morrerá minutos ou horas depois porque não terá o cérebro controlando os movimentos automáticos do corpo como a respiração e o batimento cardiáco; que deve ser terrivelmente angustiante.
De outro, o valor da vida e o fato daquela criança por assim dizer merecer vir ao mundo mesmo que seja para deixa-lo minutos depois.
Eu que sou contra o aborto, me coloco no lugar dessas familias e sinceramente não sei se gostaria de viver angustiantes noves meses sabendo que tudo será em vão. Por isso vou tentar aqui fazer uma análise o mais distante possivel da comoção do tema.
O STF foi chamado a falar sobre a legitimidade do aborto de crianças neste estado. Me parece portanto que a discussão deveria terminar em um frio e singelo NÃO. Explico o porquê. A lei permite o aborto, que é a interrupção da gravidez por meio mecânico ou medicamentoso em apenas duas situações: a primeira se a gestação é resultado de estupro e a segunda se há risco de vida para a mãe. Me parece óbvio que não é porque a constituição assim reza, que toda mulher que passe por uma dessas situações é obrigada a praticar o aborto. O pensamento religioso de algumas denominações não aceita o aborto sequer nessas condições permitidas pela lei.
O que temos então é que mesmo a lei permitindo o aborto dadas as pré-condições definidas, a mulher poderá decidir se o pratica ou não. Algumas poderão amar seus filhos e eles nunca a farão lembrar com amargura do momento terrivel quando ele foi concebido e outras preferirão morrer deixando que a familia cuide de seus filhos a escolher mata-lo para sobreviver. Outras, irão nas direções opostas e sinceramente, nesses casos, é dificil a qualquer um julgar o acerto ou o erro das decisões, não é mesmo?
O caso do feto sem cérebro, no entanto, não pode ser classificado como resultado de um ato hediondo como o estupro, pois na verdade foi resultado de um ato de amor e também não se pode afirmar que o feto por ser anencéfalo seja um risco a mãe, porque em geral ele cresce até os noves meses como qualquer feto saudável e a opinião do juiz Marco Aurélio de que segundo médicos, ele pode ser um risco, é uma tremenda bobagem, porque toda gestãção humana tem seus riscos e se assim fosse, todos seriam passiveis de aborto o que não é o caso.
Então, se o caso concreto não pode ser enquadrado como resultado de estupro e enquadra-lo na questão de risco a saúde da mulher é uma distorção da verdade; o que temos é que o fato do feto estar se formando com uma deficiência que impedirá a vida fora do útero não é motivo legal para legalizar o aborto.
Essa é a questão. Acho meritório que no caso específico de fetos anencéfalos, a questão da interrupção da gravidez surja especialmente pelo pesadelo que deve ser a angustia mental de carregar um feto sabendo que irá morrer e por isso o tema deveria ser encaminhado pelas vias corretas, ou seja; que o legislativo alterasse a constituição federal ou o código penal incluindo a terceira situação no qual o aborto seria admitido ou permitido.
Não é possivel, embora isso é o que ocorrerá, que o STF se transforme em casa revisora de lei quando esse papel cabe a outro poder da república.
Essa facilidade por assim dizer abre as portas, no meu entender para que novas ações sejam movidas para abortar fetos com deficiências que embora não impeçam totalmente a vida fora do útero com certeza trazem fortes sentimentos de angustia para a mãe; ou não será tão angustiante quanto, uma mãe saber que seus filhos por nascer são gêmeos siameses grudados ou dividindo partes do corpo?
O estado deve ser laico, e isso significa que não pode ditar-se pelo pensamento religioso nem pode declarar-se ateu. Ocorre que um juiz deve nesse caso obstar uma decisão porque ela se baseia no entendimento do que Deus quis dizer na bíblia mas deve apoiar uma decisão baseada no pensamento de uma escola filosófica ou no que a ciência determina?
Na verdade o juiz deverá julgar considerando a intenção do legislador, respeitando os diferentes credos que formam, queiram ou não, a cultura do povo, da nação e é lógico, não relegando o conhecimento cientifico moderno.
Esse equilibrio me parece deixou de ser dado no voto do relator Marco Aurélio que abraçou a ciência, irônicamente, como se verdade revelada fosse e jogou para escânteio as premissas religiosas do povo para o qual ele, como juiz trabalha.
Eu reconheço como legítima a preocupação do juiz com o sentimentoda mâe; mas o STF não é o forum adequado para essa decisão. O forum adequado era a Câmara Federal.
A discussão é antiga. De um lado, o sentimento da mulher que sabendo a partir da 12ª semana que o feto irá se desenvolver até o nono mês quando nascerá ou morto ou morrerá minutos ou horas depois porque não terá o cérebro controlando os movimentos automáticos do corpo como a respiração e o batimento cardiáco; que deve ser terrivelmente angustiante.
De outro, o valor da vida e o fato daquela criança por assim dizer merecer vir ao mundo mesmo que seja para deixa-lo minutos depois.
Eu que sou contra o aborto, me coloco no lugar dessas familias e sinceramente não sei se gostaria de viver angustiantes noves meses sabendo que tudo será em vão. Por isso vou tentar aqui fazer uma análise o mais distante possivel da comoção do tema.
O STF foi chamado a falar sobre a legitimidade do aborto de crianças neste estado. Me parece portanto que a discussão deveria terminar em um frio e singelo NÃO. Explico o porquê. A lei permite o aborto, que é a interrupção da gravidez por meio mecânico ou medicamentoso em apenas duas situações: a primeira se a gestação é resultado de estupro e a segunda se há risco de vida para a mãe. Me parece óbvio que não é porque a constituição assim reza, que toda mulher que passe por uma dessas situações é obrigada a praticar o aborto. O pensamento religioso de algumas denominações não aceita o aborto sequer nessas condições permitidas pela lei.
O que temos então é que mesmo a lei permitindo o aborto dadas as pré-condições definidas, a mulher poderá decidir se o pratica ou não. Algumas poderão amar seus filhos e eles nunca a farão lembrar com amargura do momento terrivel quando ele foi concebido e outras preferirão morrer deixando que a familia cuide de seus filhos a escolher mata-lo para sobreviver. Outras, irão nas direções opostas e sinceramente, nesses casos, é dificil a qualquer um julgar o acerto ou o erro das decisões, não é mesmo?
O caso do feto sem cérebro, no entanto, não pode ser classificado como resultado de um ato hediondo como o estupro, pois na verdade foi resultado de um ato de amor e também não se pode afirmar que o feto por ser anencéfalo seja um risco a mãe, porque em geral ele cresce até os noves meses como qualquer feto saudável e a opinião do juiz Marco Aurélio de que segundo médicos, ele pode ser um risco, é uma tremenda bobagem, porque toda gestãção humana tem seus riscos e se assim fosse, todos seriam passiveis de aborto o que não é o caso.
Então, se o caso concreto não pode ser enquadrado como resultado de estupro e enquadra-lo na questão de risco a saúde da mulher é uma distorção da verdade; o que temos é que o fato do feto estar se formando com uma deficiência que impedirá a vida fora do útero não é motivo legal para legalizar o aborto.
Essa é a questão. Acho meritório que no caso específico de fetos anencéfalos, a questão da interrupção da gravidez surja especialmente pelo pesadelo que deve ser a angustia mental de carregar um feto sabendo que irá morrer e por isso o tema deveria ser encaminhado pelas vias corretas, ou seja; que o legislativo alterasse a constituição federal ou o código penal incluindo a terceira situação no qual o aborto seria admitido ou permitido.
Não é possivel, embora isso é o que ocorrerá, que o STF se transforme em casa revisora de lei quando esse papel cabe a outro poder da república.
Essa facilidade por assim dizer abre as portas, no meu entender para que novas ações sejam movidas para abortar fetos com deficiências que embora não impeçam totalmente a vida fora do útero com certeza trazem fortes sentimentos de angustia para a mãe; ou não será tão angustiante quanto, uma mãe saber que seus filhos por nascer são gêmeos siameses grudados ou dividindo partes do corpo?
O estado deve ser laico, e isso significa que não pode ditar-se pelo pensamento religioso nem pode declarar-se ateu. Ocorre que um juiz deve nesse caso obstar uma decisão porque ela se baseia no entendimento do que Deus quis dizer na bíblia mas deve apoiar uma decisão baseada no pensamento de uma escola filosófica ou no que a ciência determina?
Na verdade o juiz deverá julgar considerando a intenção do legislador, respeitando os diferentes credos que formam, queiram ou não, a cultura do povo, da nação e é lógico, não relegando o conhecimento cientifico moderno.
Esse equilibrio me parece deixou de ser dado no voto do relator Marco Aurélio que abraçou a ciência, irônicamente, como se verdade revelada fosse e jogou para escânteio as premissas religiosas do povo para o qual ele, como juiz trabalha.
Eu reconheço como legítima a preocupação do juiz com o sentimentoda mâe; mas o STF não é o forum adequado para essa decisão. O forum adequado era a Câmara Federal.
sábado, 7 de abril de 2012
Imbecilidades...
07/04/2012 12h34
- Atualizado em
07/04/2012 12h34
Adolescente é preso por postar desenhos do profeta Maomé no Facebook
foram considerados crime (Foto: Reprodução)
Ofender o profeta é uma falta grave. Vale lembrar que, em 2006, um cartunista dinamarquês fez uma charge de Maomé em um jornal local e se tornou alvo de muitas críticas, e recebeu inclusive ameaças de morte da comunidade muçulmana.
Via Daily Dot
Marcadores:
islamismo maomé cristão perseguição
terça-feira, 3 de abril de 2012
Quando a pessoa troca a individualidade pela caricatura...
O SBT em seus programas de fim de semana, na procura pela audiência e pela popularidade tenta se alavancar em assuntos que por si mesmos se tornaram ou são populares. Todas as emissoras fazem isso; mas o SBT parece que se tornou mestre nesse tipo de coisa mais digamos assim popularesco.
A mais recente que tive o desprazer de assisitir quando pulava de canal em canal repetia algo que também para meu azar me deparei na semana anterior e que me levou a sentir aquela sensação de vergonha alheia, sabe como é né, quando a pessoa é incapaz de sentir vergonha, por ser sem-vergonha e você acaba sentido a mesma no lugar dela por uma questão de decoro.
Embora a formula seja velha, ela se repete com certa constância sempre que algo atinge uma certa unânimidade midiática.
Refiro-me a exposição de uns coitados cujo maior mérito seria vestir-se e agir de tal forma que pareçam com o Neymar, o atual "mais famoso" jogador do Santos.
Nada contra o Neymar. Seria rídiculo esperar que ele com a idade que tem, vista-se como se um velho fosse. E somando a idade com o dinheiro na conta conta bancária, tem mais é que se divertir. Se isso é resultado de ser um excepcional jogador de futebol trazendo alegrias para o meu time de coração, melhor ainda não é mesmo?
Ocorre que procurando capitalizar a popularidade do jogador e transforma-la em pontos no ibope, a emissora faz o quê? Chapa a tela com "sósias" do jogador.
Pode ser uma estratégica pobre e rídicula, mas faz parte do jogo das emissoras. O que me assombra é que existam jovens dispostos a abrir mão de sua individualidade para serem vistos como uma caricatura do jogador. E se o programa não explora as possiveis habilidades com a bola dessa turma de "clones", o que resta? Imitar o cabelo, a forma de se vestir e de como chamarei...dançar, duas músicas específicas que se tornaram meio que icônes porque o jovem ídolo fez publicidade delas.
É natural que as pessoas se mirem em determinados comportamentos e acabem associando suas formas de agir, de pensar, suas visões de mundo, em parte a partir de tais estereótipos. Lembro-me que na década de 80 as meninas imitavam a forma de se vestir da Madona, mas não consigo me recordar de programa de televisão buscando sósias da mesma. Houve época que um grupo e vou cita-la aqui apesas da ânsia que estou sentido só de lembrar, chamado de Menudo...arghhh... fez sucesso mas a televisão não foi atrás de adolescentes meio idiotas imitando o grupo. A mesma emissora que cito neste post criou dois ou tres grupos de jovens cantores que seguiram o modelo do grupo porto riquenho e fizeram sucesso. E se é verdade que pode-se dizer que aquele grupo abriu as portas para um Rick Martin, igualmente é verdade que um grupo brasileiro abriu as portas para um Rodrigo Faro que a crítica define como um ótimo apresentador de programas de televisão.
É bem verdade que ícones como Michael Jackson trouxeram na sua esteira os seus clones que dançavam como ele, alguns cantavam como ele e coitados, tentavam ser como eles sem ter a mesma grana no bolso e a fama; mas que se note, dançavam e cantavam e não apenas se vesntiam de forma parecida usando óculos escuros enormes como o ídolo sendo portanto apenas caricaturas, não do jogador, muito menos da pessoa, mas copiando a imagem ele ostenta publicamente para fins de marketing.
Trocar a própria individualidade para ser uma caricatura...sobra o quê depois que o programa acaba, a porta se fecha e o ídolo larga a imagem descolada por outra?
Tristes Tempos....
A mais recente que tive o desprazer de assisitir quando pulava de canal em canal repetia algo que também para meu azar me deparei na semana anterior e que me levou a sentir aquela sensação de vergonha alheia, sabe como é né, quando a pessoa é incapaz de sentir vergonha, por ser sem-vergonha e você acaba sentido a mesma no lugar dela por uma questão de decoro.
Embora a formula seja velha, ela se repete com certa constância sempre que algo atinge uma certa unânimidade midiática.
Refiro-me a exposição de uns coitados cujo maior mérito seria vestir-se e agir de tal forma que pareçam com o Neymar, o atual "mais famoso" jogador do Santos.
Nada contra o Neymar. Seria rídiculo esperar que ele com a idade que tem, vista-se como se um velho fosse. E somando a idade com o dinheiro na conta conta bancária, tem mais é que se divertir. Se isso é resultado de ser um excepcional jogador de futebol trazendo alegrias para o meu time de coração, melhor ainda não é mesmo?
Ocorre que procurando capitalizar a popularidade do jogador e transforma-la em pontos no ibope, a emissora faz o quê? Chapa a tela com "sósias" do jogador.
Pode ser uma estratégica pobre e rídicula, mas faz parte do jogo das emissoras. O que me assombra é que existam jovens dispostos a abrir mão de sua individualidade para serem vistos como uma caricatura do jogador. E se o programa não explora as possiveis habilidades com a bola dessa turma de "clones", o que resta? Imitar o cabelo, a forma de se vestir e de como chamarei...dançar, duas músicas específicas que se tornaram meio que icônes porque o jovem ídolo fez publicidade delas.
É natural que as pessoas se mirem em determinados comportamentos e acabem associando suas formas de agir, de pensar, suas visões de mundo, em parte a partir de tais estereótipos. Lembro-me que na década de 80 as meninas imitavam a forma de se vestir da Madona, mas não consigo me recordar de programa de televisão buscando sósias da mesma. Houve época que um grupo e vou cita-la aqui apesas da ânsia que estou sentido só de lembrar, chamado de Menudo...arghhh... fez sucesso mas a televisão não foi atrás de adolescentes meio idiotas imitando o grupo. A mesma emissora que cito neste post criou dois ou tres grupos de jovens cantores que seguiram o modelo do grupo porto riquenho e fizeram sucesso. E se é verdade que pode-se dizer que aquele grupo abriu as portas para um Rick Martin, igualmente é verdade que um grupo brasileiro abriu as portas para um Rodrigo Faro que a crítica define como um ótimo apresentador de programas de televisão.
É bem verdade que ícones como Michael Jackson trouxeram na sua esteira os seus clones que dançavam como ele, alguns cantavam como ele e coitados, tentavam ser como eles sem ter a mesma grana no bolso e a fama; mas que se note, dançavam e cantavam e não apenas se vesntiam de forma parecida usando óculos escuros enormes como o ídolo sendo portanto apenas caricaturas, não do jogador, muito menos da pessoa, mas copiando a imagem ele ostenta publicamente para fins de marketing.
Trocar a própria individualidade para ser uma caricatura...sobra o quê depois que o programa acaba, a porta se fecha e o ídolo larga a imagem descolada por outra?
Tristes Tempos....
terça-feira, 20 de março de 2012
espelhos distorcidos...
Nos parques de diversões antigos sempre havia uma casa de espelhos. Você se via gordo, magro, torto, de cabeça pra baixo, com a cabeça pequena ou muito grande...era diversão, mas em alguns casos os gordos se sentiam bem se vendo magros e o inverso servia as vezes de alívio, enfim...uma certa diversão com um ar de análise existêncial.
Quem tem experência na contratação de profissionais sabe que as descrições em currículos e entrevistas tem repetido o mesmo efeito das antigas casas de espelho. Peça que um candidato cite um defeito e invariavelmente ele citará algo que logo se transformará em qualidade, por exemplo, "me considero muito auto confiante"; ou "sou muito exigente comigo mesmo". A depender da situação, auto confiança é uma qualidade importante mas essa qualidade em demasia ou de tal forma dominante que se sobressaia a outras, pode ser classificada como arrogância. Como todo mundo sabe ou intui que declarar-se arrogante não é algo fácil de se fazer e pode fechar portas cria-se um eufemismo "excesso de auto confiança". Um defeito é trocado pelo excesso de uma qualidade. Uma forte auto exigência pode ser traduzida por perfeccionismo. A busca da perfeição que é uma qualidade hoje em dia impossivel de ser replicada por qualquer ser humano, demonstra uma clara insatisfação consigo mesmo, com as coisas a sua volta e com outros. Como é obviamente desagradável designar-se como alguem que nunca está contente a espera do impossivel, alguem que é dificil de se agradar, usa-se um eufemismo como ser exigente consigo mesmo.
E claro, no cotidiano observa-se o mesmo jogo de espelhos. Uma pessoa que é grosseira quanto trata outros, define-se como autêntica ou sincera. As pessoas confundem o método com o objetivo. Se é certo, esperado e desejado ser sincero no que se fala ou faz, o método pode inviabilizar o objetivo. Demônios encarnados em homens já causaram o inimaginável quando praticaram o mote de que "os fins justificam os meios"; quando na verdade os meios são o que condicionam a qualificação dos fins.
O mundo está cada vez mais solitário embora nunca estivemos tão ligados como nessa era, pelo menos virtualmente. Os homens estão cada vez mais encastelados em suas próprias visões de mundo embora nunca estivemos mais solidários com as causas alheias como nessa era, pelo menos virtualmente.
Em um mundo cada vez mais hedonista, no eterno jogo de espelhos entre o que somos e o que gostariámos que os outros vissem; estamos abandonando a realidade e vivendo a fantasia. Deixamos o mundo real e privilegiamos o mundo virtual.
De certa forma estamos a trocar o sono pela morte e com isso quem sabe sonhar...
Quem tem experência na contratação de profissionais sabe que as descrições em currículos e entrevistas tem repetido o mesmo efeito das antigas casas de espelho. Peça que um candidato cite um defeito e invariavelmente ele citará algo que logo se transformará em qualidade, por exemplo, "me considero muito auto confiante"; ou "sou muito exigente comigo mesmo". A depender da situação, auto confiança é uma qualidade importante mas essa qualidade em demasia ou de tal forma dominante que se sobressaia a outras, pode ser classificada como arrogância. Como todo mundo sabe ou intui que declarar-se arrogante não é algo fácil de se fazer e pode fechar portas cria-se um eufemismo "excesso de auto confiança". Um defeito é trocado pelo excesso de uma qualidade. Uma forte auto exigência pode ser traduzida por perfeccionismo. A busca da perfeição que é uma qualidade hoje em dia impossivel de ser replicada por qualquer ser humano, demonstra uma clara insatisfação consigo mesmo, com as coisas a sua volta e com outros. Como é obviamente desagradável designar-se como alguem que nunca está contente a espera do impossivel, alguem que é dificil de se agradar, usa-se um eufemismo como ser exigente consigo mesmo.
E claro, no cotidiano observa-se o mesmo jogo de espelhos. Uma pessoa que é grosseira quanto trata outros, define-se como autêntica ou sincera. As pessoas confundem o método com o objetivo. Se é certo, esperado e desejado ser sincero no que se fala ou faz, o método pode inviabilizar o objetivo. Demônios encarnados em homens já causaram o inimaginável quando praticaram o mote de que "os fins justificam os meios"; quando na verdade os meios são o que condicionam a qualificação dos fins.
O mundo está cada vez mais solitário embora nunca estivemos tão ligados como nessa era, pelo menos virtualmente. Os homens estão cada vez mais encastelados em suas próprias visões de mundo embora nunca estivemos mais solidários com as causas alheias como nessa era, pelo menos virtualmente.
Em um mundo cada vez mais hedonista, no eterno jogo de espelhos entre o que somos e o que gostariámos que os outros vissem; estamos abandonando a realidade e vivendo a fantasia. Deixamos o mundo real e privilegiamos o mundo virtual.
De certa forma estamos a trocar o sono pela morte e com isso quem sabe sonhar...
terça-feira, 13 de março de 2012
Um texto muito bom de Reinaldo Azevedo...
A Janela de Overton – Ou: Como fazer a opinião pública se deslocar de um ponto para outro ignorando o mérito das questões
O que esta imagem faz aí no alto? Explico.
Se
vocês entrarem na Internet para pesquisar o que é “Janela de Overton”,
encontrarão duas referências principais: uma delas diz respeito a um
conceito de manipulação — ou, se quiserem, de “operação” — da opinião
pública segundo conceitos elaborados por Joseph P. Overton,
ex-vice-presidente de um think tank chamado Mackinac Center for Public
Policy. Outra, relacionada com a primeira, é um romance policial de
Glenn Beck, o demonizado (pelas esquerdas) âncora da Fox News, que usou o
conceito para imaginar uma grande conspiração contra os EUA. Mas o que é
“Janela de Overton”?
A
coisa tem sido explicada por aí de modo capenga. Peguemos justamente o
caso do aborto no Brasil. A maioria dos brasileiros é contra, e isso
obrigou, inclusive, a presidente Dilma a contar uma inverdade na
campanha eleitoral sobre a sua real opinião, que ela já havia
expressado. Era favorável à legalização — chegou a empregar essa
palavra — e teve de recuar.
Muito
bem: a Janela de Overton registra como pensa a maioria da sociedade num
dado momento sobre um determinado assunto. As posições, claro, variam
do absolutamente contra ao absolutamente a favor. O pensamento da janela
é o máximo que um político, a depender de sua ambição, pode sustentar
publicamente. É evidente que um militante do aborto pode ser eleito
deputado por eleitores abortistas — mas teria problemas para se eleger
presidente da República ou senador.
Muito
bem! É possível deslocar a janela para um lado ou para outro? É! Isso
demanda trabalho de pessoas especializadas em manipulação da opinião
pública. Notem: quando emprego a palavra “manipulação”, não estou
querendo dizer “conspiração”. Empresas organizadas passam a atuar na
sociedade para lhe oferecer valores que levem ao pretendido
deslocamento.
Continuemos
com o aborto. Mesmo quando era favorável, Dilma dizia que nenhuma
mulher pode gostar da coisa em si, que é um sofrimento. O mesmo afirma
sua agora ministra Eleonora Menicucci. Há dias, o impressionante
Fernando Haddad afirmou que, “como homem”, é contra — nota: creio que
tentou dizer que, como político, nem tanto, sei lá… Repararam que,
nessas intervenções, deixa-se de discutir o aborto para debater um outro
tema? Que outro? A proposta da tal comissão o evidencia: “as condições
da mulher”.
O que
isso significa? Para tentar deslocar a janela de opinião do “contra”
para o “menos contra”, até chegar à “neutralidade” e, quem sabe?, um
dia, ao “a favor”, é preciso trabalhar algum outro valor relacionado ao
tema. Para esse trabalho, entra em campo um verdadeiro exército de
“especialistas em opinião pública”: assessores de imprensa, relações
públicas, institutos de pesquisa, think tanks, agências de lobby. E vai
por aí.
Peguemos
a questão do Código Florestal, outro exemplo gritante. É evidente que a
maioria da população se oporia a que famílias fossem desalojadas ou a
uma queda na produção de alimentos. Se a maioria é contra, dificilmente
um político com ambições nacionais abraçará essa causa. Mas por que não
outra? A da “conservação da natureza” certamente é simpática e tem
condições de operar o deslocamento da janela. É o que tem conseguido
Marina Silva, que conta com assessoria de imagem profissional. É o que
têm conseguido ONGs americanas financiadas pelo setor agrícola dos EUA.
Criminalizam os agricultores brasileiros, transformando-os em sinônimo
de desmatadores. O caso mais bem-sucedido de que se tem notícia nessa
área é o terrorismo feito com o tal aquecimento global. O que pode ser
maior do que “salvar o planeta”?
Verdades e mentiras
Governo e políticos gastam fortunas tentando vender “idéias” à opinião pública. Quase não há pessoa pública no Brasil que não seja cliente de uma empresa — ou de várias — de assessoria e gerenciamento de imagem. O que se pretende é bem mais do que informar a sua “agenda”. O trabalho é mais amplo: trata-se de detectar um determinado sentimento da sociedade e passar a trabalhar para mudá-lo — eventualmente neutralizá-lo. Querem ver?
Governo e políticos gastam fortunas tentando vender “idéias” à opinião pública. Quase não há pessoa pública no Brasil que não seja cliente de uma empresa — ou de várias — de assessoria e gerenciamento de imagem. O que se pretende é bem mais do que informar a sua “agenda”. O trabalho é mais amplo: trata-se de detectar um determinado sentimento da sociedade e passar a trabalhar para mudá-lo — eventualmente neutralizá-lo. Querem ver?
O
tucano José Serra, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, não
tocou até agora em palavras como “aborto” e “kit gay”. No PT, já se
manifestaram sobre o assunto o pré-candidato do partido, Fernando
Haddad; o presidente da legenda, Rui Falcão; o “chefe de quadrilha”
(segundo a PGR) José Dirceu, entre outros. O tema passou a ser tratado
pelos próprios petistas, COM A AJUDA DE SETORES DA IMPRENSA, sugerindo
que o “outro lado” vai explorar esses temas em campanha e que isso, na
verdade, é “uma baixaria”. O trabalho é tão bem-feito que foram buscar
declarações contrárias àquela que seria à abordagem não-virtuosa dessas
questões até de tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Vale dizer: meteram FHC na campanha pró-PT!
Ora,
por que isso? Porque o PT tem pesquisas em mãos que demonstram que esses
temas são potenciais fontes de desgaste do candidato petista. Então é
preciso aplicar uma espécie de vacina, de remédio preventivo. Antes que o
adversário se refira a esses assuntos, Haddad já sai gritando: “Isso é
uma baixaria!”.
Nesse
caso, o trabalho de manipulação da opinião pública consiste, numa
ponta, em transformar o aborto numa decorrência natural dos “direitos da
mulher”, desfetalizando o debate. O feto passa a ser uma mera
derivação do seu corpo; se a incomoda e se ela não quer, tira-se. Também
se vai insistir nas escandalosamente mentirosas 200 mil mortes de
mulheres em decorrência de abortos clandestinos. Outro argumento forte,
que tende a mover uma fatia dos setores mais conservadores, diz respeito
à segurança pública: crianças abandonas pelos pais seriam
potencialmente violentas e ameaçariam a sociedade. Na outra ponta,
qualifica-se de “reacionários”, “conservadores” e “avessos ao progresso”
aqueles que têm uma posição contrária, de modo a silenciá-los. Tudo
dando certo, a janela se move.
Sacolinhas plásticas
Os temas variam dos mais graves, como o aborto e o Código Florestal, que dizem respeito, respectivamente, à vida humana e à segurança alimentar, aos mais bizarros — mas nem por isso menos lucrativos, como as sacolinhas plásticas nos supermercados. Ninguém convenceria de bom grado um consumidor a sair do mercado carregando compras em caixas de papelão ou em sacolas de lona. Os incômodos são muitos. Alevantou-se, como diria o poeta, um valor mais alto — e hoje base de várias teses autoritárias influentes: a conservação da natureza.
Os temas variam dos mais graves, como o aborto e o Código Florestal, que dizem respeito, respectivamente, à vida humana e à segurança alimentar, aos mais bizarros — mas nem por isso menos lucrativos, como as sacolinhas plásticas nos supermercados. Ninguém convenceria de bom grado um consumidor a sair do mercado carregando compras em caixas de papelão ou em sacolas de lona. Os incômodos são muitos. Alevantou-se, como diria o poeta, um valor mais alto — e hoje base de várias teses autoritárias influentes: a conservação da natureza.
Huuummm…
Em nome dela, nada mais de sacolinhas feitas de derivado de petróleo!
Certo! Considerando que os brasileiros não comem plástico, aquele troço
servia, leitor amigo, na sua casa e na minha, de saquinho de lixo,
certo? Sem um, aumenta o consumo do outro, e o resultado tende ao
empate. Os supermercados podem ganhar uns trocos não fornecendo os
saquinhos, a indústria de plástico pode compensar a baixa do consumo de
um produto com a elevação do consumo de outro, e só o consumidor se
dana. Mas esperem! Há a sacolinha reciclável, feita, parece, com algum
derivado do milho… Descobriu-se de pois que havia um único fornecedor
para o produto… É mesmo?
Cuidado!
É preciso tomar cuidado para não cair na paranóia de que o mundo é uma grande conspiração; de que forças secretas se movem nas sombras e que estamos sempre sendo administrados por alguém. Não deixem que a “Janela de Overton” abra a “Janela da Conspiração” na sua cabeça. Somos sempre influenciados pelo debate público, pelas opiniões alheias, pela propaganda, pelo trabalho, sim!, dos assessores de imprensa, assessores de imagem, administradores de crise, essas coisas… Isso é normal é do mundo livre. Chata era a vida nos países comunas, onde só se podia ser influenciado pelo… partido!
É preciso tomar cuidado para não cair na paranóia de que o mundo é uma grande conspiração; de que forças secretas se movem nas sombras e que estamos sempre sendo administrados por alguém. Não deixem que a “Janela de Overton” abra a “Janela da Conspiração” na sua cabeça. Somos sempre influenciados pelo debate público, pelas opiniões alheias, pela propaganda, pelo trabalho, sim!, dos assessores de imprensa, assessores de imagem, administradores de crise, essas coisas… Isso é normal é do mundo livre. Chata era a vida nos países comunas, onde só se podia ser influenciado pelo… partido!
Como,
então, distinguir o “meu pensamento” dessa algaravia de outros
pensamentos e lobbies organizados? Bem, não tenho a receita. O que
costumo recomendar é o seguinte: verifique sempre se as pessoas estão
debatendo o mérito da questão ou algum tema associado, que pode até
guardar algum parentesco com o assunto principal, mas que é um óbvio
desvio.
Se
você se pegar falando sobre o desvio, o tema paralelo, não duvide: você
caiu na rede profissional dos operadores de opinião pública. Não faz
tempo, o caos nos aeroportos brasileiros e o péssimo serviço oferecido
por algumas companhias aéreas acabaram surgindo no noticiário como
evidências do sucesso do governo petista na política de distribuição de
renda, que teria levado os pobres para o avião. A questão essencial
ficou de lado: por que aeroportos e companhias aéreas não se organizaram
para isso? A janeja da opinião pública, é evidente, estava numa posição
crítica, contrária ao governo e à bagaunça das companhias. Mas se
deslocou um pouco para recepcionar a tese do “bom caos”, gerado por
motivos edificantes.
Encerro
No curto prazo, governos investem somas fabulosas em propaganda, divulgando seus feitos. Aquele outro trabalho, de mudança de valores, é mais sutil. As oposições brasileiras não têm sabido enfrentar nem uma coisa nem outra.
No curto prazo, governos investem somas fabulosas em propaganda, divulgando seus feitos. Aquele outro trabalho, de mudança de valores, é mais sutil. As oposições brasileiras não têm sabido enfrentar nem uma coisa nem outra.
Marcadores:
janela de overton,
questões,
reinaldo azevedo; aborto
Se murar vira hospício...se cobrir com lona é circo.
Li no blogo do Reinaldo Azevedo e não crendo, fui na fonte e lá estava. Uma ong deseja banir o lvro A divina Comédia de Dante Alighieri. Motivo? Bom...ele descreve a pena infernal de Maomé como criador de uma seita; descreve o sofrimento de sodomitas, o antigo nome para homossexuais e descreve Judas Iscariotes sendo mastigado pelo tinhoso em pessoa. O tinhoso possui três rostos, numa espécie de trindade do mal e em cada uma, um traidor famoso da história; Judas, Brutus e não me recordo agora do terceiro são mastigados pela eternidade. Ao colocar Judas em tal inglória situação, Dante estaria cometendo o crime de rascimo. Nos outros dois exemplos, os pecados seriam do preconceito sexual e religioso.
Quando penso que essa turminha militante e progressista do "belo, justo e virtuoso", não conseguiriam me surpreender, eles conseguem a proeza de provar que eu estou errado e o fundo do poço da insensatez pode ser bem mais fundo do que se imaginava.
Judas traiu o Cristo por 30 moedas de prata. Isso está registrado nos evangelhos e de modo algum os escritores registraram isso para "criar preconceito" contra os judeus. Porque? - Por que os escritores eram judeus com excessão de um deles que era prosélito religioso convertido ao cristianismo. A troco do quê os escritores iriam formular uma prática dessas se o objetivo deles era justamente ganhar os judeus para o cristianismo? - Séculos depois, a Cristandade (aquilo no qual se converteu o "caminho" depois que a partir do século II, deixou-se misturar com filosofia grega, paganismo e tornando-se religião do estado; misturou poder político e religioso); é que resolveu, numa leitura porca e irresponsável dos fatos dizer que os judeus como grupo, raça, etnia, não importa era culpado pela morte do Cristo pela eternidade a frente. Logo, não é o texto de Dante que cria preconceito contra os judeus. Queriam o quê exatamente, um redesenho da estória colocando Judas sob um ponto de vista positivo? - Só rindo mesmo.
Sobre os demais exemplos então, deixo de comentar por pura preguiça...
Dante terminou a obra por volta de 1321 vindo a morrer pouco depois. Ele condensou na obra o pensamento da época sobre muitas coisas.
Não me parece crivel, que alguem após ler a Divina Comédia passe a ter preconceitos contra judeus, islâmicos e outros, da mesma forma que não é crível que alguem use essa obra como base de prova para a existência do inferno de fogo e tormento eterno como descrito por Dante, até porque ele descreve os titãs que lutaram contra Jupiter ou Zeus. Eles existiram?: - Pois é!
Use os argumentos dessa turminha progressista, e outros escritores deveriam ser banidos também. Dúvida? Charles Dickens, tornou imortal o judeu marginal que se aproveita dos outros, Fagin, na obra Oliver Twist.
E o que dizer de O mercador de Veneza, que apresentou Shylock, que tornou-se o imaginário do judeu, que só pensa no dinheiro acima de tudo e que marcou de certa forma a visão da época sobre os judeus?
O pior é que não se lida com uma grupelho de meia duzia de gatos pingados mas com uma verdadeira Legião, a exemplo do outro que questionado pelo Senhor qual era seu nome respondeu "legião", por serem muitos. E o pior é que neste caso não há manada de porcos que dê jeito, se é que me entendem.
Quando penso que essa turminha militante e progressista do "belo, justo e virtuoso", não conseguiriam me surpreender, eles conseguem a proeza de provar que eu estou errado e o fundo do poço da insensatez pode ser bem mais fundo do que se imaginava.
Judas traiu o Cristo por 30 moedas de prata. Isso está registrado nos evangelhos e de modo algum os escritores registraram isso para "criar preconceito" contra os judeus. Porque? - Por que os escritores eram judeus com excessão de um deles que era prosélito religioso convertido ao cristianismo. A troco do quê os escritores iriam formular uma prática dessas se o objetivo deles era justamente ganhar os judeus para o cristianismo? - Séculos depois, a Cristandade (aquilo no qual se converteu o "caminho" depois que a partir do século II, deixou-se misturar com filosofia grega, paganismo e tornando-se religião do estado; misturou poder político e religioso); é que resolveu, numa leitura porca e irresponsável dos fatos dizer que os judeus como grupo, raça, etnia, não importa era culpado pela morte do Cristo pela eternidade a frente. Logo, não é o texto de Dante que cria preconceito contra os judeus. Queriam o quê exatamente, um redesenho da estória colocando Judas sob um ponto de vista positivo? - Só rindo mesmo.
Sobre os demais exemplos então, deixo de comentar por pura preguiça...
Dante terminou a obra por volta de 1321 vindo a morrer pouco depois. Ele condensou na obra o pensamento da época sobre muitas coisas.
Não me parece crivel, que alguem após ler a Divina Comédia passe a ter preconceitos contra judeus, islâmicos e outros, da mesma forma que não é crível que alguem use essa obra como base de prova para a existência do inferno de fogo e tormento eterno como descrito por Dante, até porque ele descreve os titãs que lutaram contra Jupiter ou Zeus. Eles existiram?: - Pois é!
Use os argumentos dessa turminha progressista, e outros escritores deveriam ser banidos também. Dúvida? Charles Dickens, tornou imortal o judeu marginal que se aproveita dos outros, Fagin, na obra Oliver Twist.
E o que dizer de O mercador de Veneza, que apresentou Shylock, que tornou-se o imaginário do judeu, que só pensa no dinheiro acima de tudo e que marcou de certa forma a visão da época sobre os judeus?
O pior é que não se lida com uma grupelho de meia duzia de gatos pingados mas com uma verdadeira Legião, a exemplo do outro que questionado pelo Senhor qual era seu nome respondeu "legião", por serem muitos. E o pior é que neste caso não há manada de porcos que dê jeito, se é que me entendem.
Marcadores:
censura,
dante alighieri,
preconceito,
progressistas
Assinar:
Postagens (Atom)